casa da partida

chegará o dia em que diremos um até já longo a toda a gente. chegará um dia a que atribuiremos um nome, o dia da despedida. temos necessidade de marcar estes dias como que um começo, um ponto zero, o início, a casa da partida. não sei de onde será, em que direcção, onde pararemos, até quando aguentaremos. não sabemos quase nada neste momento, a não ser que temos a certeza de que é isto! e quando se tem a certeza, é absoluta! dizemos, no gozo (quero acreditar) que faremos ovar-maia e depois imprimimos umas folhas a3 com imagens de alguns pontos do mundo e nos fotografamos em frente, qual gnomo do pai da amélie que viajava pelo mundo e de cada ponto, uma recordação! chegará o dia em que teremos pena de deixar muita coisa para trás. faz parte dos humanos. deixar os amigos, a família, objectos, as esquinas do dia a dia, deixar os cães. se a todos podemos informar onde andamos, como e se tudo está bem, aos nossos filhotes, isso é mais complicado e isso sim, entristece-nos. deixa-nos de rastos. eles não saberem onde estamos, a razão pela qual os deixámos. abandonados? outra vez? é só esta a imagem cruel que me vem à cabeça e na qual não quero pensar. chegará o dia em que nos sentiremos desamparados. sem pouso certo. sem saber onde vamos dormir. o que vamos comer. que perigos iremos correr. quem nos aparecerá. mas tudo isto, ao contrário de me provocar um medo de morte, provoca-me um desejo de vida! de experimentar. de nos experimentarmos. mais do que qualquer perigo, a vida a dois, durante tanto tempo, todos os dias, provocar-nos-á o maior desafio. e estamos mais do que preparados para o confronto! chegará o dia em que mais nada disto iremos escrever, e daremos lugar a um sem número de pasmos, surpresas e imagens que nos seguirão a cada momento, como se de uma nova vida se tratasse. como se tudo tivesse um novo início. a casa da partida! o um! lança os dados...

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