traço após traço

sinto-nos como que a marcar traços na parede, qual prisioneiro enjaulado, a contar o dia em que poderá caminhar de novo sem limitações no espaço. a cada dia que passa, me sinto mais desiludido com o andar das coisas. poderia estar totalmente feliz, mas não estou. e sei que a tanya também não está. o motivo maior, é a questão profissional...poderia estar tudo tão bem, e sentimos, cada um no seu extremo, uma frustração enorme, uma desilusão enorme pelo que se passa connosco. olhando para a minha situação, reparo que poderia ser tão perfeito. poderia continuar mês após mês, com um sorriso cada vez maior na cara, porque existe tudo para que isso aconteça. mas não. as pessoas não querem que assim seja. não desejam isso. e vejo-me obrigado a entristecer e a traçar linhas na parede, uma após outra, qual dominó que, tombado, dará uma conta enorme. e é assim que me sinto. é assim que, dia a pós dia, marco mais um traço e a cada traço que marco, vejo um mapa cada vez mais focado e isso sim, alegra-me. alegra-nos! uma série de montanhas a atravessar, de rios a cruzar, de terra a calcar, de asfalto a pedalar! um traço que se atravessa de uma ponta à outra, de um extremo ao outro, e que se entrelaça em nomes de cidades desconhecidas e de lá não quer sair! riscos que pintam pessoas que não conhecemos, palavras que não entendemos, caminhos que descobriremos! esboços! e, traço após traço, o dia aproxima-se e tudo começará a fazer mais sentido! todo o sentido! não queremos perder esta oportunidade. não queremos adiar mais uma vez, outra vez. pode ser muito mais tarde, haverá mais oportunidades com toda a certeza...mas se não for agora...quando será?

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