despedimo-nos da jordânia


estávamos cada vez mais perto da síria! isso deixava-nos contentes, pois era um país que tínhamos muita curiosidade em conhecer, por todo aquilo que as pessoas nos falavam. todos diziam que é um país especial, que as pessoas são calorosas e temos convites para dormir nas suas casas todas as noites, será verdade? estávamos curiosos!
jarash foi a nossa última cidade na jordânia e mais uma vez, foi uma noite passada com uma família que nos deixou montar a tenda mas depressa percebemos que teríamos de a desmontar pois tínhamos um quarto à nossa disposição. ao entrar em casa, fui convidada para me juntar às mulheres para beber chá.
encontrei-me numa sala com duas mulheres, duas adolescentes e uma rapariga com 11 anos. nenhuma das 5 falava inglês… e o meu árabe não evoluiu muito para poder entrar numa conversa, por mais básica que seja. resumindo, não percebi nada, durante toda a tarde! eu estava naquela sala, apenas para comer e sorrir. elas, bem vestidas, senhoras ricas, com movimentos de ricas que mostravam a sua superioridade sempre que chamavam a empregada e eu no meio, a cheirar mal, com a roupa suja, o cabelo que metia dó, a aceitar tudo o que me aparecia à frente para comer e só pensava “onde estará o rafael?”
primeiro veio um sumo de goiaba. maravilha! depois um prato cheio de biscoitos para cada uma. deliciei-me! de seguida o chá. cai sempre bem! tâmaras. adoro! fruta num prato para cada uma. uma maçã vermelha, uma maçã verde, uma laranja e duas cenouras. senti-me saudável! e para terminar, um café. final perfeito! levantar daquele trono foi bastante complicado. as horas iam passando e a reunião de mulheres teve de terminar e fui rapidamente à procura do rafael. e lá estava ele, sozinho, sentado no sofá a ver televisão com um grande sorriso. “soube tão bem estar aqui sozinho, sem precisar de fazer sala!” pois, a minha tarde foi bem passada mas foi bem mais comprida que o esperado…


não podíamos ir para a cama sem entrarmos no mercedes e conhecer os pais do senhor (ámen)! fomos o centro das atenções mas foi divertido! aquela família cheia de dinheiro, continuava generosa e acolhedora. depois de termos feito muitas macacadas, e de ter feito o truque de arrancar o dedo (foi incrível a reacção de espanto deles ao ver o meu dedo “sair do sítio”) voltámos para casa com a música bem alta. batíamos palmas e o rafael foi apanhado umas quantas vezes a dançar, o que provocou o riso a todas nós!
falámos no nosso plano de viagem enquanto estávamos a jantar (já bem tardinho). mostrámos entusiasmo quando falámos da síria mas eles disseram “ui, na síria, eles só querem dinheiro! não é como aqui que oferecemos tudo sem pedir nada! eles só pensam em dinheiro!”
pois sim, vamos mesmo acreditar nisso! isso são mesmo aquelas pequenas “guerras” entre países vizinhos!
fechámos os sacos-cama e adormecemos.
novo dia e este era o dia que iríamos entrar na síria, já que não recebemos resposta positiva de um couchsurfer, na última cidade da jordânia. chegámos à fronteira e pagámos para sair do país. depressa nos encontrámos em terra de ninguém!

Sem comentários:

Posts mais populares