pdl - são miguel - açores

porque este blog fala de viagens, mas não só, aproveitamos para dizer que quem viajar até são miguel nos açores, tem obrigatoriamente que dar um salto ao novo bar do meu irmão (rafael a falar) que fica mesmo em frente ao teatro micaelense! chama-se pdl! apareçam...lá!


que bem que sabe!

fazer coisas que nos são, há imenso tempo, estranhas, diríamos mesmo, ausentes...

- colocar o saco do lixo no caixote!
- limpar a casa de banho!
- colocar a fruta num prato em cima da mesa!
- comprar manteiga!
- ter os cereais e o leite sempre à vista!
- lavar a roupa numa máquina!
- ligar o computador à electricidade 24h por dia!
- ter uma chave de casa!
- ter os mesmos amigos durante uns dias!
- fazer café!
- sentirmo-nos parte de uma cidade durante uma semana!

estar em sofia, na capital búlgara, com a imensa hospitalidade que o rui nos está a proporcionar, é uma das melhores coisas que nos aconteceu na viagem! estávamos mesmo a precisar de estar...em casa!


como descrever...

como descrever um país tão pequeno e que atravessámos de forma tão rápida?! desde que entramos, na fronteira com a albânia, que a macedónia nos parecia mais um país, outro saído da antiga jugoslávia e que, assim como os outros países anteriores, nos traria boas experiências, tudo bem, paisagens engraçadas, tudo bem, preços acessíveis, tudo bem. mas perguntem-nos sobre as paisagens, os preços e tudo o resto e nada saberemos responder.

a macedónia foi, mais do que qualquer outro país até aqui, aquele que mais contacto com as pessoas tivemos. dizer que adoramos a macedónia, é pouco. nós saímos do país com o coração cheio de coisas boas, cheios de recordações, aconchegados e, mais do que tudo, cheios de saudades!
descemos até struga, a primeira cidade que apanhamos depois de atravessar a fronteira e encontramos de novo fruta na estrada! maçãs, romãs, ameixas! paramos e não nos importamos com a noite que cai...queremos é comer e guardar o mais que seja possível! enchemos os capacetes de fruta e continuamos a nossa descida até à cidade! eramos para acampar junto ao grande lago ohrid, mas por fim, quando nos vimos no meio da avenida central, optamos por tentar arranjar um hotel com preço baixo. depois de algumas voltas e um "choradinho", lá conseguimos encontrar um humilde hotel de 4 estrelas que nos levou 20€ do bolso! a estadia começava bem! o centro era simpático, as pessoas simpáticas e o ambiente não menos simpático, apesar de pouco pessoal. no outro dia de manhã, acordámos e partimos sem destino certo.

a paisagem mostrava-se montanhosa, mas a estrada corria sempre cá em baixo e nós adora
vamos! entre parar numa pequena aldeia para almoçar/lanchar e apanhar uma boleia de 50km até bitola - uma das maiores cidades da macedónia - de uma carrinha azul que passou e parou à nossa frente, o percurso fez-se calmamente e sem grandes sobressaltos. o tempo estava bom, não havia vento, o trânsito era quase inexistente! depois de bitola, continuamos a pedalar até chegar a prilep, 40km depois, onde decidimos parar e tentar arranjar onde dormir. falamos com um ou outro adolescente no meio da rua, pois seriam os únicos a compreender o nosso inglês, que não nos conseguiram dizer mais que um simples: desculpem, não conseguimos ajudar... mas a ajuda haveria de chegar do outro lado da rua, de dois senhores nos seus 60 que se prontificaram, entre gestos e palavras soltas, a ajudar-nos no nosso pedido. seguimo-los atrás das suas bicicletas e chegamos a um estaleiro de madeiras, com um burro e meia dúzia de cães esfomeados, uma casa em construção e dois ou três reboques de camiões abandonados. o "guarda" veio, um senhor na casa dos 50 e logo nos mostrou duas opções onde poderíamos acampar: uma, dentro da garagem da casa; outra, dentro de um dos quartos ainda em construção! com tanta escolha, optamos pela segunda, o quarto! mas entretanto, lá em baixo, esperava-nos uma noite fantástica na companhia dos 2! a conversa foi-se fazendo de entendimentos poucos, enquanto uma salada de tomate era preparada, fotografias eram tiradas, pimentos eram abertos, rakia (bebida nacional) era bebida, risos eram soltos e o mourinho tentava ganhar ao guardiola. nada feito, no fim, só nós é que ganhámos uma noite indescritível! a subida ao quarto foi feita com a única lanterna que temos e dormimos que nem uns anjinhos! de manhã, o café esperava-nos, assim como as últimas despedidas aos cães, ao burro que estava amarrado a uma planta desde as 5 da manhã e, claro está, ao "guarda", que ainda nos levou a um supermercado onde, depois da senhora ter descoberto que eramos portugueses, nos ofereceu a sua máxima simpatia, cafés e bolos, tudo comido na companhia de 4 trolhas que se preparavam para começar a trabalhar! adeus, adeus...escreveremos um dia! xau...

pedalavamos agora até
veles, onde o ace nos esperava só no dia seguinte mas, com a boleia do dia anterior, adiantámo-nos no espaço e por isso chegaríamos antes! a macedónia não tem mar. tem uns lagos ainda com tamanhos decentes e rios que nunca mais acabam. é uma região onde a água não escasseia, assim como não escasseiam os legumes e, sobretudo, os pimentos! em todo o lado se exibe o "legume nacional"! em todo o lado se cozinha! em todo o lado se come, com tudo, em tudo, de todas as maneiras possíveis e imaginárias! eles são aos milhares! em casa do ace, não era diferente! quando chegámos, a família cozinhava pimentos. quando saímos, continuavam a cozinhar! durante as três noites que lá passamos, comemos pimentos feitos de todas as maneiras a toda a hora, em quase todas as refeições! e tudo estava delicioso! veles é a 5ª maior cidade da macedónia, plantada no meio das montanhas, onde um rio escasso a atravessa. devido à sua condição geográfica, pareceu-nos bizarro ver os cemitérios no topo das montanhas. mas pensando bem, onde iriam eles ser construídos? o seu novo centro tem dinamismo, muitos bares, um jardim com uma igreja ortodoxa, claro está e muita gente nova, que enche os cafés com muito estilo e simpatia! neste tempo passado aqui, tentamos colocar as coisas em dia, actualizar os blogs, pedir casas para os sítios para onde pensávamos ir depois. deu para tudo...até para descansar! à saída, o ace prometeu viajar até portugal no próximo ano, pois como é dj, há muito lhe interessa estar presente no boom festival!

esperavamos chegar longe nesse dia! planos furados...aliás, não foram só
os planos que saíram furados, mas sim os pneus das bicicletas, ao ponto de termos tido tantos furos que num deles, na bicicleta do rafael, a câmara-de-ar ter tido um grande rasgão e depois de 3 horas a tentar arranjar remendá-lo, acabámos por desistir e voltar 5k atrás para uma bomba de gasolina onde esperávamos acampar nessa noite para, no dia seguinte, apanharmos uma qualquer boleia para comprar câmaras-de-ar novas. sim, viajamos com o básico! no entanto, ainda antes dos furos, o rafael apanhou uma vespa com os lábios e foi mordido. o dia estava mesmo a correr bem! no regresso à bomba de gasolina e depois de já termos caminhado quase 5km e depois do rafael tentar vezes sem conta pedir boleia - com as bicicletas, claro está - uma das carrinhas que não parou no raael, parou quando a tanya levantou o dedo! por ser menina? não! mais à frente, uns 100 metros, éramos parados pela polícia e pensávamos nós que o mau dia ia continuar, mas depois deste ter percebido o problema, até nos ajudou e disse aos senhores da carrinha, que entretanto já nos tinham passado uma garrafa de coca-cola para as mãos, onde poderíamos resolver o problema dos pneus! 15km depois, paravamos numa feira e compravamos duas câmaras-de-ar por 5€ - acho que fomos roubados - e as bicicletas podiam continuar viagem, mas não nós que estavamos estourados, cheios de fome e decidimos que era mesmo ali que iríamos ficar. mais uma vez o ace, de veles, entrou em acção! depois de um telefonema, arranjou-nos onde ficar e a noite não podia ter acabado melhor! foi possivelmente com a família mais bondosa, divertida e querida de stip que ficamos! um casal nos seus 50, com um filho, darko - o amigo do ace - que nos abriram a porta de casa, ofereceram um banho, comida e uma cama lavadinha! sim, somos muito sortudos! acontece! o serão foi passado a rir, a conversar num inglês muito básico e a ver a final do campeonato europeu de basquetebol, que nuestros hermanos ganharam.

seria o nosso último dia na macedónia, se tudo corresse bem, claro está! a manhã começou com o rafael e tanya a remendarem meia dúzia de furos nos pneus dos atrelados de carga das suas bicicletas! lindo! a seguir a isso, só paramos para beber água, descansar um pouco e comer muito! a viagem seguiu até quase à fronteira com a bulgária e depois de atravessarmos a última cidade e como a noite já estava cerradíssima, entramos por uma aldeia adentro, perguntámos a 3 senhoras na rua onde poderíamos montar a tenda e, 10 minutos depo
is, estavamos a entrar numa casa em construção, mas com um quarto pronto, onde nos ofereceram duas camas para dormirmos, fogão para cozinharmos e garrafas de água, pois a água canalizada ainda não funcionava! que fim de dia espectacular! e nós a julgarmos que íamos dormir dentro da tenda, ao frio! perfeito! acordamos em delcevo e à porta tínhamos a rapariga da casa à espera a convidar-nos para um café em sua casa! isto é lindo! macedónia é lindo! já em sua casa, com os pais, tomamos o pequeno-almoço, bebemos cafés e saímos com um saco com pepinos, pêras e aivar, um preparado de pimento (claro!) que fazem por cá e se barra no pão, entre outras coisas e que é delicioso! delicioso ao ponto de nos terem dado um frasco inteiro e logo na primeira oportunidade que tivemos, quase o acabar todo...que gulodice! saímos, depois de termos trocado contactos e prometermos voltar um dia! sim, aqui sim, temos a certeza que voltamos!

entre a macedónia e a bulgária 10km sempre a subir nos esperavam. 1h20 a pedalar montanha acima para, chegados à fronteira, o polícia ainda nos dizer: obrigado por terem visitado a macedónia! esperamos sinceramente voltar a ver-vos um dia! - e nós a pensarmos: espera aí...não era um polícia? não será isto paleio de um agente turístico? - para depois pensarmos - sim, é paleio de um agente turístico em qualquer parte da europa, mas não na macedónia, onde as pessoas são incrivelmente boas e calorosas...até os polícias!

p.s. - a macedónia tem as notas mais bonitas da europa!

oh albânia, oh albânia...


albânia! oh albânia...

trouxeste-nos os primeiros sorrisos realmente humildes após tantos quilómetros! mas trouxeste-nos também uns putos malvados que nos queriam fanar tudo o que tínhamos nas bicicletas e não fosse um velho a salvar-nos e nós a pedalarmos a 500 à hora, teríamos ficado a pé! albânia, oh albânia! ligaste-nos à terra, com as tuas pessoas mais humildes, mais calorosas! mas também nos levaste a shkoder - a primeira cidade onde ficámos - e nos fizeste conhecer um anfitrião - que de anfitrião nada tinha - que só dizia "barbaridades, baboseiras e besteiras", julgava-se deveras importante e no fim de tudo, não nos queria oferecer a sua casa para dormir, mas um hotel barato (por acaso era) onde ganhava com certeza comissão e ser visto com estrangeiros, o pobre...de espírito! mostraste-nos crianças a brincar em lixeiras, a baloiçarem-se em placas de trânsito, com ranho a escorrer pelo nariz abaixo, mas sorridentes! mas também nos mostraste animais a morrer à fome, desrespeito por eles e indiferença e crueldade perante as outras espécies. albânia, albânia, que nos deixaste percorrer as tuas montanhas imensas, ter paisagens de tirar o fôlego e conhecer vales e rios lindíssimos! mas albânia, nas tuas estradas circulam mais mercedes que em qualquer outra parte do mundo e cremos, pois não há outra explicação, que o país vive paredes meias com a corrupção. mostraste-nos pastores que rezam para nós e nos oferecem comida, meninas que sonham em viajar até paris, homens que não sabem além da sua língua e que são tão generosos, autênticos e bondosos e as mulheres mais bonitas da viagem! mas mostraste-nos também que o país é caótico, desorganizado, sujo e que toda agente se marimba para ele para pensar somente no seu próprio umbigo e enganar o próximo.



albânia, país de contrastes, onde nos soube tão bem viajar, onde voltaremos o mais cedo possível e onde, quem visita, tem contigo um sentimento de amor/ódio. nós não fomos diferentes!

e assim foi...

parados em sofia, na bulgária, decidimos finalmente actualizar aquele que, até há bem pouco (algum) tempo, era o blog de viagens mais actualizado da blogosfera! enfim, por razões várias que não vale a pena aqui referir, deixou de o ser, para grande tristeza - sim, tristeza - dos nossos caros leitores. mas deixemo-nos de lamentações e actualizemos então este que poderá ser, quem sabe, o melhor blog do princípio do século!

a croácia ficou para trás! para trás, ficou também o dinheiro "mal gasto". para trás ficaram também pessoas menos simpáticas - fora um ou outro caso e falamos, claro está, do interior do país - e que só pensam em como ganhar mais dinheiro vendendo um copo de água. entrar em monetenegro fez-nos bem! ao bolso e ao contacto com outras pessoas! logo ao passar o posto fronteiriço, a simpatia notou-se no rosto das pessoas e, uns quilómetros mais abaixo, já pedalando para a baía de kotor onde ficaríamos nessa noite, as pessoas que nos viam passar riam-se, sorriam e cumprimentavam! assim sim, dava gosto pedalar...havia ali calor humano! chegados à baía, que sendo contornada, tem à volta de 70km, tivemos a noção da beleza de toda aquela imensidão de água, no meio de toda aquela imensidão de montanhas que a unesco achou por bem classificar, assim como o próprio centro histórico que tivemos a oportunidade de visitar no dia seguinte logo pela manhã! a noite foi passada num parque de campismo particular e o preço foi discutido...estavamos a gostar, depois de termos apanhado o ferry durante 1,5km que atravessava a baía para o outro lado e que era gratuito para pessoas e bicicletas! lindo!

o vento era fortíssimo e o jantar foi feito com algumas dificuldades. durante a noite, assim como nos dias seguintes, muitas foram as vezes que tivemos a noção de poder levantar do chão, ser arremessados ou simplesmente voar, tamanha era a força do vento. kotor, uma cidade construída entre os séculos XII e XIV, preserva muitos dos edifícios dessa altura, entre eles igrejas e a muralha que sobe pela montanha e que nos faz quase duvidar se terão sido humanos a construi-la, tamanha é a inclinação. outrora um porto importantíssimo, com histórias de marinheiros, pescadores e viagens sem fim, kotor foi perdendo a sua importância e hoje não passa de um importante ponto turístico, embora ainda não muito visitado!

já passava da hora do almoço quando começamos a pedalar em direcção a não sabemos onde. quando estivermos cansados, paramos! as subidas seguiam-se umas às outras, repetidamente, sem nunca nos deixarem descansar. o vento empurrava-nos, ora para as ravinas que espreitavam o mar lá em baixo, ora para o meio da estrada, onde autênticos "campeões" do asfalto, deslizavam a velocidades astronómicas. a solução foi saltar das bicicletas e tentar caminhar com elas ao lado, mas mesmo assim a tarefa não foi fácil. o vento continuava fortíssimo e fazia-nos derrapar na estrada, na terra batida e até tombava as bicicletas. a certa altura, arriscamos e optámos por descer à malucos e fosse o que fosse que acontecesse, só esperavamos não nos magoarmos...muito! já com uns quilómetros nas pernas, a tanya teve um ataque de nervos e achámos mesmo bem parar.
- mas para onde? - questionamo-nos - descemos esta rua aqui ao lado? sim, claro!

não sabíamos onde ia ter, mas tinhamos a certeza que era lá que íamos dormir essa noite. chegámos a uma praia surreal - tipo farwest - com meia dúzia de gringos sem capacete a passearem-se nas suas motas, com meia dúzia de barracas a vender de tudo e mais alguma coisa e com uma praia com 2 ou 3 bares com nomes do género: copacabana, irish, entre outros à escolha e nada aplicáveis ao sítio. enfim! a noite começava a cair e, depois de espreitarmos um pouco o nada que aquilo tinha para espreitar, entrámos num parque-de-campismo-bungalow-residence-fake-rich-people-kitsh-thing e gritámos bem alto:
- somebody home? - de uma das barracas, saiu um rapaz com os seus 28 que se ofereceu para nos traduzir o diálogo com o gerente do sítio! no final, levamos a coisa por 15€ para duas noites que, quando saímos foi reduzido para 18€ por 3 noites! bom negócio e, se tomarmos em conta que foram dias de autêntico descanso, repletos de pessoas boas por todo o lado, famílias sérvias que nos convidavam para um café, almoço ou simplesmente conversar e que o bungalow que arrendámos tinha 4 camas, frigorífico e que podíamos cozinhar, chamemos o achado de perfeito! o que não foi perfeito - não há bela sem senão - foi que para sair da praia, 4km sempre a subir nos esperavam! nada de mais para nós! já não somos meninos!

dali até à albânia, um tirinho! uns túneis, uma ou outra cidade visitada, encontrar uma rapariga na rua que tínhamos conhecido - também por acaso - na polónia, uns sobe e desce sem importância, umas fotos para mais tarde recordar, um casal do quebec que tinhamos conhecido em dubrovnik e que nos apareceram algures no meio do nada outra vez, risos para aqui, fon fon fon para acolá e o caminho que nos deitava para fora de montenegro foi todo feito com boa disposição! é país para voltar, sem dúvida, um dia! só esperemos que os russos, entretanto, não comprem e privatizem o país inteiro...

p.s. - montenegro tem a garrafa de água com o melhor design, até agora, de todos os países que passamos!

rota das camas

entramos em portugal por vila real de santo antónio e vamos até ovar. queremos que nos façam a rota dos sítios a dormir desde o sul até ao norte...vá, vamos matar as saudades com caminhas lavadinhas e banhinhos quentinhos! comidinha vegetariana, pois claro! estamos à espera!!!

croácia - quase copy/paste (tentem entender...)

saímos do forint, entramos novamente no euro da eslovénia durante 20km – o que deu para perceber que é um país extremamente barato! – para entrarmos numa nova moeda: kuna! foi o primeiro país nesta viagem em que mostramos os bilhetes de identidade, visto que foi também o primeiro país em que entramos que não pertence à união europeia. não deixando de ser mais uma fronteira, com o normal posto fronteiriço que outrora estavam espalhados em todos os países, chegar à croácia foi uma alegria! sabíamos que pela frente tínhamos o terreno mais difícil até agora. o interior do país é dividido da costa por grandes montanhas e, mesmo pedalar pelo interior, não é tarefa fácil, num sobe e desce constante e muito cansativo.

a primeira noite foi passada em cakovec, em casa do robert, um croata que trabalha nas plataformas de gás na costa de pula. foi uma noite descansada, depois de um jantar rápido e cheio de fibras, com muita água a acompanhar e depois de um longo percurso de 111km, cansativo, com muito calor e humidade. tínhamos a noção de que seria impossível continuar a fazer esta quantidade enorme de quilómetros se quiséssemos chegar vivos ao adriático, mas o primeiro e o segundo dia não perdoavam. quando acordamos, sentimos o peso de todas aquelas montanhas nas pernas e a ideia de ficarmos outro dia a descansar, passou-nos pela cabeça. no entanto, queríamos chegar depressa a zagreb! saímos de cakovec com o contacto do ivan, amigo de uma prima do robert, pois se há coisa em que detestamos gastar dinheiro, é a dormir – mal sabíamos nós o que nos esperava. gastar dinheiro num hotel para estar de olhos fechados no escuro, não é coisa que nos agrade mesmo. enfim…às vezes tem de ser, mas tentamos evitar ao máximo! até zagreb o caminho foi mais pacífico. tinham-nos avisado das montanhas que rodeiam a capital e todas aquelas que as envolvem e estávamos sempre à espera de as encontrar. chegámos a zagreb e sim, tínhamos feito alguns quilómetros de que gostámos menos, mas nada de especial! porém, com o cansaço do dia anterior somado ao deste dia e com o calor que estava, a primeira coisa que fizemos na capital e depois de termos visto que ainda estávamos muito distantes da casa onde dormiríamos, foi comer o maior gelado que encontrámos no caminho…e que gelado! chegámos a casa do ivan deliciados! zagreb parecia-nos, à primeira vista, uma cidade com muito estilo! viríamos a confirmar isso no dia seguinte, quando o ivan e o victor nos fizeram uma visita guiada pela cidade, parando aqui e ali para um sumo ou uma cerveja! a cidade que nos pareceu ter o tamanho ideal, estava um pouco vazia pelo facto de ser verão, mas isso não nos desagradou! o pouco que vimos, fez-nos sentir em casa, parecendo-nos uma cidade onde seríamos capazes de viver por uns tempos! o que faz com que adoremos os sítios onde ficamos, é também a presença de pessoas que nos fazem sentir bem e estes dois anfitriões, juntamente com um terceiro, o lucas, fizeram tudo para que saíssemos de lá com um sorriso nos lábios. em casa, as conversas prolongavam-se até às tantas e iam da antiga Jugoslávia, ao comunismo dos países de leste, até ao mar transparente do adriático, por entre panquecas recheadas de chocolate e caril de grão-de-bico!

pegar nas bicicletas no dia seguinte, é sempre bom, mas despedirmo-nos de tão fantásticas pessoas, custa-nos imenso…

mais tarde, sentados numa esplanada numa pequena povoação de pescadores, paredes meias com a cidade de tregor, ouvindo conversas ora em croata, ora em alemão, relembramos a semana que passou e tiramos umas quantas conclusões. duma maneira muito geral, dos que passamos até agora, concordamos que a croácia é o país mais bonito a nível de beleza natural. concordamos também que é exageradamente caro. concordamos ainda que, assim como em portugal em algumas zonas mais turísticas, cresce desorganizadamente, facto que se tornará irreversível quando o betão e as construções duvidosas a nível de gosto e qualidade tomarem conta de toda a costa. que o país tem demasiada oferta de alojamento e que, se tivéssemos de fazer um desenho da maneira como vemos o país, esboçaríamos com certeza imensas placas de ofertas de quartos, apartamentos e campismos, umas em cima das outras e, do lado esquerdo, o mar. concordamos também, por último, que as pessoas atiram demasiado lixo para as florestas, pois a costa está repleta de maços de tabaco, latas, garrafas e, mais incrível, velhos electrodomésticos. Um país que tem tanto para oferecer e tão caro…que se cuide.

saídos de zagreb, quisemos atravessar parte do interior para visitar dois sítios que, pelo que víamos nas fotografias, mereciam uma visita. na primeira paragem, em slunj, vimos do lado de cá da estrada o mesmo que se via do lado de lá, mas pagando-se. na segunda paragem, chegamos ao fim de uma série imensa de quilómetros a uma subida que, tivesse ela aparecido no princípio, tinha-se feito a brincar, mas no fim da viagem, foi ela que brincou connosco! os carros e as motas passavam a alta velocidade e nós, em tom de ironia, mas também para nos mentalizarmos que tinha de ser, gritávamos: “isso é para meninos…”. para meninos ou não, o facto é que chegavam lá acima muito mais depressa do que nós, que demorámos mais de uma hora para subir aqueles 8km. suados, estafados e sem vontade de sorrir, demos graças por termos visto de longe parte de tamanha beleza, o parque natural de plitvicka jezera, pois ali, pagava-se “forte e feio”. e nós que somos tão contra pagar-se para se ver natureza…

depois de passarmos a noite no parque de campismo mais caro e com menos condições de toda a viagem, um 3 estrelas (duvidoso), seguimos em frente para aquele que seria o dia mais complicado de toda a travessia pelo país. atravessar duas montanhas com 1000 metros, intercaladas por duas imensas planícies, com aquele calor terrível, fez-nos perder uns quilitos nesse dia, temos a certeza. a ideia de fazer o trajecto em duas etapas, passou-nos pela cabeça, mas ao mesmo tempo, se as montanhas são uma coisa que cansa, são também o tipo de terreno que nos dá mais prazer, pois torna-se desafiante e, quando no topo, a felicidade sobrepõe-se a tudo! as paragens iam-se repetindo, pois das duas vezes demoramos mais de 1h30 a subir. quando olhávamos um para o outro, pingávamos e aproveitávamos para dar força e chamar todo o tipo de nomes menos simpáticos àqueles fenómenos da natureza! no entanto, a melhor visão que tivemos veio no fim da segunda montanha. não sabemos se de propósito ou não, o que é um facto é que aquele túnel, no fim daquela enorme subida, foi feito por um génio! não tem mais de 30 metros mas, ao entrar-se nele, temos a ideia da famosa expressão “luz ao fundo do túnel”. à medida que a luz aumenta, do outro lado só vemos céu mas, quando saímos, todo o espectáculo que é a costa croata, com as suas ilhas e o fenomenal mar adriático abre-se à nossa frente e os gritos de emoção saem, sem sequer termos cuidado com quem está à nossa volta! saímos das bicicletas, saltamos, rimos, e gritamos “conseguimos! conseguimos!” e algumas lágrimas caem pela face abaixo! é tão bonito que nem conseguimos descrever, mas a nossa felicidade é visível! “conseguimos!”. o que se segue, são 12km sempre a descer, ao ponto das mãos doerem de tanto travar! o tão esperado mergulho é dado uma hora depois, na água mais transparente que alguma vez vimos! nessa noite, dormimos ao relento, sob as estrelas e com uma música horrível e em alto volume até às 3h.

os dias que passamos depois do primeiro contacto com o adriático, foram sempre feitos sem o perdermos de vista, ora dum lado, ora do outro! entre parques de campismo e campismo selvagem, estes dias foram de “férias” e não quisemos pensar em nada, fazer nada e ter de decidir onde íamos, a que horas e se comíamos ou não. quando acordávamos íamos para a praia e só saímos de lá quando tivéssemos fartos de sol e água salgada! jantávamos e descíamos até um qualquer café em busca de gelados de cores saborosas! moles e desgastados pelo dia, arrastávamo-nos até à tenda e adormecíamos sem muitas palavras. zadar apareceu pelo meio mas nem por isso o ritmo lento foi diferente! a única coisa que veio cortar toda esta “pasmaceira propositada”, foi o termos encontrado 3 pessoas de Ovar, que viajavam com uma excursão e após tantos meses sem nenhuma cara conhecida, ver e falar em português dá imenso prazer!

aquilo que pretendíamos que fossem umas férias bem passadas e longas no adriático, tornaram-se etapas a correr, quase sem descansar, já que o sistema de couchsurfing na croácia não funciona e todo o país está transformado num autêntico bazar, onde tudo se vende, tudo se oferece e nada se consegue a baixo custo. de zadar, fomos descendo a costa, parando aqui e ali onde uma ou outra cidade ou monumento nos obrigavam a uma escapadela.

em sibenik, visitamos a catedral que é património mundial da humanidade e fugimos para uma povoação uns quilómetros ao lado, perto de trogir – também reconhecida pela unesco. no dia seguinte, com as bicicletas na mão, visitámos o seu centro histórico mas sem nunca perder muito tempo em algum lado, pois o tamanho das nossas companheiras e a quantidade de coisas com que viajamos, não permite que as deixemos “à solta” num qualquer lugar. as visitas têm quase sempre de ser repartidas. enquanto um visita, o outro tem sempre que ficar a guardar a “casa”! assim aconteceu também em split, cidade onde não ficámos mais do que 30 minutos, mas que exige muito mais. no entanto não tínhamos sítio onde ficar, a cidade estava com milhares de turistas, estava imenso calor e confessamos, não estávamos virados para a visitar. depois de algumas voltas pelo centro, trincamos uma sande muito má à saída da cidade e virámos costas com a cabeça no sul. quilómetros à frente e já sem forças, o nosso desejo era encontrar um espaço só para nós, onde pudéssemos estar sem ninguém nos chatear e, se possível, gratuito! depois de subida mais uma montanha – são tantas… - vemos do lado direito um pequeno estacionamento e, depois de estudado o terreno, reparamos que fora da visão da estrada, se escondia uma casa por terminar – são tantas… - com praia privativa e sem que, depois de acomodados, alguém nos pudesse ver, excepto um ou outro pescador que passasse com o seu pequeno barquito lá em baixo e que, com toda a certeza, nunca se chatearia! depois de algumas manobras mais ou menos complicadas com vista a levar as bicicletas uns metros para baixo, instalamos a nossa cozinha e preparamos o nosso lanche pós-viagem! entre uma e outra refeição, tiramos algumas fotos, uma sesta e estarrecemos a olhar o sol a pôr-se! pela primeira vez fazíamos tudo isto em pleno descanso e conscientes de que, aquele sítio era o perfeito! assim foi! uma noite espectacular, protegidos do vento, dormindo por cima dumas placas de esferovite e olhando as estrelas! ao acordar e tomado o pequeno-almoço, tivemos ainda tempo para um mergulho na “nossa” praia privativa e abandonamos a casa, até um dia!

dali, as cidades sem qualquer interesse histórico repetem-se, as casas encavalitadas umas nas outras, a maior parte de um gosto duvidoso e por acabar, repetem-se, as placas de alugueres repetem-se e a paisagem repete-se também, mas na sua beleza extrema! a costa da croácia é, sem dúvida alguma, lindíssima! o nosso dia maior fez-nos pedalar 96km até uma pequena população onde já desesperados, sem luzes nas bicicletas e com a noite caída, nos vimos obrigados a pedir para montar a tenda na segunda casa com jardim que encontramos. entre ploce e a fronteira com a bósnia e herzegovina, encontra-se uma zona de rios e centenas de canais, completamente diferente daquilo que até então tínhamos visto no país. se por um lado se torna num espectáculo a visão de centenas de campos rectangulares cultivados entre canais, onde as pessoas se movimentam com pequenos barcos, por outro este cenário não nos permite tão facilmente arranjar um espaço para dormir. damos graças por termos parado naquela rua que, de tão pequena e de tão escuro que estava, não sabemos como a vimos. uma família com um grande jardim, repartido com o vizinho, acolheu-nos na sua relva, com direito a uns bolinhos de coco e choolate e a duas dezenas de figos! assim sabe bem acabar um dia tão cansativo! a Tanya prometeu a si própria que, no dia seguinte, não passaria os 50km!

assim foi, 50km certos até uma pequena praia, 4km de ston, encaixada numa montanha com uma descida de 10%, até ela! nesse dia, sabíamos, sabia bem descê-la, mas no dia seguinte, teríamos de a fazer toda para cima! parámos de pedalar às 13h e depois de um mergulho, deitamo-nos ao lado da tenda para não mais nos mexermos até ao jantar. sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, iríamos ter de parar algures, pois atravessar o país desta maneira era completamente descabido e sem qualquer sentido. desde que tínhamos entrado na croácia, somente em zagreb e razanac havíamos parado 2 dias. depois, tinha sido sempre a andar e se fazer 70 ou 80km por dia em espanha ou na holanda não cansa muito, encontrar esta costa montanhosa e fazê-los todos os dias sem descanso, não é para nós que, antes desta viagem, mal andávamos de bicicleta. ter nesse dia tomado a decisão de parar àquela hora foi…a decisão certa! no dia seguinte, tivemos a notícia de que os dias fáceis tinham acabado. na próxima semana, ventos fortíssimos vindos do mar, primeiro e da montanha, depois, atacariam o país. confessamos que saímos dali com um certo receio. pedalar bicicletas tão pesadas, numa estrada não preparada para elas, com a montanha sempre do lado esquerdo e o mar, por vezes, ali ao lado, mas a 300 ou 400 metros de altura e com vento forte, não é o cenário ideal.

a viagem até dubrovnik, no entanto, correu maravilhosamente bem. algumas rajadas, mas nada que nos fizesse tremer e a visão da cidade à chegada, não nos parece nada bonita até vermos ao longe o seu centro histórico, considerada a pérola do adriático! a tenda foi montada num parque a uns minutos do centro e optámos por ficar 2 dias. à noite choveu torrencialmente, assim como no dia seguinte e só às 16h conseguimos sair para visitar a cidade. os ventos fortes tinham chegado sim, na sua força extrema. por momentos duvidamos que a tenda aguentasse, mas ficamos surpreendidos com a sua resistência! quanto à cidade, não há muito e ao mesmo tempo há tanto para dizer! dubrovnik é, apesar de ser a cidade mais turística da croácia, um sítio que não se pode deixar de visitar. isolada do resto da croácia pela bósnia e herzegovina dum lado e sérvia e montenegro do outro, sofreu diversos ataques que danificaram o seu património entre 1991 e 1995, pelos exércitos dos dois países. resistindo e reconstruindo tudo o que é hoje, tornou-se numa cidade postal, com uma beleza que é rara a cidade que tenha. caminhar entre as suas ruas labirínticas, subir as escadas que rodeiam a cidade, observar o adriático de um qualquer ponto e sentarmo-nos a observar o seu ritmo, é um prazer difícil de explicar! ao sair, um longo sorriso na cara acompanha-nos até adormecermos!

mas não poderíamos acabar sem relatar a melhor experiência que tivemos na croácia! entre zagreb e as famosas cascatas, perdidos entre as montanhas ainda pequenas, sem placas a oferecer quartos, por entre tantas casas abandonadas por todo o lado, aldeias despidas de vida e de pessoas que se viram obrigadas a sair para viverem noutro país – bósnia ou sérvia - aquando da divisão da jugoslávia, tivemos a sorte de pedir espaço para montar a tenda num quintal, da família mais bondosa das redondezas, disso temos a certeza! um casal dos seus cinquentas, com dois filhos nos seus trintas, pararam o que faziam para nos receber e connosco estar até partirmos, no dia seguinte, com as lágrimas de saudade – seriam já? – no canto do olho! desde que entramos, passando pelo lanche, pelo jantar, pelas histórias de guerra e de família, pelas fotografias que nos passavam pelas mãos, até ao momento em que, rindo como nunca antes tinha acontecido, quase rebolávamos no chão, pelo caricato de alguns momentos – alguns captados em vídeo, claro está! – que a estadia com esta família foi mais que perfeita! quando tomávamos o pequeno-almoço, sentíamos já que ia ser complicada a despedida e até com o cão quisemos tirar fotos! montámo-nos nas bicicletas e, por entre abraços, beijos e risos nervosos, tentando conter aquilo que era inevitável, o filho mais novo vira-se para a tanya e diz que é uma “boa mulher” por não esconder a emoção e, quando se vira para o Rafael diz, rindo-se: “tu também!”. a deixa estava dada, tínhamos de sair dali: “obrigado por tudo! foram fantásticos!”…e fugimos!

hungria sempre a descer

escrever sobre algo que já passou há tanto tempo, é algo que nos exige muito da cabeça. porque não o escrevemos antes? adiamos pensando que, chegando à croácia – as nossas supostas férias dentro da viagem – colocaríamos tudo em ordem, tim tim por tim tim, com tempo de sobra para tudo e, imaginávamos nós, à sombra da bananeira, com um cocktail numa mão e na outra, as pedras a escorrerem entre os dedos! tudo falhou. não foram nenhumas férias. o que foram então? um corre-corre, onde tudo correu ao contrário do que estávamos à espera. comecemos então pelo princípio…

depois de deixarmos a república checa, descemos até chegar à eslovénia e, o pouco tempo que lá estivemos – 20km mais ou menos – deixou-nos perceber que a itália e a hungria devem fazer compras lá, pois é tudo muito barato! enchemo-nos de chocolates e bebidas e pedalamos dali para fora, para a hungria! a primeira cidade onde paramos – dizem os guias – é a cidade mais histórica do país: sopron. ficamos duas noites em casa da gabi e da família e visitamos a cidade somente no 2º dia. é pequenina, mas muito acolhedora e, pela primeira vez, pediram-nos num posto de turismo – imagine-se – para falar alemão, pois não sabiam falar inglês! pasmámos! o centro é todo concentrado à volta de uma igreja e de uma torre, a firewatch tower que, como o nome diz, foi construída para se poder ver se ocorriam incêndios em volta da cidade. hoje, é a maior atracção de sopron. também no seu centro –fő tér - encontra-se a holy trinity statue, mandada construir em 1770 pelo cardinal kollonich, que na época foi considerada uma afronta para com os protestantes da cidade e que disse: ’primeiro farei dos húngaros escravos, depois pedintes e por fim católicos”. uma das coisas mais interessantes que fizemos na cidade, foi visitar uma exposição relativa ao piknik 89, nome que é dado à revolução que as pessoas deste país, principalmente desta região, levaram a cabo para acabar com as fronteiras que separavam os antigos países comunistas dos chamados países capitalistas, tendo na altura visto sair do país centenas de pessoas para a áustria. é emocionante ver as fotos das pessoas a rebentarem com as cercas da fronteira, ajudadas também pela polícia e ver a reacção de muitas do lado de lá! sopron, de resto, consiste numa série de ruas com alguns edifícios do século XVII e XVIII, que pedem um olhar mais atento… que nós não demos.


dali até gyor, parte do caminho foi feito por estradas principais mas, depois de termos encontrado uma série de moedas e notas atiradas no meio do nada, decidimos meter-nos por estradas secundárias, que nos cansaram imenso, por causa do vento. a pessoa que nos receberia perto de gyor, pareceu-nos um pouco estranha nos primeiros contactos e, quando chegámos a sua casa, o dani revelou-se uma pessoa estranha, sim! vivia com a família e era demasiado curioso para o nosso gosto, pois cansados e depois de termos apanhado vento e uma tempestade imensa pelo caminho, a cada frase que dizíamos, pedia para a traduzirmos em português e repetia-a, orgulhoso. agora, pode o “caro leitor” imaginar isto durante umas horas seguidas, acrescentando o facto de que, de 20 em 20 minutos, dizia que éramos espectaculares e super, super queridos! uma noite chegou e a cidade, só a atravessamos no dia seguinte, sem ver nada nela sobre o qual possamos falar. sabemos que tem uma universidade e que é atravessada por 3 rios: o ráaba, o rábca e o mosoni-duna. nada mais.

em tata, a próxima paragem, um bungalow por 14 euros esperava-nos e nós nem sabíamos disso! a cidade cresceu em redor de um grande lago e teve o infortúnio de estar por 150 anos na fronteira de guerra entre os exércitos turco e húngaro. nada, ou quase nada resta de histórico. o lago, que pelo que se ntimos não deve ser muito profundo, é de um verde-leitoso e quente! foi um dia muito calmo, numa cidade calma, que acabou connosco a falar português com uma húngara, que tinha vivido na madeira e que se mostrou demasiado admirada por ver portugueses ali! no dia seguinte, antes da nossa partida para budapeste, aconselharam-nos a ir ao lado do danúbio, uns 50km acima, pois pela montanha seria mais perto, mas muito mais custoso. que fizemos nós? fomos pela montanha! aquilo que nos tomaria 2 dias, fizemo-lo apenas em 6 horas! e estavamos nós na capital!

budapeste, aquela que é chamada a pérola do danúbio, trouxe-nos algumas surpresas. ficámos alojados em casa duma amiga duma pessoa com quem tínhamos ficado em dessau, na alemanha. pensávamos que íamos só ficar duas noites e ficámos 4 noites. se no dia da chegada optámos por descansar e no terceiro dia, uma infecção no olho esquerdo da tanya obrigou-nos a ficar em casa, já os outros dois dias foram aproveitados para, ora pedalar, ora caminhar nesta grande e belíssima cidade que, há não muitos anos atrás, era composta por buda, numa margem e pest, na outra. esta cidade que se desenvolve rapidamente desde 1991, ano em que o regime mudou, deixando finalmente a cidade livre, foi assolada por guerras e invasões ao longo de centenas de anos. sentiu nos nazis e posteriormente no governo comunista, anos de terror, relembrados na casa com o mesmo nome – casa do terror – numa das principais avenidas de pest. neste museu de ficar com um nó na garganta, são agora relembradas as vítimas torturadas e assassinadas por ambos os regimes e depois de passarmos por todas as salas, lembramo-nos mais uma vez de que não foi assim há tanto tempo. à saída, e de inúmeras escolhas que temos, decidimos subir a colina de buda, e termos uma vista magnifica sobre a cidade, além de que o castelo e os palácios envolventes são impressionantes! o único mal, continua a ser o facto de termos visitado a cidade em agosto, altura em que tudo é mais caro e tudo tem mais filas. há milhares de turistas de excursão, e por sermos turistas pé-descalço, a coisa não nos agrada…mas budapeste foi uma das cidades mais bonitas que vimos até agora, disso não há a menor dúvida!


vamos descer, direcção ao sul…à água e aos mergulhos! vamos até ao velence e ao balaton! estes lagos, os maiores da hungria e dos maiores da europa, fizeram-nos levar com a maior onda de calor até então e não se pense que parar em tamanhos lagos nos refrescou muito, pois estes, de tão pouco profundos que são – o balaton, que tem 15km na sua parte mais larga e 81km na sua parte mais comprida, só tem 3 metros de profundidade! – não têm tempo de arrefecer no verão e estão constantemente mornos, o que nos convida constantemente para um banho, também! em ambos os lagos, as famílias abundam, com os filhos gritando, chapinhando e fazendo 30 por duas linhas, sempre prontos a tirarem-nos a paz! porém, em ambos os lagos, podemos também encontrar espaços com pouca gente, não fossem eles tão grandes! as noites que passámos naquela zona, foram divididas entre casas de família, onde comemos excelentes refeições e tivemos agradáveis conversas e uma noite ao relento, dormindo por debaixo das estrelas, com a água mesmo ali ao pé, prontinha para um mergulho logo às 7 da manhã! sair dali é que já nos deu mais trabalho, pois o lago é muito bonito – então quem o vê cá de cima, fica com certeza de boca aberta - mas subir todas aquelas montanhas que o rodeiam, não é fácil…e se o tempo ajudasse, mas não, parece que quando existem montanhas, ou está muito calor, ou muito vento…não há meios termos. quando acordámos e nos fizemos à estrada, sabíamos que a próxima vez que adormeceríamos, se tudo corresse bem, seria já na croácia, em casa do robert, em cakovec! assim foi!



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