Palmira - seguimento do post abaixo

Um pouco de história…

Palmira remonta a sua história a 2000ac. Ponto de passagem obrigatório entre grandes rotas comerciais que ligavam o mediterrâneo, a Mesopotâmia e a arábia, foi também de uma importância imensa na rota da seda, ligando o oriente ao ocidente. Isto fez com que se desenvolvesse como quase nenhuma outra em redor, cobrando taxas altíssimas à passagem das caravanas. Com o aumento do império romano no século I e II a.C. e com a queda da dinastia Seleucid, Tadmor (o seu nome original, cidade das tâmaras) viu-se como intermediária entre o oeste e o este, retirando assim grandes vantagens. Em 129ac, com o império romano instalado já na cidade, o imperador Adriano visita-a declarando-a cidade livre, permitindo assim que esta cobrasse as taxas ao valor que desejassem. Em 212, sob as ordens do imperador Caracalla, foi declarada colónia romana, sendo assim dispensada de pagar impostos a Roma e tendo os seus habitantes ficado com os mesmos direitos e obrigações. Foi nesta altura que Palmira construiu todos os templos, avenidas e grandes obras da cidade. Mais tarde, entrou em guerra contra um dos maiores inimigos do império e Odainat – o nobre que comandou o exército – declarou-se rei. Em 256, o imperador Valério colocou todas as forças romanas da zona sob o seu comando. Com a morte deste, Zenobia – a sua segunda mulher- assume o comando do reino (ver curiosidades) e depois de alguns confrontos com Roma e com uma revolta dos habitantes de Palmira, o imperador Aurélio devasta totalmente a cidade, nunca tendo esta recuperado. Dioclécio, durante o seu império, construiu uma muralha na cidade, que delimitava o império romano a este e já no século VI, Justino reconstruiu as zonas de maior importância defensiva para a cidade. As rotas comerciais afastaram-se de Palmira e em 636 um exército muçulmano conquista a cidade. Constroem uma fortificação em volta do templo de bel, onde nasce uma pequena aldeia e constroem um castelo no topo da colina. No entanto, todo o resto da cidade é abandonado. Foi, ao longo dos anos, devastada por terramotos e pela erosão do vento e da areia. Foi até 1678 que a cidade permaneceu abandonada, quando 2 comerciantes ingleses a viver em Alepo, tomaram conhecimento de uma cidade no meio do deserto. a aventura exigia 5 dias de viagem com todos os perigos do desconhecido. Foi à sua chegada que foram feitos os primeiros desenhos e as primeiras tentativas de escavações. Mais tarde, durante o século XVIII e XIX o número de aventureiros aumentou, mas só no século XX um grupo de alemães começou verdadeiramente a procura arqueológica. Esta pesquisa intensificou-se depois do fim da segunda guerra mundial e decorre ainda hoje, com descobertas a serem feitas a cada dia que passa.

Curiosidades…

- Um dos episódios mais marcantes de Palmira, que coincidiu também com o início da sua decadência, aconteceu em 267 quando Odainat foi assassinado e a sua segunda mulher, Zenobia, assumiu o reino por detrás do nome do seu filho mais novo, Vabalathus. Roma não gostou deste “atrevimento”, já que também ela era suspeita do assassinato do seu marido e mandou um exército retirar a rebelde rainha. Ela juntou o seu exército e, em combate, arrasou por completo o exército romano. Mais tarde, levou o seu exército mais para sul, conquistando Bosra, toda a península da arábia e invadindo o Egipto. Com toda a síria, a palestina e parte do Egipto, Zenobia declarou-se independente de Roma e mandou cunhar moedas com a sua cara e a do filho, que assumiu o nome de augustos, ou o imperador, em Alexandria! Mais tarde derrotada duas vezes em combate pelo imperador Aurélio e viajando este até Palmira para negociar com Zenobia, esta, não aceitando qualquer acordo, partiu sozinha num camelo com destino à pérsia onde tencionava procurar ajuda militar. Foi capturada no rio Eufrates e enviada para Roma em 272, tendo desfilado nas ruas presa com correntes de ouro, como um troféu do imperador Aurélio. Mais tarde casa-se com um senador romano e vive em Tivoli, perto de Roma, até ao fim dos seus dias. Dizia-se descendente de Cleópatra e além da sua beleza, era considerada uma mulher ambiciosa e lutadora.
- A cidade, no seu total, cobre uma área com mais de 50 hectares!

Para nós…

Pouco há a dizer sobre Palmira depois de tudo contado na sua história resumida! É vastíssima e é necessário um dia completo, pelo menos, para que a possamos ver bem de uma ponta à outra. Do oásis ao castelo, do templo de bel aos túmulos fora das muralhas, não chegamos nunca a perceber se tem um fim. A cada pequeno monte que víamos, por debaixo reparámos que existiam ruínas, colunas ou a entrada para mais um túmulo. Apesar de ser a maior atracção turística da síria, a maior parte das pessoas visita somente o templo de bel e tira fotografias de tudo o resto com o zoom da máquina digital, daí ser simples caminhar quase sozinhos durante quase todo o dia, podendo aproveitar tudo em silêncio. De um local a outro é uma longa caminhada, mas vale a pena, já que reparamos em todos os pormenores e nos dá a ideia muito breve de como seria este local há séculos atrás. é verdade que já vimos muitas ruínas e que todas elas são, de alguma maneira, interessantes. O que é verdade também é que Palmira é especial, de tão imensa que é. A cidade que nasceu ao lado e que conta já com 40.000 habitantes vive maioritariamente do turismo, o que é um grande problema, já que depois do ataque às torres gémeas, este diminuiu consideravelmente e neste momento com toda a situação no médio oriente, ainda mais. Assim sendo, todo o turista é visto como uma nota de dólar e por isso a pressão é terrível.


Onde fica, quanto custa e afins…
 
Pode viajar-se de damascos, geralmente o normal ponto de partida, a partir da estação de autocarros de Harasta (6 quilómetros a norte da cidade) por S£200 (+/- 3,10€) para Palmira e a viagem demora aproximadamente 3h30. Atenção à chegada a Palmira, visto que a cidade não tem estação de autocarros e as companhias não têm um sítio certo para parar. O normal ponto de paragem para a maior parte delas é a 6 quilómetros a este da cidade e depois, se não se quiser caminhar, deve apanhar-se um táxi (que vai cobrar um valor alto, nunca menos de S£150, +/- 2,20€) ou então esperar pelos raros minibuses brancos que fazem a viagem por S£10 (+/- 0,15€). Já na cidade, ele há hotéis para todos os gostos, desde os básicos aos 5 estrelas. Os preços vão dos S£500 (+/- 8€) aos S£10.000 (+/- 160€) noite para quarto duplo e a época alta situa-se na primavera e no outono. os restaurantes na rua principal cobram refeições a um preço médio de 5/6€ por pessoa, mas existe uma pequena casa de sandes de fallafel, que cobra S£15 (+/- 0,22€) por cada uma! Supermercados são às dezenas! Todos os preços são negociáveis nos hotéis e restaurantes fora da época alta, mesmo que marcados no exterior ou no menu! o acesso às ruínas é gratuito, mas para entrar no anfiteatro, no templo de bel, nos túmulos e no castelo (as vistas são impressionantes e não se tem de pagar!) deve pagar-se um bilhete único de S£500 (+/- 8€). Com cartão de estudante internacional ou cartão de jornalista tem-se um grande desconto ou, se se conversar bem, a entrada é gratuita!

2 comentários:

Cristina e pai disse...

...continuação de boa viagem e que consigam encontrar-se com a minha cunhada em Ankara.
bj e abç, Pedro Sanchez

Anónimo disse...

desejo aos 2 uma continuação de boa viagem, tenho um irmão q começou a fazer á 1 semana o mesmo mas viaja só o q nos deixa muito preocupados o destino dele é a Noruega...penso q é mais perigoso viajar assim mas vamos ter fé...ele já me tinha falado de vocês e fazendo uma pesquisa na net descobri o vosso blog vou tentar segui-lo.

Boa viagem
Maria

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