hemos llegado a valladolid

a viagem zamora - valladolid era para ser dividida em dois dias, pois o trajecto fazia-se em 110km. apesar de tudo, as condições do terreno - quase sempre plano - abria-nos a possibilidade de tentar tudo num só dia. partimos com o lema "vamos indo e vamos vendo". as condições do corpo não eram as melhores. com uma semana de viagem nas pernas, o cansaço era visível. os joelhos, as nádegas, as costas, os braços...o corpo...tudo doía. algumas das partes, muito mesmo. como é nosso hábito, tentamos fazer a maior parte do caminho na parte da manhã, para a parte da tarde ser mais relaxada. seguimos pela carretera nacional e, seguindo aquilo a que nos vem habituando desde o início, era muito comprida e lá ao fundo parecia juntar-se...duas linhas paralelas que se juntam no infinito! a meio da manhã, já tínhamos a certeza que só pararíamos em tordesilhas para almoçar e sabíamos também que nesse dia seguiríamos já para valladolid. a única coisa que animou a manhã, mal saímos de zamora, foi uma imensa queda que dei ao tentar calçar as luvas em andamento. tenho a noção que, se fosse em arouca, já não estava cá para contar nada, mas ali foi coisa pouca, sabendo no entanto que me poderia ter aleijado a sério. por fim, tudo deu numa imensa gargalhada e um imenso mau cheiro. em valladolid, esperava-nos mais do que aquilo que estavamos à espera...muito mais! ficaríamos em casa do paulo fonseca, um amigo de ovar (são vicente pereira) e só o facto de pensarmos que teríamos um abrigo e um banho quente, era razão suficiente para vencer qualquer quilómetro que fosse! no entanto, à chegada, tínhamos uma hospitalidade elevada ao extremo!

mas voltando a tordesilhas...já cansados por termos completado 60km de viagem, procuramos um sítio com sol - um dos poucos momentos de sol autêntico que apanhamos nesse dia - para almoçar. um largo sem qualquer personalidade em frente ao rio e de costas para a casa onde, a 7 de junho de 1494, o famoso tratado de tordesilhas que dividiu o mundo em duas partes, metade para espanha e a outra para portugal, foi assinado (quanta democracia!) acolheu-nos. como a história já passou à história e já não somos donos da europa, de áfrica e de parte do continente asiático, a cidade perdeu um pouco da importância que teve outrora, nunca deixando no entanto de se orgulhar de tal feito, pois o peso que teve é ainda muito importante! tordesilhas é agora uma cidade normal, a crescer para os lados, conservando no entanto todo o espólio histórico em bom estado de conservação. a plaza mayor é que poderia ser vedada ao trânsito e ser recuperada. está um pouco velha, à semelhança do que acontece em muitas das cidades portuguesas, como é o caso do porto. antes de partir, ainda nos abrigámos da chuva que durou pouco mais de 10 minutos. no entanto, a obervar pelo céu, sabíamos que esta nos iria acompanhar ainda umas horitas.

rodas a caminho e, 10 minutos depois, já fazíamos o sentido inverso, visto que duas pessoas nos mandaram seguir pela auto-estrada. fomos então obrigados a seguir por uma estrada que ligava muito mais à frente à carretera nacional e foi aí que a chuva, o granizo e o vento gelado, nos surpreendeu. tínhamos saído de zamora pela manhã com 3º de temperatura e em tordesilhas, não estava mais do que isso. a imagem de todos aqueles campos de cultivo era brutal. um verde intenso a subir e a descer numa geometria perfeita e uma estrada mínima que os rasgava de cinzento escuro, seria o cenário ideal, não tivessem sido estes os minutos que decidiram gelar-nos durante a viagem inteira até valladolid. a certa altura, o meu joelho deu um esticão de tal forma, que tive de me atirar para fora da bicicleta e caminhar durante uns momentos. mais à frente, cortámos à direita, coisa que nunca se faz quando não se sabe, pois além de termos perguntado, sabíamos que os espanhóis nos mandam sempre pela auto-estrada e, claro está, a não saber, é sempre à esquerda que se corta (é um princípio!). quilómetros à frente: auto-estrada! nao queríamos voltar para trás e decidimos acompanhá-la por um caminho de terra batida mesmo ao lado. aproveitamos e sujamo-nos todos! depois de sairmos deste caminho, subimos uma ponte e a cidade de valladolid espreitava lá ao fundo! seriam 15km até lá! como o sol começava a aparecer outra vez, despimos todos os kits impermeáveis e seguimos...à ciclistas! outra vez o verde dos campos e o cinzento da estrada, mas desta vez, podíamos gozá-los e esquecer as dores no corpo e o frio entranhado.

ao chegar à cidade, procurar a rua era a próxima etapa. parando numa bomba de gasolina, além de perguntar pela rua, aproivetámos e lavámos a bicicleta e os sacos, tirando toda aquela terra que os cobria. fomos seguindo, rotunda após rotunda, semáforo após semáforo, em ruas cobertas de trânsito. só agora, quando andamos a pedalar, é que temos a noção do quão mal as viaturas fazem às cidades. o barulho, a poluição, o stress. encontrámos finalmente o prédio onde vive o paulo. depois de uma luta para meter as bicicletas dentro do elevador, subimos ao 10º andar e tivemos uma recepção deliciosa, pois além de umas toalhas lavadinhas para tomarmos banho - que só utilizámos uma, pois temos a mania de partilhar tudo..o guardanapo, o copo, a toalha...manias! - uma caixa violeta com amêndoas de chocolate dentro, foi-nos deixada pelo nosso amigo! 10 minutos depois, chegava ele e colocava-nos à disposição a sua casa. o quarto, virado sobre a cidade, num 10º andar, com uma janela gigante onde o sol entra todo o dia, com uma varanda; a cozinha, com tudo o que precisávamos; a casa-de-banho, com um duche maravilhoso! é esta maneira com que nos recebem que faz a viagem ser fantástica. fazemos o mesmo em portugal quando recebemos pessoas, claro está, mas parece que quando somos nós a receber, tudo soa muito melhor e damos mais valor! obrigado por tudo paulo!

nesta cidade, pretendemos ficar por 3 noites, até sábado. a intenção, além de estar com amigos, é conhecer um pouco mais de valladolid e descansar o corpo. a partir de agora, faremos trajectos mais pequenos, para também podermos gozar mais a viagem. já nos foram dando alguns nomes de aldeias onde é obrigatório passar e ficar, quem sabe. como fazemos 50km nas calmas, agora a meta vai ser mais ou menos essa. ir lentamente, gozando o momento e, se nos apetecer, deixar de pedalar! palência será a próxima paragem mas, até lá, daremos mais notícias!



2 comentários:

familia Palma disse...

estamos a adorar a aventura, todos os dias fazemos questão de ler mais um dia...

boa paragem e até...

Olho de Lince disse...

Tenho gostado muito de acompanhar a vossa viagem pelo blogue; excelente meio este de comunicar e de estarmos a par dos progressos =)
Vejo nas fotos e sinto nos textos a vossa felicidade e satisfação por estarem a levar a cabo este projecto de uma vida e isso é tão bom! Admiro-vos e respeito-vos pela vossa audácia, determinação e criatividade. Força com isso!

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