pelos caminhos...

já não nos lembramos do que fizemos desde bordéus...sabemos que de lá foi complicado sair. em vez da noite que desejávamos ficar, ficamos 3 e notámos que existem cidades que nos preenchem de alguma forma! de bordéus, queríamos ir para o norte, para saintes, onde já tínhamos uma casa onde ficar mas para a qual teríamos ainda de fazer 140km. o que sabíamos também era que não faríamos tudo num só dia e como não tínhamos onde ficar a meio, teríamos obrigatoriamente que pedir um pouco de um jardim, "emprestado"!

isso acabou por acontecer em
mirambeau, uma pequena vila de meia dúzia de habitantes, um parque de campismo sem personalidade, dois ou três hipermercados e dúzia e meia de pessoas que se passeavam sem saberem o que visitar. depois de repararmos que já estavamos demasiado cansados e de termos saído do parque de campismo, pois concluímos que não merecia o dinheiro pedido, reparamos que uma senhora nos acompanhava com o olhar do outro lado da rua. instantes depois, já a tanya metia conversa, querendo saber se existiam portugueses nas redondezas e se - pois a resposta à pergunta dos portugueses foi negativa - não conhecia ninguém que nos deixasse montar a tenda no jardim por uma noite! minutos depois, já a tenda estava montada no jardim da família gauvin e comíamos uns cereais baratos na mesa de madeira frente à casa! de tão de rastos que nos sentíamos, deitamo-nos um pouco dentro da tenda antes de fazer o jantar. começou a chover. olhamos um para o outro e o pensamento foi o mesmo: "jantamos amanhã!". o dia acordou com chuva miudinha que logo parou quando saímos da tenda. durante a noite a tempestade tinha sido barulhenta - como tem acontecido quase todos os dias esta semana. foi-nos oferecido duas chávenas de café bem quente e partimos para saintes!

em
saintes ficamos em casa da eleanor e do jean-pierre, um casal na casa dos 50, super simpático, com uma casa muito gira e com um quarto fantástico com casa-de-banho privativa, que nos foi atribuído! depois do banho tomado, a eleanor acompanhou-nos pela cidade, mostrando-nos tudo aquilo que achava mais interessante. saintes é uma pequena cidade, fundada por volta de 20ac, de grande importância histórica em frança. quando nos passeamos por ela, vemos anfiteatros romanos, arcos e colunas, inscrições, estátuas e todo um rol de memórias deixadas aqui e ali por todos os povos que por aqui passaram. é atravessada pelo rio charente que nas suas margens possui enormes jardins onde apetece ficar o dia inteiro! à noite, enquanto comíamos umas pizzas que o casal tinha encomendado, a conversa foi saindo aos poucos e quando nos deitámos, já era tarde.

próxima paragem?
la rochelle! uma grande cidade à beira-mar plantada, que tem no seu porto de lazer e na construção de barcos, a sua maior fonte de rendimento. de há uns anos para cá, passou a ser muito conhecida em todo o mundo, por lá se realizar um concurso de uma qualquer televisão americana, mais propriamente num forte - o fort boyard - que fica a uns quilómetros da costa e que foi construído para servir como primeira defesa aos ataques exteriores, mas que nunca serviu qualquer interesse militar. mais tarde, serviu de prisão e depois foi comprado por um particular. a cidade acabou por adquirí-lo anos mais tarde, fazendo agora parte do património, mas não sendo visitável. é um edifício em forma oval, que se levanta do mar, imponente e acizentado. a estrada até la rochelle não teve nada de interessante. ora se pedalava pelo meio de campos cultivados, ora se descia até à beira-mar e se sentia aquela brisa que entrava fundo e nos matava as saudades. chegar a la rochelle era voltar atrás uns anos, quando estagiei em paris e fiz uma grande amiga - a vanouchka - com quem ainda hoje mantenho contacto. os pais vivem pertinho de la rochelle e desde que a conheci, que me fala desta parte de frança de uma maneira especial. queríamos chegar depressa, para depressa nos instalarmos na casa dos pais dela e falar com eles sobre os tempos que passámos juntos em paris! mas la rochelle reservava-nos algumas surpresas e o dia, que até nem tinha sido nada complicado, ia alterar-se um pouco! tudo começou pelo telemóvel que pifou quando estávamos em bordéus. a partir desse momento, não ficamos com os contactos de ninguém, inclusivé, claro está, o da vanouchka. depois de passar horas a pensar quem o teria - era quase impossível, pois quase ninguém a conhecia em portugal - descobri um amigo com quem estive nessa altura a partilhar casa na cidade da luz e através doutro amigo, arranjei o contacto e telefonei. o número já nós tínhamos, agora era só ela atender. isso aconteceu quando chegámos a la rochelle, mas para a vanouchka nos dizer que os pais não estavam lá, mas de férias...que azar. pegamos novamente nas bicicletas e rumamos para fora de la rochelle, até ver um mcdollars ao longe (e logo nós, que detestamos o mcdollars). ligamos o computador e tentamos tirar o máximo de números de pessoas que pertencessem aos sites de alojamento. ao telefonar, reparamos que nenhum estava disposto a receber-nos. que fazer? voltar ao centro e procurar a pousada da juventude. não havia mais nenhuma solução. mal pegamos nas bicicletas, vejo um rapaz a levar o lixo à rua e, na maior das latas, faço um pedido em desespero quase total, que "não tínhamos onde dormir, que andavamos com um papel nas bicicletas a pedir alojamento, que o parque de campismo estava fechado e que ficaríamos por uma só noite..." - ele saiu e foi falar com o proprietário da casa. O jean louis apareceu com um sorriso na cara, daqueles que, só de olhar para ele, conseguimos prever o quão bom, simpático e acolhedor uma pessoa pode ser! "claro que podem ficar, o jardim não é muito grande, mas entrem!" - e depois veio a oferta de jantar um pouco do que tinha sobrado do jantar deles, a oferta de um bom banho quente, a oferta de boas conversas dentro de casa com a família! mas não se ficou por aqui! no dia seguinte, insistiu em fazer-nos um pequeno tour pela cidade, explicando-nos mil e uma coisas e não contente, em levar-nos de carro até bem longe, juntamente com a sua namorada dani, e mostrar-nos o que estava para lá dos pontos mais turísticos: o porto pesqueiro, o porto de lazer - o maior da europa, com mais de 3000 embarcações - a ilha de , as praias, os jardins, avenidas e mais uma série de coisas, acabando por nos levar de novo até sua casa, onde eu e a tanya cozinhamos para todos e, claro está, acabamos por ficar mais uma noite! ao jantar, o convívio repetiu-se, desta vez já na presença do farruh - o rapaz a quem pedimos na rua para nos alojar, um urzebaquistanês a estudar em frança - uma pessoa incrível, da filha e da neta do jean louis, a namorada e a pequena cadela! rimo-nos imenso, contamos anedotas e experimentamos alcachofras e favas cruas com pimenta e sal...delicioso! no dia seguinte, por entre fotografias e palavras de agradecimento, saímos e voltamos à estrada, em direcção a la roche-sur-yon!

não há muito a contar sobre esta pequena cidade, perdida entre
la rochelle e nantes. foi fundada há pouco mais de 200 anos por napoleão que, segundo o arno - a pessoa que nos recebeu nessa noite - "não deve ter estado ali mais de meio dia, mas pronto, pelo menos ficou na história por isso". é uma cidade sem muito de interessante e não fosse o facto de termos tido um dia terrível, sempre com vento de frente e um pouco de chuva, teríamos com toda a certeza visitado um pouco mais a urbe. porém, estavamos tão cansados, que a partir do momento que entrámos em casa, nunca mais de lá saímos. o arno vive sozinho e, do pouco tempo que passamos com ele, percebemos que é uma pessoa simpática e prestável, com a casa coberta de cartoons, livros e objectos dos anos 60! ao acordar, chovia torrencialmente. esperamos na cama, olhando lá para fora e, quando parou um pouco, fizemo-nos à estrada. não choveu mais até chegarmos a nantes e o caminho fez-se muito bem, apanhando as estradas secundárias, por entre campos de cultivo e árvores que contornavam o trajecto.

nantes
, sabíamos, era uma grande cidade. a partir do momento que entramos até encontrarmos a casa onde iriamos ficar, ainda fizemos uns bons duns quilómetros, sendo recebidos pelo françois, que tem a casa virada do avesso, mas que nos ofereceu um quarto muito confortável! da cidade, nada conhecemos, mas quando sairmos da cama, com toda a certeza contaremos mais! mas isso, fica para depois!

1 comentário:

xistacio disse...

se colocares mais fotos tuas, faz-me um favor: PENTEIA-TE!!!

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