a república checa

a república checa chega-nos por entre montanhas extremamente verdes e um sol quente que nos fez suar imenso nas subidas! não sabíamos onde ficar nessa noite. a intenção seria chegar a brno, que ficava ali a uns 130 e poucos quilómetros e que, por essa mesma razão, nos obrigava a uma paragem no meio...algures. tínhamos connosco um papel a pedir para montar a tenda no jardim e para isso teríamos de parar numa pequena aldeia, onde as pessoas são muito mais acolhedoras! o caminho fez-se sem problemas, mas lembro-me que neste dia não estávamos propriamente virados para o pedal e por isso, 70 quilómetros depois, decidimos procurar pouso numa pequeníssima aldeia à beira de um grande lago. a primeira pessoa que vimos, foi um velhote parado ao lado de um carro muito desmontado e quando a tanya lhe esticou o papel, logo fomos recebidos no seu jardim! soubemos logo ali que o resto do dia iria ser complicado, visto que não falávamos uma palavra de checo, nem ele uma palavra de qualquer outra língua! tenda montada, metade de banho tomado e, por entre gestos vários, fomos explicando a nossa viagem, para onde íamos, de onde vínhamos e, mais tarde, implorar que soltasse dois cães que mantinha fechados numa pocilga nas traseiras de casa, que cheirava mal como nunca sentimos e que eram extremamente meigos. conseguimos que os cães, pelo menos na nossa estadia, tivessem direito a uma horita de liberdade...coisa muito pouca. não compreendemos este tipo de pessoas que têm animais para os manterem fechados ou acorrentados a uma trela para o resto das suas vidas. crueldade no seu estado quase máximo. enfim.



depois do jantar feito e comido, preparamo-nos para nos deitarmos, mas não sem antes termos conhecido o filho do velhote, homem nos seus 40's que, claro está, só falava checo! cedo tentamos fechar os olhos, para que o dia seguinte começasse cedo também! o que não sabíamos, era que se aproximava a maior tempestade que já vimos nesta viagem e que, às 23h, estávamos a bater à porta de casa para que nos deixassem entrar e dormir lá dentro! sentamo-nos na sala, pensando que logo logo estaríamos deitados...mas não! além de nos oferecerem um sumo de qualquer coisa que ainda não descobrimos o que era, ainda tivemos o filho a falar connosco por mais de uma hora, explicando não nos perguntem o quê, enquanto via na televisão uma gravação de uma entrega de prémios musicais do ano anterior e, para melhorar a festa, nos cantava as músicas, horríveis, com o espírito mais sentimental possível. surreal! sabíamos que não íamos conseguir dormir e por isso dissemos que voltavamos para a tenda, onde além de chuva quase toda a noite, nos esperavam uns relâmpagos incríveis, além de o fundo da tenda - por fora, claro está - estar transformado num colchão de água. não nos virámos todaa noite com medo de o furar! dia acordado, desmontada a tenda, tomado o metade de pequeno almoço que dividimos com os cães, esfomeados e partimos, sem saudades e sempre com aqueles seres no pensamento. tristes.

a estrada até
brno fez-se monótona. tentamos algumas estradas secundárias, mas sem se mostarem mais interessantes. na segunda maior cidade da república checa, procuramos um hostel onde ficar por duas noites. seria a primeira vez em tantos meses que ficaríamos num hostel! nova experiência! duas camas "alugadas" num dormitório de 12 camas, com 2 holandeses e uma francesa como vizinhos, no 1º dia e 2 australianos e 2 ingleses horrivelmente ressonadores, no 2º dia. brno é uma cidade engraçada, resistente a muitas das guerras passadas nesta zona atribuladíssima e não sendo nunca atingida por nenhum grande mal que destruísse parte do seu património. o centro é um misto de edifícios antigos e novas construções, sempre duvidosas a nível de beleza arquitectónica! são muitos os teatros nesta cidade e a subida ao castelo, que mais tarde foi prisão, é obrigatório, para visitar as suas masmorras, os instrumentos de tortura e todo o vasto rol de crueldades que a inteligência humana consegue fazer. no hostel, passamos também algum tempo, a partilhar experiências de viagem com algumas das pessoas alojadas e tentando arranjar contactos para futuras cidades onde passaremos, como é o caso de sarajevo! é interessante ficar em casa de pessoas, mas uma vez por outra, tirar férias de pessoas e só estarmos com quem queremos, também faz muito muito bem! o pão na república checa não é de se lhe tirar o chapéu, mas temos de confessar que descobrimos um supermercado com uma variedade imensa que nos satisfez durante 1 dia inteiro! divinal!

de brno, continuariamos a nossa descida para o sul e mais uma vez, sem sítio para ficar! fomos nas calmas e apesar de existirem pistas para bicicletas para sair da cidade, não as conseguimos descobrir e perdemo-nos uma série de vezes, não encontrando também ninguém que nos conseguisse explicar como fazer...só conheciam as auto-estradas! 20kms depois, lá vimos a cidade pelas costas e a paisagem que mais à frente apanhamos, compensou tudo! tanto, que 60kms depois, paramos perto de um grande lago - outro! - com uma montanha lindíssima atrás e achamos por bem não sair mais dali! além de pararmos para almoçar, aproveitamos para colocar os papeis a pedir alojamento nas bicicletas, na esperança de que alguém passasse e na sua boa fé, nos ajudasse! 3 horas depois, estavamos no mesmo sítio e pegamos nas bicicletas e fomos nós procurar! o tempo estava espectacular, mesmo a pedir um acampamento selvagem, que foi o que optámos por fazer uns caminhos depois! dum lado, o grande lago, do outro um campo verde e no meio, a nossa "casa"! os mosquitos eram aos milhares e depois de termos coberto o nosso corpo de repelente, tentavam arranjar um bocado de pele que tivesse falhado...e descobriam, os cabr... acordar e ver aquele azul a perder de vista, tomar o pequeno almoço nas suas margens e sair com a cabeça na áustria, foi uma boa sensação! a república checa tinha sido uma curta, mas interessante experiência! para voltar um dia, com toda a certeza, para visitar mais a parte oeste, pensamos que mais bonita, pelo que vimos em fotos!

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