só desejo um pouco de nada

não gosto do materialismo do mundo em que vivo. as pessoas orgulharem-se de terem o maior, melhor, mais caro...tudo. não me acredito que se sintam reais. sinto que é tudo uma mentira. procurar complementos à pouca vida que têm.

sinto que, com 32 anos, olho à minha volta e vejo o mundo parado. pouco evoluímos. preferimos dar computadores, a dar formação. preferimos oferecer, do que fazer por merecer. preferimos consumir, a tentar arranjar. preferimos desistir, a tentar mais uma vez e outra e outra...olho a toda a volta e vejo pessoas que continuam a dar prioridade ao fácil, ao beber até morrer, ao fumar até ficarem inconscientes, ao risco, ao andar aos tombos, aos gritos no meio da rua, à falta de amor próprio, de alternativas, à falta de imaginação, de criatividade, ao desrespeito, pelos outros e, acima de tudo, por si próprios. pessoas que crescem cansadas de viver. pessoas que não querem.

esta viagem é, também, uma fuga. uma fuga ao medo de ficar. de descansar tempo demais. de não ter tempo depois. de ficar com preguiça. é uma viagem contra o acomodar. contra as almofadas no sofá em frente à televisão (que felizmente, nunca tive). contra o quente dos cobertores. contra o frigorífico. contra grande parte das coisas que, até hoje, lutámos por conseguir. é uma fuga. não a pessoas, nem a trabalho, mas à maneira como se vive, como eu vivo. como sempre vivi. com tudo. agora, só desejo um pouco de nada. o chão por baixo. o céu por cima. uma paisagem à frente. o passado atrás. poucas palavras. silêncio. o desconhecido. ir!



1 comentário:

Carlos Santos disse...

Não tens uma TV tens DUAS! ;)

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