o fim da grécia!

em trikala, como já dissemos, ficamos uma série de dias...7! não porque a cidade tivesse alguma coisa de muito interessante para ver, mas porque nos sentíamos realmente em casa e com os tugas todos à volta, a coisa foi-se arrastando e pronto, por ali ficámos! o que visitámos então enquanto ali estivemos além do pouco que a cidade tem para mostrar? meteora! e que grande!

meteora é um complexo de mosteiros ortodoxos começados a construir no século XII sobre picos arenosos que, há milhões de anos atrás, estavam debaixo de água do mar. estes mosteiros, num total de 6 neste momento - já foram 24 - encontram-se entre os 350 e os 600 metros de altura, como que pendurados nas rochas, sobre o abismo e fazem-nos até duvidar se foram humanos os seus construtores. revistas especializadas em escalada, atribuem hoje o grau máximo de dificuldade a estes picos, a um profissional com todo o material de topo que existe na actualidade, daí ser ainda um grande mistério como é que há séculos atrás foram os monges, com ajuda da população certamente, capazes de construir estes mosteiros no "céu". o maior prazer nesta visita, é fazer todo o percurso a pé, apesar de ser cansativo, visto que se tem melhor impressão do que são estas construções religiosas à medida que se caminha estrada ou natureza acima! é impressionante e, apesar de estar a chover neste dia, não podemos deixar de parar uma série de vezes pelo caminho acima e abaixo depois, para nos surpreendermos com tamanha obra e disparar uma série de fotografias! regressamos a casa - trikala - à boleia!

quando finalmente ganhámos coragem, "tivemos de abandonar" a casa que nos acolheu durante tanto tempo, tivemos de nos despedir de todos, da gata sem nome que tinham acolhido há 2 dias atrás, da humidade...(é a humidade...o problema é a humidade...) e da incrível noite que começou com uma pirâmide de cartas, partimos em direcção às montanhas que nos separavam do mar! estávamos com medo, confessamos, na maior escalada teríamos de passar a 1700 metros e sozinhos, pois os automóveis passavam todos pelos túneis construídos pelo meio das montanhas, lá em baixo, na auto-estrada. mas vamos por partes!

a elevação só se começou a sentir uns 25kms depois de termos começado a pedalar. vimos de novo meteora ao longe e a coisa começou a inclinar-se, mas fazendo-se bem! com calma, a intenção era encontrar um dos poucos hoteis existentes na estrada e tentar baixar o preço o máximo possível ou então acampar, embora estivessemos com algum receio de o fazer a uns 1000 metros de altura com o frio que estava. uns 60 kms depois, a meio de uma íngreme subida, demos por nós a virar á esquerda e a escolher aquela aldeia para ficarmos nessa noite. atrás, tinha ficado um outro desvio, este à direita, para questionar o preço num hotel. os 50 euros pedidos fizeram regressar o nossa rabinho aos selins! já na aldeia, volta para aqui, volta para ali e acabámos por encontrar um espaço debaixo duma grande árvore, protegidos do imenso e gelado vento. tenda para fora e ninguém aparecia para perguntarmos se haveria problema em montá-la ali. uma senhora nos seus 60 aparece e com o papel escrito em grego a pedirmos para montar a tenda, dirigimo-nos a ela e percebemos que não haveria qualquer perigo e lá continuámos! pelo meio, íamos brincando, dizendo que já estava a demorar muito tempo até que nos viessem oferecer alguma coisa. brincando ou não, a mesma senhora com o seu marido, regressaram 10 minutos mais tarde dizendo que ali não íamos ficar, mas sim dentro de sua casa, num quarto só para nós! tudo desmontando, cama lavadinha, duche quente e, pelo meio, ela ia dizendo que depois tínhamos de ir lá acima jantar! "jantar? mas isto já é demasiado, obrigado..." - "não, venham lá acima!" - "ok então, mas nós somos vegetarianos..." - "sem problema! comem isto e aquilo...blá blá blá" um sem rol de vegetais sairam da sua boca e mais tarde, todos eles colocados sobre a mesa, iluminaram-nos a vista! que delicioso que estava, que grandiosa refeição, que quantidade enorme! ficámos sem palavras...estava de se lhe tirar o chapéu! a seguir, "conversamos" um pouco e descemos para dormir numa das melhores camas da viagem! no dia seguinte, depois de tudo arrumado, ainda subimos para um pequeno-almoço e as últimas fotos da praxe! até já...

rumo a katara pass, a famosa passagem, lá em cima, a 1690 metros de altitude. a paisagem era brutal, os picos nevados por todo o lado, o frio e o calor misturados, o sol que nos tentava queimar por cima, e a estrada que nunca mais parava de subir, sempre sempre! estávamos sozinhos no meio de toda aquela natureza, táo sozinhos que até tirámos toda a roupa e corremos nus pela estrada acima e por ela abaixo, arriscando uma pneumonia em poucos minutos! delírio! quando chegamos ao topo, sentamo-nos e almoçamos, retardando aquele momento ainda mais. queríamos aproveitar ao máximo aquela vista, aquela sensação de estar lá em cima! não tinha sido tão complicado como pensávamos ao ínicio. fizemos tudo muito bem e agora só a descida nos esperava até ióanina, a cidade onde ficaríamos nessa noite! depois de tudo "sugado" até ao último minuto, começamos a descida...e que descida! quilómetros e quilómetros com as mãos nos travões, apreciando tudo! que bonito! das paisagens mais bonitas até agora!

incrível, incrível, incrível!



metsovo ao longe as montanhas nevadas por trás! estradas que arriscavam a queda no fim doutras montanhas! rochas que caiam aos nossos pés, saltando dos abismos onde durante anos estiveram aprisionadas! momentos únicos e inesquecíveis! apesar de custoso, seríamos capazes de o repetir vezes sem fim, pois a sensação é impressionante! já cá em baixo e com as mãos transformadas em pedras de gelo, aquecemo-nos em chocolates num pequeno café na berma da estrada! continuaríamos uns minutos depois e sempre por terreno plano...pensávamos nós! mais uma descida, outra e a coisa alegrava-nos! passámos por um rio numa pequena aldeia e perguntamo-nos se ficaríamos ali ou arriscaríamos os próximos 24km. seguimos! o que não

sabíamos, era que pela frente tínhamos outra grande montanha que nos separava de ióanina. eram 15h e a noite começava a cair às 16h30. conclusão? sempre a subir e as pernas já não aguentavam. cada vez tínhamos menos luz. a vontade diminuia. no entanto, no meio de tanto terreno íngreme, acamapr seria uma aventura. a 4km do topo e já quase no escuro, vimos um alemão de bicicleta, que fazia o sentido contrário e nos disse que ainda tínhamos pelo menos uma hora de viagem até à próxima cidade. uma hora??? tirámos o material de luz que mal temos para fora, (des)iluminando o caminho o máximo possível e subimos ao topo. lá em cima, pudemos ver a cidade lá em baixo, uns 15km abaixo. as luzes ao longe a a estrada sem qualquer luz. a descida seria no escuro, acompanhando a linha branca do chão, esperando que nenhum animal morto, nenhuma pedra maior se atravessasse no nosso caminho. e lá fomos!

já cá em baixo, rimo-nos do sucedido e só queríamos chegar a qualquer sítio, comer muito - primeiro - e só depois tentar arranjar um espaço para dormir, pois ninguém nos tinha contactado para esse dia. um quarto single (o mais barato) serviu para dormirmos e comermos! vimos um pouco da cidade e adormecemos. no dia seguinte, a danae receber-nos-ia em sua casa, mas só às 21h...que grande seca. conseguimos que nos guardassem as bicicletas no hotel até meio da tarde, fomos comprar outro computador (visto que o que tínhamos, caiu ao chão e nunca mais funcionou, tendo sido enviado para portgal), bebemos m café, vimos uma manifestação, trocamos umas palavras com algumas pessoas mais curiosas, comemos duas pizzas deliciosas e esperamos pela nossa anfitriã que apareceu, horas depois, cheia de energia, energia que não tínhamos já aquela hora do dia. a cidade não é muito bonita, mas fica numa zona entre montanhas, com um enorme lago em frente e com uma parte antiga muito interessante! a valer uma visita mais demorada. já em casa, tomámos um chá e conversámos mais do que aquilo que estávamos à espera. adormecemos tarde e acordámos cedo. um longo caminho nos esperava. depois de um pequeno-almoço que nos foi oferecido, mas que serve para quem trabalha numa loja e não para quem anda de bicicleta!, avançamos no terreno, tendo de parar uns metros à frente para abastecer o nosso estômago!

não tínhamos sítio para ficar em igoumenitsa, tínhamos tido conhecimento momentos atrás e logo mudamos os planos. não ficaríamos nem mais um dia na grécia, partiríamos logo nessa noite para itália no ferry da noite e dormiríamos na viagem! a pedalada desse dia trouxe-nos outras paisagens, muito mais outonais, com milhares de folhas em tons avermelhados caídas por todo o lado! as aldeias perddidas nas montanhas! as estradas quase sem ninguém! as descidas e as subidas constantes, mas não tão difíceis como nos dias anteriores! descemos para igoumenitsa já de noite, claro! os barcos lá em baixo! comprámos os bilhetes por menos 70 euros do que aquilo que custariam se o fizéssemos por internet e esperámos num café, onde comemos qualquer coisa que não deixou saudades. já na porta do terminal e depois do checkin, entramos no ferry, escolhemos o nosso lugar e no meio da tentativa de ver um filme, adormecemos no chão alcatifado, depois de um duche quente que nos fez sorrir no fim desta longa viagem de quase um mês (a princípio tínhamos pensado em duas semanas) pela grécia! um país lindíssimo a voltar com toda a certeza, pois deixou-nos recordações fantásticas!

o adriático levou-nos até itália, mas quase não o sentimos...

(de trikala e meteora colocaremos fotografias logo que estejamos em portugal, pois foram-se todas no outro computador...é da humidade)

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