e assim foi...

parados em sofia, na bulgária, decidimos finalmente actualizar aquele que, até há bem pouco (algum) tempo, era o blog de viagens mais actualizado da blogosfera! enfim, por razões várias que não vale a pena aqui referir, deixou de o ser, para grande tristeza - sim, tristeza - dos nossos caros leitores. mas deixemo-nos de lamentações e actualizemos então este que poderá ser, quem sabe, o melhor blog do princípio do século!

a croácia ficou para trás! para trás, ficou também o dinheiro "mal gasto". para trás ficaram também pessoas menos simpáticas - fora um ou outro caso e falamos, claro está, do interior do país - e que só pensam em como ganhar mais dinheiro vendendo um copo de água. entrar em monetenegro fez-nos bem! ao bolso e ao contacto com outras pessoas! logo ao passar o posto fronteiriço, a simpatia notou-se no rosto das pessoas e, uns quilómetros mais abaixo, já pedalando para a baía de kotor onde ficaríamos nessa noite, as pessoas que nos viam passar riam-se, sorriam e cumprimentavam! assim sim, dava gosto pedalar...havia ali calor humano! chegados à baía, que sendo contornada, tem à volta de 70km, tivemos a noção da beleza de toda aquela imensidão de água, no meio de toda aquela imensidão de montanhas que a unesco achou por bem classificar, assim como o próprio centro histórico que tivemos a oportunidade de visitar no dia seguinte logo pela manhã! a noite foi passada num parque de campismo particular e o preço foi discutido...estavamos a gostar, depois de termos apanhado o ferry durante 1,5km que atravessava a baía para o outro lado e que era gratuito para pessoas e bicicletas! lindo!

o vento era fortíssimo e o jantar foi feito com algumas dificuldades. durante a noite, assim como nos dias seguintes, muitas foram as vezes que tivemos a noção de poder levantar do chão, ser arremessados ou simplesmente voar, tamanha era a força do vento. kotor, uma cidade construída entre os séculos XII e XIV, preserva muitos dos edifícios dessa altura, entre eles igrejas e a muralha que sobe pela montanha e que nos faz quase duvidar se terão sido humanos a construi-la, tamanha é a inclinação. outrora um porto importantíssimo, com histórias de marinheiros, pescadores e viagens sem fim, kotor foi perdendo a sua importância e hoje não passa de um importante ponto turístico, embora ainda não muito visitado!

já passava da hora do almoço quando começamos a pedalar em direcção a não sabemos onde. quando estivermos cansados, paramos! as subidas seguiam-se umas às outras, repetidamente, sem nunca nos deixarem descansar. o vento empurrava-nos, ora para as ravinas que espreitavam o mar lá em baixo, ora para o meio da estrada, onde autênticos "campeões" do asfalto, deslizavam a velocidades astronómicas. a solução foi saltar das bicicletas e tentar caminhar com elas ao lado, mas mesmo assim a tarefa não foi fácil. o vento continuava fortíssimo e fazia-nos derrapar na estrada, na terra batida e até tombava as bicicletas. a certa altura, arriscamos e optámos por descer à malucos e fosse o que fosse que acontecesse, só esperavamos não nos magoarmos...muito! já com uns quilómetros nas pernas, a tanya teve um ataque de nervos e achámos mesmo bem parar.
- mas para onde? - questionamo-nos - descemos esta rua aqui ao lado? sim, claro!

não sabíamos onde ia ter, mas tinhamos a certeza que era lá que íamos dormir essa noite. chegámos a uma praia surreal - tipo farwest - com meia dúzia de gringos sem capacete a passearem-se nas suas motas, com meia dúzia de barracas a vender de tudo e mais alguma coisa e com uma praia com 2 ou 3 bares com nomes do género: copacabana, irish, entre outros à escolha e nada aplicáveis ao sítio. enfim! a noite começava a cair e, depois de espreitarmos um pouco o nada que aquilo tinha para espreitar, entrámos num parque-de-campismo-bungalow-residence-fake-rich-people-kitsh-thing e gritámos bem alto:
- somebody home? - de uma das barracas, saiu um rapaz com os seus 28 que se ofereceu para nos traduzir o diálogo com o gerente do sítio! no final, levamos a coisa por 15€ para duas noites que, quando saímos foi reduzido para 18€ por 3 noites! bom negócio e, se tomarmos em conta que foram dias de autêntico descanso, repletos de pessoas boas por todo o lado, famílias sérvias que nos convidavam para um café, almoço ou simplesmente conversar e que o bungalow que arrendámos tinha 4 camas, frigorífico e que podíamos cozinhar, chamemos o achado de perfeito! o que não foi perfeito - não há bela sem senão - foi que para sair da praia, 4km sempre a subir nos esperavam! nada de mais para nós! já não somos meninos!

dali até à albânia, um tirinho! uns túneis, uma ou outra cidade visitada, encontrar uma rapariga na rua que tínhamos conhecido - também por acaso - na polónia, uns sobe e desce sem importância, umas fotos para mais tarde recordar, um casal do quebec que tinhamos conhecido em dubrovnik e que nos apareceram algures no meio do nada outra vez, risos para aqui, fon fon fon para acolá e o caminho que nos deitava para fora de montenegro foi todo feito com boa disposição! é país para voltar, sem dúvida, um dia! só esperemos que os russos, entretanto, não comprem e privatizem o país inteiro...

p.s. - montenegro tem a garrafa de água com o melhor design, até agora, de todos os países que passamos!

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