a serpentear pela jordânia

não foi fácil sair de petra. os nossos corpos estavam preguiçosos e sofreram em todas as subidas! “e não foram muitas, e não foram poucas, bastantes até!” 

estávamos em direcção ao mar morto, isso significava que teríamos de descer perto de 400 metros abaixo do nível do mar. estávamos ansiosos para lá chegar sem grande esforço, mas o corpo continuava a lutar com o caminho ondulado. o alcatrão desapareceu no momento em que apareceram umas pequenas pingas de chuva. voltámos a tirar do fundo dos sacos os impermeáveis, sem sentir grande prazer. o prazer apareceu quando vimos a estrada a serpentear em sentido descendente, na grande montanha. mãos ao travão e lá fomos nós por baixo da chuva que caía timidamente. em baixo, tínhamos à nossa frente uma grande planície desértica. parámos no meio do nada e tal como os beduínos, acendemos uma fogueira para aquecer o pão e se não fosse a falta de açúcar, teríamos preparado o famoso chá. a fogueira atraiu a atenção de dois senhores que pararam a carrinha para nos cumprimentar. eram beduínos e um deles aproxima-se e oferece-me um tomate, como se tivesse a oferecer uma flor. conversa puxa conversa e acabámos por falar sobre a nossa falta de açúcar e uma fogueira sem chá não era uma verdadeira fogueira beduína. o problema foi resolvido e sem sabermos, o problema deles também foi resolvido pois eles tinham açúcar mas não tinham água.

 
o mar morto ainda estava a muitos quilómetros e por mais quilómetros que somássemos naquele dia, não chegaríamos lá sozinhos. a nossa intenção não era apanhar qualquer tipo de transporte mas quando parámos para voltar a colocar os impermeáveis, por baixo de uma forte chuva, eis que uma carrinha pára. aceitámos a boleia que o senhor insistiu em oferecer. pensámos que seria até à próxima aldeia, e quem sabe se não nos iria convidar para passarmos lá a noite… isso não aconteceu mas ficámos no início do mar morto e o senhor continuou o seu caminho. estava escuro e a chuva continuava a cair. montar a tenda não estava nos nossos planos. achámos melhor pedir guarida aos bombeiros para não ser outra vez à polícia (são bons senhores, sim senhora, mas por vezes um pouco chatinhos, querendo-nos sempre por perto, sem nos perder de vista) os bombeiros abriram-nos a porta com muita simpatia (estava tudo a correr bem) sim, eles iam ajudar-nos! falaram com a polícia e estes acharam melhor passarmos a noite na esquadra. e assim foi. mais uma noite com os homens de farda azul!
bem cedinho partimos para a outra ponta do mar morto.

 
tínhamos tanta curiosidade em ver esse famoso mar mas ao chegar lá, olhámos um para o outro e o nosso pensamento foi “é isto?!”. o sítio perde toda a piada se não podemos boiar. isso é a maior atracão do mar morto, sem isso, vemos um lindo “lago” apenas e resorts a crescer com toda a força.

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