quentes, madrid é grande, muito grande! madrid tem muitas pessoas. madrid é uma capital! ela não nos oferece muita história pois é uma capital muito recente. não estamos a dizer com isso que não vale a pena visita-la! há muita coisa para ver e fazer!
visitámos la casa encendida, com o bruno e a laura, que vieram de portugal para andarem com a câmara ao ombro e passar dois dias connosco. uma casa com mais de 1700 actividades por
uma paragem obrigatória é o museu reina sophia, um museu de arte contemporânea. o espaço em si merece uma visita e as exposições que
saímos de madrid e continuamos a insistir na dificuldade que é pedalar em espanha! sair de madrid foi uma loucura! parecia tudo tão simples, e seria, se não tivesse aparecido uma auto-estrada à nossa frente! dirijimo-nos às autoridades que estavam numa esquina com as mãos por detrás das costas.
- como fazemos para sair de madrid em direcção a guadalajara, sem ser pela auto-estrada, porque não podemos.
- não devem...
- não podemos - insistimos.
- não devem - insistiram.
e no meio desse jogo, conseguimos um trajecto e, mais à frente, deparamo-nos com outra auto-estrada. já começávamos a fervelhar! novos guardas.
- podem passar por aqui (auto-estrada) até à próxima saida e de lá, é sempre em frente.
assim foi! com a autorização da autoridade, pedalamos mais de 3 quilómetros, entre eles 2,5 eram de um longo túnel que passava por baixo das pistas do aeroporto de barajas! vimos a luz ao fundo de túnel e respiramos mais calmamente!
chegamos cedo a guadalajara, dando-nos tempo para a visitar na companhia da alícia que nos apresentou a cidade, outrora uma importante rota no comércio do país. ainda podemos ver uma das entradas da cidade, que servia de portagem a
depois do passeio e da lição de história, voltámos para casa da nossa anfitriã, cicloturista, onde conhecemos as suas amigas também apaixonadas pelas bicicletas e que nos fizeram sentir como heróis! no dia seguinte, enfrentamos o frio e partimos sem sabemos o destino desse dia.
jirueque! conhecem? montamos a tenda, depois de nos terem dito que o melhor era voltarmos para trás, para a cidade, pois lá teriamos restaurante e hotéis.
- pois, mas aqui não há nada! não há comida, não há hotéis, não há nada! - insistia o homem.
uns metros à frente, encontramos um parque para crianças, com mesas e relva no chão. perfeito! montamos a tenda ao frio, e quando estávamos a preparar o jantar, um senhor aproxima-se:
- querem uns tomates?
se queremos uns tomates? acabados de colher? mas quem seria capaz de dizer que não a esta oferta? acabaram cortados num prato, com sal e oregãos!
mesmo congelando as mãos, os dentinhos foram lavados na fonte e antes de adormecer, o famoso joguinho de cartas!
- vamos até cincovillas!
a alícia falou-nos de um amigo que lá morava, mas nesse dia não chegámos à aldeia... íamos parando de terra em terra em busca de um café mas cafés, era coisa que não existia... continuávamos o caminho até parar numa terrinha com café mas esse encontrava-se fechado...
- só à uma é que abre! - disse-nos um senhor na beira da estrada - querem um café? entrem que eu preparo-vos um!
café com leite e um pacote de bolachas! ajudou a aquecer o corpo e foi graças a esse senhor, que conhecemos atienza! fizemos um pequeno desvio para comprar comida e foi quando chegamos lá que decidimos ficar mais do que o pensado!
é uma pequena cidade realmente muito bonita! o simpático senhor tinha-nos avisado!
- vale mesmo a pena!
a aldeia encontra-se num pico rochoso e é de uma beleza rara! tudo muito bem cuidado, bem recuperado, e o castelo construido pelos árabes e posteriormente ampliando pelos reis católicos que, do seu alto e rodeado das suas enormes e largas muralhas, tudo olha de cima!
antes de visitar a cidade, consegimos tomar um banho, ou algo parecido... a água fazia doer os ossos de tão gelada que estava! enchíamos o nosso "alguidar" (serve para lavar a loiça, a roupa, e para pequenos banhos) e lá
novo dia, de novo sem destino! cinco quilómetros à frente, parámos em cincovillas.
- se o amigo da alícia estiver, ficamos cá!
não apareceu.... e não tivemos coragem de tocar a campainha, já que era domingo e pouco passava das nove... de novo na estrada em direcção a almazán que já podíamos considerar uma grande cidade... voltámos a tentar o truque do posto de turismo mas este encontrava-se fechado. batemos à porta do lado, na polícia:
- há um sítio onde podem passar a noite. eu levo-vos até lá - disse-nos o guarda.
arrependo-me de não ter tirado fotografias ao espaço! como posso descrevê-lo? aquilo era podre! cheirava mal... qualquer pessoa podia abrir a porta, pois não tinha fechadura. a casa de banho era horrivel. tudo era mau! as camas tinha cada uma um cobertor que metia dó e o polícia ainda se saiu com esta:
- é para os pobres.
é para quem?! desculpe mas não percebi! os pobres??? e os pobres não merecem um cantinho mais bem cuidado? ou o pobre é sujo? dormimos em qualquer sítio mas aquilo caiu-me muito mal e sentiamo-nos muito mais seguros na tenda no meio do mato! o rafael que já esteve na índia, dizia que nunca tinha visto nada como aquilo, nos sítios mais pobres por onde passou!!! pegamos nas bicicletas e fugimos! por muito que estivéssemos cansados, continuamos o caminho! paramos em viana de duero! e paramos bem!
fomos bem recebidos pelas senhoras da aldeia. estávamos abrigados do vento e depois da tenda montada, jantar e mini banho com o famoso alguidar dentro da tenda, fomos ao teleclub, enrolados nas nossas mantas polares! foi giro lá entrar! um pequeno café onde só entram os sócios! as senhoras estavam a jogar às cartas e os homens a ver televisão. bebemos o nosso café com leite e não demoramos muito a nos irmos deitar! pensávamos que o ambiente seria diferente... pensavamos que estariam lá dentro na conversa e que teriamos um serão mais animado... mas não... uns jogavam cartas, outros viam televisão... fomos dormir cedo!
no dia seguinte, tentamos pedalar com o casaco polar vestido mas passado cinco minutos, o calor já era muito... menos nos dedos das mãos e dos pés que pareciam cubos de gelo! o vento é terrivel e quando é de frente, dá vontade de o tratar mal e atirar para o ar uma meia dúzia de palavras feias! o certo, é que estávamos na maior planalto do país! fazíamos todo o trajecto a mais de 900 metros de altura. era complicado pedalar com tanto vento e há uns dias piores que os outros e, nessa manhã, acordamos com energias diferentes! houve uma altura que tivemos de parar as bicicletas e conversar com calma. há dias que o corpo não consegue puxar mais, está cansado. tinha os joelhos a precisar de "óleo"... foi um dia terrivel!!! mas terminou bem em ágreda! ficamos numa casa da paróquia com banho quente e tudo! e sorte a nossa que o senhor que dormiu no mesmo quarto, não ressonava! ainda nos armamos em fortes e mesmo com o frio, saímos para visitar um pouco a vila , enquanto procurávamos uma pizzaria. não encontrámos nada! nada de bonito, nada de interessante e nada de pizzaria! voltámos para "casa" e comemos o que tínhamos: massa com alho em pó, azeite e oregãos...
se há dias que são muito duros, há outros que tudo está a nosso favor! partimos para tudela, onde a anais nos esperava. descemos para os 200 e poucos metros e na recta para tudela, o vento
a poucos quilómetros de tudela está o parque natural de las bardenas reales - um parque natural com mais de 45500 hectares, património da biofera da unesco desde 2000... temos a sensação que nos encontramos fora de espanha! tem um aspecto lunar! em tempos espaço de caçada de reis espanhóis e local de refúgio de muitos bandidos conhecidos da história espanhola, continua a ser um espaço de cultivo e pastoreio e serve ainda outras
carcastillo não ficava bem na nossa rota para pamplona... somaríamos mais 40 quilómetros, passando por lá, mas como sabíamos que não precisávamos de montar a tenda, fomos até lá
- um enterro, uma senhora de idade avançada, faleceu...
...e cá estamos nós em pamplona, onde finalmente conhecemos o igor! tivemos uns dias muito bons na estrada até aqui! e agora olhamos pela janela e vemos o início dos pirenéus! amanhã será um dia duro, temos a certeza! mas temos a certeza que venceremos mais esta etapa!
e vai aço!

4 comentários:
Fantástica a descrição destas etapas, fazendo-me sentir uma inveja enorme.
Muita coragem e muitas forças para os dois
MadeiradaSilva
Continuação da boa "cruzada".
Os Pirinéus já estão à vista e a saga continua...
Ainda bem que vos sobre tempo, engenho e energia para postar por aqui as vossas aventuras e desventuras. Tenham consciência que nunca estarão sózinhos nessa grande viagem transcendente. Há sempre internautas ávidos por notícias. Podem não comentar, mas vão seguindo a vossa Odisseia com prazer :-)
Imaginem só as centenas de história, de episódios maiores e menores que vão ter até Macau...
Pedalo, logo existo :-)
Que tudo vos corra sempre bem!!! Abraço forte aos dois!! Ção Pitada ( Guimas)
Sou do Brasil e estou lendo a história de voces e adorando tudo. Pretendo fazer uma viagem similar a de voces e vou importuná-los mais pra frente, pois pretendo ficar uns 6 meses viajando pela europa, já comecei a me preparar fisicamente, mas só irei fazer esta viagem em 2014 e espero contar com as dicas de voces.
Um grande abraço e se por acaso vierem ao Brasil, moro perto de Recife - PE, me procurem (valdeis@hotmail.com, abraços
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