campo benfeito - pinhão

no dia da chegada a campo benfeito e depois de toda aquela torrente de elevações grotescas e indesejadas, frio, chuva e sei lá mais o quê de mau, decidimos que no outro dia, aquele em que partiríamos para o pinhão, seria adiado. ficar mais um dia nesta pequena aldeia de 60 habitantes, era um prazer. é um sítio muito importante para nós! a tanya viveu nesta pequena aldeia durante 1 ano e 8 meses e foi a trabalhar para o teatro regional da serra do montemuro que tive a sorte de a conhecer, quando estes viajaram até guimarães para a apresentação dum espectáculo. depois disso, passamos muito tempo nesta pequena aldeia a 1100 metros de altitude. temos lá bons amigos, o ritmo da aldeia é relaxante, a montanha crua e o frio, a neve e o vento, cortante. não há rede no telemóvel em quase nenhuma casa da aldeia e só subindo ao telhado, ou ao teatro que é no ponto mais alto, é que temos hipótese de conseguir comunicar para fora dela! perfeito para viver! como já dissemos, a neusa e o rui receberam-nos em sua casa de braços quentinhos. alguns amigos que já não víamos há algum tempo, também lá estavam. tivemos mesmo que ficar!

acordámos e tinha nevado imenso! lá fora, o branco cobria a montanha, o vento era gelado, as nuvens eram negras. a casa estava quente, estávamos rodeados de amigos e as conversas longe da televisão e do barulho, enquanto ouvíamos as vacas do tó manel a passar, sucediam-se! depois do almoço, fomos tomar café ao único estabelecimento da aldeia, a sezarina! é lá que a aldeia se encontra, é lá que vamos sempre que queremos abraçar alguém! às 2 da tarde, fui com o paulo do teatro, buscar as bicicletas aos bombeiros de castro daire – que ajuda! – e logo que voltei, fomos a casa da paula e do abel – também eles do teatro – actualizar os nossos blogs! à noite, regressamos a casa e jantámos, mais uma vez, todos juntos. tínhamos que nos deitar cedo, se queríamos sair bem de manhã para o pinhão, mas não foi o que aconteceu. o rodrigo lembrou-se de me dizer que percebia muito de bicicletas e então fomos para a garagem por baixo da casa, onde tive uma grande aula de “como afinar travões, mudanças, mudar pneus e afins”. voltando a casa, ainda estivemos na galhofa até às tantas da noite, prometendo sempre que seria a última coisa que iríamos contar! dormimos descansados sem ouvir o rodrigo ressonar!

a manhã acordou com o sol a espreitar nuvem sim, nuvem não. um frio de rachar. depois de um banho bem quente e de um pequeno-almoço reforçado, decidimos fazer-nos à estrada. último abraço ao rui e estrada de paralelo fora até chegarmos ao topo da aldeia onde, além de tirarmos as primeiras fotos, telefonámos a alguns familiares. a partir daí, só fizemos mais duas paragens em pouco mais de 3km. uma, para vestir os corta-vento. outra, para calçar as luvas super impermeáveis e quentes, pois estava tanto frio, que já não sentíamos as pontas dos dedos. queríamos ir em direcção a lamego, depois régua e por fim, pinhão! pelo meio de estradas secundárias, saímos do circuito das aldeias que rodeiam campo benfeito. dai até lamego, foi sempre a descer! a estrada era óptima, um alcatrão perfeito, o sol a tomar conta de tudo e o meu joelho a começar a dar os primeiros sinais de que, este dia, não seria o dia perfeito. em lamego, aproveitámos para comer 4 fatias de bolo e um pinguinho e conversar com um senhor desdentado que dizia ser um cicerone da terra e que nos falou das festas, do samba de ovar e da quantidade de pessoas que de lá vinham todos os anos de visita à cidade! ao pegarmos nas bicicletas outra vez, ainda teve tempo de nos perguntar se sabíamos quantas curvas havia até à régua. "não” – respondemos, ao que nos disse que eram tantas, como os dias do ano. e sempre a descer! não sabemos se eram tantas como os dias do ano, pois não as contámos, mas que era sempre a descer, lá isso era. os travões, depois destes dois dias, precisam é de ser mudados. a paisagem era cada vez mais bonita, lá ao fundo as montanhas cobertas de vinhas e o rio, que surgia de vez em quando por entre o verde. a chegada à régua foi rápida. havíamos feito até aí 35km, 32 deles, sempre em alta velocidade, no sentido descendente! faltavam pouco mais de 25km até ao pinhão e ainda tínhamos tempo de sobra para parar, por muitas e variadas razões. uma era, sem dúvida, almoçar. uma massa recheada com queijo que tínhamos preparado antes de sair de casa! outra das paragens foi, infelizmente, motivada pelo meu joelho direito que dava fisgadas que me punham os olhos com lágrimas. raramente me queixo de dores e quando o faço, é porque estou mesmo no limite. estas, eram horríveis. parei para massajar, para pôr analgésico, para colocar uma ligadura apertado que, presumo, foi ainda o que me salvou até ao pinhão. outra vez que parámos, foi quando um carro passou por nós e mais à frente parou, saindo lá de dentro um casal que se ria muito na nossa direcção. ao aproximarmo-nos, reparamos que era um casal que estava no terra de ninguém, o bar em guimarães em que apresentámos o nosso projecto, amigos da helena, dona do bar! é tão bom encontrar assim pessoas conhecidas onde menos esperamos! conversámos um pouco, falámos um pouco da nossa aventura até então e, na saída, percebemos que se dirigiam para um restaurante na margem do rio, onde uns amigos os aguardavam e que, ao passarmos por eles, nos cumprimentaram, tiraram fotos e atiraram-nos sorrisos de boa viagem! felizes! chegar ao pinhão foi um instante. a paisagem do douro é de cortar a respiração. montanhas de vinhas que desaparecem no rio, umas a seguir às outras. indescritível.

já no pinhão, seguimos para os bombeiros – sítio onde iríamos pernoitar nessa noite – e, depois de alguns contratempos, lá conseguimos encostar as nossas coisas, ter um espaço só para nós, tomar um banhinho quente e dar uma voltinha na vila. não podemos deixar de agradecer ao sr. borges, comandante dos bombeiros de ovar, que tem sido incansável a ajudar-nos na busca de espaços para ficarmos, nos bombeiros de vários sítios. obrigado! a volta pela vila do pinhão faz-se rápida. já cá tinha estado uma série de vezes, mas a tanya nunca. estava quase tudo fechado. é uma terra muito pequena, pertencente à rota do vinho do porto e do azeite e que vive, maioritariamente, do turismo. tem meia dúzia de alojamentos turísticos, entre eles o internacionalmente conhecido, vintage house hotel, onde o meu irmão já trabalhou! fizemos algumas compras, apanhámos algum sol, meti uma farpa de madeira no dedo que ainda me consome a mão e a paciência aos poucos (maldita…), lanchámos umas bolachitas com geleia de framboesa da casa de mateus, mesmo em frente ao rio – a vida tem destes luxos! – e voltámos aos bombeiros para testar o nosso fogão novo, cozinharmos uma massa na torre de treino dos senhores de vermelho e comermos no pequeno café, acompanhados pelos mesmos, que insistiam que provássemos a pinga da região! o melhor do jantar? ver o benfica perder com a académica (isto foi escrito pelo rafael, pois a tanya é vermelha). o dia acaba assim, calmo. o meu joelho continua ligado e só espero melhorar para conseguir viajar até vila nova de foz côa amanhã!

adormecemos…

4 comentários:

3ruivos disse...

força nos pedais. o gabriel diz: ola macacos.

Margarida disse...

Oh pá não sabiam ter avisado!!!!
Tivemos na sexta feira a visitar a régua e o pinhão....

Helena disse...

Olá

A Joana ligou-me a dizer que tinha estava convosco.. eu nem queria acreditar.. Que coincidência!!
E deixem-me dizer-vos: aposto que não foi a última :)
O mundo é mesmo muuuuito pequenino.
beijos
h.

Troca Letras disse...

Isso é que é vida
pessoas como eu que vivo em Lisboa numa azafama total, não sabemos o que é viver. Só sabemos sobreviver.
Mais, essa zona é lindíssima.

Uma nota estou a ver pela vossa ementa que são ovo lacto vegetarianos, será que estou certo?

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