croácia - quase copy/paste (tentem entender...)

saímos do forint, entramos novamente no euro da eslovénia durante 20km – o que deu para perceber que é um país extremamente barato! – para entrarmos numa nova moeda: kuna! foi o primeiro país nesta viagem em que mostramos os bilhetes de identidade, visto que foi também o primeiro país em que entramos que não pertence à união europeia. não deixando de ser mais uma fronteira, com o normal posto fronteiriço que outrora estavam espalhados em todos os países, chegar à croácia foi uma alegria! sabíamos que pela frente tínhamos o terreno mais difícil até agora. o interior do país é dividido da costa por grandes montanhas e, mesmo pedalar pelo interior, não é tarefa fácil, num sobe e desce constante e muito cansativo.

a primeira noite foi passada em cakovec, em casa do robert, um croata que trabalha nas plataformas de gás na costa de pula. foi uma noite descansada, depois de um jantar rápido e cheio de fibras, com muita água a acompanhar e depois de um longo percurso de 111km, cansativo, com muito calor e humidade. tínhamos a noção de que seria impossível continuar a fazer esta quantidade enorme de quilómetros se quiséssemos chegar vivos ao adriático, mas o primeiro e o segundo dia não perdoavam. quando acordamos, sentimos o peso de todas aquelas montanhas nas pernas e a ideia de ficarmos outro dia a descansar, passou-nos pela cabeça. no entanto, queríamos chegar depressa a zagreb! saímos de cakovec com o contacto do ivan, amigo de uma prima do robert, pois se há coisa em que detestamos gastar dinheiro, é a dormir – mal sabíamos nós o que nos esperava. gastar dinheiro num hotel para estar de olhos fechados no escuro, não é coisa que nos agrade mesmo. enfim…às vezes tem de ser, mas tentamos evitar ao máximo! até zagreb o caminho foi mais pacífico. tinham-nos avisado das montanhas que rodeiam a capital e todas aquelas que as envolvem e estávamos sempre à espera de as encontrar. chegámos a zagreb e sim, tínhamos feito alguns quilómetros de que gostámos menos, mas nada de especial! porém, com o cansaço do dia anterior somado ao deste dia e com o calor que estava, a primeira coisa que fizemos na capital e depois de termos visto que ainda estávamos muito distantes da casa onde dormiríamos, foi comer o maior gelado que encontrámos no caminho…e que gelado! chegámos a casa do ivan deliciados! zagreb parecia-nos, à primeira vista, uma cidade com muito estilo! viríamos a confirmar isso no dia seguinte, quando o ivan e o victor nos fizeram uma visita guiada pela cidade, parando aqui e ali para um sumo ou uma cerveja! a cidade que nos pareceu ter o tamanho ideal, estava um pouco vazia pelo facto de ser verão, mas isso não nos desagradou! o pouco que vimos, fez-nos sentir em casa, parecendo-nos uma cidade onde seríamos capazes de viver por uns tempos! o que faz com que adoremos os sítios onde ficamos, é também a presença de pessoas que nos fazem sentir bem e estes dois anfitriões, juntamente com um terceiro, o lucas, fizeram tudo para que saíssemos de lá com um sorriso nos lábios. em casa, as conversas prolongavam-se até às tantas e iam da antiga Jugoslávia, ao comunismo dos países de leste, até ao mar transparente do adriático, por entre panquecas recheadas de chocolate e caril de grão-de-bico!

pegar nas bicicletas no dia seguinte, é sempre bom, mas despedirmo-nos de tão fantásticas pessoas, custa-nos imenso…

mais tarde, sentados numa esplanada numa pequena povoação de pescadores, paredes meias com a cidade de tregor, ouvindo conversas ora em croata, ora em alemão, relembramos a semana que passou e tiramos umas quantas conclusões. duma maneira muito geral, dos que passamos até agora, concordamos que a croácia é o país mais bonito a nível de beleza natural. concordamos também que é exageradamente caro. concordamos ainda que, assim como em portugal em algumas zonas mais turísticas, cresce desorganizadamente, facto que se tornará irreversível quando o betão e as construções duvidosas a nível de gosto e qualidade tomarem conta de toda a costa. que o país tem demasiada oferta de alojamento e que, se tivéssemos de fazer um desenho da maneira como vemos o país, esboçaríamos com certeza imensas placas de ofertas de quartos, apartamentos e campismos, umas em cima das outras e, do lado esquerdo, o mar. concordamos também, por último, que as pessoas atiram demasiado lixo para as florestas, pois a costa está repleta de maços de tabaco, latas, garrafas e, mais incrível, velhos electrodomésticos. Um país que tem tanto para oferecer e tão caro…que se cuide.

saídos de zagreb, quisemos atravessar parte do interior para visitar dois sítios que, pelo que víamos nas fotografias, mereciam uma visita. na primeira paragem, em slunj, vimos do lado de cá da estrada o mesmo que se via do lado de lá, mas pagando-se. na segunda paragem, chegamos ao fim de uma série imensa de quilómetros a uma subida que, tivesse ela aparecido no princípio, tinha-se feito a brincar, mas no fim da viagem, foi ela que brincou connosco! os carros e as motas passavam a alta velocidade e nós, em tom de ironia, mas também para nos mentalizarmos que tinha de ser, gritávamos: “isso é para meninos…”. para meninos ou não, o facto é que chegavam lá acima muito mais depressa do que nós, que demorámos mais de uma hora para subir aqueles 8km. suados, estafados e sem vontade de sorrir, demos graças por termos visto de longe parte de tamanha beleza, o parque natural de plitvicka jezera, pois ali, pagava-se “forte e feio”. e nós que somos tão contra pagar-se para se ver natureza…

depois de passarmos a noite no parque de campismo mais caro e com menos condições de toda a viagem, um 3 estrelas (duvidoso), seguimos em frente para aquele que seria o dia mais complicado de toda a travessia pelo país. atravessar duas montanhas com 1000 metros, intercaladas por duas imensas planícies, com aquele calor terrível, fez-nos perder uns quilitos nesse dia, temos a certeza. a ideia de fazer o trajecto em duas etapas, passou-nos pela cabeça, mas ao mesmo tempo, se as montanhas são uma coisa que cansa, são também o tipo de terreno que nos dá mais prazer, pois torna-se desafiante e, quando no topo, a felicidade sobrepõe-se a tudo! as paragens iam-se repetindo, pois das duas vezes demoramos mais de 1h30 a subir. quando olhávamos um para o outro, pingávamos e aproveitávamos para dar força e chamar todo o tipo de nomes menos simpáticos àqueles fenómenos da natureza! no entanto, a melhor visão que tivemos veio no fim da segunda montanha. não sabemos se de propósito ou não, o que é um facto é que aquele túnel, no fim daquela enorme subida, foi feito por um génio! não tem mais de 30 metros mas, ao entrar-se nele, temos a ideia da famosa expressão “luz ao fundo do túnel”. à medida que a luz aumenta, do outro lado só vemos céu mas, quando saímos, todo o espectáculo que é a costa croata, com as suas ilhas e o fenomenal mar adriático abre-se à nossa frente e os gritos de emoção saem, sem sequer termos cuidado com quem está à nossa volta! saímos das bicicletas, saltamos, rimos, e gritamos “conseguimos! conseguimos!” e algumas lágrimas caem pela face abaixo! é tão bonito que nem conseguimos descrever, mas a nossa felicidade é visível! “conseguimos!”. o que se segue, são 12km sempre a descer, ao ponto das mãos doerem de tanto travar! o tão esperado mergulho é dado uma hora depois, na água mais transparente que alguma vez vimos! nessa noite, dormimos ao relento, sob as estrelas e com uma música horrível e em alto volume até às 3h.

os dias que passamos depois do primeiro contacto com o adriático, foram sempre feitos sem o perdermos de vista, ora dum lado, ora do outro! entre parques de campismo e campismo selvagem, estes dias foram de “férias” e não quisemos pensar em nada, fazer nada e ter de decidir onde íamos, a que horas e se comíamos ou não. quando acordávamos íamos para a praia e só saímos de lá quando tivéssemos fartos de sol e água salgada! jantávamos e descíamos até um qualquer café em busca de gelados de cores saborosas! moles e desgastados pelo dia, arrastávamo-nos até à tenda e adormecíamos sem muitas palavras. zadar apareceu pelo meio mas nem por isso o ritmo lento foi diferente! a única coisa que veio cortar toda esta “pasmaceira propositada”, foi o termos encontrado 3 pessoas de Ovar, que viajavam com uma excursão e após tantos meses sem nenhuma cara conhecida, ver e falar em português dá imenso prazer!

aquilo que pretendíamos que fossem umas férias bem passadas e longas no adriático, tornaram-se etapas a correr, quase sem descansar, já que o sistema de couchsurfing na croácia não funciona e todo o país está transformado num autêntico bazar, onde tudo se vende, tudo se oferece e nada se consegue a baixo custo. de zadar, fomos descendo a costa, parando aqui e ali onde uma ou outra cidade ou monumento nos obrigavam a uma escapadela.

em sibenik, visitamos a catedral que é património mundial da humanidade e fugimos para uma povoação uns quilómetros ao lado, perto de trogir – também reconhecida pela unesco. no dia seguinte, com as bicicletas na mão, visitámos o seu centro histórico mas sem nunca perder muito tempo em algum lado, pois o tamanho das nossas companheiras e a quantidade de coisas com que viajamos, não permite que as deixemos “à solta” num qualquer lugar. as visitas têm quase sempre de ser repartidas. enquanto um visita, o outro tem sempre que ficar a guardar a “casa”! assim aconteceu também em split, cidade onde não ficámos mais do que 30 minutos, mas que exige muito mais. no entanto não tínhamos sítio onde ficar, a cidade estava com milhares de turistas, estava imenso calor e confessamos, não estávamos virados para a visitar. depois de algumas voltas pelo centro, trincamos uma sande muito má à saída da cidade e virámos costas com a cabeça no sul. quilómetros à frente e já sem forças, o nosso desejo era encontrar um espaço só para nós, onde pudéssemos estar sem ninguém nos chatear e, se possível, gratuito! depois de subida mais uma montanha – são tantas… - vemos do lado direito um pequeno estacionamento e, depois de estudado o terreno, reparamos que fora da visão da estrada, se escondia uma casa por terminar – são tantas… - com praia privativa e sem que, depois de acomodados, alguém nos pudesse ver, excepto um ou outro pescador que passasse com o seu pequeno barquito lá em baixo e que, com toda a certeza, nunca se chatearia! depois de algumas manobras mais ou menos complicadas com vista a levar as bicicletas uns metros para baixo, instalamos a nossa cozinha e preparamos o nosso lanche pós-viagem! entre uma e outra refeição, tiramos algumas fotos, uma sesta e estarrecemos a olhar o sol a pôr-se! pela primeira vez fazíamos tudo isto em pleno descanso e conscientes de que, aquele sítio era o perfeito! assim foi! uma noite espectacular, protegidos do vento, dormindo por cima dumas placas de esferovite e olhando as estrelas! ao acordar e tomado o pequeno-almoço, tivemos ainda tempo para um mergulho na “nossa” praia privativa e abandonamos a casa, até um dia!

dali, as cidades sem qualquer interesse histórico repetem-se, as casas encavalitadas umas nas outras, a maior parte de um gosto duvidoso e por acabar, repetem-se, as placas de alugueres repetem-se e a paisagem repete-se também, mas na sua beleza extrema! a costa da croácia é, sem dúvida alguma, lindíssima! o nosso dia maior fez-nos pedalar 96km até uma pequena população onde já desesperados, sem luzes nas bicicletas e com a noite caída, nos vimos obrigados a pedir para montar a tenda na segunda casa com jardim que encontramos. entre ploce e a fronteira com a bósnia e herzegovina, encontra-se uma zona de rios e centenas de canais, completamente diferente daquilo que até então tínhamos visto no país. se por um lado se torna num espectáculo a visão de centenas de campos rectangulares cultivados entre canais, onde as pessoas se movimentam com pequenos barcos, por outro este cenário não nos permite tão facilmente arranjar um espaço para dormir. damos graças por termos parado naquela rua que, de tão pequena e de tão escuro que estava, não sabemos como a vimos. uma família com um grande jardim, repartido com o vizinho, acolheu-nos na sua relva, com direito a uns bolinhos de coco e choolate e a duas dezenas de figos! assim sabe bem acabar um dia tão cansativo! a Tanya prometeu a si própria que, no dia seguinte, não passaria os 50km!

assim foi, 50km certos até uma pequena praia, 4km de ston, encaixada numa montanha com uma descida de 10%, até ela! nesse dia, sabíamos, sabia bem descê-la, mas no dia seguinte, teríamos de a fazer toda para cima! parámos de pedalar às 13h e depois de um mergulho, deitamo-nos ao lado da tenda para não mais nos mexermos até ao jantar. sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, iríamos ter de parar algures, pois atravessar o país desta maneira era completamente descabido e sem qualquer sentido. desde que tínhamos entrado na croácia, somente em zagreb e razanac havíamos parado 2 dias. depois, tinha sido sempre a andar e se fazer 70 ou 80km por dia em espanha ou na holanda não cansa muito, encontrar esta costa montanhosa e fazê-los todos os dias sem descanso, não é para nós que, antes desta viagem, mal andávamos de bicicleta. ter nesse dia tomado a decisão de parar àquela hora foi…a decisão certa! no dia seguinte, tivemos a notícia de que os dias fáceis tinham acabado. na próxima semana, ventos fortíssimos vindos do mar, primeiro e da montanha, depois, atacariam o país. confessamos que saímos dali com um certo receio. pedalar bicicletas tão pesadas, numa estrada não preparada para elas, com a montanha sempre do lado esquerdo e o mar, por vezes, ali ao lado, mas a 300 ou 400 metros de altura e com vento forte, não é o cenário ideal.

a viagem até dubrovnik, no entanto, correu maravilhosamente bem. algumas rajadas, mas nada que nos fizesse tremer e a visão da cidade à chegada, não nos parece nada bonita até vermos ao longe o seu centro histórico, considerada a pérola do adriático! a tenda foi montada num parque a uns minutos do centro e optámos por ficar 2 dias. à noite choveu torrencialmente, assim como no dia seguinte e só às 16h conseguimos sair para visitar a cidade. os ventos fortes tinham chegado sim, na sua força extrema. por momentos duvidamos que a tenda aguentasse, mas ficamos surpreendidos com a sua resistência! quanto à cidade, não há muito e ao mesmo tempo há tanto para dizer! dubrovnik é, apesar de ser a cidade mais turística da croácia, um sítio que não se pode deixar de visitar. isolada do resto da croácia pela bósnia e herzegovina dum lado e sérvia e montenegro do outro, sofreu diversos ataques que danificaram o seu património entre 1991 e 1995, pelos exércitos dos dois países. resistindo e reconstruindo tudo o que é hoje, tornou-se numa cidade postal, com uma beleza que é rara a cidade que tenha. caminhar entre as suas ruas labirínticas, subir as escadas que rodeiam a cidade, observar o adriático de um qualquer ponto e sentarmo-nos a observar o seu ritmo, é um prazer difícil de explicar! ao sair, um longo sorriso na cara acompanha-nos até adormecermos!

mas não poderíamos acabar sem relatar a melhor experiência que tivemos na croácia! entre zagreb e as famosas cascatas, perdidos entre as montanhas ainda pequenas, sem placas a oferecer quartos, por entre tantas casas abandonadas por todo o lado, aldeias despidas de vida e de pessoas que se viram obrigadas a sair para viverem noutro país – bósnia ou sérvia - aquando da divisão da jugoslávia, tivemos a sorte de pedir espaço para montar a tenda num quintal, da família mais bondosa das redondezas, disso temos a certeza! um casal dos seus cinquentas, com dois filhos nos seus trintas, pararam o que faziam para nos receber e connosco estar até partirmos, no dia seguinte, com as lágrimas de saudade – seriam já? – no canto do olho! desde que entramos, passando pelo lanche, pelo jantar, pelas histórias de guerra e de família, pelas fotografias que nos passavam pelas mãos, até ao momento em que, rindo como nunca antes tinha acontecido, quase rebolávamos no chão, pelo caricato de alguns momentos – alguns captados em vídeo, claro está! – que a estadia com esta família foi mais que perfeita! quando tomávamos o pequeno-almoço, sentíamos já que ia ser complicada a despedida e até com o cão quisemos tirar fotos! montámo-nos nas bicicletas e, por entre abraços, beijos e risos nervosos, tentando conter aquilo que era inevitável, o filho mais novo vira-se para a tanya e diz que é uma “boa mulher” por não esconder a emoção e, quando se vira para o Rafael diz, rindo-se: “tu também!”. a deixa estava dada, tínhamos de sair dali: “obrigado por tudo! foram fantásticos!”…e fugimos!

3 comentários:

Sofia disse...

Cada vez gosto mais de ler as vossas crónicas! Não estejam tanto tempo sem escrever! Boa viagem! :)

xistacio disse...

XULOS!!

Kinha disse...

Que espectáculo1!
Grndes fotos e grandes descrições!! essa viagem foi um espectáculo não?!! Quanto tempo é que estiveram a viajar mesmo?!! Que deliciaaa!!
Gostei mesmo muito, parabéns! Há hoipótese de falarmos em privado, para propor-vos algo irrecusável? fica aqui o meu mail, catarina@minube.com!
Abraço,
catarina

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