pelo loire acima!

nantes tornou-se numa cidade interessante, a partir do momento que descobrimos 3 lugares: o estaleiro de les machines de l'île, le lieu unique e o chateau de nantes. começando por este último, porque também foi por aí que começamos, podemos dizer que começou a ser construído no século xv pelo duque francis II e a sua filha, anne of brittany, para defender o ducado da bretanha que se encontrava sob ameaça do reino de frança. o castelo foi sendo aumentado até ao século XVIII, mantendo desde aí o aspecto que tem hoje. devido à destruição que sofreu na segunda guerra mundial e à sua recuperação, o castelo esteve fechado durante 50 anos, abrindo as suas portas somente em 2007. aí também se pode encontrar um museu, com a história cronológica de nantes, assim como muitos objectos que, ao longo dos séculos, foram sendo recuperados. sobre os estaleiros les machines de l'île, ver aqui. sobre le lieu unique, há toda uma história por trás, que nos leva à nossa infância: as bolachas petit beurre. foi em nantes que, em 1886, louis lefèvre-utile, começou a produção destas bolachas. a fábrica, mais tarde aumentada com duas torres que mais parecem a parte de cima de um bolo enfeitado, chegou a ter uma produção anual de 9000 toneladas e o seu slogan mais conhecido foi: petit-beurre, 4 orelhas e 48 dentes - fazendo menção aos pequenos recortes que a bolacha possui nas suas extremidades. hoje, a local já só com uma torre, foi transformada num espaço cultural, onde se pode encontrar um café, espaços de exposições, workshops, lojas, livrarias e toda uma história para ler! fora disto, nantes estava fechada, pois era domingo. é uma cidade agradável para se passear, com muitos jardins, ruas largas, pequenos braços do loire que entram pela cidade adentro e edifícios que de normais, nada têm, pois são tão tortos, que parecem poder cair a qualquer momento. explicaram-nos que no século XVIII, aquando de todas as descobertas da medicina e todas as teorias, algumas delas sabemos hoje, erradas, um dos braços do loire foi tapado devido à praga de mosquitos e às doenças que daí surgiam. a cidade continuou a ser aumentada por cima desse solo que, claramente, não era estável, o que fez com que com se movimentasse continuamente e por isso desse às casas o aspecto que hoje tem. mais tarde, obras de manutenção foram feitas, pois no solo foi injectado betão e todas as janelas e portas das casas foram mudados, o que provoca ainda mais a ilusão que a qualquer momento podem cair! de nantes, saimos para savennières. de lá, para saumur, a seguir para tours, depois blois e por fim, orléans, o sítio onde nos encontramos agora. o nosso percurso por mais de 350km nas margens do loire! a paisagem é magnífica, o rio é gigante e durante todos estes quilómetros em que o acompanhámos, estivemos perante o rio mais selvagem, um dos maiores e o que mais castelos por metro quadrado tem, no mundo inteiro! ao longo das suas margens, também fomos dando valor às paisagens portuguesas! já antes havíamos percorrido o douro e podemos dizer sem quaquer dúvida que uma viagem de bicicleta pelo douro, nos mostra paisagens e espaços tão ou mais bonitos do que fazê-lo nas margens do loire. a diferença, é que em portugal não existe uma cabeça inteligente que faça uma ciclovia ao longo das suas margens e o promova, como faz a frança com o loire! é verdade também que, depois de chegados às pequenas vilas e aldeias que habitam o loire, não ficamos indiferentes a tamanha beleza. ele são os castelos construídos pelos sucessivos reis que estiveram no poder, cada um maior que o outro em grandiosidade, beleza e imponência; ele são as casas trogloditas construídas nas montanhas de calcário e onde famílias habitam, fazendo a casa na parte da frente (alguns) e continuando pela montanha ou então habitando somente na parte interior da montanha e que são aumentadas sempre que um novo membro surge; ele são as outras casas, todas elas parecidas e que fazem das pequenas povoações sítios onde apetece estar, sentar e ficar por tempo indeterminado; ele são os pequenos cafés, que proibe totalmente o uso de cadeiras e mesas plásticas com publicidade, ao contrário do que a lei permite no nosso país e que dá um aspecto foleiro a todos os espaços de restauração; ele são os jardins, feitos para as pessoas, nos quais nos podemos sentar, fazer piqueniques, correr e o que mais nos apetecer, sem que vejamos nunca uma placa a dizer: proibido calcar a relva; ele são as pessoas que, até agora, têm sido de uma simpatia enorme connosco, sempre prontos a ajudar, com sorrisos de orelha a orelha na cara e que param o carro, a bicicleta ou o que estiverem a fazer no momento, para perguntarem se precisamos de ajuda, para onde queremos ir e nos desejam boa sorte, nos fazem questões e nos felicitam pela aventura; ele são as outras pessoas que nos alojam em suas casas e que têm sido grandes, oferecendo-nos o que de melhor têm, condições espectaculares, comida, bolos e tartes maravilhosas, conversas sem fim, simpatia sem limites, estadias inesquecíveis - merci françois (nantes), sebastien, julie, valentin et capucine (savennières), alain et lily (saumur), veronique (tours) misha, tuchkus, helios (blois), frédérique (orléans) - ele são os portugueses que vamos encontrando pelo caminho e que nos recebem de braços abertos, nos convidam para as suas casas, pessoas que vemos terem imenso prazer em conversar com dois malucos que se fizeram à estrada há quase 2 meses e que nos dão o melhor que têm, como aqueles que encontramos em blois, alguns de aveiro, outros de pardilhó e que, depois de falarmos da janela da casa de banho para o jardim da sua casa, nos convidaram a aparecer, beber um café e num português com algumas palavras de francês pelo meio, nos incentivarem a continuar e nos prometerem um copo, um dia, em portugal; ele são o resto das pessoas que encontramos e que nos falam do nosso país com uma saudade - será que conhecem o termo? - imensa, com um sorriso no canto dos olhos e com uma vontade enorme de regressar um dia e poder visitar muito mais! quando estamos longe, sentimos que o país que temos, não é afinal tão mau como alguns querem fazer crer. as conversas repetem-se em todo o lado. não há um único país que não fale de crise, de desemprego, de falta de dinhero, de guerra, de política, de mentira e que não veja nos outros países uma situação bem melhor. o mundo repete-se...

o
loire foi feito destas histórias, mas também muita chuva, muito vento e muito calor. o clima está sempre em mudança e não conseguimos adivinhar ao acordar, o tempo que vai fazer. se está sol agora, daí a 15 minutos, cai uma chuva torrencial. é o veste/despe que não mais acaba. o loire viu-nos fazer 2000km de viagem! também foi feito de muito comer: chocolates, pão, muita fruta, compotas, legumes e massa! comemos que nos fartamos, estamos a perder a gordura que tínhamos a mais e, provavelmente a ganhar músculo. a tanya ganhou um quilito, eu perdi três...não percebo como, mas sinto-me um touro! as roupas que usamos quando passeamos - sem ser as com as quais pedalamos - andam a precisar de ser lavadas. as únicas calças que trouxe, ainda não viram água desde que sairam de portugal. a única t-shirt, não a viu durante duas semanas e depois nunca mais (ainda bem que me ofereceram uma la roche-sur-yon). a de mangas compridas, não me lembro se já viu. a roupa da tanya sim, já viu algumas vezes, não muitas, mas é verdade que trouxe uma ou outra coisa em duplicado. vamos esperar para chegar a paris para lhes darmos nova vida, talvez!

agora estamos em orléans, perto da aldeia onde nasceu jeanne d'arc e a cidade que lhe presta homenagem. hoje considerada uma das principais figuras da história em frança, sendo referida como a mulher que impulsionou a sua independência - depois da visão que teve quando nova e de ter lutado contra os ingleses que até dominavam, à frente de grandes exércitos - acabou por ser queimada viva em 1431, pelos ingleses que a prenderam e, perante a inquisição, terem provado que se tratava de uma bruxa (entre outras coisas) e que - imagine-se - vestia roupa masculina e por isso teria de morrer. foi interessante visitar o museu que lhe é dedicado e saber muito mais acerca de si. amanhã partimos para paris e pela primeira vez nesta viagem, faremos batota! lá, ficaremos durante 3 ou 4 noites e depois rumaremos à bélgica. em paris, um concerto dos deolinda nos espera às 21h do dia 26, no l'européen! estaremos também com a nossa amiga vanouchka e a sua filha rose! a partir de lá, esperamos enviar mais notícias, mas até lá...ficamos por aqui!

1 comentário:

Elsa disse...

Rafael e Tanya nos é que nos sentimos muito felizes de vos ter encontrado, e ao dizer adeus ficou um vazio em nos. Tudo de BOM para vos e coragem.Um grande abraço Elsa, Kikas e Tomas

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