dias mágicos

Saímos de Kilis com fortes abraços e lá fomos nós à aventura! E que aventura! Tivemos dias que ficarão para sempre connosco! Conhecemos pessoas que não sabemos sequer os nomes mas foram essas pessoas que coloriram os nossos dias. 
Pedalámos percorrendo quilómetros e quilómetros sem avistar casas. Pedalávamos por entres os campos verdes de cultivo. Íamos sem pressas, a saborear a natureza. Não queríamos voltar a sentir o cansaço do dia 14 de Abril! Caso nos sentíssemos cansados, pararíamos nesse preciso momento! A promessa estava feita!
45 kms depois, parámos para comprar pão. Não havia pão mas havia tomates e pepinos como oferta, sem esquecer o chá, claro! Fomos à procura de pão e encontrámos uma família que nos encheu a mesa com novos sabores, bem picantes! 
- Sleep. Stay. Home. - Diziam as crianças.
Ficamos ou não ficamos? Olhámos um para o outro, olhámos para os quilómetros percorridos e torcemos o nariz. Não estávamos cansados, era cedo e queríamos continuar caminho mas como não tínhamos pressas, ficámos com aquela família um pouco mais. Apaixonei-me por uma criança e o Rafael teve trabalho de casa: fazer os exercícios de inglês de um das miúdas! 



- Sleep. Stay. Home. - Insistiam.
Não ficámos... continuámos caminho e desta vez trocámos a estrada principal pela estrada secundária e foi das melhores escolhas que fizemos!
Descobrimos um cantinho mágico! 

 

- É aqui que vamos ficar! 

Ambos estávamos de acordo e ambos estávamos aos pulos! Terá sido o melhor sítio onde já dormimos? Terá sido no deserto do Sinai ou aqui. Não conseguimos escolher, só sabemos que foi uma noite fantástica! Na cabana! A nossa cabana por uma noite! Adorámos!



No dia seguinte, começámos caminho com pouco alimento no estômago. Não havia super nem mini mercado, não havia nada. Íamos enchendo o estômago com água até que encontrámos uma casa com cheiro a pão. Pedimos para encher as garrafas e nesse momento fomos convidados para entrar. O nosso nariz não nos enganou, estavam a fazer pão! Comemos até não podermos mais! Estavam constantemente a fazer novas sandes para nós.


- Obrigada, mas não queremos mais. Melhor, não conseguimos mais! - Dizíamos.
- Têm de comer com o chá. - Insistia a senhora com a sandes na mão.
Não tivemos outro remédio senão comer e calar!
Mais uma vez fomos convidados para passar a noite mas mais uma vez não foi possível aceitar. Tínhamos feito pouco menos de 10 kms. Vamos! Vamos para a estrada.
Quando queríamos chá, parávamos nas bombas. Fizemos muitas vezes sinal de agradecimento quando nos faziam sinal para pararmos juntamente com o sinal da colher a mexer o açúcar. Não podemos aceitar todos os convites e todas as ofertas.


Depois do almoço, custa sempre mais. As longas rectas da Turquia são esgotantes... Nestes dias, temo-nos sentido cheios de energia e a atingir uma boa velocidade, como depressa perdemos as forças e não conseguimos mais. 
Tínhamos de parar. Esse dia já tinha sido bom, chega de bicicleta! As bombas que encontrávamos, eram um pouco manhosas... cortámos para uma estrada em terra batida e esta levou-nos a uma pequena pequeníssima aldeia. Pedimos autorização para montar a tenda e usar a casa de banho. As pessoas não se aproximavam muito... Ficavam a ver-nos ao longe. "Seres estranhos", deviam de estar a pensar. 
Estávamos a terminar o jantar, quando dois rapazes apareceram e nos convidaram para um... chá! Boa, adivinharam! Muito bem!!! 
Estávamos muito cansados e, para dizer a verdade, não estávamos com muita vontade, mas aceitámos o convite. Jantámos e fomos à procura da casa. Não foi fácil... Ficámos sentados numa rocha, até descobrirmos algum sinal da existência daqueles rapazes. Apareceu uma cabeça numa janela. Era um deles! 
Entrámos e sentámo-nos no chão com os dois rapazes à nossa frente. A mãe de um dele chegou. Nenhum dos três falava inglês e nenhum de nós fala turco. O chá não aparecia e o silêncio permanecia. O que era comum em nós, era o sorriso. Sorríamos para mostrar que estávamos bem e eles sorriam mostrando que estavam contentes por estarmos lá. Aos poucos iam entrando mulheres, várias mulheres que se juntavam a nós e desta vez, já com o chá ao centro. Não foi fácil a comunicação mas como nenhum de nós queria falar sobre política nem outro assunto mais repuxado, não houve problemas. Usávamos os gestos, sons, risos e sorrisos para nos exprimir.


Insistiram para que ficássemos a dormir no interior da casa mas nós insistimos em dormir na tenda mas aceitámos o convite para o pequeno almoço.
Novo dia. Estávamos a desmontar a tenda quando chega uma menina com dois chás. Fizemos uma pequena pausa para o beber. Perguntou, nuns lindos gestos se queríamos comer. Tentei, com lindos gestos também, explicar que íamos tomar o pequeno almoço noutra casa... não devo de ter feito gestos assim tão bonitos, pois passado 5 minutos, ela apareceu com um travessa cheia de comida... 

 
- Comemos um pouco para não parecer mal e depois vamos para a outra casa. - dissemos um para o outro!
Terminámos o nosso primeiro pequeno almoço e começámos a preparar as bicicletas quando apareceu um grande grupo de miúdos para nos ver. Fomos todos juntos para a casa do segundo pequeno almoço. As mulheres estavam a lavar a roupa e a loiça, os homens estavam no campo. Os nossos dois amigos chegaram e sentámo-nos todos ao ar livre com todas as crianças à nossa volta! Depois de várias fotografias, chegou a mãe da miúda que nos ofereceu o pequeno almoço... e agora? Perguntaram-nos se já tínhamos tomado o pequeno almoço. Não fomos capazes de mentir claro. Dissemos que tínhamos tomado e que estava muito bom. A senhora sorriu orgulhosa. Pronto, afinal não ganhámos o segundo pequeno almoço... tínhamos de continuar caminho e comer mais qualquer coisa mais à frente. 
Deixámos todos a acenarem-nos e nós montámos nas bicicletas para mais um dia de "trabalho"! 


Poucos quilómetros à frente, fizemos a nossa primeira paragem! Uma família estava à entrada da porta, elas a fazerem pão e eles sentados a olharem para elas. Foi ali que tivemos o nosso segundo grande pequeno almoço! E que bem que soube!!!


De novo na estrada e cada quilómetro que somávamos, mais cansados nós ficávamos... Ufa que custou chegar a Urfa!

2 comentários:

anavilas disse...

Que bom... Fartei-me de rir com o vosso pouco jeito para cantar e fazer pão!!!
Boa Páscoa!...

Anónimo disse...

Que maravilha a farturinha de videos. Obrigado pela partilha.
Boa Páscoa!
PP

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