...continuação

deixámos xanthi mas, na esperança a cada passo de recebermos uma mensagem do yorgos e da irini a dizerem-nos: "voltem para trás e fiquem. vamos tentar arranjar uma casa onde poderão ficar por uns tempos e partir quando o vosso "trabalho" estiver terminado!" - mas só muito mais à frente, estávamos nós quase em kavala, o telemóvel apitou, avisando-nos que algo havia chegado. "corremos" para ele e lemos a mensagem em castelhano - a língua com que falávamos com o yorgos - a desculpar-se de só naquele momento ter respondido e que sim, a casa era fácil arranjar, mas que trabalho era mais complicado e que uma cidade se torna chata ao fim de algum tempo (como nós sabemos isso). que quando quisermos, somos bem-vindos, mas o mais certo é encontrarmo-nos primeiro lá no oeste, em portugal!

até kavala, a planície continuava, toda ela sem assunto de relevância, só o mar ao lado esquerdo e as montanhas no lado direito. as povoações vazias de turismo, voltavam aos seus dias comuns. a vida sem algo de especial. mas nós, gozávamos o momento, com canções, fotografias de caminhos sem fim e vento na cara...às vezes, do forte! à nossa espera em kavala, estava a karaline, que se encontrava na cidade a estudar e que tinha o sonho de continuar os seus estudos de produção de espectáculos, em londres. depois de chegados, reparamos que a cidade era composta por uma série de colinas mesmo em frente ao mar e tínhamos a indicação de seguir até um grande supermercado (não referimos o nome porque não nos pagaram para isso) que ela lá estaria, em toda a sua grandiosidade, à nossa espera. depois de termos perguntado a umas quantas pessoas onde se encontrava este tal supermercado e depois de umas tantas nos terem feito pedalar colina acima e colina abaixo, ora para um lado, ora para o outro - enganando-nos, portanto - chegamos finalmente a tão desejado ponto de encontro! ela lá estava, adoentada. seguimos para casa e por lá ficamos até ao dia seguinte, comendo e conversando, escrevendo e snifando o cheiro a tabaco que se fazia sentir em todo aquele apartamento. acabamos a transportar o colchão para o chão, onde teríamos uma noite descansada, fugindo assim às muitas molas de qualidade duvidosa existentes naquele sofá. quando acordamos, reparamos que era tarde, muito tarde e, não contentes, ainda nos demoramos mais no pequeno-almoço. felizes!

dali até salónica, a cidade onde "acamparíamos" 3 noites, tentaríamos fazer o máximo de quilómetros possíveis para que no dia seguinte a viagem fosse mais pacífica. mas saímos tarde, muito tarde - vale a pena repetir - e, como se não bastasse, uns 10km depois, estavamos sentados numa esplanada com um motard que nos convidou para um café e hora e tal de conversa! não tínhamos qualquer pressa e estava a saber-nos pela vida! após a despedida, uns quase 60km depois, virávamos à esquerda, para a beira mar, e tentámos encontrar, além de sítio para dormir, um qualquer espaço comercial onde comprar também, alguma coisa para comer, pois estávamos sem nada. leite, uns 2 tomates quase congelados, cereais (não nos lembramos, mas achamos que sim), fruta sem ser da época e duas latas de feijão gigante que, de alterações genéticas, não devem ter nada...nadinha! mais à frente, olhamos para uma palmeira que se despia à medida que o inverno chegava e achámos que aquele relvado pelado, num antigo espaço de um bar de verão, a 2 metros da areia - ideal para se fazer um xixi se a vontade chegasse - com o mediterrâneo em frente - que luxo! - e o sol a pôr-se a passos largos ao nosso lado direito, nos servia perfeitamente! ufa! terreno limpo, tenda montada, jantar para fora e o fogão a trabalhar. não jantamos tarde quando acampamos, pois sabemos que os colchões furados que temos, nos receberão também cedo e os poucos raios de luz que chegarem pela manhã, nos farão levantar e enfrentar mais um dia. a hora que nos deitamos, achamos por bem não a referir, pois poderá arruinar a nossa carreira, mas foi cedinho! dormimos que nem bebezinhos, mas sentimos o frio a tentar atacar uma série de vezes. repetindo uma frase que nos é muito comum agora: "tá fresquinho, tá"

quando acordamos, temos a certeza que tivemos frio, pois até os polares vestimos. café tomado, cereais comidos com a nossa única colher e pão com chocolate, claro está, que as calorias gastam-se às centenas. pela frente tínhamos mais de 100km, se é que queríamos, nessa mesma noite, dormir no aconchego do lar da maria e da erifyli. mas que seca de dia. a bateria dos mp3 acabou, ainda para alegrar mais a situação. a paisagem era uma seca. a estrada uma seca era. tudo fechado. queríamos pedalar, mas alguém tinha colocado uma "pedra" enorme nas malas das bicicletas e elas mal se arrastavam. que seca. parávamos e tínhamos fome. calorias! calorias! calorias! salónica apareceu ao longe e fomos direitinhos ao supermercado equipar-nos o melhor possível para os dias que se seguiam. isto e isto e mais aquilo! tudo! comunicamos com as nossas couchsurfers e soubemos que só estariam disponíveis em 2 horas e por isso pedalamos já noite fora pelo centro da cidade até ao seu centro, não sem antes sermos incomodados por um polícia - no mínimo estúpido - que nos perguntou pelas luzes das bicicletas. a tanya diz: "ele quer saber das nossas luzes..." - o rafael ri-se e avança, pensando: "deve ser burro ou está a gozar connosco" - pois a vontade que nos deu foi de perguntar: "então e estas dezenas de bicicletas que estão a passar aqui agora sem luz? e aquelas dezenas de condutores sem cinto de segurança e a falar ao telemóvel? e aqueles gajos ali, a andar com as motas por cima dos passeios?" - mas nós éramos estrangeiros e por isso o sr. agente tinha de falar! esperamos quase duas horas, sim. estava...fresquinho! mastigamos qualquer coisa e, à hora marcada, lá estavam elas, a saltar e aos gritos na nossa direcção, cheias de energia! depois de uma introdução, disseram-nos: "agora vamos apanhar o autocarro e vocês seguem atrás dele...ok?!" - "desculpa? devem pensar que guiamos motas! é melhor encontrarmo-nos onde?" - "neste sítio assim assim blá blá" - "ok" - concordamos e avançamos noite fora, para o apartamento num 3º andar dum prédio a 20 minutos a pé do centro. cama feita, banho tomado, comida cozinhada, internet pesquisada, música escutada e blá blá blá até nos cansarmos!

nos 3 dias que passámos em salónica, vimos muito pouco e achamos sinceramente, que estávamos mesmo muito preguiçosos e que poderíamos ter visto muito mais. aquela coisa de que as grandes cidades nos são estranhas e indiferentes, de que não gostamos, de que...são grandes, cria-nos uma certa resistência às mesmas, mesmo que tenham milhares de coisas interessantes para ver e, acreditamos, esta era uma delas. no entanto, está cheia de trânsito, de barulho, de pessoas que correm sem razão aparente, de lojas iguais, todas elas iguais, da construção do metro que demora há anos e que, dizem, inaugura finalmente para o ano! existem as igrejas bizantinas que sobreviveram aos imensos terramotos, ataques e incêndios e que são, verdadeiramente, um dos grandes pontos de atracção da cidade. existe também cultura, muita coisa a acontecer, eventos vários que, desde 1997 - ano em que foi capital europeia da cultura - não deixaram a cidade vazia. mas existe ainda a parte antiga da cidade, muralhada, a parte das escavações e que descobrem antigos mercados, casas, ruas, poços (que vimos em parte) que não descobrimos toda, perdendo assim a parte mais bonita. e existe a parte da noite, dos bares, das discos, parte esta da qual não somos muito adeptos, mas que aproveitamos pelo menos uma noite, experimentando coisas que nunca havíamos experimentado! as nossas anfitriãs eram simpáticas, prestáveis e divertidas...uma delas muito divertida mesmo! no 3º dia na cidade, acordámos tarde, comemos tarde e, quando saímos, começou a chover torrencialmente. subimos de novo as escadas e quando a maria chegou, matamo-nos em crepes doces, de banana e salgados, até cairmos para o lado! à hora de dormir, estávamos tão cheios que até doía.

1 comentário:

Rita Catita disse...

Tenham calma, estão com ar cansado e magros.
Lembrem-se que ainda vos falta a viagem de regresso.
Beijinho e divirtam-se

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