até meio de frança!

passar a fronteira para frança foi um consolo! mal a nossa entrada se deu em menton - a pérola de frança - logo os nossos sorrisos se abriram! duas senhoras meteram conversa connosco e a simpatia dos franceses (opinião pessoal) veio para ficar! de onde vínhamos, se tínhamos sítio para ficar, a inveja de não fazerem uma coisa igual à que fazíamos! bom! um passeio rápido pela cidade, para descobrirmos rapidamente que ficaríamos outro dia! o nick veio ao nosso encontro e levou-nos, estrada acima, para a casa que partilhava com mais 4 amigos: ele, de hong-kong, outro de espanha, outro da austrália, outra da noruega e outro do egipto! todos 5 estrelas! dois dias naquela casa, misturando o português, o espanhol, o francês e o inglês, como se de uma só língua se tratasse! nestes 2 dias, passeamo-nos pelo centro histórico da cidade e também pela parte nova, bem menos atractiva mas tornando, muito rapidamente, menton numa das nossas cidades preferidas desta viagem! a parte velha é belíssima, com as suas casas coloridas, vielas estreitas que sobem encosta acima, com o cemitério, bem no alto, no sítio do antigo castelo, olhando a mediterrâneo azul! na despedida, trocamos contactos que nos servirão no próximo ano, se tudo correr bem, para estadias prolongados no médio oriente, onde a maior parte destes estudantes se encontrará a estudar. até para o ano e obrigado!




grasse foi a cidade seguinte, terra adentro, em direcção à capital mundial do perfume! já tínhamos visto fotos da cidade, que nos atrairam bastante e depois de vermos o filme "o perfume", baseado no romance de patrick suskind, ficámos ainda mais curiosos! o que descobrimos, logo à chegada, era que a cidade era gelada...um frio de rachar! depois entramos um pouco nela, depois de nos termos enganado no sítio de encontro e quase termos descido toda a colina, o que seria um autêntico desespero àquela hora, visto que estávamos estafados e reparamos que a cidade nada tinha a ver com o filme...nada. já com os nossos anfitriões, tivemos oportunidade de concluir isso mesmo! as imagens do filme são de todo o lado...menos de grasse! no dia seguinte, veríamos isso melhor...mas não, no dia seguinte choveu torrencialmente, desde que acordámos, bem cedo, até adormecermos, bem tarde. não saímos de casa e grasse só foi vista da varanda da casa onde ficámos, que ficava bem no topo. uma cidade que se estende por muitos quilómetros em volta do seu centro histórico, pequeníssimo e apertado pela evolução.

aix-en-provence seguia-se no nosso caminho e tivemos pena em nada ver da cidade, mas a nadine levou-nos para sua casa e logo nos propôs um programa irrecusável. que esperava uns amigos e logo apresentariam um vídeo sobre uma viagem à índia que tinham feito e, logo a seguir, um jantar com todos! porém, antes mesmo de todos chegarem, tivemos uma breve aula sobre a história do haiti e soubemos que foi o primeiro país do mundo a pôr término à escravatura. a nadine, com toda a história mundial na cabeça, ia explicando uma e outra coisa e nós aprendíamos a cada palavra! logo a seguir, o vídeo, super divertido sobre a viagem que ela e 3 amigos haviam feito no verão passado...rimo-nos que nos fartámos e assim continuámos ao jantar e depois dele, quando passámos mais de uma hora a jogar...um jogo, que nos fazia adivinhar personagens mundiais conhecidas e nos fazer mímica para as mesmas! todos com um chapéu diferente, foi riso até nos irmos deitar!

...e fomos, por aí adiante, por entre vinhas e adegas, percorrendo parte a estrada que nos ligaria a vidauban, muito menos "acidentada" a nível de elevações. foi pacífica a pedalada e muito menos fria! no centro da cidade esperamos pela pessoa que nos daria casa nesse dia que, depois de aparecer e nos comunicar que ainda vivia a 5kms dali, meteu todos os nossos sacos no carro e nos pediu para o seguirmos. a casa ficava na base de uma pequena colina, era muito pequenina mas muito acolhedora e quente...o essencial! jantámos um prato embalado e vimos televisão portuguesa, ao fim de tantos meses...o que nos fez perceber que continua uma verdadeira...bosta. a conversa não foi longa, pois nada percebemos de vinho - coisa que o nosso anfitrião era expert - e por isso a coisa desenrolou-se entre as nossas pedaladas diárias e uma ou outra coisa sem importâcia alguma. enfim! dormidos, pequeno-almoçados e partidos para avignon!

foi fácil o percurso para a cidade onde iríamos ficar 2 dias. em casa da rose e duma amiga chegamos e instalámo-nos á grande, percebendo logo ao início que nos iríamos dar super bem naquele sítio! e assim foi! a conversa foi-se fazendo, a empatia foi aumentando, os risos - a princípio timidos da rosa - foram abrindo e soltando-se cada vez mais! deitámo-nos tarde, depois de um belo dum jantar, de vídeos da nossa viagem e de piada atrás de piada! no dia seguinte vistámos a cidade que, pensávamos, seria bem mais pequena...pelo menos o centro. mas não, o seu centro histórico é muito maior do que julgávamos e não tão velho como havíamos pensado. de avignon tínhamos duas referências: que tinha um dos maiores festivais de teatro da europa que, infelizmente, se realiza em agosto; e que foi sede da igreja católica, assim como o é hoje o vaticano, por mais de 1 século. no centro da cidade, o palais des papes, o espaço onde estes habitavam durante o seu..."reinado"! visitámo-lo, lemos a demsiada informação que havia por todo o lado e tomámos mais uma vez consciência da dimensão, riqueza e poder da igreja católica. o que nos soa estranho, é que continuem a ter um discurso pedindo a simplicidade, o viver com o menos possível, a humildade, entre outras coisas que nos soa a muito estranho e...falso. enfim. dali, partimos para a ponte de avignon, a famosa ponte de avignon que nos lembra a famosa canção "sur la pont d'avignon" e que, viemos a saber depois de a visitarmos, que a canção original era "sous la pont d'avignon", pois nasceu de um café que existia debaixo da ponte, no qual as pessoas cantavam e dançavam e, por essa mesma razão, a origem da música! esta ponte tinha 900 metros e 24 arcos e era uma das maiores pontes da europa, fazendo com que avignon se tornasse, a seguir a paris, na segunda maior cidade francesa da época. crescendo muito economicamente, já que servia de ligação entre a frança e itália e espanha. à noite, tivemos outro belo doutro jantar e dormimos decansadinhos prontos a partir logo que a manhã chegasse!

dali até nimes, foram só uns 50kms, por isso saímos tarde e chegámos a horas de ainda ver a cidade e passar um bom bocado com o ceryl, que era actor de teatro de rua, malabarista, clown e que estava super atarefado a preparar um espectáculo. a casa estava o verdadeiro bordel e mesmo depois de lhe tentarmos dar um jeitinho, a confusão continuava. a cidade é acolhedora, mas como a visitamos já de noite, nãovimos muitas coisas, sendo no entanto daquelas que achamos ser merecedora doutra visita! já em casa, estivemos ainda um bom bocado com o ceryl, que nos passou imensa música, filmes e nos deu algumas dicas de espectáculos de rua...em 45 segundos! é segredo! fomos descendo...

em tom de carta

valência, 25 de dezembro de 2009

pai natal,

não estamos in the mood para atravessar espanha de bicicleta. fizemos parte dela, mas depois veio-nos à cabeça uma proposta que fizemos a nós próprios, logo no princípio da viagem, mesmo antes de sairmos de portugal, que era a possibilidade de passar o sul do país de alguma maneira, que não fosse a bicicleta. saberíamos que o sul estaria quase deserto nesta altura e não estaríamos com toda a certeza muito virados para o fazer sabendo-nos tão perto de portugal. assim sendo, decidimos passá-lo sobre rodas, mas de comboio que, sabendo mais tarde não ser possível, porque não levam bicicletas, passou a ser de rodas de autocarro. autocarro não...eurobus!

pois, saímos hoje de valência às 21h30 e chegamos a sevilha às 7h15. a partir daí sim, vai ser sempre sobre duas rodas! ainda não temos data certa de chegar a ovar, mas tudo aponta lá para meio do mês! entretanto, sabemos que vamos parar (planos...) em sevilha, depois numas terrinhas pelo meio que ainda não decidimos quais, beja (onde passaremos o ano!), montemor-o-novo, coruche (deve ser), cartaxo, leiria (ou por aí), coimbra (sim!), aveiro (sim!) e finalmente ovar! o fim da viagem está a aproximar-se! se tudo correr conforme o planeado, serão 9 meses, uns 12000 e tal quilómetros de bicicleta, uns 1000 e tal de comboio e uns 65 à boleia!

por isso pai natal, se tiveres alguém conhecido por estas paragens...avisa, que nós precisamos de poiso e casas quentinhas!

obrigado!

rafael e tanya

em itália, foi mais ou menos assim!

muito resumidamente, o que se passou então desde que saímos da grécia? entramos em itália de barco, qual aventureiros em busca de um país pelo qual não caímos de amores, prontos a dar-lhe mais uma "oportunidade".

os sítios pelos quais passamos e paramos para dormir foram: ancona; fano; cesena; bolonha; reggio emilia; varazze; bartolomeo al mare

quem nos recebeu?
ancona - clarina
fano - daniel e orietta
cesena - silvia
bolonha - mario
reggio emilia - nazim
varazze - um quarto de hotel
bartolomeo al mare - a tenda

do que gostamos?
1 - das pessoas que nos receberam em suas casas através do couchsurfing ou hospitalityclub! sim, foram muito boas, deixaram-nos completamente à vontade, como se em casa nos sentíssemos! partilharam jantares, experiências, anedotas, momentos de muito boa disposição, música improvisada, amigos, voltas pela cidade e tudo o mais que lhes estava ao alcance!
2 - da arquitectura de algumas cidades italianas, apesar de, depois de se viajar um pouco pela itália (norte) termos a noção de que são todas muito iguais. no entanto, à noite, com as cores que têm e as luzes nas ruas, ganham outra magia!
3 - do albergo aurora em varazze que nos viu desesperados, com muito frio e princípio de chuva e nos reduziu o preço, nos arranjou internet e até nos ofereceu o pequeno-almoço no dia seguinte!
4 - de termos apanhado o comboio de reggio emilia para génova, que nos poupou uns 200 e poucos quilómetros de viagem!
5 - dum bar/restaurante a que fomos em fano, chamado piada e que além de servir as tradicionais piadinas - óptimas! - nos delicia com a sua decoração relacionada com bicicletas, pois o seu dono é um amante das mesmas, além de todos os seus clientes, claro está! ponto de passagem obrigatório!

do que não gostamos? continuamos a achar que no norte de itália, onde já estivemos antes, as pessoas têm a mania. dizia-nos uma alemã que conhecemos em bolonha (imagine-se, uma alemã!) que as pessoas em itália nunca correm e que não sabia se era porque nunca tinham pressa para nada ou se para não perderem a pose. nós achamos que é a segunda hipótese, sem qualquer dúvida. as pessoas têm o nariz empinado, uma espécie de snobismo que não lhes fica nada bem. nada a queixar, basta não voltar! um de nós já é a terceira vez que para ali viaja, outro, a segunda e a ideia com que ficamos, é sempre a mesma...

o que detestamos?
1 - a estrada pela qual decidimos subir país acima e, se muitas foram as vozes que se levantaram dando-nos outras opções de ca
minho, o facto de estarmos calejados das montanhas da grécia, fez-nos tomar um rumo pela via emilia, que foi a estrada mais entediante que tomámos até agora. além de tudo, ainda estava cheia de camiões, automóveis nervosos e muito nevoeiro.
2 - a chuva que apanhámos já do lado de lá das montanhas, que caiu continuamente desde que saímos do hotel em varazze, até
sairmos da tenda em bartolomeo al mare, no dia seguinte. resultado? todos encharcados, da cabeça aos pés, sem sítio para secar a roupa e com um telhado de uma garagem a cobrir-nos ao seu melhor jeito a noite toda. porém, à 1h30, tivemos que nos levantar, pois tomamos consciência que a tenda estava dentro de um lago e tivemos que mudar de lugar. muito vento, trovões, relâmpagos e chuva. no outro dia, vestir a roupa toda molhada, não foi nada engraçado.
3 - as pessoas pelas quais passámos e que nos ignoravam completamente por estarmos naqueles estado, sem se preocuparem se estávamos bem ou não (não estávamos). os hoteis caríssimos que nos rebentavam completamente o orçamento, levando um simples hotel de uma estrela, por uma noite, 50€ - dois dias e meio deorçamento da nossa viagem!

o que se pode contar mais acerca de itália?
- que continua a viver num regime de fascismo;
- que existe uma proposta de um partido para se dividir o país a meio, em que a linha de fronteira seria o rio reno. o norte rico e trabalhador, com pouco desemprego e o sul pobre e com muito desemprego;

- que existe uma forte tensão entre pessoas do sul e do norte, tendo-nos dito até o mario de bolonha, que via
papeis nas paredes na cidade, de estudantes procurando quem com eles o apartamento partilhasse mas, em letras bem gordas, que não aceitavam gente do sul!
- que as pessoas não se afastam nas ruas quando connosco se cruzam, resu
ltando num embate quase frontal, pois chegamos a uma certa altura que também nem um centímetro nos afastamos e seja o que for;
- que em itália existem mesmo muitas livrarias, o que nos agrada imenso! são às dezenas e muitas em cada cidade! há outlets de livros...muito bom!

e de lá, de itália, até frança, ainda passámos pelo mónaco, deslizando de bicicleta pelo circuito urbano de fórmula 1! o principado, em si, nada tem de bonito. prédios, prédios e mais prédios. pessoas ricas, ou aparentemente ricas e puf, acaba-se logo ali!

itália, agora, só de passagem ou então para viajar até às dolomitas bem no norte ou para ir bem para sul que, dizem-nos, é outro país!

as palavras que sairam do silêncio...

1 - está tudo bem connosco, apesar de não darmos notícias desde a grécia. a verdade, é que já estamos em barcelona, com os dias contadíssimos para chegarmos a valência no natal e a granada na passagem de ano. depois disso, tudo mais calmo outra vez! o que é um facto também, é que não temos descansado quase nada em nenhum sítio. é chegar depois de umas valentes horas de viagem com muito frio, às vezes chuva e uns pedaços de neve de quando em quando, ir até casa de quem nos recebe, tirar tudo da bicicleta, tomar um bom banho, conversar com quem nos dá casa, visitar um pouco do sítio se houver tempo, fazer o jantar, continuar a conversa, deitar cedo e no dia seguinte, bem de manhã, acordar, pequeno-almoço e colocar tudo na bicicleta outra vez, pedalar para outra cidade, vila ou aldeia e repetir tudo de novo, daí não termos tido tempo para escrever no blog. espero que nos compreendam. não sabemos quando o faremos, esperamos que em breve mas, até granada, as coisas vão ser mesmo a correr.

2 - é muito natural que apanhemos mais um ou outro comboio antes de chegarmos a portugal, pois aí queremos mesmo pedalar e matar as saudades pouco a pouco! para dizer a verdade, achamos o sul de espanha - ainda mais nesta altura - uma seca e, salvo raras excepções, cidades merecedoras de mais do que 2 dias de visita. barcelona, valência, granada, sevilha...ok! as outras, se ficam à beira-mar, estão vazias neste momento e nada há para ver a não ser prédios e prédios. as que se encontram no interior, podemos vê-las numa hora ou...passar sem as ver. o comboio, pensamos, dará com toda a certeza uma ajuda!

3 - se tudo correr bem, teremos familiares e amigos connosco em granada e, se tudo correr conforme o previsto, os nossos filhotes - duda e t - também nos visitarão, apesar de primeiro termos que ver as condições de saúde da nossa filhota.

4 - até já e obrigado pela compreensão!

passagem de ano

apesar de todas as tentativas de chegar mais cedo, estaremos longe ainda de portugal na passagem de ano. chegaremos a granada, espanha, no dia 30 ou 31 e ficaremos pela zona, esperando que alguma pessoa nos acolha! se quiserem passar o ano connosco, comuniquem! se souberem de alguma alma caridosa, estudante de erasmus, ou outro qualquer ser que nos possa alojar, mesmo que ausente, comuniquem! de certo, só sabemos que vai estar muito muito frio, mais nada. vá, contactem amigos, familiares e peguem nos vossos automóveis, comboio ou bicicletas e venham ter connosco! estamos com saudades...até de quem ainda desconhecemos! familiares...podem fazer o mesmo! peguem nas vossa prenda de natal para nós, e venham entregá-las...ou pagar-nos o hotel! ou tragam a auto-caravana e convidem-nos a dormir nela! as bicicletas ficam lá fora, sem qualquer problema! esperamos notícias!

o fim da grécia!

em trikala, como já dissemos, ficamos uma série de dias...7! não porque a cidade tivesse alguma coisa de muito interessante para ver, mas porque nos sentíamos realmente em casa e com os tugas todos à volta, a coisa foi-se arrastando e pronto, por ali ficámos! o que visitámos então enquanto ali estivemos além do pouco que a cidade tem para mostrar? meteora! e que grande!

meteora é um complexo de mosteiros ortodoxos começados a construir no século XII sobre picos arenosos que, há milhões de anos atrás, estavam debaixo de água do mar. estes mosteiros, num total de 6 neste momento - já foram 24 - encontram-se entre os 350 e os 600 metros de altura, como que pendurados nas rochas, sobre o abismo e fazem-nos até duvidar se foram humanos os seus construtores. revistas especializadas em escalada, atribuem hoje o grau máximo de dificuldade a estes picos, a um profissional com todo o material de topo que existe na actualidade, daí ser ainda um grande mistério como é que há séculos atrás foram os monges, com ajuda da população certamente, capazes de construir estes mosteiros no "céu". o maior prazer nesta visita, é fazer todo o percurso a pé, apesar de ser cansativo, visto que se tem melhor impressão do que são estas construções religiosas à medida que se caminha estrada ou natureza acima! é impressionante e, apesar de estar a chover neste dia, não podemos deixar de parar uma série de vezes pelo caminho acima e abaixo depois, para nos surpreendermos com tamanha obra e disparar uma série de fotografias! regressamos a casa - trikala - à boleia!

quando finalmente ganhámos coragem, "tivemos de abandonar" a casa que nos acolheu durante tanto tempo, tivemos de nos despedir de todos, da gata sem nome que tinham acolhido há 2 dias atrás, da humidade...(é a humidade...o problema é a humidade...) e da incrível noite que começou com uma pirâmide de cartas, partimos em direcção às montanhas que nos separavam do mar! estávamos com medo, confessamos, na maior escalada teríamos de passar a 1700 metros e sozinhos, pois os automóveis passavam todos pelos túneis construídos pelo meio das montanhas, lá em baixo, na auto-estrada. mas vamos por partes!

a elevação só se começou a sentir uns 25kms depois de termos começado a pedalar. vimos de novo meteora ao longe e a coisa começou a inclinar-se, mas fazendo-se bem! com calma, a intenção era encontrar um dos poucos hoteis existentes na estrada e tentar baixar o preço o máximo possível ou então acampar, embora estivessemos com algum receio de o fazer a uns 1000 metros de altura com o frio que estava. uns 60 kms depois, a meio de uma íngreme subida, demos por nós a virar á esquerda e a escolher aquela aldeia para ficarmos nessa noite. atrás, tinha ficado um outro desvio, este à direita, para questionar o preço num hotel. os 50 euros pedidos fizeram regressar o nossa rabinho aos selins! já na aldeia, volta para aqui, volta para ali e acabámos por encontrar um espaço debaixo duma grande árvore, protegidos do imenso e gelado vento. tenda para fora e ninguém aparecia para perguntarmos se haveria problema em montá-la ali. uma senhora nos seus 60 aparece e com o papel escrito em grego a pedirmos para montar a tenda, dirigimo-nos a ela e percebemos que não haveria qualquer perigo e lá continuámos! pelo meio, íamos brincando, dizendo que já estava a demorar muito tempo até que nos viessem oferecer alguma coisa. brincando ou não, a mesma senhora com o seu marido, regressaram 10 minutos mais tarde dizendo que ali não íamos ficar, mas sim dentro de sua casa, num quarto só para nós! tudo desmontando, cama lavadinha, duche quente e, pelo meio, ela ia dizendo que depois tínhamos de ir lá acima jantar! "jantar? mas isto já é demasiado, obrigado..." - "não, venham lá acima!" - "ok então, mas nós somos vegetarianos..." - "sem problema! comem isto e aquilo...blá blá blá" um sem rol de vegetais sairam da sua boca e mais tarde, todos eles colocados sobre a mesa, iluminaram-nos a vista! que delicioso que estava, que grandiosa refeição, que quantidade enorme! ficámos sem palavras...estava de se lhe tirar o chapéu! a seguir, "conversamos" um pouco e descemos para dormir numa das melhores camas da viagem! no dia seguinte, depois de tudo arrumado, ainda subimos para um pequeno-almoço e as últimas fotos da praxe! até já...

rumo a katara pass, a famosa passagem, lá em cima, a 1690 metros de altitude. a paisagem era brutal, os picos nevados por todo o lado, o frio e o calor misturados, o sol que nos tentava queimar por cima, e a estrada que nunca mais parava de subir, sempre sempre! estávamos sozinhos no meio de toda aquela natureza, táo sozinhos que até tirámos toda a roupa e corremos nus pela estrada acima e por ela abaixo, arriscando uma pneumonia em poucos minutos! delírio! quando chegamos ao topo, sentamo-nos e almoçamos, retardando aquele momento ainda mais. queríamos aproveitar ao máximo aquela vista, aquela sensação de estar lá em cima! não tinha sido tão complicado como pensávamos ao ínicio. fizemos tudo muito bem e agora só a descida nos esperava até ióanina, a cidade onde ficaríamos nessa noite! depois de tudo "sugado" até ao último minuto, começamos a descida...e que descida! quilómetros e quilómetros com as mãos nos travões, apreciando tudo! que bonito! das paisagens mais bonitas até agora!

incrível, incrível, incrível!



metsovo ao longe as montanhas nevadas por trás! estradas que arriscavam a queda no fim doutras montanhas! rochas que caiam aos nossos pés, saltando dos abismos onde durante anos estiveram aprisionadas! momentos únicos e inesquecíveis! apesar de custoso, seríamos capazes de o repetir vezes sem fim, pois a sensação é impressionante! já cá em baixo e com as mãos transformadas em pedras de gelo, aquecemo-nos em chocolates num pequeno café na berma da estrada! continuaríamos uns minutos depois e sempre por terreno plano...pensávamos nós! mais uma descida, outra e a coisa alegrava-nos! passámos por um rio numa pequena aldeia e perguntamo-nos se ficaríamos ali ou arriscaríamos os próximos 24km. seguimos! o que não

sabíamos, era que pela frente tínhamos outra grande montanha que nos separava de ióanina. eram 15h e a noite começava a cair às 16h30. conclusão? sempre a subir e as pernas já não aguentavam. cada vez tínhamos menos luz. a vontade diminuia. no entanto, no meio de tanto terreno íngreme, acamapr seria uma aventura. a 4km do topo e já quase no escuro, vimos um alemão de bicicleta, que fazia o sentido contrário e nos disse que ainda tínhamos pelo menos uma hora de viagem até à próxima cidade. uma hora??? tirámos o material de luz que mal temos para fora, (des)iluminando o caminho o máximo possível e subimos ao topo. lá em cima, pudemos ver a cidade lá em baixo, uns 15km abaixo. as luzes ao longe a a estrada sem qualquer luz. a descida seria no escuro, acompanhando a linha branca do chão, esperando que nenhum animal morto, nenhuma pedra maior se atravessasse no nosso caminho. e lá fomos!

já cá em baixo, rimo-nos do sucedido e só queríamos chegar a qualquer sítio, comer muito - primeiro - e só depois tentar arranjar um espaço para dormir, pois ninguém nos tinha contactado para esse dia. um quarto single (o mais barato) serviu para dormirmos e comermos! vimos um pouco da cidade e adormecemos. no dia seguinte, a danae receber-nos-ia em sua casa, mas só às 21h...que grande seca. conseguimos que nos guardassem as bicicletas no hotel até meio da tarde, fomos comprar outro computador (visto que o que tínhamos, caiu ao chão e nunca mais funcionou, tendo sido enviado para portgal), bebemos m café, vimos uma manifestação, trocamos umas palavras com algumas pessoas mais curiosas, comemos duas pizzas deliciosas e esperamos pela nossa anfitriã que apareceu, horas depois, cheia de energia, energia que não tínhamos já aquela hora do dia. a cidade não é muito bonita, mas fica numa zona entre montanhas, com um enorme lago em frente e com uma parte antiga muito interessante! a valer uma visita mais demorada. já em casa, tomámos um chá e conversámos mais do que aquilo que estávamos à espera. adormecemos tarde e acordámos cedo. um longo caminho nos esperava. depois de um pequeno-almoço que nos foi oferecido, mas que serve para quem trabalha numa loja e não para quem anda de bicicleta!, avançamos no terreno, tendo de parar uns metros à frente para abastecer o nosso estômago!

não tínhamos sítio para ficar em igoumenitsa, tínhamos tido conhecimento momentos atrás e logo mudamos os planos. não ficaríamos nem mais um dia na grécia, partiríamos logo nessa noite para itália no ferry da noite e dormiríamos na viagem! a pedalada desse dia trouxe-nos outras paisagens, muito mais outonais, com milhares de folhas em tons avermelhados caídas por todo o lado! as aldeias perddidas nas montanhas! as estradas quase sem ninguém! as descidas e as subidas constantes, mas não tão difíceis como nos dias anteriores! descemos para igoumenitsa já de noite, claro! os barcos lá em baixo! comprámos os bilhetes por menos 70 euros do que aquilo que custariam se o fizéssemos por internet e esperámos num café, onde comemos qualquer coisa que não deixou saudades. já na porta do terminal e depois do checkin, entramos no ferry, escolhemos o nosso lugar e no meio da tentativa de ver um filme, adormecemos no chão alcatifado, depois de um duche quente que nos fez sorrir no fim desta longa viagem de quase um mês (a princípio tínhamos pensado em duas semanas) pela grécia! um país lindíssimo a voltar com toda a certeza, pois deixou-nos recordações fantásticas!

o adriático levou-nos até itália, mas quase não o sentimos...

(de trikala e meteora colocaremos fotografias logo que estejamos em portugal, pois foram-se todas no outro computador...é da humidade)

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