esta semana....

3 dias em pamplona e não há muito a contar sobre a cidade. é uma cidade, pelo que vimos, sem centro – a não ser a plaza del castllo, mas que nem por isso é um espaço muito atractivo. fora todos os edifícios mais ou menos bonitos que possa ter, a sua atracção única, são as festas de san fermin, conhecidas basicamente pelas largadas de touros que abominamos e que, por essa mesma razão, nos deixa ainda menos simpatia pela cidade.

chegados ali, enviámos uma mensagem a um primo da tanya – o luís – que ali vive com uma família equatoriana e onde ficámos uma noite. cedeu-nos o quarto e dormiu no sofá. o dia, ou o resto dele, foi passado a conversar, ora em castelhano, ora em português, ora em portunhol, por entre o barulho da televisão que debitava decibéis de séries dobradas na língua de nuestros hermanos. no dia seguinte, mudaríamos de alojamento para casa de um casal de amigos, ele iraquiano – mody – e ela espanhola – leyre – que se conheceram nos estados unidos e desde aí começaram a namorar, coisa que demorou mais de 3 anos, até há cerca de 5 meses, embora continuem a viver juntos! têm ambos 21 anos e a casa onde vivem é um autêntico ponto de encontro de amigos, na sua maioria americanos. chegam e saem sem darmos conta, como se a casa pertencesse a todos! as conversas cruzam-se, contam-se aventuras, rimo-nos de coincidências, ensina-se dança do ventre, filmam-se momentos, janta-se muito tarde com 5 ou 6 pessoas à mesa, uma mistura enorme de coisas e a casa está sempre viva! foram momentos muito bem passados e é destas casas que custa sair! deixámos pamplona 3 dias depois de termos chegado e, ao contrário do previsto que seria pedalar até saint jean pied de port, atravessando os pirenéus, optámos por pedalar mais para norte, em direcção ao país basco!


durante 4 longas horas a chuva não nos deixou e a estrada era feita de altos e baixos, aquilo a que se chama rolling hills. ao entrar no país basco, tudo mudou! era um deslumbre para os olhos! verde e mais verde, subindo alto nas montanhas até se perder de vista no meio das nuvens carregadas que apareciam lá em cima. ovelhas por todo o lado (aliás, ao contrário do resto de Espanha, que tem como símbolo um touro, o país basco tem uma ovelha que nos foram oferecidas e, claro está, já temos coladas nas nossas bicicletas!), cavalos, cabras e árvores em vários tons de verde, cascatas, túneis, estradas que ziguezagueiam por entre a montanha! o espectáculo é longo e se vemos do topo primeiro, depois descemos e metemo-nos por entre estes precipícios de rocha que nos deixam de boca aberta! ao nosso lado corre o rio, forte e gelado. seguimos para tolosa, uma pequena cidade onde esperamos ficar apenas 1 dia em casa de um casal do hospitalityclub. ao chegar, sem nenhuma expectativa em relação ao sítio, deparamo-nos com uma cidade construída num vale, com edifícios muito bonitos, um mercado todo envidraçado que olha o rio de frente e com ruas muito simpáticas! ao encontrarmo-nos com o iñaki e a eli, a empatia foi imediata! fomos as primeiras pessoas que receberam através deste site e se receberem todos da mesma maneira, será complicado abandonar a sua casa! o conforto que nos ofereceram com tudo à disposição: máquina de lavar, toalhas, comida, jantares óptimos, livros de viagem, mas também o facto de nos terem mostrado a cidade e falado sobre ela, nos levarem até ao topo duma montanha a um café que, só de olhar, apetece passar dias e dias, em silêncio, olhando aquelas montanhas verdes que nunca mais acabam, nos terem levado a ver um espectáculo de dança e, mais do que tudo, o facto de termos tido conversas interessantíssimas onde, claro está, o tema país basco – independência – espanha – eta – vem sempre à baila.

uma questão sensível mas que, pelo que temos ouvido até hoje, já fez mais sentido do que faz agora. para os que cá habitam, é uma questão de identidade e o facto de serem independentes, não vai fazer com que fiquem com mais, pois já a têm toda. já se assumem como um povo com uma cultura diferente, têm uma língua que não é parecida com nada neste mundo, são a região mais rica de espanha, têm costumes próprios, pagam impostos ao governo da região e não ao nacional e, claro está, têm a ovelha e não o touro! não encontramos ninguém a favor da eta e para muitos não faz sentido num mundo moderno, existirem mais fronteiras a separar países ou regiões.


1 dia em tolosa foi pouco, pelo que fomos “obrigados” a ficar 2, tendo no segundo dia ido à fisioterapia ver se a irmã do iñaki me dava de uma vez por todas cabo do joelho, para que este nunca mais me doesse. faz alongamentos antes e depois de pedalares, disse-me após uma hora deitado numa maca a levar com lasers, agulhas de acupunctura, sprays e massagens. sei-o bem – disse-lhe – mas é que quando acabamos de pedalar, só nos dá vontade de exercitar os músculos da boca e do estômago! mais uma noite passada na companhia do casal e mais um casal do qual foi difícil dizer adeus! estava a chover quando saímos, o iñaki tinha saído para barcelona com a escola na qual trabalhava e a eli tirava-nos as últimas fotos na rua! xau!

dali até san sebastiandonostia em euskera (língua oficial do país basco) – foi um tiro! 35km nos separavam e fizemo-los nas calmas. a paisagem não era nada do outro mundo desta vez. pequenas cidades industriais plantadas na beira da estrada, para servirem os portos de san sebastian e de bilbao, mais acima. na chegada à cidade e depois de comermos dois bolinhos deliciosos, o cheiro a mar chamou-nos e o sorriso foi instantâneo ao poder vê-lo de novo ali tão perto, na sua imensidão de azul enorme, o oceano atlântico! mandámos uma mensagem ao asier, a pessoa que nos ia receber por duas noites em sua casa e enquanto esperávamos por ele, sentámo-nos à beira-mar e absorvemos todo aquele cheiro e todo o barulho e vento que foi possível! a sensação de poder ver outra vez este mar tão forte é fantástica e após 4 semanas de planalto e montanha, é a melhor sensação do mundo!

o asier chegou a correr e depois de explicar onde morava, pegámos nas bicicletas e pedalámos até sua casa, onde vive com a namorada. fica no 15º andar de uma torre de 16 e a vista, apesar de não ser muito bonita, pois dá para uma zona de prédios e indústria, é imponente, pela sua altitude! fica a 10 minutos a pedalar do centro da cidade, cidade esta que esperamos visitar amanhã, dia 2 de maio! hoje, depois de almoçarmos e nos termos levantado da mesa às 6 da tarde, fomos com o casal anfitrião a um pequeno povoado nada conhecido dentro de san sebastian, que se chama san juan, e ficámos fascinados com a arquitectura da população, pelas pequenas ruas e pela excelente vista e posição no porto da cidade. as bandeiras a reclamar o território basco e o orgulho na sua bandeira é bem visível nas varandas dos bairros mais populares e pequenos. atravessámos de novo o rio numa embarcação mínima e voltámos a casa, onde preparámos um grão-de-bico de caril, acompanhado com arroz, que jantámos acompanhado com uma excelente conversa e acabamos a noite a ver o filme “je t’aime paris” na televisão, na versão original!

6 comentários:

Troca Letras disse...

eu tambem sou contra as toradas, boa comtinuasão de viagem

Daniela disse...

Estava a ver que nunca mais diziam nada!!! A malta fica preocupada pá... Estou cheia de curiosidade e inveja, é a verdade!!
Beijinhos e força aí

Helena disse...

Olá

Pois é, a malta fica com saudades de vos "ouvir"..

Por cá, já se começaram a vender t-shirts ;)

beijinhos
h.

Tecas disse...

um grande abraço da teresa(prima)continuamos a torcer por vocês para que tudo corra bem!
força e desfrutem o máximo
beijos

Grata disse...

From Mathieu, of HC:
I`m not in Bordeaux, sorry. Forget HC, and switch to couchsurfing.com!

Enjoy your trip

MagikPoiZion disse...

"Paris, je t'aime"

Posts mais populares