hungria sempre a descer

escrever sobre algo que já passou há tanto tempo, é algo que nos exige muito da cabeça. porque não o escrevemos antes? adiamos pensando que, chegando à croácia – as nossas supostas férias dentro da viagem – colocaríamos tudo em ordem, tim tim por tim tim, com tempo de sobra para tudo e, imaginávamos nós, à sombra da bananeira, com um cocktail numa mão e na outra, as pedras a escorrerem entre os dedos! tudo falhou. não foram nenhumas férias. o que foram então? um corre-corre, onde tudo correu ao contrário do que estávamos à espera. comecemos então pelo princípio…

depois de deixarmos a república checa, descemos até chegar à eslovénia e, o pouco tempo que lá estivemos – 20km mais ou menos – deixou-nos perceber que a itália e a hungria devem fazer compras lá, pois é tudo muito barato! enchemo-nos de chocolates e bebidas e pedalamos dali para fora, para a hungria! a primeira cidade onde paramos – dizem os guias – é a cidade mais histórica do país: sopron. ficamos duas noites em casa da gabi e da família e visitamos a cidade somente no 2º dia. é pequenina, mas muito acolhedora e, pela primeira vez, pediram-nos num posto de turismo – imagine-se – para falar alemão, pois não sabiam falar inglês! pasmámos! o centro é todo concentrado à volta de uma igreja e de uma torre, a firewatch tower que, como o nome diz, foi construída para se poder ver se ocorriam incêndios em volta da cidade. hoje, é a maior atracção de sopron. também no seu centro –fő tér - encontra-se a holy trinity statue, mandada construir em 1770 pelo cardinal kollonich, que na época foi considerada uma afronta para com os protestantes da cidade e que disse: ’primeiro farei dos húngaros escravos, depois pedintes e por fim católicos”. uma das coisas mais interessantes que fizemos na cidade, foi visitar uma exposição relativa ao piknik 89, nome que é dado à revolução que as pessoas deste país, principalmente desta região, levaram a cabo para acabar com as fronteiras que separavam os antigos países comunistas dos chamados países capitalistas, tendo na altura visto sair do país centenas de pessoas para a áustria. é emocionante ver as fotos das pessoas a rebentarem com as cercas da fronteira, ajudadas também pela polícia e ver a reacção de muitas do lado de lá! sopron, de resto, consiste numa série de ruas com alguns edifícios do século XVII e XVIII, que pedem um olhar mais atento… que nós não demos.


dali até gyor, parte do caminho foi feito por estradas principais mas, depois de termos encontrado uma série de moedas e notas atiradas no meio do nada, decidimos meter-nos por estradas secundárias, que nos cansaram imenso, por causa do vento. a pessoa que nos receberia perto de gyor, pareceu-nos um pouco estranha nos primeiros contactos e, quando chegámos a sua casa, o dani revelou-se uma pessoa estranha, sim! vivia com a família e era demasiado curioso para o nosso gosto, pois cansados e depois de termos apanhado vento e uma tempestade imensa pelo caminho, a cada frase que dizíamos, pedia para a traduzirmos em português e repetia-a, orgulhoso. agora, pode o “caro leitor” imaginar isto durante umas horas seguidas, acrescentando o facto de que, de 20 em 20 minutos, dizia que éramos espectaculares e super, super queridos! uma noite chegou e a cidade, só a atravessamos no dia seguinte, sem ver nada nela sobre o qual possamos falar. sabemos que tem uma universidade e que é atravessada por 3 rios: o ráaba, o rábca e o mosoni-duna. nada mais.

em tata, a próxima paragem, um bungalow por 14 euros esperava-nos e nós nem sabíamos disso! a cidade cresceu em redor de um grande lago e teve o infortúnio de estar por 150 anos na fronteira de guerra entre os exércitos turco e húngaro. nada, ou quase nada resta de histórico. o lago, que pelo que se ntimos não deve ser muito profundo, é de um verde-leitoso e quente! foi um dia muito calmo, numa cidade calma, que acabou connosco a falar português com uma húngara, que tinha vivido na madeira e que se mostrou demasiado admirada por ver portugueses ali! no dia seguinte, antes da nossa partida para budapeste, aconselharam-nos a ir ao lado do danúbio, uns 50km acima, pois pela montanha seria mais perto, mas muito mais custoso. que fizemos nós? fomos pela montanha! aquilo que nos tomaria 2 dias, fizemo-lo apenas em 6 horas! e estavamos nós na capital!

budapeste, aquela que é chamada a pérola do danúbio, trouxe-nos algumas surpresas. ficámos alojados em casa duma amiga duma pessoa com quem tínhamos ficado em dessau, na alemanha. pensávamos que íamos só ficar duas noites e ficámos 4 noites. se no dia da chegada optámos por descansar e no terceiro dia, uma infecção no olho esquerdo da tanya obrigou-nos a ficar em casa, já os outros dois dias foram aproveitados para, ora pedalar, ora caminhar nesta grande e belíssima cidade que, há não muitos anos atrás, era composta por buda, numa margem e pest, na outra. esta cidade que se desenvolve rapidamente desde 1991, ano em que o regime mudou, deixando finalmente a cidade livre, foi assolada por guerras e invasões ao longo de centenas de anos. sentiu nos nazis e posteriormente no governo comunista, anos de terror, relembrados na casa com o mesmo nome – casa do terror – numa das principais avenidas de pest. neste museu de ficar com um nó na garganta, são agora relembradas as vítimas torturadas e assassinadas por ambos os regimes e depois de passarmos por todas as salas, lembramo-nos mais uma vez de que não foi assim há tanto tempo. à saída, e de inúmeras escolhas que temos, decidimos subir a colina de buda, e termos uma vista magnifica sobre a cidade, além de que o castelo e os palácios envolventes são impressionantes! o único mal, continua a ser o facto de termos visitado a cidade em agosto, altura em que tudo é mais caro e tudo tem mais filas. há milhares de turistas de excursão, e por sermos turistas pé-descalço, a coisa não nos agrada…mas budapeste foi uma das cidades mais bonitas que vimos até agora, disso não há a menor dúvida!


vamos descer, direcção ao sul…à água e aos mergulhos! vamos até ao velence e ao balaton! estes lagos, os maiores da hungria e dos maiores da europa, fizeram-nos levar com a maior onda de calor até então e não se pense que parar em tamanhos lagos nos refrescou muito, pois estes, de tão pouco profundos que são – o balaton, que tem 15km na sua parte mais larga e 81km na sua parte mais comprida, só tem 3 metros de profundidade! – não têm tempo de arrefecer no verão e estão constantemente mornos, o que nos convida constantemente para um banho, também! em ambos os lagos, as famílias abundam, com os filhos gritando, chapinhando e fazendo 30 por duas linhas, sempre prontos a tirarem-nos a paz! porém, em ambos os lagos, podemos também encontrar espaços com pouca gente, não fossem eles tão grandes! as noites que passámos naquela zona, foram divididas entre casas de família, onde comemos excelentes refeições e tivemos agradáveis conversas e uma noite ao relento, dormindo por debaixo das estrelas, com a água mesmo ali ao pé, prontinha para um mergulho logo às 7 da manhã! sair dali é que já nos deu mais trabalho, pois o lago é muito bonito – então quem o vê cá de cima, fica com certeza de boca aberta - mas subir todas aquelas montanhas que o rodeiam, não é fácil…e se o tempo ajudasse, mas não, parece que quando existem montanhas, ou está muito calor, ou muito vento…não há meios termos. quando acordámos e nos fizemos à estrada, sabíamos que a próxima vez que adormeceríamos, se tudo corresse bem, seria já na croácia, em casa do robert, em cakovec! assim foi!



2 comentários:

xistacio disse...

XULOS!

Hernani disse...

Hungria...pois quase tinha um ataque de nervos. Eu entrei em Komaron e sai pelo sul para a Croácia, poucas foram as pessoas que falavam inglês....tudo alemão, reminiscências do Imperio Austro-Hungaro.

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