actualização - máquina

a máquina voltou a funcionar e ainda não percebemos como aconteceu...coisas da tecnologia. daremos notícias, mais, em breve! que felizes que estamos!

p.s.1 - trafolha, podes tratar da carolina à vontade, não te vamos chatear! parabéns!
p.s.2 - estamos em xanthi, na grécia e queremos ficar cá por uns tempos....será que alguém se importa?

chá chá chá

viajamos da bulgária para a turquia sabendo que, pela frente, tínhamos uma longa e chata estrada que nos levaria até istambul, durante mais de 250km. saberíamos também que em todo este percurso, não teríamos nenhum sitio onde dormir e por isso teríamos de encontra-lo, perguntando em qualquer lugar por uma cama quentinha ou, na mais possível das hipóteses, montar a tenda em qualquer lado!

assim foi, saímos de hermanli naquele que julgávamos ser o dia 5 de outubro e somente uns 10 dias a seguir, tomamos consciência de que entramos na turquia não nesse dia, mas no dia 7...coisas de quando se anda a viajar! os últimos quilómetros na bulgária foram uma autêntica seca, assim como os imensos na turquia. nos postos fronteiriços entre os dois países, tudo estava a correr bem e mandavam-nos pedalar, sempre sem parar e dizia a tanya: "isto está a correr bem de mais..." - até chegar à zona em que nos disseram: "agora vão à cabine 92 para tirar os vistos" - não sabíamos que precisávamos de vistos, mas sim, tínhamos que pagar, disseram-nos, 30 euritos pelos 2. nenhum problema, não fosse o facto de já não lidarmos com euros há já alguns países e por essa mesma razão, não os termos! - "e que fazemos agora? não temos euros e estamos entre a turquia e a bulgária...como fazemos?" - a resposta nao se fez esperar: "pois, não sabemos. talvez tenham de voltar à bulgária e tentar arranjar algures. há uma cidade a pouco mais de 5km..." - como se 5km de carro fosse o mesmo que de bicicleta e entrar na bulgária, ir para trás, arranjar euros...mas onde? e lá fomos nós para trás outra vez e tentar persuadir uma loja na fronteira a deixar-nos fazer um pagamento e a darem-nos o dinheiro necessário! tarefa conseguida! voltamos à turquia, não sem antes os policias búlgaros, sempre simpáticos, nos perguntarem se estavamos doidos, por já ali termos passado antes, sempre com uma gargalhada pronta a sair!

pagamento feito: "welcome to turkey!" uma enorme mesquita recebia-nos como que nos dizendo que a religião ali, era outra, mesmo sabendo que a turquia é um país laico. a seguir a isto e até à primeira cidade, muitos foram os acenos feitos, os sorrisos trocados, as palavras de incentivo, mostrando mais uma vez que este país, à semelhança da maior parte com maioria islâmica, é um país simpático e hospitaleiro! edirne acolheu-nos com duas grandes mesquitas na paisagem, com os seus altos e imponentes minaretes e ruas muito bonitas, com brilhantes bazares e muitas lojas. as pessoas continuavam simpáticas e a chamar-nos para as normais perguntas da praxe! de onde vínhamos, para onde íamos, há quanto tempo, se éramos malucos e não sabíamos o que era um avião...entre outras! passeamo-nos por esta cidade e à medida que as suas ruas se desfaziam debaixo dos nossos pés, crescia uma vontade imensa de ficar, tentativa feita um pouco mais tarde, porém sem qualquer sucesso. os preços nos hotéis eram praticáveis, mas decidimos para connosco mesmos, chegar a istambul gastando o mínimo possível, por isso estavam fora de questão. conhecemos ainda uma senhora inglesa com 59 anos que havia decidido deixar a sua cidade e ir...dar uma volta ao mundo, sozinha! mais à frente e depois de termos perguntado a umas quantas pessoas se não tinham um espaço em casa para nós, acabamos por acampar nas traseiras de um hotel que estava fechado, mesmo ao lado dumas bombas de gasolina! claro que o café foi oferecido e no dia seguinte até uma mesa numa parte privada das bombas e pão! á saída, duas águas de colónia, uma para cada!



era dia não para nós. não nos apetecia pedalar e parávamos ora aqui, ora ali, nas centenas de bombas de gasolina que existem pelas estradas turcas fora. sempre que possível, tentávamos sempre ter o chazinho gratuito, o que não era complicado, visto que na maioria das vezes, quando nos viam, eram eles mesmos que saiam das lojas e nos vinham oferecer o chá! cinquenta e poucos quilómetros depois, ainda não eram 4 da tarde e já nós montávamos a tenda num parque perto da estrada, distante da vista dos carros. ali estivemos ao sol, a descansar do cansaço que nem chegamos a ter e mais tarde a preparar uma massinha para jantarmos. entramos na tenda cedinho e tivemos umas duas horas a jogar a um jogo estúpido, mas que serviu para passar o tempo e adormecer como anjinhos, não fosse um rato - pensamos - passar toda a noite a caminhar em redor da tenda, atacando-nos o saco do lixo sempre que podia! manhã seguinte, pequeno-almoço tomado e seguimos por aquela estrada sem fim, feita de sobe e desces cansativos e secantes, até ao mar!

sabíamos que nessa noite, com um pouco mais de quilómetros feitos, facilmente veríamos e dormiríamos bem pertinho de água! o tempo estava bom e acampar na areia seria bom! os camiões passavam a grande velocidade em direcção a istambul e nós, muitas vezes, éramos arremessados pelo vento que faziam. o problema com as bicicletas, é que não existe mais nenhuma estrada para chegar à grande metrópole, só a auto-estrada e esta onde seguíamos e onde os condutores seguem a velocidades alocinantes e sem quaisquer regras. neste dia, depois de termos parado para petiscar qualquer coisa num dos muitos restaurantes onde, mesmo dizendo ser vegetarianos, é difícil conseguir convencê-los de que galinha é carne e que peixe também não comemos, chegamos já tarde e com o sol quase a pôr-se a uma pequena povoação perto de silivri onde, depois de analisado o terreno, fomos descobrir um terraço ao lado do único café aberto da zona, onde pedimos para acampar! resultado? além de termos ficado muito bem instalados e de termos cozinhado e comido muito bem, ainda tivemos direito a ser convidados por um dos senhores, já à noite, para um chazinho - claro está! - e umas quantas pevides que por cá se devoram como os tremoços em portugal! conversa puxa desconversa e estivemos ali mais de duas horas a tentar decifrar o que o tal senhor queria dizer, pois não entendíamos nada, o que não impediu que ao fim trocássemos de números de telefone que, já sabíamos, nunca serviriam para nada. no dia seguinte, bem de manhã, partimos de silivri em direcção a istambul, onde teríamos de procurar um hostel, pois não tínhamos sítio para dormir e estávamos mesmo a precisar de um bom banho quente...ou banho, pelo menos!



20km depois de termos saído, aperecebe-nos da dimensão de istambul, uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes...ela começava mesmo ali e não nos conseguíamos aperceber do seu fim. se a princípio estávamos a achar piada ao facto de estarmos a chegar, após umas quantas centenas de metros, apercebemo-nos que estávamos a entrar na maior cidade até agora da viagem e que seria complicadíssimo chegar ao seu centro além de que percorrer aquela via rápida onde cada condutor nos deveria estar a achar completamente marados por a estarmos a percorrer, seria impossível, face à velocidade a que se deslocavam e à imensa falta de civismo dos seus utilizadores. numa das saídas da mesma, a tanya quase tinha um acidente com um carro que não parou para a deixar passar, atravessando-se à sua frente e, mesmo depois desta quase ter sido arremessada contra os rails, este não parou, tendo por essa mesma razão ter levado com todos os nomes feios possíveis e imaginários além de duas pilinhas que a tanya mostrou saber fazer habilmente com os seus dedos. os risos vieram mais tarde, seguidos da plena consciência de que não poderíamos continuar ali...tinha de existir outra estrada. depois de muitos policias e taxistas questionados, a direcção que nos indicavam era sempre a mesma, pois diziam-nos que aquela era o único caminho. acreditando neles ou não, o facto é que logo parou uma carrinha à nossa frente e de lá saíram dois anjos que depois de uma breve explicação, nos levaram à velocidade de uma bicicleta, com os 4 piscas ligados, para perto do mar onde, aí sim, corria uma pista pelo meio de um parque onde famílias turcas se deliciavam com tomates, pimentos e carne grelhada e um cheiro intenso pairava no ar. nós, éramos estranhos extraterrestres a quem, mesmo assim, não deixavam de cumprimentar, acenando!



procurar um sítio para ficar só mesmo no centro da cidade, na zona de sultanahmed, onde a maior parte dos monumentos se encontram e os hostels baratos pululam a cada esquina. depois de umas quantas indicações mal dadas e desinformadas, chegamos ao sinbad hostel, onde "acampamos" por 7 euros cada, com direito a internet e pequeno-almoço...coisa pouca e central! perfeito! nessa mesma noite e depois do banho merecido, demos uma volta pelas ruas em redor e pudemos ter já uma ideia de como iam ser os próximos dias. trocamos umas quantas palavras com outras viajantes e dormimos muito bem, depois de termos comido uma batata cozida recheada com umas quantas coisas coloridas!

ficamos duas noites no hostel, mudando-nos depois para casa de um rapaz que encontramos através da internet. falar de istambul, é nunca mais parar de escrever ou então matar logo a conversa ao princípio e não falar muito, tentando só descrevê-la em meia dúzia de palavras. uma cidade habitada há mais de 3000 anos, conheceu impérios, conquistadores, povos nómadas, diferentes religiões. alvo de disputa de muitos pela sua localização, pois é a única cidade do mundo disposta em continentes: ásia e europa. mudou de nome de byzantium para constantinopla e mais tarde para istambul. foi conquistada no século XV pelo império otomano, situação que se manteve ate ao século XIX. em 1923 a turquia foi tornada uma república, pondo fim a 600 anos de domínio do império otomano, um dos maiores do mundo. a cidade é feita de história e percorrê-la, é percorrer um museu - o maior talvez - ao ar livre. em cada esquina,um monumento, em cada rua, informação que nos interessa. a cada olhar para cima, os minaretes de uma mesquita, elas que são às centenas. já poucas são as igrejas ortodoxas, como é o caso de hagia sofia qe foi uma igreja ortodoxa construída no seculo VI, tornada mesquita no século XV e agora transformada em museu. a beleza da sua arquitectura é incrível. as cores, as formas, os temas, as letras, tudo nos fascina nesta cidade. na segunda parte da nossa estadia, atravessamos a tão famosa ponte galata para nos ficarmos por 3 dias na parte mais moderna - ainda do lado europeu - de istambul. já deste lado, a cidade é completamente diferente, e em tudo semelhante a uma qualquer capital europeia. as lojas da moda, muitos estrangeiros a trabalhar, uma vida muito activa, hotéis topo de gama, restaurantes com cozinha de todo o mundo, pessoas modernas e a religião, um pouco mais imperceptível. tal como em portugal neste momento, as pessoas são islâmicas, porque sim, não pensando muito no seu porquê. a ásia espreitava-nos do outro lado, mas nunca arriscamos uma ida ao outro continente...fica para depois!



6 dias depois de termos chegado à grande metrópole, depois de muitas comidas experimentadas, cafés tomados e chás bebidos, abandonamos a cidade e só 45km depois nos sentimos um pouco fora dela. o dia estava a correr bem e voltar ao mesmo sítio onde tínhamos acampado antes, estava nos nossos planos. o que não estava nos nossos planos, era fazermos a viagem debaixo de chuva constante durante 5 horas. o que também não estava nos planos, era o rafael ter enterrado a bicicleta na lama e se com duas rodas já é difícil sair, então com 3 rodas e mais de 1 quilo de lama em cada pé, ainda mais. o resultado, foi a noite ter caído e nós, além de estarmos ainda longe do local, termos de voltar para trás para lavar durante mais de uma hora toda a lama que tínhamos no corpo e nas bicicletas, numa torneira encontrada numas bombas. dissemos umas quantas asneiras, mas acho que compreensíveis. com a escuridão imensa, com um frio de rachar e molhados, levamos as bicicletas à mão em sentido contrário na via rápida e uns quilómetros depois, metemo-nos por uma rua que nos levou ao centro de uma povoação. pedalamos até descobrirmos um sítio coberto onde montar a tenda, mesmo ali, ao lado do mar! cozinhamos umas massas instantâneas horríveis que mal conseguimos comer e que mais tarde, nem os cães da rua conseguiam, fazendo a tanya quase vomitar tal era o seu cheiro! o jantar ficou-se então pelo pão com chocolate e umas quantas frutas e beringela cozinhada no dia anterior. com todo este dia perfeito, a noite acabou com um senhor que nos apareceu do nada e, percebendo que a conversa não ia a lado algum, pois nenhum compreendia a língua de nenhum, nos falou por mímica! lindo! o que não contávamos era que, depois de um telefonema que fez, sermos convidados a desmontar a tenda e a acompanha-lo até casa de um amigo que vivia em inglaterra - foi o que percebemos - e lá tomarmos um bom banho quente e dormirmos numa caminha quentinha! o dia tinha que acabar bem, após tantos....obstáculos! ainda tivemos direito a um chá, dois dedos de mímica e "ressonamos" que nem bebés! acordamos com alguém que não conhecíamos a bater-nos à porta e a dizer-nos que tínhamos de ir...não percebemos mas, o que é facto, é que já era de manhã e nunca saímos de casa tão rapidamente como naquele dia! um longo caminho se seguia ate tekirdag!

em tekirdag esperava-nos a emel, uma professora de inglês que, depois de nos mostrar um pouco a cidade e depois de uns quantos chás bebidos, nos fez pedalar até sua casa, em barbaros, a povoação seguinte, debaixo de uma chuva irritante. no caminho, o joelho esquerdo do rafael pifou e as bicicletas foram levadas à mão...depois de instalados e do banho tomado, passamos o resto do dia e o que se seguiu sem fazer nada, descansando apenas, conhecendo-nos um pouco mais e apanhando uma grande seca, pois foram dois dias enfastiantes. há dias em que devemos abandonar as casas para não se tornarem chatos, mas conversa puxa conversa e a hora de sair vai-se arrastando até que acabamos por ficar...mais um dia. saídos de lá, tínhamos mais de 120km até à fronteira e a ideia era ir indo até nos cansarmos.

a tanya estava adoentada, o rafael com o joelho pifado e nada nos fazia crer que só pararíamos 100km depois. pelo caminho, fomo-nos despedindo aos poucos deste país a que queremos voltar quanto antes. pelo caminho, imaginávamos sambem uma despedida diferente, o que veio a acontecer, quando do outro lado da estrada um senhor de uma certa idade, esbracejava e nos chamava com toda a força! sem hesitar, viramos as bicicletas e fomos ter com ele! não tínhamos onde chegar nessa noite, por isso não havia qualquer pressa! sentados na esplanada dum café cheio de idosos, contamos a nossa história, a nossa viagem, a nossa vida! o senhor tentou fazer o mesmo! bebemos muito chá, comemos rebuçados e tiramos fotografias! estes momentos fazem-nos querer ficar mais tempo, pois são verdadeiramente os que nos marcam, os que são diferentes, os que nos fazem sentir em viagem e a viagem! explicações dadas e sem pagarmos nada, ou seria uma grande ofensa, partimos em direcção à grécia, ali ao lado.

nessa noite, ainda acamparíamos ao lado de um pequeno lago onde mosquitos nos tentaram devorar sem sucesso, ou o spray repelente não fosse tão milagroso! cozinhamos e comemos muito e adormecemos com uns quantos sapos a cantarem para nós! a noite estava muito fria e dentro da tenda a humidade sentia-se. por trás de nós, uns quantos pastores iam passando e acenando-nos uns breves adeus e um...ate já!

turquia...

problemas com a maquina

ha imenso tempo que nao publicamos nada. parece sempre a mesma desculpa, mas nao e. como ja repararam tambem, nao estamos a colocar acentos como habitualmente fazemos. o que aconteceu entao? o nosso computador, de mais de um milhar de escudos, pifou, deixou de trabalhar, morreu, foi-se, bateu a bota...e com ele, todas as nossas fotografias, videos e afins desde o dia 7 de setembro. havera vida ainda? disseram-nos que sim, que a informacao esta la, mas temos que a tirar la de dentro...mas claro que para isso, precisamos de alguem altamente especializado, tanto para nos tirar as coisas la de dentro, como para nos arranjar a maquina, como lhe chamam e claro esta que, algum trafolha vai ter que nos desenrascar! ai ai ai? desenrasca-te....

ah, mas em relacao a viagem, quase nos esqueciamos...estamos bem, na grecia, em xanthi e o rafael com menos 5kg do que aqueles com que saiu e a tanya com mais 3kg...massa muscular!

ate ja!

regresso

a nossa viagem de regresso a portugal começa hoje! vamos sair de istambul daqui a nada! até já...

vaguear por istambul em poucas palavras

ainda nos encontramos pela grande cidade que é istambul. por outras palavras, vagueamos pelas ruas, vemos papeis que falam de quartos para alugar a turistas e olhamos um para o outro com vontade de cometer uma loucura! deste lado, a europa, do outro, a ásia e os 2 aqui no meio, sem saberem para que lado se virarem. tenta-nos a ideia de ficar durante uns tempos e conhecer melhor a cidade, a religião, a cultura, mas a ideia de ir ao encontro do que também ainda não vimos, também nos tenta. a vida e as viagens são assim, não se pode ter as duas coisas. vamos ficando...

rota das camas - fora de portugal

e eis que segue, amigos nossos, a nossa idealizada rota de ancona directos a ovar! talvez seja isto, mas qualquer cama aqui ou ali que tenhamos de desviar as bicicletas uns kms, muito simples! um banho quente e uma caminha lavadinha sabe sempre bem...nem que tenhamos de pedalar mais!


porque não saíamos da bulgária?

a bulgária, como acho que já dissemos algures, era uma país fora do plano mas, depois de termos olhado bem para o mapa, decidimos percorre-lo, pois de sofia, a sua capital, até istambul, não havia quase qualquer elevação, o que nos agradava! saímos da macedónia, país que mais gostamos até agora a nível da hospitalidade das suas pessoas (sem palavras!) para entrar na bulgária e logo com uma paisagem de cortar a respiração! montanhas enormes, constrastavam com pequenas colinas com casas plantadas aqui e ali e lagos azuis que as serpenteavam! de cá de cima até blagoevgrad - a primeira cidade onde ficaríamos, foram uns quantos quilómetros sempre a descer para só parar frente a uma casa para beber água e vestir as camisolas. foi então que tivemos o primeiro contacto com pessoas búlgaras! uma mulher nos seus 40's, sai de casa e numas palavras só entendíveis através dos seus gestos, diz-nos para esperar. 5 minutos depois, aparecia com um saco cheio de tomates, maçãs e pêssegos e mais tarde, com um saco com pão e chouriço que aceitámos, apesar de vegetarianos e mais tarde oferecemos a um mendigo no centro da cidade! "bem-vindos à bulgária" - percebemos nas suas palavras na despedida!

até à galeria lubimo - nome da pessoa que nos receberia nessa noite - apanhamos um vento fresquinho na cara que nos mostrava que o outono estava à porta. depois de termos passado algum tempo na galeria, acompanhamos o carro até casa e jantamos com a família, conversando pelo resto da noite até não aguentarmos mais o cansaço. nada de especial, a não ser a de uma grande explicação da história da bulgária e uma ou outra tese que defendiam, embora continuemos a achar que quando se quer ser muito diferente e com ideias com
pletamente utópicas (há as utópicas possíveis e as não possíveis e chateia-nos quando as pessoas estão cheias das impossíveis e não fazem nada pois só querem realiza-las, porém não fazendo nada para isso...por serem impossíveis!) o paleio não vai a lado algum, já que a conversa entra numa...desconversa! enfim...

...de lá, queríamos pedalar até
pernik, uma cidade a 25 quilómetros da capital e que de especial para nós, só tinha o facto de entrar em intercâmbio cultural - se é que o carnaval pode ser considerado cultura (outra longa conversa) com a cidade de ovar, de onde saímos - e por isso tínhamos um contacto que, somente à chegada, soubemos que afinal não tínhamos e por essa mesma razão - e por estarmos ainda com o relógio atrasado uma hora - tivemos de pedalar até sofia. o grande problema, foi que a noite caiu e nós estávamos a 20km da cidade! outro problema, foi a falta de luz nas bicicletas! outro ainda, é o facto dos condutores búlgaros não serem tão civilizados (leiam bem...civilizados) quanto os portugueses! outro ainda, é a famosa e estúpida moda que também já houve em portugal, de tirar as grades e as tampas dos buracos de esgoto ao lado dos passeios (para derreter e vender, será?) e por isso, somando tudo atrás e acrescentando mais este problema, temos aqui a verdadeira descida até à capital em tom de morte certa...não sei como não caímos, batemos em nada ou chegamos salvos, mas não muito sãos. chegados, procuramos um hostel (obrigado passarinho!) chamado mostel e fomos ter ao melhor hostel da cidade com toda a certeza! ambiente fantástico, localização fantástica, pessoas fantásticas, pequeno-almoço e jantar, internet e boa disposição...tudo por 18€ os dois...lindo!

no dia seguinte, pegamos nas bicicletas e fizemos uns 5km até casa do rui, um amig
o do andré (aka passarinho), nosso amigo em portugal! confusão! a partir do momento que entramos em sua casa que percebemos que ali estaríamos realmente...em casa! e por lá ficámos 4 noites, entre visitar a cidade e descansar, sair com o rui e os amigos ou somente partilhar um jantar ou o lanche, ele fez-nos sentir bem, à vontade e com alguma dificuldade em sair: "não querem ficar mais um dia? têm a certeza?" - "sim, temos mesmo que ir ou nunca mais saimos daqui. obrigado!". quanto a sofia, ela própria, não temos muito para contar. vadeamos pelas ruas, descobrindo esta e aquela ruela, sentando-nos neste e naquele café, comendo este ou aquele gelado ou fatia de pizza e tirando uma ou outra foto, quando tínhamos paciência! no entanto, apercebemo-nos que a cidade tem estilo, tem dinâmica e que há ali qualquer coisa que nos faz querer voltar...o quê, não sabemos.

o que sabemos é que cruzamos toda a capital sem um destino nesse dia...
...até encontrarmos, ao fim de não sei quantos quilómetros de estrada, um paisagem brutal do lado esquerdo, com montanhas a rondar os 2000 metros dum lado e do outro colinas a rondar os 700 metros. pelo meio, uma estrada corria sem muito movimento e nós íamos gozando a paisagem até nos cansarmos e acamparmos por detrás de um arvoredo, com aquelas montanhas enormes como pano de fundo! que fim de dia! um ou outro pastor passava e olhava-nos de longe, mas sem nunca ninguém nos incomodar! sopa comida, xixi feito e cama...saco-cama! noite fria esta...acordámos com os pés gelados e pouco tínhamos para o pequeno-almoço, a não ser meia dúzia de biscoitos e um pão barrado com chocolate e...água!

mais à frente, teríamos direito a uns 4 cafés e mais biscoitos...para acordar bem! as pessoas simpáticas continuavam. além de connosco falarem, apesar de saberem que quase nada percebíamos, ofereciam-nos fruta e, mais importante que tudo, um enorme sorriso!
a estrada continuava agora até à pequena aldeia de ivan vasovo, onde dormiríamos nessa noite. pelo meio, almoçamos em karlovo, uma cidade plantada mesmo na base de uma imensa montanha, uns 3 ou 4 excelentes pratos típicos do país por uma dúzia de moedas! afastando-nos da cidade, a imagem era incrível, olhando para trás, pois à nossa frente a estrada subia, subia, subia e fazia-nos suar muito. que desespero...mais à frente, uma grande descida e frio a entrar por todos os poros da pele. a meio da grande estrada, no meio do nada, uma placa do lado direito, escrito em cirílico - claro está - anunciava: ivan vasovo! o que nos levava a parar nesta aldeia de 250 pessoas, era uma família que escolheu viver longe de quase tudo, consumindo apenas frutas e legumes da época, cultivando tudo nunca usando pesticidas, não comendo nada embalado e, claro está, sendo vegetarianos. a ideia era a de construirem uma espécia de aldeia utópica (mais uma...) onde a escola ensinasse às crianças o essencial e pudessem todos estar felizes, longe da sociedade e nunca precisar dela! perfeito nalgumas ideias, impossível noutras, muito mais se formos a ver que os dias passavam, as ideias estavam lá mas...e passar à acção? nada...apesar de tudo, foram muito simpáticos mesmo, tivemos excelentes debates de ideias e ideais e até nos levaram a uma nascente de água quente para tomar um banho espectacular a meio da noite, já que a água da aldeia havia faltado e não sabiam quando voltaria! na manhã seguinte, xau xau, muito obrigado, foto da praxe e até qualquer dia! beijos beijos! xau!

plovdiv estava ali a 40 quilómetros! paramos numa loja para beber cafés, comer bolos, biscoitos e pagar muito pouco, falar um pouco espanholês com um rapaz que apareceu do nada e trocou umas quantas palavras connosco, nos chamou de doidos por termos vindo de tão longe de bicicleta e seguimos viagem, sem nunca parar até chegarmos à entrada da cidade, onde procuramos a vanya, que nos apresentou um amigo, o dario, que nos levou a um café duns conhecidos para comer umas sandes vegetarianas e mais tarde um gelado e esteve quase todo o dia connosco! depois de termos subido até ao terceiro andar com a tralha toda, termos tomado banho e metido a conversa em dia, saímos para a cidade para nos apercebermos que iríamos gostar imenso dela! mais tarde, já no regresso, conhecemos o radi, namorado da vanya e com eles jantamos e passamos um excelente fim de noite, ouvindo música no meio da rua, que era tocada por uns quantos amigos, enquanto pessoas paravam para dançar, cantar, bater palmas, agradecer o facto de ali estarem ou, simplesmente, verem! a música era uma espécia de improvisação-jazz-folk-oriental-quelque-chose-plus e soava mesmo muito bem, ou não fossem quase todos eles estudantes de música! durante as 3 noites que lá ficámos - pensámos numa só, a princípio - os dias estavam preenchidos desde que acordávamos até adormecer, ora com visitas à cidade que, tal como prevíamos, gostamos mesmo muito; ora com horas e horas acomer em volta da mesa; ora falando disto e daquilo, ouvindo esta ou aquela música, discutindo este ou aquele assunto, apresentando este ou qualquer outro projecto futuro! gostamos! no sábado foi a noite dos museus e todas as galerias e museus da cidade estavam abertas até às 3h, enquanto pessoas tocavam nas ruas e performances aconteciam. a chuva veio estragar um pouco a coisa, mas nada de especial. de manhã acordamos com umas quantas pessoas a dormir ao nosso lado, umas delas que ninguém conhecia, nem sequer os donos da casa, mas que ficou duas noites por lá...coisas que acontecem! a mesma história: "não, não podemos ficar mais, temos mesmo que ir...blá blá blá..." - "ok, vocês é que sabem. se quiserem, nem precisam pedir. é só acampar em qualquer lado!" - "obrigado, a sério, mas..." e saímos, por debaixo de umas nuvens a ameaçar chuva, mas que nunca passou à acção!

has
kovo seria a próxima paragem e à nossa espera, a tery e o ivan...mas que casal! a tery apanhou-nos de bicicleta no centro da cidade, rapariga envergonhada escondida por trás do seu longo cabelo e levou-nos até casa da sua avó, que dividia com o namorado...quando não estavam em viagem! depois de uma introdução na sala e depois de um bom banho tomado, a conversa passou para a cozinha, onde preparamos umas espécie de sopa de lentilhas e afins e desenrolamos uma série imensa de aventuras por cima da mesa! a tery e o ivan viajam à boleia! de polegar no ar, aventuram-se por esse mundo fora de tal maneira, que o ivan já foi da bulgária até londres em 2 dias só para ir buscar a tery e voltarem em 2 dias à bulgária. mas mais, a tery acabou de fazer uma viajem de 10 meses pela ásia e oceânia, tendo apanhado o ivan - que na altura estava a trabalhar na nova zelândia - tendo acampado em todo o lado, comido do que lhe ofereciam, viajando sempre à boleia e inclusive, tendo ficado acampados na barreira de coral australiana durante 5 dias, sem pagarem nada...ilegalmente, portanto! lindo! as histórias, as nossas e as deles fluíam e incentivavam-nos a regressar à estrada! os olhos riam, os lábios riam, a cara ria, os braços riam! tudo se misturava em emoções e saímos de casa deles, depois de um pequeno-almoço excelente e de termos visitado a cidade, com uma vontade de nunca mais parar...

...o que não se viria a suceder, pois 30 quilómetros depois, estávamos em harmanli em casa da dobromira, onde ficámos durante duas noites! chegamos tarde, e a noite foi pacata na sua presença e da sua cadela pitbull, a cleo! dividimos a preparação do jantar e foi comer até cair para o lado! dormimos bem e às 7h já acordávamos para sair de casa às 8h e deixarmos as bicicletas num museu local, que visitámos, assim como para visitar a região com um amigo da dobromira e uma sua amiga que nos traduzia tudo! se a princípio pensávamos deixar a bulgária já naquele dia, depois de uma hora às voltas, demos por nós a entrar em contacto outra vez com a senhora da casa e a pedir para ficar mais uma noite! assim foi! a tarde, passamo-la a pastar no centro da cidade, entre um café, um acesso à internet e uma sesta bem tirada! acabamos a tomar café em casa da emilie, a tradutora e a jantar um delicioso assado de vegetais, acompanhado por um estilo de coca-cola com maçã (será possível? possível ou não, é...e é óptimo!). no dia seguinte a seguir ao café, despedimo-nos em direcção à turquia que nos receberia apenas um dia antes de completarmos os 6 meses de viagem!

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