tanta coisa para contar...

de pamplona a bordéus, onde nos encontramos hoje, tanta coisa se passou! passamos mais uma fronteira – a de espanha para frança – dormimos em san sebastian, biarritz, baiona, mimizan, arcachon e finalmente a cidade de onde vos escrevemos! a ideia que tínhamos desde que saímos de ovar, de atravessar os pirenéus em direcção ao maciço central francês e depois à suíça, mudou completamente, assim como quase todos os dias mudamos de plano em relação aos nossos trajectos. será já no domingo que deixaremos bordéus e ainda não decidimos para onde vamos a seguir! toda a gente que falamos nos aconselha o bretanha e depois a normândia, mas isso seria dar uma grande volta para o oeste, para depois voltar para este mas, se tiver que ser, assim será! mas que dizer destes dias?

que san sebastian é bonito, temos que admitir, mas que não é nada do que esperávamos encontrar. é uma cidade muito rica, assim como o é todo o país basco, onde as grandes casas, os grandes hotéis, os grandes carros e, claro está, as grandes carteiras se mostram aos demais! como gostamos de dizer: muita cagança para o nosso gosto! será uma cidade a voltar um dia, mas nada que nos faça alterar a rota só para lá irmos. tem muito pouco da arquitectura tradicional da região onde se encontra e as pessoas são, basicamente, demasiado abastadas para mostrarem o que é pertencer-se ao país basco e por isso, vermos algo de tradicional, é muito, muito raro, senão impossível. a acompanhar-nos na entrada em frança, tivemos o asier e a sua namorada – as pessoas que nos acolheram em san sebastian - que decidiram vir connosco até saint jean de luz, onde nos deixariam e regressariam de comboio.

à entrada no novo país, não tivemos direito à foto na tão já famosa placa azul com estrelinhas amarelas à volta, dizendo o nome da nova nação, porque ela…não existia! tiramos umas tantas em frente à placa que anunciava a primeira localidade – hendaye – e seguimos. nesse dia seguimos até biarritz, uma praia que qualquer pessoa que faça surf ou bodyboard, quer ir um dia! eu estava lá, infelizmente sem prancha, porque dava bem para perceber porque é que este local é considerada a capital do surf em frança! ondas perfeitas que quebram em vários locais, por entre os dois enormes pontões naturais que contornam a baía e por entre os vários penedos que se erguem da água salgada, aqui e ali. na água, ao contrário do que encontrara em san sebastian, não estava muita gente. as praias com boas ondas continuam costa acima e não muitos quilómetros depois, existem também as famosas ondas de hossegor! tanta fartura em tão poucos metros de terra…é só escolher! infelizmente, além de não ter prancha, também não tínhamos alojamento e isso sim, não nos aterrorizando, preocupava-nos um pouco. um parque de campismo foi a solução, embora este ficasse a quase 5km da praia…mas o que são 5km, quando já havíamos feito uns 60? tenda montada, banho tomado e regressamos ao selim para descer novamente à praia e assim conhecermos um pouco mais daquilo que biarritz tem para oferecer, só que também não tem muito…daquilo que realmente desejamos, claro está. para quem quer praia, bons restaurantes (e caros), sol, uma paisagem bonita e passear-se pelas avenidas que contornam a baía, será perfeito, mas para quem procura algo mais tradicional, não é sítio onde parar mais de 1 ou 2 dias. no nosso caso, uma noite bastou e no dia seguinte, pegamos nas bicicletas e rumamos a norte, mas não muito longe…

parando num qualquer supermercado no meio da estrada, eis que recebemos uma mensagem dizendo que, se quiséssemos, teríamos alojamento durante uma ou duas noites em baiona, 12km acima de biarritz. depois de uma conversa que durou pouco mais de 2 minutos e como ainda nem sequer tínhamos decidido onde ir nesse dia, a resposta à proposta foi positiva, claro está! 1 dia em baiona seria ideal para programarmos melhor as coisas, pedir alojamento, saber o que queríamos! chegámos a casa da maia, ela passou-nos as chaves para as mãos, mostrou-nos o pequeno apartamento e disse-nos que seria só para nós, já que nesse dia iria ficar em casa duma amiga! tudo só para nós, outra vez! nesse dia tivemos tempo de fazer tudo: de traçar uma direcção, de pesquisar na internet, de cozinhar, lavar roupa, de visitar a cidade e esta sim, agradou-nos! muito mais pequena, sem dúvida alguma e apesar de – como em todas as cidades – estar a perder a identidade por causa dos prédios que vão nascendo dum e doutro lado do rio, conserva uma identidade própria. o centro, ziguezagueado por pequenas ruas, acaba numa catedral ou numa igreja, ou então em casas que se encostam umas nas outras, como se uma suportasse a que vem a seguir e fosse suportada pela que estava antes, levando-nos a crer que, ao mínimo toque, cairiam que nem pedras de dominó. as janelas coloridas, ora de vermelho vivo, ora de verde, ora num amarelo que já foi forte, caindo sobre o rio que passa, turvo e frio. as pessoas “começam” a ser simpáticas! achamos que as pessoas em frança são muito mais simpáticas que em espanha e, se ao princípio poderia ser só uma impressão por estarmos a entrar num país que nos diz muito, de que gostamos da língua, da cultura, da música, e por isso podermos estar a ser parciais, agora que já estamos neste país há uma semana, temos a certeza do que dizemos. as pessoas são mais dadas, menos snobs (???), mais abertas, curiosas, falam mais connosco, comentam, riem, cumprimentam…coisa que no país de nuestros hermanos, é algo impossível.

rumo ao norte, mais uma vez – é o nosso destino neste momento! – queríamos pedalar até nos cansarmos. entramos numa das zonas mais verdes de frança e sinceramente ainda não percebemos se todo este pinhal é natural ou se de alguma maneira foi todo plantado. o que é um facto, é que se estende por mais de 200km e as praias que se encontram do lado esquerdo, são pequenas povoações de meia dúzia de habitantes, que servem na sua maioria como destino de férias, onde a serenidade reina de uma maneira indescritível! praias como vieux-boucaux-les-bains, st. girons ou cousti, são sítios que, uma vez parados, é difícil começar a pedalar novamente, assim como na localidade de sanguinet, banhada pelo maior de 3 lagos da região, onde no dia a seguir nos sentamos, almoçamos e aquele azul imenso e o calor que se fazia sentir, nos impedia de arredarmos pé! ao fim do dia e como não encontrávamos nenhum sítio onde ficar, já com 114km de viagem, com o parque de campismo fechado, fomos quase que obrigados a pedir às pessoas que nos deixassem montar a tenda nos jardins de suas casas por uma noite. recusa sim, recusa sim, fomos informados da existência de portugueses “na casa ali da esquina” e que bem nos soou a palavra portugueses! qual jardim? é lá dentro que dormem, que jantam e que ficam connosco! não fossemos vegetarianos, e a dona maria teria dividido o bacalhau connosco! mas ainda conseguimos pescar umas batatas cozidas com grelos e, no dia seguinte antes da partida, uma garrafa de azeite, pois o nosso já tinha acabado! conversa até às tantas: futebol, a crise, a construção e a frança que “é tão boa!”

arcachon era o rumo desse dia! o que nos levava a viajar até lá? a natureza! além do pinhal imenso que já falámos, a particularidade de existir nesta povoação uma divisão por estações do ano. as mais conhecidas são a vila de verão – mesmo em frente ao mar; e a vila de inverno – um pouco mais acima, construída nas dunas, por entre o pinhal. a burguesia francesa e inglesa descobriu este local nos anos 20 e aí construiu uma cidade à medida das suas posses! rica, bonita e com um excelente ar, que permitiu que se construíssem vários edifícios para tratar das pessoas que sofriam de tuberculose. hoje ainda sobrevivem muitos destes edifícios que entretanto foram transformados em escolas, por exemplo. outra particularidade desta região, é a dimensão da sua baía com mais de 80km de diâmetro, o facto de ter na sua entrada uma ilha de areia chamada a ilha dos pássaros, que serve de casa a milhares de espécies e, podemos mesmo considerar a maior atracão de todas, a gigantesca dune du pyla que conta com 117 metros de altura, que cresce a olhos vistos e que engole a floresta que se encontra atrás. do seu topo, a vista é incrível, o vento sopra forte e olhando cá para baixo, tem-se a sensação do quão grande a natureza pode ser! volvidos a casa, a conversa do dia anterior continuou com a sylvie, a nossa anfitrião desses 2 dias em arcachon!

agora, estamos em bordéus e do pouco que vimos, estamos a adorar. uma cidade com uma dimensão completamente diferente, mas imensa coisa para ver, comer e passar o tempo! amanhã, dizem, choverá o dia todo e domingo também, é o que nos contam! nós, não queremos acreditar!

2 comentários:

xistacio disse...

1º - keep o calção de licra!!! no coments....
2º - foto tipica, mas começo a acreditar que vou gostar do livros q vai sair daqui!
3º com um lago desses, eu ficava 3 dias!...
4º q é aquilo? viajantes a burro? mt bom! têm blog? eheh :P
5º- alguma sensação de "ocupa"? +1 :P
até jazz! O GONGO! O GONGO!

familia Palma disse...

nós gostamos de qualquer forma de escrita...nunca nos desgostou a forma como escrevem ou descrevem os acontecimentos...não deixem é de dar noticias...

boas pedaladas

Posts mais populares