Palmira - seguimento do post abaixo

Um pouco de história…

Palmira remonta a sua história a 2000ac. Ponto de passagem obrigatório entre grandes rotas comerciais que ligavam o mediterrâneo, a Mesopotâmia e a arábia, foi também de uma importância imensa na rota da seda, ligando o oriente ao ocidente. Isto fez com que se desenvolvesse como quase nenhuma outra em redor, cobrando taxas altíssimas à passagem das caravanas. Com o aumento do império romano no século I e II a.C. e com a queda da dinastia Seleucid, Tadmor (o seu nome original, cidade das tâmaras) viu-se como intermediária entre o oeste e o este, retirando assim grandes vantagens. Em 129ac, com o império romano instalado já na cidade, o imperador Adriano visita-a declarando-a cidade livre, permitindo assim que esta cobrasse as taxas ao valor que desejassem. Em 212, sob as ordens do imperador Caracalla, foi declarada colónia romana, sendo assim dispensada de pagar impostos a Roma e tendo os seus habitantes ficado com os mesmos direitos e obrigações. Foi nesta altura que Palmira construiu todos os templos, avenidas e grandes obras da cidade. Mais tarde, entrou em guerra contra um dos maiores inimigos do império e Odainat – o nobre que comandou o exército – declarou-se rei. Em 256, o imperador Valério colocou todas as forças romanas da zona sob o seu comando. Com a morte deste, Zenobia – a sua segunda mulher- assume o comando do reino (ver curiosidades) e depois de alguns confrontos com Roma e com uma revolta dos habitantes de Palmira, o imperador Aurélio devasta totalmente a cidade, nunca tendo esta recuperado. Dioclécio, durante o seu império, construiu uma muralha na cidade, que delimitava o império romano a este e já no século VI, Justino reconstruiu as zonas de maior importância defensiva para a cidade. As rotas comerciais afastaram-se de Palmira e em 636 um exército muçulmano conquista a cidade. Constroem uma fortificação em volta do templo de bel, onde nasce uma pequena aldeia e constroem um castelo no topo da colina. No entanto, todo o resto da cidade é abandonado. Foi, ao longo dos anos, devastada por terramotos e pela erosão do vento e da areia. Foi até 1678 que a cidade permaneceu abandonada, quando 2 comerciantes ingleses a viver em Alepo, tomaram conhecimento de uma cidade no meio do deserto. a aventura exigia 5 dias de viagem com todos os perigos do desconhecido. Foi à sua chegada que foram feitos os primeiros desenhos e as primeiras tentativas de escavações. Mais tarde, durante o século XVIII e XIX o número de aventureiros aumentou, mas só no século XX um grupo de alemães começou verdadeiramente a procura arqueológica. Esta pesquisa intensificou-se depois do fim da segunda guerra mundial e decorre ainda hoje, com descobertas a serem feitas a cada dia que passa.

Curiosidades…

- Um dos episódios mais marcantes de Palmira, que coincidiu também com o início da sua decadência, aconteceu em 267 quando Odainat foi assassinado e a sua segunda mulher, Zenobia, assumiu o reino por detrás do nome do seu filho mais novo, Vabalathus. Roma não gostou deste “atrevimento”, já que também ela era suspeita do assassinato do seu marido e mandou um exército retirar a rebelde rainha. Ela juntou o seu exército e, em combate, arrasou por completo o exército romano. Mais tarde, levou o seu exército mais para sul, conquistando Bosra, toda a península da arábia e invadindo o Egipto. Com toda a síria, a palestina e parte do Egipto, Zenobia declarou-se independente de Roma e mandou cunhar moedas com a sua cara e a do filho, que assumiu o nome de augustos, ou o imperador, em Alexandria! Mais tarde derrotada duas vezes em combate pelo imperador Aurélio e viajando este até Palmira para negociar com Zenobia, esta, não aceitando qualquer acordo, partiu sozinha num camelo com destino à pérsia onde tencionava procurar ajuda militar. Foi capturada no rio Eufrates e enviada para Roma em 272, tendo desfilado nas ruas presa com correntes de ouro, como um troféu do imperador Aurélio. Mais tarde casa-se com um senador romano e vive em Tivoli, perto de Roma, até ao fim dos seus dias. Dizia-se descendente de Cleópatra e além da sua beleza, era considerada uma mulher ambiciosa e lutadora.
- A cidade, no seu total, cobre uma área com mais de 50 hectares!

Para nós…

Pouco há a dizer sobre Palmira depois de tudo contado na sua história resumida! É vastíssima e é necessário um dia completo, pelo menos, para que a possamos ver bem de uma ponta à outra. Do oásis ao castelo, do templo de bel aos túmulos fora das muralhas, não chegamos nunca a perceber se tem um fim. A cada pequeno monte que víamos, por debaixo reparámos que existiam ruínas, colunas ou a entrada para mais um túmulo. Apesar de ser a maior atracção turística da síria, a maior parte das pessoas visita somente o templo de bel e tira fotografias de tudo o resto com o zoom da máquina digital, daí ser simples caminhar quase sozinhos durante quase todo o dia, podendo aproveitar tudo em silêncio. De um local a outro é uma longa caminhada, mas vale a pena, já que reparamos em todos os pormenores e nos dá a ideia muito breve de como seria este local há séculos atrás. é verdade que já vimos muitas ruínas e que todas elas são, de alguma maneira, interessantes. O que é verdade também é que Palmira é especial, de tão imensa que é. A cidade que nasceu ao lado e que conta já com 40.000 habitantes vive maioritariamente do turismo, o que é um grande problema, já que depois do ataque às torres gémeas, este diminuiu consideravelmente e neste momento com toda a situação no médio oriente, ainda mais. Assim sendo, todo o turista é visto como uma nota de dólar e por isso a pressão é terrível.


Onde fica, quanto custa e afins…
 
Pode viajar-se de damascos, geralmente o normal ponto de partida, a partir da estação de autocarros de Harasta (6 quilómetros a norte da cidade) por S£200 (+/- 3,10€) para Palmira e a viagem demora aproximadamente 3h30. Atenção à chegada a Palmira, visto que a cidade não tem estação de autocarros e as companhias não têm um sítio certo para parar. O normal ponto de paragem para a maior parte delas é a 6 quilómetros a este da cidade e depois, se não se quiser caminhar, deve apanhar-se um táxi (que vai cobrar um valor alto, nunca menos de S£150, +/- 2,20€) ou então esperar pelos raros minibuses brancos que fazem a viagem por S£10 (+/- 0,15€). Já na cidade, ele há hotéis para todos os gostos, desde os básicos aos 5 estrelas. Os preços vão dos S£500 (+/- 8€) aos S£10.000 (+/- 160€) noite para quarto duplo e a época alta situa-se na primavera e no outono. os restaurantes na rua principal cobram refeições a um preço médio de 5/6€ por pessoa, mas existe uma pequena casa de sandes de fallafel, que cobra S£15 (+/- 0,22€) por cada uma! Supermercados são às dezenas! Todos os preços são negociáveis nos hotéis e restaurantes fora da época alta, mesmo que marcados no exterior ou no menu! o acesso às ruínas é gratuito, mas para entrar no anfiteatro, no templo de bel, nos túmulos e no castelo (as vistas são impressionantes e não se tem de pagar!) deve pagar-se um bilhete único de S£500 (+/- 8€). Com cartão de estudante internacional ou cartão de jornalista tem-se um grande desconto ou, se se conversar bem, a entrada é gratuita!

palmira


Por 200 libras cada, apanhámos o autocarro para Palmira. A estação, é um verdadeiro mercado. “Palmira, Palmira, cheap! Come! You go to Palmira?” ouve-se em cada entrada das várias companhias.
Os autocarros não param em Palmira. Quando o autocarro pára, temos de perguntar se temos de sair ali, pois ninguém avisa ninguém. Nós tivemos sorte. Quando o autocarro parou, pensávamos que era uma paragem para o xixi e comprar qualquer coisa para trincar.
- Vão para Palmira? Eu levo-os lá. - Disse um taxista.
- Não, obrigada, nós estamos neste autocarro. - Dissemos.
- Já passaram Palmira. Fica a 6 km daqui. 
Só pode estar a gozar e querer ganhar alguma coisa connosco! Mas não, ele tinha razão. Tínhamos passado Palmira.
- Quanto é para a cidade? - Perguntámos ao taxista.
- 150.
- 150?! Não!
- 100. Corrigiu o taxista.
- A viagem para aqui foram 200 e tu queres 100 por 6 km? Nós vamos a pé!
- Quanto querem dar?
Detestamos esta pergunta! Virámos costas e começámos a caminhar. Era impossível pedir boleia pois todos os carros paravam e perguntavam se queríamos um táxi, ou que por 50, nos levavam até ao centro! Aqui, todos são taxistas, mesmo com carros particulares! É incrível!
- Nós vamos a pé! Não queremos taxis! (…) não é longe, é já ali! (…) não obrigada, não queremos - Respondíamos a todos os que paravam. Aqui, tudo é negócio. Ninguém ajuda ninguém, todos querem dinheiro!

 

Como não conseguimos arranjar nenhum couchsurfer - pois todos tinham um negócio - fomos para um hotel. 


Ver Palmira num dia, é para chegar ao fim do dia de rastos. Há muito para espreitar e muitos quilómetros de história para percorrer. O dia estava cinzento e a chuva ameaçou mas não foi isso que nos fez desistir.
Encontrámos no caminho um rapaz que nos tinha convidado através do couchsurfing para almoçarmos no seu hotel. Encontrámo-lo por acaso e foi ele que se lembrou do convite e que este se mantinha de pé. Ao fim da tarde lá estávamos nós, sentados à mesa a comer e terminámos com um café e a fumar shisha (que bem que sabe). No dia seguinte tínhamos pequeno-almoço e motorista para nos levar até à paragem do autocarro. Fez tudo para nos agradar mas os seus olhos, não descolavam de mim… mesmo com o rafael ao lado! Ignorava o que ele podia pensar e continuava hipnotizado a cada movimento que eu fazia. Este é o problema dos rapazes daqui… na rua, eles cumprimentam-me sem sequer olharem para o Rafael (será da barba?). Chegam ao ponto de pararem para fixarem o olhar. Só me dá vontade de perguntar: “chu?” que quer dizer “o quê?” não sei se é assim que se escreve mas decorei-a lembrando-me da palavra “chulé”.
Voltámos para damascus e tivemos um dia para nos despedirmos desta capital que nos marcou. Havemos de voltar!

pela capital

Chegámos a Damascos e gostámos do que vimos. Reencontramos o Nick, o chinês que conhecemos em Menton, em França, na nossa última viagem. No final da última subida e depois de muitos quilómetros, soube bem ver uma cara conhecida e abraça-lo.
Não somos muito de grandes cidades nem de capitais, mas ficámos rendidos a Damascos. É uma capital digna desse nome, sem perder a beleza e a elegância da grande história que tem e é cheia de “coisas e loisas” para fazer!
Ao caminhar para o centro, vimos uma multidão de braços no ar, com fotografias do presidente! Gritavam uma lengalenga que, traduzido, dá qualquer coisa como: “primeiro Deus, depois a Síria e depois o nosso presidente!”. Percebemos que era o presidente que estava dentro dum carro, com a sua grande comitiva, que deixava a multidão enlouquecida! As pessoas atropelavam-se e a segurança era obrigada a formar uma barreira humana para manter a população calma. Ao poucos deixavam passar algumas pessoas, aos poucos, para não se atropelarem e não bloquearem todas as entradas do souk. Foi arrepiante ver todas aquelas pessoas a gritarem pelo seu presidente! Seriamos capazes, nós portugueses, de sair à rua gritando: “Cavaco, Cavaco, Cavaco!”, em puro delírio e com fotografias emolduradas às costas? Seria lindo! 
Conseguimos passar no meio da multidão e encontrar uma rua livre. Passeamo-nos pelo souk ao ritmo dos welcome. Provámos o gelado de baunilha coberto de frutos secos. Reclamámos quando nos pediram 50 libras por um fallafel e decidimos comer onde estavam a vender por 25! Entrámos na Mesquita Umayyad e ficámos admirados com a vida dentro dela! Há crianças que brincam por todo o lado, que jogam à bola, o delírio nas “bancadas”! Há famílias que tiram a merenda para fora e partilham a comida enquanto outros, fechados em si, rezam a Deus. Não encontrámos o silêncio que encontramos nas nossas igrejas, encontrámos vida e uma diferente entrega à religião.

 

Outra mesquita a não perder, é a Mesquita Sayyida Ruqayya, onde está o túmulo de uma menina de 4 anos de idade, filha de um mártir. As mulheres rezam de um lado do túmulo e os homens do outro. As mulheres choram agarradas às grades porque, conta a história que a santa ali sepultada, está constantemente a chorar. Os homens martirizam-se mas não choram. De ambos os lados, há bonecas e rebuçados que são atirados para cima do túmulo. 

 

A experiência de entrar naquela mesquita, é única. A fé das pessoas é uma coisa que arrepia. Quando digo que as mulheres choram, elas choram mesmo. Elas tocam no túmulo com paixão, com respeito, numa entrega total. Ficam durante alguns minutos com as mãos nas grades e beijam-na.
Quando saímos da mesquita, quisemos logo contar a nossa experiência um ao outro. Queríamos contar o que vimos e queríamos saber o que acontecia do outro lado. Confesso que fiquei bastante comovida com o que vi.
Damascus é uma capital muito dinâmica. Os nossos dias estavam preenchidos e pensamos que é talvez o melhor lugar para se tirar um curso de árabe! 
Entrámos no centro cultural francês e quando saímos, tínhamos a nossa agenda pensada de acordo com a programação existente.
Passeamo-nos pelo bairro cristão e até assistimos a uma missa. Entrámos num café nada turístico. Quando gostamos de um sítio, voltamos e foi o que aconteceu. Voltámos no dia seguinte para pedir dois cafés, dois chás e shisha e se ficássemos mais um dia, teríamos dito “o costume!”


em antaquia!

estamos em antaquia, na turquia e ontem fomos entrevistados por um jornal local. assim que tivermos a tradução, nem que seja em inglês, colocaremos aqui (sim, como todas as outras...)



na fronteira

já estamos na turquia, em antakya, depois de 2 horas na fronteira síria, onde tivemos de esperar 
por causa de um erro deles...burros. está muito calor e estas montanhas matam-nos...chiça!



um miminho da síria

Bosra é turístico mas vale a pena passar por lá. O teatro romano é dos teatros mais incríveis do mundo! O seu estado de conservação e a sua grandeza é de ficarmos de boca aberta. É uma visita obrigatória!


Chegámos ao centro antigo da cidade com a ajuda de uma placa que diz “oeld center”. Uma cidade romana, onde podemos encontrar ainda algumas famílias a viver. A maioria das casas estão vazias e em ruínas. Algumas paredes mantêm-se em pé, outras têm as suas pedras espalhadas pelo chão. Como ainda há famílias a habitar o centro, este local ainda é gratuito. Para quem quer visitar bosra, o melhor é afastar-se dos locais turísticos e procurar as pequenas ruas onde encontramos pessoas da terra. É o sítio perfeito para almoçar sem sermos depenados. 

 

Saímos de Bosra e escolhemos uma pequena rua para seguirmos em direcção a Damascus, a capital da síria. Iríamos fazer mais quilómetros mas isso não era o mais importante, pensando na redução de trânsito que iríamos ter. Parámos numa pequena terra para comprar pão e para tentar perceber o que de estranho se passava ali. As mulheres andavam com o cabelo solto! Há muito tempo que não víamos tanta mulher junta, sem o lenço a aprisiona-las. Pensei que podiam ser cristãs. Fomos convidados para beber café em casa do senhor que nos ajudou a comprar o pão por 25 libras (eu sabia que tínhamos sido roubados em Bosra. mas como podíamos ter desconfiado daquele senhor simpático?). há muito que não éramos convidados, por isso aceitámos o convite. Não perguntámos porque é que a sua mulher, também ela, estava de cabelo solto. Fomos embora com a nossa dúvida mas, ao mesmo tempo, continuando a pensar que podiam ser mesmo cristãs, pois não víamos nenhum minarete.
Na terra mais à frente, voltámos a ver mais mulheres de cabelo solto e parámos para almoçar um fallafel. Eram mulheres que estavam à frente do pequeno restaurante! Continuámos caminho mas nada de diferente aconteceu, nada que fizesse perdoar os dias anteriores. Parámos noutra pequena terra, voltámos a comer qualquer coisa e quando fomos perguntar o preço do café, obtivemos como resposta:
- No problem!
Não gostamos destas respostas, porque depois eles pedem um preço absurdo. Sorrimos e insistimos em saber o preço. Percebemos que ele queria oferecer-nos o café. No fim do café, fomos convidados pelo senhor da loja ao lado para beber com ele o chá. Ficámos algumas horas e estávamos um pouco preocupados pois tínhamos de arranjar sítio para dormir. Dissemos que tínhamos de partir e explicamos o porquê.
- Sleep. E apontava para o interior da loja.
“É para dormirmos aqui?”. Depois ele apontou para o outro lado da rua para uma garagem. Pelos gestos, percebemos que poderíamos passar lá a noite.
O nosso problema estava resolvido e continuamos a beber litros e litros de chá. O senhor que nos ofereceu o café apareceu e disse que podíamos dormir no restaurante dele. Será que vai ser como o outro dia, no fim não vamos ter sítio nenhum e vamos terminar na esquadra… é melhor atirar para longe esse pensamento e colocar as bicicletas no restaurante.
Jantámos na loja e dissemos que queríamos ir dormir.
- Wait - disse o senhor e agarrou no telefone. Voltou a aparecer o senhor simpático do restaurante.
- Passport, money, you.
Mau! - Virei bicho - Money?!
- Calma - dizia o Rafael – parece que é para irmos dormir em casa dele e para levarmos o passaporte e o dinheiro connosco para não ficar aqui. - Ah!!! Nunca se sabe o que querem por isso já estava à defesa antes que me colocassem no chão.
Conseguimos uma casa! Estávamos contentes! Conhecemos a mulher de cabelo solto e os seus três filhos. Ganhámos coragem e perguntámos porque é que não usavam lenços. “Não somos cristãos, mas sim druzes.” (mais tarde percebemos, depois de lermos sobre o assunto, que não deixando de ser muçulmanos, seguem um conceito diferente, podendo ser equiparados aos protestantes para a religião cristã). Enquanto íamos falando, a comida ia aparecendo aos poucos e nunca mais víamos o fim. Não podíamos mais!
- Ralas, ralas! - dizíamos nós. (Ralas significa chega, pára, basta).
- La ralas - respondiam eles e continuavam a dar-nos coisas. Até descascaram uma maçã ao Rafael, obrigando-o a comer. Faz parte da cultura alimentar quem vem de fora e o que dão nunca é demais. A sala estava quente e por isso, eles prepararam os colchões para dormirmos lá.
- onde é que dormem vocês e as crianças? - perguntámos.
- ali! - responderam apontado para a cozinha.
Não queríamos acreditar. Fomos ver e era impossível dormirem lá os cincos! Estava frio e não era confortável. Não aceitámos dormir assim. Insistimos para que trouxessem as crianças para a sala e nós dormíamos no outro compartimento que era mesmo ao lado! Não estávamos a perceber porque que é que eles escolheram a cozinha quando tinham o outro compartimento. Assim não! Nem que tenhamos de dormir nós na cozinha!
Perdemos a luta! Não havia maneira de os convencer. Sentimo-nos mal mas eles estavam contentes em nos ter lá.
Tivemos um fim de dia em família e adormecemos contentes por ter finalmente encontrado pessoas que nos abriram a porta e não nos deixaram na rua!
Podíamos perdoar a Síria mas não a podíamos considerar ainda “o país especial”. O Egipto e a Jordânia continuavam em vantagem!

estranho dia


Um último agradecimento ao porteiro e partimos num dia solarengo para Bosra. Tentámos esquecer os problemas do primeiro dia, decididos a dar uma segunda oportunidade à Síria. Neste dia iríamos conhecer um Couchsurfer, é sempre bom conhecermos alguém do país para percebermos como as coisas funcionam.
Ao chegar a Bosra encontrámos um holandês que também viajava de bicicleta, ou melhor, numa senhora bicicleta, daquelas que fazem uma dor muito grande no coração quando caem ao chão. Toda a tecnologia existia naquela bicicleta, mas nós estamos orgulhosos das nossas, que se estão a portar muito bem. Foi preciso chamá-lo bastantes vezes para ele olhar para nós, pois ele pensava que eram mais miúdos a chamar a atenção. Por vezes, é preciso fazer ouvidos mudos, é verdade.
Antes de conhecermos o nosso anfitrião, parámos para comprar pão.
- 50 libras? Não está caro. - disse o Rafael.
Eu costumo achar tudo um pouco mais caro, mas não disse nada para não estar sempre a reclamar. Até porque o homem parecia simpático, mostrando disponibilidade em abrir um compartimento para nos podermos aquecer no seu interior. Agradecemos, mas queríamos ir ao encontro do nosso anfitrião e deixar tudo no quarto, para passear um pouco pela cidade.
Chegámos ao local combinado, “Mil e uma noites”, nem mais nem menos que um restaurante e hotel. Pedimos para falar com o nosso “amigo”, mas o irmão informou-nos que não estava e perguntou o que queríamos.
- Não está?! Mas tínhamos dito que vínhamos hoje. – disse o Rafael.
- Ficámos de nos encontrar aqui. Não temos aqui o número dele, podes dar-nos para entrarmos em contacto? – perguntei.
- E quanto é que me pagam para vos dar o número? - respondeu.
“O quê?! Mas aqui as pessoas só pensam em dinheiro?”, pensei. Ao que parece, ele estava a brincar. Mas não nos deu o número, ligou do dele. Estava incontactável. Explicámos o que estávamos ali a fazer.
- Pois, mas isto é um hotel - dizia ele.
- Pois, mas nós não sabíamos que era um hotel. Entrámos em contacto pela Internet e ele disse que podíamos ficar cá. - disse o Rafael muito calmamente, tentando explicar também o que era o espírito do Couchsurfing. Parecia que o irmão não estava a acreditar muito em nós e por isso o Rafael perguntou se era possível utilizarmos a Internet, para lhe mostrar que não estávamos a mentir.
Eu fiquei lá fora à espera dele, comendo frutos secos e a tentar pensar que tudo iria acabar em bem, pois não estava a gostar nada do ar irónico do maior. O Rafael chegou, sem ter conseguido mostrar nada.
- A net não funciona. Sabes o que é que ele comentou em relação ao Couchsurfing? Perguntou-me “como é que as pessoas ganham dinheiro com isso?” Acreditas? Mas temos sítio para ficar. Ele dispensou uma parte da sala de jantar para dormirmos.
- Ok, tudo bem. – respondi. Vamos tentar não nos cruzar muito com ele e tudo fica bem.
Entretanto ele chega.
- Preciso dos vossos passaportes.
- Passaportes? Não deixamos os passaportes em lado nenhum e não ficamos em nenhum quarto do hotel, por isso para que precisam dos passaportes? No Couchsurfing não se pedem passaportes a ninguém.
Tentámos, em conjunto, dizer tudo isto, mas sabemos que ele não percebeu nada. O Rafael perdeu a calma e não quis ficar lá. Fui atrás dele, pois já me estava a chatear sem necessidade. Pegámos nas bicicletas e partimos.
Vimos uma carrinha dos bombeiros e parámos. A porta do ‘quartel’ abriu-se e fomos convidados para entrar. Todos estavam sorridentes e quando chegou o pão, demos por nós a molhá-lo no tomate cozinhado. Éramos bem-vindos e estávamos todos contentes. Tínhamos sítio para ficar e não era preciso montar a tenda. Íamos ficar num compartimento no meio do jardim, propriedade do guarda deste, que não mostrou problemas em ficarmos lá. Passados uns minutos, percebemos que já não íamos ficar lá, pois o guarda foi embora, esquecendo-se de nos deixar as chaves.
- Não há problema, dormem em minha casa - disse um. Momentos depois, “ai e tal, afinal não podem, pois eu trabalho para o Estado e posso vir a ter problemas, desculpem. Mas não há problema, montam a tenda mesmo aqui ao lado!”
Qualquer coisa serve, queremos é dormir! No meio do dormem ali, dormem aqui, encostei-me e fechei os olhos. Acordei com um homem de fato-de-treino azul a perguntar-me onde tínhamos o dinheiro.
- Dinheiro?! Mas qual dinheiro? Não temos dinheiro.
O Rafael chamou-me.
- Mas quem era aquele? Que confusão!
Mordi várias vezes o lábio para manter a calma.
- São polícias e não podemos ficar cá. – disse o Rafael.
“O quê?!” Tudo bem, pegámos nas bicicletas e despedimo-nos de todos. Metros depois, lembrei-me que me tinha esquecido de uma coisa e voltei para trás. Um  guarda correu para me acompanhar. Simpático.
Entretanto, houve um pequeno diálogo do polícia com o Rafael.
- Ela não fala inglês? - perguntou o homem de fato-de-treino azul.
- Sim, mas entre nós falamos português, pois somos portugueses.
- Mas nós não percebemos português, por isso, falem em inglês! - disse ele.
Ainda bem que ele não exigiu que falássemos em árabe. Já não estava com boa cara e ao saber disso fiquei possessa. O Rafael tem mais facilidade em manter a calma, mas eu, com certos homens, tenho muita dificuldade!
Fomos até ao posto da polícia e prepararam-nos um chá. O comandante não esperou que a água fervesse e chamou-nos para o seu gabinete gelado. Eu não podia falar português com o Rafael e recusava-me a falar em inglês com ele. Quando falava em português, o Rafael, para não termos problemas, não me respondia e tentava nem olhar para mim. Começava a ficar chateada com a situação e mais chateada fiquei quando vi entrar o rapaz do hotel. “Mas o que é que este está aqui a fazer?” Vinha todo simpático e dizia que tudo tinha sido um mal-entendido. O Rafael já tinha dito que não tínhamos dinheiro para ficar num hotel.
- Como viajam sem dinheiro? - perguntou o comandante.
Valeria a pena explicar que temos dinheiro, sim, mas não o suficiente para ficarmos todas as noites num hotel, durante tanto tempo e que preferíamos ficar com os locais? Será que ele ia entender?
- Só temos dinheiro para comer. - dissemos.
Acompanharam-nos ao hotel, onde o rapaz disponibilizou um quarto. Já não era o compartimento que tinha horas antes, agora era um quarto a sério. Ficámos duas noites, tentando passar o mínimo tempo possível lá dentro. Claro que não pagámos nada e claro que não gostámos nada da experiência.
Fim do segundo dia: confusão! Estaríamos na mesma Síria de que todos falam mil maravilhas?

com os pés na síria

Tínhamos a Síria a poucos metros de nós. Não conseguíamos disfarçar a nossa alegria! Estávamos curiosos para conhecer o país que tanta gente dizia ser especial e acolhedor. Ao chegar, já sentíamos os olhos do presidente e do pai a olhar para nós. Pedimos autorização para tirar uma fotografia, a primeira na Síria, acompanhados pelo presidente e claro, nunca esquecendo o seu pai. Quem também não tirava os olhos de nós eram os guardas. Uma fotografia, apenas uma fotografia e nada mais. Estranho, mas temos de respeitar as leis.
Parámos na primeira cidade, sem sabermos qual o nome. Trocámos dinheiro, tentámos ver os preços das coisas. Olhámos para as pessoas, a ver se sentíamos a simpatia, mas não deu para sentir muita coisa.
- Onde podemos encontrar um hotel barato? - perguntou o Rafael a uns senhores, na esperança que um deles nos convidasse.
- Só há dois hotéis. Um fica nesta rua, a 300 metros e o outro é um pouco mais à frente. – disse um dos senhores.
- Se eles me derem 300 libras podem ficar em minha casa. - ouvimos dizer o outro.
Olhámos um para o outro com ‘cara de burros’ e lembrámo-nos daquilo que aprendemos com os países vizinhos. Agradecemos e fomos à procura dos hotéis debaixo de chuva. Tínhamos dois hotéis à escolha, um de duas estrelas e outro de quatro estrelas. O Rafael foi espreitar o de duas estrelas.
- É caro! Que estranho, é mais caro que na Jordânia. E não me apetece levar as bicicletas para o terceiro andar! Queres ir tu perguntar ao de quatro estrelas, só por curiosidade?
A chuva continuava e o dia estava a terminar. Coloquei a minha cara de ‘gato do Shrek’ e entrei no elevador com o porteiro do hotel. O preço não foi do meu agrado e não deu para discutir muito. Estava triste. Voltei a descer.
- Então? - perguntou o Rafael.
- É caro, mas se este pede 1300, o de duas estrelas, por 1200, deve estar a pedir muito. Vou lá ver se a mim baixam o preço, é impossível ser tão caro aqui nesta terra. – pensei.
Voltámos ao outro hotel.
- 1200, é o meu último preço. - disse ele com um ar nada simpático.
Detestei aquele sítio. O tempo estava a passar e não sabíamos o que fazer. Estávamos todos molhados e cansados. Voltei para o hotel de quatro estrelas para ver se o dono do hotel já tinha mudado de ideias. De novo no elevador com o porteiro e de novo o senhor disse que não podia baixar mais. Mordi o lábio e entrei com cara triste para o elevador.
- Não baixou o preço? - perguntou o porteiro.
- Não.
O Rafael percebeu pela minha cara que não tinha conseguido nada e ficámos os dois com cara triste. Não era suposto correr tudo bem na Síria? “Se quiserem, têm casa todos os dias, as pessoas são fantásticas!” - lembrámo-nos da frase que o casal francês nos disse no Sinai. Ficámos parados. O porteiro aproximou-se e perguntou-nos quanto é que ele tinha pedido.
- 1500 no início e depois baixou para 1300. – respondi.
- Mas 1300 é o preço do quarto, na realidade ele não baixou nada.
O que ele foi dizer... A nossa estadia estava a começar um pouco mal.
- Quanto é que podem pagar? - perguntou ele.
Atirámos um número para o ar: 1000! Queríamos atirar mais para baixo, mas também não queríamos exagerar, com medo de parecermos ridículos.
- Tragam as bicicletas para o interior. - disse ele.
Não estávamos a perceber. Dissemos que não podíamos pagar o que pedia e ele insistia para que colocássemos as bicicletas no interior. Assim sendo, arrumámos tudo e tirámos apenas o que precisávamos para o quarto, sempre com um olhar desconfiado e a pensar “mas quem é este porteiro?”. Subimos no elevador e a simpatia do rapaz tinha desaparecido, mas o preço foi o que dissemos poder pagar. Tentámos ignorar a cara dele e fomos fechar-nos no quarto. Já no interior e com acesso à Internet, vimos que não estávamos a fazer bem a conversão. Afinal estávamos a pagar ainda menos do que aquilo que pedimos!
- Que chulos que nós somos! - desatámos a rir.
Agradecemos vezes sem conta ao porteiro, pois se não fosse ele teríamos de montar a tenda algures por baixo da chuva.
Fim do primeiro dia na Síria, cansativo e um pouco desesperante, mas com final feliz.

desabafo da tanya


há coisas que não foram ditas nos post sobre a jordânia. o país é incrível, as montanhas são especiais e as pessoas com quem ficámos, que conhecemos, receberam-nos e ajudaram-nos sem quererem nada em troca, sempre com um enorme sorriso e de coração aberto.
gritei na jordânia, fiz má cara muitas vezes, bufei e engoli algumas coisas… foi enervante mas não deixo de gostar deste país!
no egipto, os adolescentes eram insuportáveis, principalmente os “tok-tok”, mas os senhores de mais idade eram muito respeitadores. nunca me senti mal em nenhuma situação. na jordânia não posso dizer o mesmo. há olhares invasores e muitas vezes não é só por curiosidade, muitas vezes penso ou tenho a certeza que são olhares maldosos e não é só da malta nova. o facto do rafael estar ao meu lado, não é problema para eles.
meninas, aprendi que o melhor é não cumprimentar os senhores com o aperto de mão. o melhor, é levar a mão direita ao peito como forma de cumprimento. (já a valérie me tinha avisado) assim não somos mal-educadas e não corremos o risco do aperto de mão demorar mais que o normal, ou até ter “direito” a um miminho na mão, com uma frase em árabe que claro que não entendemos mas sabemos que coisa boa não é, e isso aconteceu-me. um homem com os seu 50 e tal parou a carrinha e perguntou se precisávamos de ajuda. até ali, tudo muito bem, o problema foi na despedida. ele aproveitou o facto do rafael ter começado a pedalar para me apertar ao mão e foi difícil tirá-la. não percebo árabe, mas pelo olhar e a forma como ele pronunciou a frase, senti que não estava a ser nada educado. dei a entender que entendi o que ele tinha acabado de dizer, olhei-o com má cara e num tom bem agressivo disse “ralas” (quem dizer basta, chega, terminou - mais ou menos isso) ele ficou atrapalhado, o tom de voz mudou e foi a correr para o interior da carrinha. o rafael parou a bicicleta sem ter percebido nada… não sei o que ele disse, até podia estar a dar-me os parabéns pela viagem mas… humm custa-me a crer!
há ainda aquele que deixou passar o rafael e veio a correr na minha direcção, agarrou a minha mão e com a outra mão, atirava-me beijos… tratei-o tão mal, tentando livrar-me daquele sanguessuga, gritei tanta coisa má que ele só gritava “sorry, sorry”. posso ter exagerado nos insultos e na fraca qualidade destes, mas os nervos não me deixam pensar…
outra situação é com os preços! mas eles gozam connosco ou quê? eles preferem não ganhar nenhum, do que vender ao preço normal. quando eles ficam muito tempo a pensar num preço, tenho vontade de desistir e virar costas, mas tenho curiosidade em saber a piada e fico até ao fim mas não fico com vontade de me rir no final. numa ocasião (palavras que o meu avô usa muito, quando conta uma história “numa ocasião”) perguntei se tinha escrito estúpida na testa. no fim do dia, dou por mim a achar ridículo tudo o que fiz mas é duro manter a calma eu que sou muito paciente com as pessoas. preferimos comprar coisas nas lojas onde o preço está marcado ou quando passam a máquina no código de barras e mesmo assim… ai que nervos! eu a olhar para o monitor e ele a dizer-me um preço diferente.
- mas não é isso que está marcado. é 1,20 e não 1,50.
- não, isto é 0,50, isto é 0,50 e isto é 0,50, por isso dá 1,50.
e faz delete
- não, é 1,20, nós sabemos os números em árabe! porque é que nos estás a lixar?
pagámos 1,50 e saímos sempre a reclamar e desta vez o rafael reclamava também! já lá fora, ele apareceu com o troco.
- é 1,20, o sistema está com um problema…
“qual sistema? o teu? porque no monitor estava bem.” não disse mas tive vontade. estava mesmo na ponta de língua mas o facto dele ter saído para nos dar o troco, foi um grande passo.
e pronto, podia contar muitas histórias parecidas com estas mas não vos vou maçar.
ah, só para terminar:
nos nossos primeiros dias, parámos numa casa abandonada para comer na entrada, à sombra, quando um rapaz que estava à beira da estrada a vender tomates apareceu para pedir 50 euros!!!
-50 euros?! para quê?!
não falava inglês mas percebemos que teríamos de pagar 50 euros para podermos comer naquela casa transformada em casa de banho. achámos piada ao pobre rapaz e continuámos a meter conversa, nós em português e ele em árabe. até estava a ser divertido, mas quando ele explicou que tinha uma pistola e que ia busca-la para nos dar um tiro (o sinal foi apenas para o rafael, mas nunca se sabe) ele não parava com essa conversa da pistola e comecei a passar-me! “ralas, ralas, vai-te embora, fora, rua” mas nada. Levantei-me e fiz peito (cuidado comigo) “vai-te embora, o que é que tu queres, estou a passar-me contigo” resultou, ele foi-se embora e nós ficámos preocupados… comemos sempre com um olho nele. a comida tinha dificuldade em fazer o percurso normal. o mundo é seguro, queremos confirmar isso, mas sabemos que há malucos e não sabíamos se tínhamos acabado de conhecer um ou não… terminámos de comer e partimos. não aconteceu nada, mas mal vimos a polícia, contámos o sucedido e foram até lá.
Final feliz.   

despedimo-nos da jordânia


estávamos cada vez mais perto da síria! isso deixava-nos contentes, pois era um país que tínhamos muita curiosidade em conhecer, por todo aquilo que as pessoas nos falavam. todos diziam que é um país especial, que as pessoas são calorosas e temos convites para dormir nas suas casas todas as noites, será verdade? estávamos curiosos!
jarash foi a nossa última cidade na jordânia e mais uma vez, foi uma noite passada com uma família que nos deixou montar a tenda mas depressa percebemos que teríamos de a desmontar pois tínhamos um quarto à nossa disposição. ao entrar em casa, fui convidada para me juntar às mulheres para beber chá.
encontrei-me numa sala com duas mulheres, duas adolescentes e uma rapariga com 11 anos. nenhuma das 5 falava inglês… e o meu árabe não evoluiu muito para poder entrar numa conversa, por mais básica que seja. resumindo, não percebi nada, durante toda a tarde! eu estava naquela sala, apenas para comer e sorrir. elas, bem vestidas, senhoras ricas, com movimentos de ricas que mostravam a sua superioridade sempre que chamavam a empregada e eu no meio, a cheirar mal, com a roupa suja, o cabelo que metia dó, a aceitar tudo o que me aparecia à frente para comer e só pensava “onde estará o rafael?”
primeiro veio um sumo de goiaba. maravilha! depois um prato cheio de biscoitos para cada uma. deliciei-me! de seguida o chá. cai sempre bem! tâmaras. adoro! fruta num prato para cada uma. uma maçã vermelha, uma maçã verde, uma laranja e duas cenouras. senti-me saudável! e para terminar, um café. final perfeito! levantar daquele trono foi bastante complicado. as horas iam passando e a reunião de mulheres teve de terminar e fui rapidamente à procura do rafael. e lá estava ele, sozinho, sentado no sofá a ver televisão com um grande sorriso. “soube tão bem estar aqui sozinho, sem precisar de fazer sala!” pois, a minha tarde foi bem passada mas foi bem mais comprida que o esperado…


não podíamos ir para a cama sem entrarmos no mercedes e conhecer os pais do senhor (ámen)! fomos o centro das atenções mas foi divertido! aquela família cheia de dinheiro, continuava generosa e acolhedora. depois de termos feito muitas macacadas, e de ter feito o truque de arrancar o dedo (foi incrível a reacção de espanto deles ao ver o meu dedo “sair do sítio”) voltámos para casa com a música bem alta. batíamos palmas e o rafael foi apanhado umas quantas vezes a dançar, o que provocou o riso a todas nós!
falámos no nosso plano de viagem enquanto estávamos a jantar (já bem tardinho). mostrámos entusiasmo quando falámos da síria mas eles disseram “ui, na síria, eles só querem dinheiro! não é como aqui que oferecemos tudo sem pedir nada! eles só pensam em dinheiro!”
pois sim, vamos mesmo acreditar nisso! isso são mesmo aquelas pequenas “guerras” entre países vizinhos!
fechámos os sacos-cama e adormecemos.
novo dia e este era o dia que iríamos entrar na síria, já que não recebemos resposta positiva de um couchsurfer, na última cidade da jordânia. chegámos à fronteira e pagámos para sair do país. depressa nos encontrámos em terra de ninguém!

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