vive la france


como podemos nós não gostar da frança? e não nos venham com a história que eles são apenas simpáticos com as pessoas que falam francês, pois antes de abrirmos a boca eles aproximam-se com um grande sorriso e uma vontade enorme em ajudar!
parámos em saint-jean-pied-de-port para a visita. era uma paragem obrigatória pois é lá que começa um dos caminhos mas camininhados, dos caminhos de santiago de compostela - o caminho francês. fomos até ao albergue de peregrinos para

nos carimbarem a caderneta mas para lá chegar, tivemos de enfrentar um estreito caminho com uma inclinação não muito amigável! e é aí que entra a simpatia dos franceses! uma senhora, que carregava já os seus 50 e muitos anos, ainda ajudou a empurrar a bicicleta!
- moro mesmo ao lado da albergue! - disse ela
santa simpática senhora!
quando abrimos a porta do albergue, duas senhoras (também com os seus 50 e muitos) deram-nos as boas vindas com um enorme sorriso e uma simpatia gigantesca, estendendo-nos os braços, oferencendo-nos croissants! acabámos por ser convidados para almoçar com elas, no quentinho! como podemos nós não gostar de frança?
adorámos o centro histórico! não tem muito para ver, é pequeno mas encanta. e vale a pena subir até a cidadela e ter uma das paisagens mais impressionantes! ver os pirenéus que tínhamos acabado de passar, ali, à nossa frente! o verde dos campos com pequenas casas espalhadas! é difícil arranjar palavras para descrever o que vemos! as palavras que mais dizemos nessas alturas, são:
" uau! bem!!! devem estar a gozar comigo! que lindo!" o melhor é deixar umas quantas fotos para poderem concordar!

se há franceses simpáticos, há também portugueses simpáticos por este mundo fora! depois de muitos quilómetros, parámos numa pequena aldeia para perguntar se nela havia portugueses.
- na próxima terra, em mauléon, encontram uma grande comunidade de portugueses - disse-nos um senhor.
procuramos a associação portuguesa, mas estava fechada, abrindo apenas aos fins de semana. perguntamos a um casal onde podíamos encontrar portugueses. mesmo ali ao lado, morava uma família. fomos até lá e falámos da nossa história à paula. com muita pena, ela não nos conseguiu dar alojamento mas não nos deixou na rua. levou-nos a casa do seu compadre, o senhor antónio que quando nos viu, reconheceu-nos!
- eu vi-vos no dia da vossa partida! nós temos os canais portugueses! - e mostrou-nos um grande sorriso amigo, abrindo-nos a porta!
entramos na sala e o senhor antónio apresentou-nos o sofá onde íamos dormir, mesmo em frente à lareira!
- desculpem-me se for muito...
o quê? muito o quê??? não muito confortável?! aquela lareira mesmo em frente, um sofá, uma casa, um tecto, uma família simpática... se calhar seria melhor montar a tenda ao frio, não? passámos uma noite muito agradável e tivemos direito a comer bolo, junto da sua grande família, pois era o aniversário da sua esposa!
a paula tratou de tudo:
- não há problema se aparecer um repórter cá em casa para vos entrevistar? - perguntou.
- claro que não!
- e amanhã, em pau, querem ir à uma rádio portuguesa?
- claro que sim!
assim foi, o repórter apareceu, respondemos às perguntas e tirámos umas fotografias todos juntos.
no dia seguinte partimos, prometendo dar notícias a quem tão bem nos acolheu!
para pau, não foi preciso procurar uma associação portuguesa (o que não seria difícil de encontrar, já que existem 12), fomos recebidos pelo kamal, um francês muito simpático com origem marroquina.
pau é conhecido como a "porta dos pirenéus" ou também, tendo assim uma vista de deixar os queixos caídos a quem a visita. os monumentos mais importantes incluem o castelo, datado do século XI, onde nasceu o rei de frança, henrique IV. as visitas ao castelo são feitas apenas com guias, o que torna tudo muito mais interessante. ficámos a saber mais da história da frança e os costumes das pessoas dessa época.
ainda não vimos tudo na cidade de pau, pois a uma boa parte da tarde foi passada na rádio! a paula veio ter connosco e acompanhou-nos na emissão. duas horas divertidas onde ganhámos dois bilhetes para ver o quim barreiros, numa festa portuguesa, com certeza! logo a noite lá estaremos para um pésinho de dança!

pirenéus fora da vista

 

concluímos a etapa dos pirenéus! estávamos com medo... as pessoas assustaram-nos bastante! os pirenéus metem respeito e os dias que estivemos em pamplona, olhávamos para as montanhas e só pensávamos que teríamos de as passar para chegar a frança. engolíamos em seco...

dia 25 acordámos com o céu ainda escuro e com chuva. o clima não convidava ninguém a sair da cama! estava frio mas as montanhas chamavam por nós! tinha de ser nesse dia! não podíamos fugir!
não pensávamos nas subidas. estávamos concentrados. controlávamos a respiração. sabíamos que para chegar a roncesvalles, teríamos de passar por dois topos de montanha. íamos a um bom ritmo, atirávamos umas bocas, falávamos do frio que se transformava em calor. quando aparece uma placa com a altitude, é sinal que chegámos lá acima! a primeira placa, apareceu aos 800 e tal metros (não nos recordamos ao certo...) ufa, a primeira já estava vencida!

aproveitámos a descida para comer ao frio e preparar-nos para a próxima subida! com pouco esforço (ou melhor, o esforço normal de uma subida) já estávamos nos 900 e tal! viva a placa dos 900 e tal! mais um pico vencido! sabíamos que o albergue de peregrinos estava perto, sabíamos que não íamos descer mais! para o primeiro dia, estávamos contentes com a nossa prestação! estávamos concentrados no desempenho físico mas conseguimos admirar a beleza que são os pirenéus! incrível! o outono traz uma nova pintura às paisagens e é incrível ter enormes montanhas ao nosso lado! passávamos por pequenas aldeias onde não nos cansávamos de dizer "que bonito!!!". estávamos contentes com o primeiro dia e contentes por nos alojarmos num albergue com pessoas de difírentes nacionalidades e idades!
roncesvalles foi um pouco (bastante) decepcionante... não tinha nada de parecido com as outras terrinhas pelo qual tínhamos passado! mas para isso há uma explicação. foram os peregrinos que fizeram o que roncevalles é hoje. os que começaram a fazer o caminho francês de santiago de compostela, paravam na pequena aldeia - hoje com 24 habitantes - logo após a dura etapa dos pirenéus, vindos de frança, e aí descansavam e pernoitavam no "hospital" que os acolhia. hoje em  dia, continua a ser uma paragem para eles, pernoitando no albergue e como não é permetido cozinhar no seu interior, há uns pequenos restaurantes à volta... isso deixou-nos um pouco tristes com a ideia de negócio... tentámos não pensar nisso e comer o pão que tínhamos, com a lata de lentilhas aquecida com a água quente que saía da torneira! tentámos não pensar nisso e aproveitar a companhia de diferentes pessoas que nos iam contando as suas histórias e connosco faziam a festa! é o bom dos albergues! e às 22h a luz do grande quarto, com três fileiras de beliches, desliga e "rezámos" para que não houvesse ninguém que ressonasse!

às 6:45 a luz acende com uma melodia (disse a pessoa responsável, que a mesma que toca na catedral de santiago...), é de noite e as estrelas continuam nos seus postos! está frio e sair do saco de cama é um trabalho que exige muito esforço. desejamos bom caminho para todos e fomos ao nosso caminho, contrário a todos os outros! começamos o dia a subir com as luzes acesas! estava nevoeiro e nem a subir dava para aquecer. no dia anterior, uns franceses disseram-nos que teríamos de subir 6 kms! que subiríamos até aos 1050 metros! começámos o dia com medo. passado 2 kms apareceu a placa! 1057 metros! chegámos??? já? depois desse pico, não íamos subir mais! e já tínhamos chegado? assim, com tanta facilidade? prontos para descer? nunca uma descida nos custou tanto!!! 18kms  a descer com uma paisagem incrível e estávamos a morrer de frio no meio dos 3 graus negativos!!! não sentíamos os 20 dedos! em vez de luvas, parecia que tínhamos pequenos congeladores nas mãos! parávamos para tentar aquecer e descansar do vento que nos cortava... continuávamos o caminho a tremer de frio, a gritar, a soltar gemidos!... paramos num café e fomos a correr para a lareira! os dedos doíam! e doeram ainda mais quando começaram a aquecer! olhávamos para fora e não tínhamos coragem para sair! com os dedos quentes, os 20, começámos a rir, mas sempre dentro do café!!!

afinal, subir os pirinéus não foi complicado! nesta altura do ano, não é as subidas que podem assustar, mas sim, o frio nas descidas! já nos encontamos em frança e podemos voltar a dizer: adoramos frança!!!

últimos dias em espanha

de novo em pamplona. não porque tenhamos gostado da cidade quando cá estivemos mas sim como forma estratégica. foi em madrid que olhamos bem para o mapa e decidimos tomar uma decisão acertada. não seria de pessoas sãs atravessar os pirinéus por uma das partes mais altas, nesta altura do ano, não tendo sítio para ficar. "nós não somos doidos". o mais acertado seria fazer o caminho francês do caminho de santiago. isso não quer dizer que não será duro! será, com toda a certeza, mas sabemos que no final de cada etapa, teremos uma cama e um banho quentes, ficando nos albergues de peregrinos! é normal compararmos está viagem com a viagem anterior, e sentimos esta nossa estadida em espanha, bem diferente! estamos a demorar-nos mais, estamos a passar por pequenas aldeias que nos surpreenderam, por aldeias que nunca tínhamos ouvido falar. estamos a saborear mais, estamos sem pressas, estamos mais abertos a novas descobertas. antes de sair de portugal, sabíamos que madrid seria uma paragem obrigatória. não há um grande motivo... apenas por ser uma capital... ficámos cinco noites bem instalados, em casa da ana joão vide, de ovar.


madrid é grande, muito grande! madrid tem muitas pessoas. madrid é uma capital! ela não nos oferece muita história pois é uma capital muito recente. não estamos a dizer com isso que não vale a pena visita-la! há muita coisa para ver e fazer!

visitámos la casa encendida, com o bruno e a laura, que vieram de portugal para andarem com a câmara ao ombro e passar dois dias connosco. uma casa com mais de 1700 actividades por ano, com cursos na área do meio ambiente e social, tendo um especial trabalho com novos artistas e o voluntariado. no seu interior, temos um completo centro de recursos: biblioteca, rádio, fotografia, multimédia... no terraço encontramos uma pequena horta biológica e muitas pessoas sentadas no chão ou nos bancos corridos, a comer a comida trazida de casa.
uma paragem obrigatória é o museu reina sophia, um museu de arte contemporânea. o espaço em si merece uma visita e as exposições que
vimos foram muito interessantes. visitamos um dos pulmões de madrid, el retiro. um grande espaço verde, onde vemos muitas famílias a passear, pessoas a correr, a andar de bicicleta, de patins em linha... temos de estar sempre atentos a quem vem pela direita e pela esquerda. temos "profissionais" nessas actividades e temos aprendizes, por isso, todo o cuidado é pouco! conhecemos restaurantes onde nos deliciámos: pelo espaço e pela comida, mas se falarmos em quantidade... podemos dizer que os olhos ficavam com fome, quando o prato chegava à mesa, mas o sabor valia ouro! com fome, andamos nós, de conhecer novas coisas.

saímos de madrid e continuamos a insistir na dificuldade que é pedalar em espanha! sair de madrid foi uma loucura! parecia tudo tão simples, e seria, se não tivesse aparecido uma auto-estrada à nossa frente! dirijimo-nos às autoridades que estavam numa esquina com as mãos por detrás das costas.
- como fazemos para sair de madrid em direcção a guadalajara, sem ser pela auto-estrada, porque não podemos.
- não devem...
- não podemos - insistimos.
- não devem - insistiram.
e no meio desse jogo, conseguimos um trajecto e, mais à frente, deparamo-nos com outra auto-estrada. já começávamos a fervelhar! novos guardas.
- podem passar por aqui (auto-estrada) até à próxima saida e de lá, é sempre em frente.
assim foi! com a autorização da autoridade, pedalamos mais de 3 quilómetros, entre eles 2,5 eram de um longo túnel que passava por baixo das pistas do aeroporto de barajas! vimos a luz ao fundo de túnel e respiramos mais calmamente!

chegamos cedo a guadalajara, dando-nos tempo para a visitar na companhia da alícia que nos apresentou a cidade, outrora uma importante rota no comércio do país. ainda podemos ver uma das entradas da cidade, que servia de portagem a pessoas e bens, no caminho que ligava saragoza a madrid. guadalajara foi motivo de disputa entre muçulmanos e católicos durante séculos. traços dos vários povos que foram passando pela cidade são ainda visíveis em sítios como a catedral de santa maria da fonte, na qual se pode observar a torre da igreja que outrora foi um minarete e as portas da mesma em estilo árabe. encontramos também muitos azulejos em toda a cidade.
depois do passeio e da lição de história, voltámos para casa da nossa anfitriã, cicloturista, onde conhecemos as suas amigas também apaixonadas pelas bicicletas e que nos fizeram sentir como heróis! no dia seguinte, enfrentamos o frio e partimos sem sabemos o destino desse dia.



jirueque! conhecem? montamos a tenda, depois de nos terem dito que o melhor era voltarmos para trás, para a cidade, pois lá teriamos restaurante e hotéis.
- não temos dinheiro para hotéis.
- pois, mas aqui não há nada! não há comida, não há hotéis, não há nada! - insistia o homem.
uns metros à frente, encontramos um parque para crianças, com mesas e relva no chão. perfeito! montamos a tenda ao frio, e quando estávamos a preparar o jantar, um senhor aproxima-se:

- querem uns tomates?
se queremos uns tomates? acabados de colher? mas quem seria capaz de dizer que não a esta oferta? acabaram cortados num prato, com sal e oregãos!

mesmo congelando as mãos, os dentinhos foram lavados na fonte e antes de adormecer, o famoso joguinho de cartas!

- vamos até cincovillas!

a alícia falou-nos de um amigo que lá morava, mas nesse dia não chegámos à aldeia... íamos parando de terra em terra em busca de um café mas cafés, era coisa que não existia... continuávamos o caminho até parar numa terrinha com café mas esse encontrava-se fechado...

- só à uma é que abre! - disse-nos um senhor na beira da estrada - querem um café? entrem que eu preparo-vos um!
café com leite e um pacote de bolachas! ajudou a aquecer o corpo e foi graças a esse senhor, que conhecemos atienza! fizemos um pequeno desvio para comprar comida e foi quando chegamos lá que decidimos ficar mais do que o pensado!

é uma pequena cidade realmente muito bonita! o simpático senhor tinha-nos avisado!
- vale mesmo a pena!



a aldeia encontra-se num pico rochoso e é de uma beleza rara! tudo muito bem cuidado, bem recuperado, e o castelo construido pelos árabes e posteriormente ampliando pelos reis católicos que, do seu alto e rodeado das suas enormes e largas muralhas, tudo olha de cima!
dirijimo-nos ao posto de turismo e perguntamos se nos podiam ajudar a encontrar um sítio para passar a noite. ficámos no pátio coberto da câmara municipal onde soubemos mais tarde que era onde os peregrinos passavam a noite. vimos que é uma das paragens de um dos caminhos de santiago, mas como muito poucas pessoas passam por lá, não viram ainda necessidade de construir um albergue para eles.

antes de visitar a cidade, consegimos tomar um banho, ou algo parecido... a água fazia doer os ossos de tão gelada que estava! enchíamos o nosso "alguidar" (serve para lavar a loiça, a roupa, e para pequenos banhos) e lá
nos conseguimos lavar! foi uma nova experiência que deu para enganar o corpo. nessa noite, os nervinhos começaram a aparecer... não conseguia dormir com o incrível e impressionante ressonar de um japonês que pediu abrigo nesse mesmo dia. tivemos de mudar de andar e ficámos arrependidos por lhe ter emprestado as nossas mantas polares! dormiu como um anjinho, foi o que foi!

novo dia, de novo sem destino! cinco quilómetros à frente, parámos em cincovillas.

- se o amigo da alícia estiver, ficamos cá!
não apareceu.... e não tivemos coragem de tocar a campainha, já que era domingo e pouco passava das nove... de novo na estrada em direcção a almazán que já podíamos considerar uma grande cidade... voltámos a tentar o truque do posto de turismo mas este encontrava-se fechado. batemos à porta do lado, na polícia:
- há um sítio onde podem passar a noite. eu levo-vos até lá - disse-nos o guarda.
arrependo-me de não ter tirado fotografias ao espaço! como posso descrevê-lo? aquilo era podre! cheirava mal... qualquer pessoa podia abrir a porta, pois não tinha fechadura. a casa de banho era horrivel. tudo era mau! as camas tinha cada uma um cobertor que metia dó e o polícia ainda se saiu com esta:
- é para os pobres.

é para quem?! desculpe mas não percebi! os pobres??? e os pobres não merecem um cantinho mais bem cuidado? ou o pobre é sujo? dormimos em qualquer sítio mas aquilo caiu-me muito mal e sentiamo-nos muito mais seguros na tenda no meio do mato! o rafael que já esteve na índia, dizia que nunca tinha visto nada como aquilo, nos sítios mais pobres por onde passou!!!
pegamos nas bicicletas e fugimos! por muito que estivéssemos cansados, continuamos o caminho! paramos em viana de duero! e paramos bem!
- ponham a tenda naquele parque infantil, vão ficar melhor! estão perto de minha casa e perto do teleclub! - disse-nos uma idosa.
fomos bem recebidos pelas senhoras da aldeia. estávamos abrigados do vento e depois da tenda montada, jantar e mini banho com o famoso alguidar dentro da tenda, fomos ao teleclub, enrolados nas nossas mantas polares!
foi giro lá entrar! um pequeno café onde só entram os sócios! as senhoras estavam a jogar às cartas e os homens a ver televisão. bebemos o nosso café com leite e não demoramos muito a nos irmos deitar! pensávamos que o ambiente seria diferente... pensavamos que estariam lá dentro na conversa e que teriamos um serão mais animado... mas não... uns jogavam cartas, outros viam televisão... fomos dormir cedo!

no dia seguinte, tentamos pedalar com o casaco polar vestido mas passado cinco minutos, o calor já era muito... menos nos dedos das mãos e dos pés que pareciam cubos de gelo! o vento é terrivel e quando é de frente, dá vontade de o tratar mal e atirar para o ar uma meia dúzia de palavras feias! o certo, é que estávamos na maior planalto do país! fazíamos todo o trajecto a mais de 900 metros de altura. era complicado pedalar com tanto vento e há uns dias piores que os outros e, nessa manhã, acordamos com energias diferentes! houve uma altura que tivemos de parar as bicicletas e conversar com calma. há dias que o corpo não consegue puxar mais, está cansado. tinha os joelhos a precisar de "óleo"... foi um dia terrivel!!! mas terminou bem em ágreda! ficamos numa casa da paróquia com banho quente e tudo! e sorte a nossa que o senhor que dormiu no mesmo quarto, não ressonava! ainda nos armamos em fortes e mesmo com o frio, saímos para visitar um pouco a vila , enquanto procurávamos uma pizzaria. não encontrámos nada! nada de bonito, nada de interessante e nada de pizzaria! voltámos para "casa" e comemos o que tínhamos: massa com alho em pó, azeite e oregãos...



se há dias que são muito duros, há outros que tudo está a nosso favor! partimos para tudela, onde a anais nos esperava. descemos para os 200 e poucos metros e na recta para tudela, o vento estava pelas costas! bom! batemos o nosso recorde de 21 kms/h! maravilha! tudela, visita-se num dia! cidade habitada há séculos por muçulmanos, cristãos e judeus, conserva uma série de catedrais, praças e outros palácios que estariam bem melhor integrados se umas boas mãos entrassem em trabalhos de recuperação na cidade inteira. as casas estão velhas e em muitos locais, a desmoronar-se. há quem tente embelezar as paredes com grandes graffitis que dá alguma alegria à cidade mas não é suficiente.

a poucos quilómetros de tudela está o parque natural de
las bardenas reales - um parque natural
com mais de 45500 hectares, património da biofera da unesco desde 2000... temos a sensação que nos encontramos fora de espanha! tem um aspecto lunar! em tempos espaço de caçada de reis espanhóis e local de refúgio de muitos bandidos conhecidos da história espanhola, continua a ser um espaço de cultivo e pastoreio e serve ainda outras actividades como por exemplo a rodagem de filmes, como um da saga james bond, simulando as paisagens do cazaquistão. a erosão provocou, ao longo dos anos, um território árido, de quando em quando com elevações que nunca passam os 660 metros e a sua maior atracção é o castillodetierra - um pico arenoso que perde todos os anos parte da sua beleza e que desaparecerá com toda a certeza na próxima década. existe até um grupo nas redes sociais da internet que alerta para este problema e que lembra as pessoas que deveriam tirar uma fotografia frente ao mesmo para se ver a sua transformação e, com muita pena, o seu desaparecimento, que está cada vez mais perto!



carcastillo não ficava bem na nossa rota para pamplona... somaríamos mais 40 quilómetros, passando por lá, mas como sabíamos que não precisávamos
de montar a tenda, fomos até lá
conhecer o nosso anfitrião! não o conhecemos pois afinal não mora lá mas sim em pamplona... não ficamos em sua casa, pois ele esqueceu-se de deixar as chaves à sua mãe... mas para tudo há uma solução! não ficámos com o igor, mas ficámos com a mãe. a senhora estava a tomar conta de uma amiga que se encontrava doente, acamada e o marido da amiga, também passava lá as noites. não nos tínhamos rido tanto em toda esta viagem! o senhor tinha 69 anos mas gabava-se de ter 15 na sua cabeça, o que deixava as senhoras cansadas de o aturar! cigarros atrás de cigarros, iam-se picando uns aos outros provocando em nós cada vez mais riso. jantámos cedo e juntamos os dois sofás, formando assim uma bela cama de casal e tentámos adormecer por entre os risos deles. não temos nada para falar sobre carcastillo... não há nada para ver! nada!!! até parámos na praça, quando vimos várias pessoas agrupadas e perguntámos o que iria acontecer, na esperança de vermos algo interessante.
- um enterro, uma senhora de idade avançada, faleceu...



...e cá estamos nós em pamplona, onde finalmente conhecemos o igor! tivemos uns dias muito bons na estrada até aqui! e agora olhamos pela janela e vemos o início dos pirenéus! amanhã será um dia duro, temos a certeza! mas temos a certeza que venceremos mais esta etapa!

e vai aço!

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