desabafo da tanya


há coisas que não foram ditas nos post sobre a jordânia. o país é incrível, as montanhas são especiais e as pessoas com quem ficámos, que conhecemos, receberam-nos e ajudaram-nos sem quererem nada em troca, sempre com um enorme sorriso e de coração aberto.
gritei na jordânia, fiz má cara muitas vezes, bufei e engoli algumas coisas… foi enervante mas não deixo de gostar deste país!
no egipto, os adolescentes eram insuportáveis, principalmente os “tok-tok”, mas os senhores de mais idade eram muito respeitadores. nunca me senti mal em nenhuma situação. na jordânia não posso dizer o mesmo. há olhares invasores e muitas vezes não é só por curiosidade, muitas vezes penso ou tenho a certeza que são olhares maldosos e não é só da malta nova. o facto do rafael estar ao meu lado, não é problema para eles.
meninas, aprendi que o melhor é não cumprimentar os senhores com o aperto de mão. o melhor, é levar a mão direita ao peito como forma de cumprimento. (já a valérie me tinha avisado) assim não somos mal-educadas e não corremos o risco do aperto de mão demorar mais que o normal, ou até ter “direito” a um miminho na mão, com uma frase em árabe que claro que não entendemos mas sabemos que coisa boa não é, e isso aconteceu-me. um homem com os seu 50 e tal parou a carrinha e perguntou se precisávamos de ajuda. até ali, tudo muito bem, o problema foi na despedida. ele aproveitou o facto do rafael ter começado a pedalar para me apertar ao mão e foi difícil tirá-la. não percebo árabe, mas pelo olhar e a forma como ele pronunciou a frase, senti que não estava a ser nada educado. dei a entender que entendi o que ele tinha acabado de dizer, olhei-o com má cara e num tom bem agressivo disse “ralas” (quem dizer basta, chega, terminou - mais ou menos isso) ele ficou atrapalhado, o tom de voz mudou e foi a correr para o interior da carrinha. o rafael parou a bicicleta sem ter percebido nada… não sei o que ele disse, até podia estar a dar-me os parabéns pela viagem mas… humm custa-me a crer!
há ainda aquele que deixou passar o rafael e veio a correr na minha direcção, agarrou a minha mão e com a outra mão, atirava-me beijos… tratei-o tão mal, tentando livrar-me daquele sanguessuga, gritei tanta coisa má que ele só gritava “sorry, sorry”. posso ter exagerado nos insultos e na fraca qualidade destes, mas os nervos não me deixam pensar…
outra situação é com os preços! mas eles gozam connosco ou quê? eles preferem não ganhar nenhum, do que vender ao preço normal. quando eles ficam muito tempo a pensar num preço, tenho vontade de desistir e virar costas, mas tenho curiosidade em saber a piada e fico até ao fim mas não fico com vontade de me rir no final. numa ocasião (palavras que o meu avô usa muito, quando conta uma história “numa ocasião”) perguntei se tinha escrito estúpida na testa. no fim do dia, dou por mim a achar ridículo tudo o que fiz mas é duro manter a calma eu que sou muito paciente com as pessoas. preferimos comprar coisas nas lojas onde o preço está marcado ou quando passam a máquina no código de barras e mesmo assim… ai que nervos! eu a olhar para o monitor e ele a dizer-me um preço diferente.
- mas não é isso que está marcado. é 1,20 e não 1,50.
- não, isto é 0,50, isto é 0,50 e isto é 0,50, por isso dá 1,50.
e faz delete
- não, é 1,20, nós sabemos os números em árabe! porque é que nos estás a lixar?
pagámos 1,50 e saímos sempre a reclamar e desta vez o rafael reclamava também! já lá fora, ele apareceu com o troco.
- é 1,20, o sistema está com um problema…
“qual sistema? o teu? porque no monitor estava bem.” não disse mas tive vontade. estava mesmo na ponta de língua mas o facto dele ter saído para nos dar o troco, foi um grande passo.
e pronto, podia contar muitas histórias parecidas com estas mas não vos vou maçar.
ah, só para terminar:
nos nossos primeiros dias, parámos numa casa abandonada para comer na entrada, à sombra, quando um rapaz que estava à beira da estrada a vender tomates apareceu para pedir 50 euros!!!
-50 euros?! para quê?!
não falava inglês mas percebemos que teríamos de pagar 50 euros para podermos comer naquela casa transformada em casa de banho. achámos piada ao pobre rapaz e continuámos a meter conversa, nós em português e ele em árabe. até estava a ser divertido, mas quando ele explicou que tinha uma pistola e que ia busca-la para nos dar um tiro (o sinal foi apenas para o rafael, mas nunca se sabe) ele não parava com essa conversa da pistola e comecei a passar-me! “ralas, ralas, vai-te embora, fora, rua” mas nada. Levantei-me e fiz peito (cuidado comigo) “vai-te embora, o que é que tu queres, estou a passar-me contigo” resultou, ele foi-se embora e nós ficámos preocupados… comemos sempre com um olho nele. a comida tinha dificuldade em fazer o percurso normal. o mundo é seguro, queremos confirmar isso, mas sabemos que há malucos e não sabíamos se tínhamos acabado de conhecer um ou não… terminámos de comer e partimos. não aconteceu nada, mas mal vimos a polícia, contámos o sucedido e foram até lá.
Final feliz.   

4 comentários:

Miguel K2 Sampaio disse...

Fujam árabes, que ela é uma mulher do norte :)))))

1 abraço e um queijo da serra
Miguel K2 Sampaio

Laura Ramos disse...

Tanya, como eu te entendo... O assédio e as tentativas de sacar dinheiro ficam tão mal num médio-oriente que é tão bonito... É pena! Coragem e continuação de boas viagens!!

Laura Ramos disse...

Tanya, como eu te entendo... O assédio e as tentativas de sacar dinheiro ficam tão mal num médio-oriente que é tão bonito... É pena! Coragem e continuação de boas viagens!!

miguelrr disse...

Este desabafo vai tirar o sono a um senhor que vive no Furadouro, de certeza! :)
As partes menos agradáveis e a dificuldade, tb fazem parte da história tb por isso... parabéns pelo desabafo!
Com um gajo de Ovar ao lado... a viagem continua sempre... e eu continuo a acompanhar-vos.
Um grande abraço e beijinhos para os dois.
Estou ansioso por vos voltar a ver!

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