até palência

este foi, sem dúvida, o dia mais calmo que tivemos até agora. a estrada que nos levava a palência era tão plana que, sempre que surgia uma pequena elevação, púnhamos logo as "mãos à cabeça"! lembro-me que cheguei a gozar uma vez que me tinha custado pela vida, passar uma cova que estava na estrada. pensando, como sempre, em fazer a maior parte do caminho de manhã, as possibilidades deixadas eram as de, ou pedalar muito devagar, ou então a de chegar a palência antes do almoço. optámos pela primeira. assim, decidimos parar em "todas as capelinhas" encontradas pelo caminho! tínhamos à espera para o almoço, o nosso famoso tortellini, desta vez de espinafres, que tínhamos feito antes de sair da casa do paulo em valladolid e, antes de deixar a cidade, tivemos ainda tempo de passar pelo café onde ele e a leti se encontravam, para um último café em conjunto! não podemos abandonar a cidade sem passear um pouco pela plaza mayor, enquanto o nosso amigo nos tirava umas últimas fotos!

a paisagem até palência é feita de campos de cultivo a perder de vista. ora verdes, ora num castanho de terra por lavrar. depois de parar em algumas aldeias com a desculpa de que as calorias se tinham ido muito depressa e por isso, sempre preparados para comer fruta ou um qualquer doce, olhámos para o conta-quilómetros e reparámos que 37 já estavam feitos. tempo de parar na primeira aldeia que aparecesse e que calhou ser na última aldeia antes de palência! do lado esquerdo, uma pequena estrada ligava à população. esta, não devia ter mais de 50 pessoas, uma capela, uma única rua e um cavalo! este cavalo, foi a nossa ligação à aldeia!

o homem que o guardava, depois de alguns dedos de conversa e de termos perguntado de não poderíamos comprar pão por ali - claro que não, não havia lojas! - ofereceu-se para nos ceder algum. ao recusarmos a gentileza, o homem despediu-se e deixou-nos com o nosso almoço. o cavalo estava mesmo à nossa frente e só uma pequena rede de arame nos separava dele! a tanya, que já havia mostrado imitar na perfeição os gatos, tentou desta vez com os cavalos! tentativa feita, ponto atingido! ao relinchar, o cavalo olha-a atento e solta um relincho em "resposta". claro que a gargalhada foi instantânea! seria coincidência? ao tentar de novo, o cavalo voltou a fazê-lo! e isto durou por mais 2 minutos, até que o homem voltou a ver o que se passava e trazia com ele a mulher o o cão que, fora o cão, se mostraram muito admirados pelo sucedido - "que era a primeira vez que o cavalo o fazia" - disseram-nos! o motivo estava criado para "dois dedos" de conversa! ao descobrirem que éramos portugueses, explicaram que a filha era lá enfermeira, em sintra, mas que vivia em carcavelos, que gostavam muito daquela zona e que, mesmo que não quiséssemos, agora é que teríamos de ir buscar o pão - "lá vão vocês comer sem pão..." - repetiam! a tanya, acompanhada pelo pequeníssimo cão que lhe latia a cada passo, além do pão, aproveirou para ir à casa de banho!

voltando à estrada, chegámos a palência 13km depois, onde nos esperava o david, a nossa primeira experiência couchsurfing desta viagem. após um bom banho, fomos os 3 dar uma volta pela cidade. subimos ao monte viejo - um pequeno monte a rasgar o planalto espanhol, que em tempos servia para o rei descansar, caçar e fazer pequenas festas - com pequenas infrastuturas de lazer, passeámo-nos pelas ruas da cidade, entrando aqui e ali e, claro está, na catedral de palência, um imponente edifício muito bonito por dentro. a volta foi rápida, pois além de estarmos cansados, começou a chover e o facto de o david ter vindo connosco, limita sempre a liberdade da visita. é bom estar com pessoas da terra, pois estas apresentam os sítios, contam-nos curiosidades, levam-nos a recantos escondidos, mas também é óptimo andarmos sozinhos, perdermo-nos (como sempre acontece) nas ruas e nem sempre ter a obrigatoriedade de passar nos pontos turísticos. volvidos a casa, preparamos o jantar vegetariano, pois o nosso anfitrião também o era e sentamo-nos a comer. o serão foi agradável, pois além da comida estar deliciosa, a conversa andou à volta da índia - país onde estive e onde o david iria em julho (a pior altura para se ir...) - da política espanhola, das províncias que lutavam pela independência, de portugal e espanha e da união europeia, entre outros assuntos que nos alegraram e suscitaram conversa até nos irmos deitar!

depois de refastelados no quarto que nos deu e na cama onde costumava dormir, descobrimos que esta era muito má, pois o colchão fazia um buraco ao meio onde nos encontrámos em 99% do tempo em que dormíamos. isto não é ma, quando o queremos, mas sim quando nos vimos forçados a isso! deitados, reparámos que nem um nem outro teria forças para se manter acordado e escrever algo para o blog. estavamos de rastos. ficaria para amanhã.



3 comentários:

familia Palma disse...

já estavamos com saudades de noticias....

boas pedaladas

familia Palma

Falcada disse...

Meninos,
Tenho vindo cá todos os dias religiosamente. Bendito seja quem inventou esta coisa dos blogs. As saudadas são já muitas, mas é sempre inspirador ler-vos e ver-vos. A falta de alguém para carpir mágoas laborais, existe este cantinho de descompressão.
Beijos grandes nossos.
P.S. O Cisco já consegue pôr os dedos dos pés na boca e já produz um leque maior de sons. Qualquer dia está um homem.

xistacio disse...

bem... se alguma vez tiverem de ficar num estabulo pelo menos a conversa com o cavalo ja está garantida! ehehe

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