fim das boleias

Capadócia! Chegámos cansados mas o nosso tempo era curto de mais para nos darmos ao luxo de descansar. Depois de uma enorme tosta de queijo que o nosso simpático anfitrião nos preparou, corremos para visitar os enormes "pirocos".
Ficámos de boca aberta com tamanha beleza (isto parece-me um comentário um pouco ordinário da Tanya e diria que quase gay se o deixar passar, mas enfim...)! O tempo estava cinzento, o que para as fotografias não foi nada bom... queríamos ver tudo mas a chuva não nos deixou. Ficámos presos numa loja de recordações a olhar para a chuva que caia cada vez com mais força... não deu para aproveitar o tempo que nos restava desse fim de tarde mas deu para perceber que nos encontrávamos num lugar muito especial. Voltámos para casa tristes pois só tínhamos mais um dia para visitar a Capadócia e sabíamos que não chegaria.


Acordámos cedo e lá fomos nós! Desta vez o sol estava a brilhar. Com o céu azul, tudo é mais bonito e nós estávamos uns verdadeiros exploradores! Entrámos numa das casas e nesse momento, ficámos arrependidos de não termos trazido os sacos-cama... Seria perfeito passar lá a noite!

 
Olhávamos para todos os lados e descobríamos sempre novas coisas. A melhor descoberta foi ver os buracos no tecto que nos levavam a um novo andar! A pior descoberta, foi ver que ficámos sem bateria na máquina... Queríamos fotografar tudo! O dia estava lindo, a paisagem estava incrível e nós... sem podermos disparar à vontade. Estávamos no sítio mais incrível desta viagem! Petra arrepia pelo trabalho humano que lá existe e a Capadócia arrepia pela beleza natural e pela forma como o Homem aproveitou aquela enorme sex-shop com tamanhos XXXXXL (os comentários ordinários continuam...enfim!)! Estávamos felizes (eu não disse?)! Não parávamos de dizer "incrível! Lindo! Uau! Beeeem! Mas que fixe! (e continuam...está um pouco gay, este texto, mas enfim!)
Um dia não chega. Podemos estar uma semana a fazer grandes caminhadas! Em cada canto há algo para ver e para ficarmos derretidos (está a aquecer!). No museu ao ar livre, podemos ver as várias igrejas lá construídas. Os frescos são incríveis, aliás, como todos os frescos que vimos até agora, nas diferentes igrejas. Pena é estarem todos num estado não muito preservado...



Para voltar para casa, decidimos não pedir boleia e caminhar, cortando pelos pequenos caminhos. Seguimos as setas que nos iríam ajudar. Perdemos-nos, voltámos para trás, vimos novas setas, estas de diferentes cores. Não estávamos confiantes mas continuámos. O caminho estava com lama mas nós estávamos teimosos, desconfiados, mas teimosos. Depois de nos perdermos várias vezes, queríamos conseguir descobrir o verdadeiro caminho (busca espiritual???)
A seta apontava para a direita. "Estranho" - pensámos. A lama não nos deixava avançar no caminho. Era muito inclinado e escorregávamos... Tentei subir com a ajuda de um grande tronco (a ordinarice continua) que se encontrava lá. Nada... Apenas consegui sujar-me! Era a vez do Rafael. Durante as várias tentativas realizadas por ele, consegui ler por baixo da seta preta "não há nada por aí!" Será verdade? Estarão a gozar connosco? O Rafael não quis desistir e conseguiu subir! "Não há nada, não há mais setas, não há mais caminho". Pronto, lá está! Porque não acreditámos? Voltámos para trás (sujos) e voltámos para casa pelo caminho dos carros e...de carro. O dia estava terminado e estávamos satisfeitos, apesar das malditas setas!
A nossa estadia - curta estadia - terminou e tivemos de voltar a esticar o dedo para a nossa nova paragem: Antalia!
Não foi difícil apanhar boleia. Um camião parou e abriu-nos a porta. Sabíamos que tínhamos de passar por Konia e quando parámos num semáforo, vimos a placa a dizer, Konia -160 km para a direita e nós estávamos na faixa da esquerda.
- Não temos de virar para a direita? - Perguntámos.
- É igual. Mais lá à frente, há um corte para a direita, para Konia.
Ok, vamos confiar. Estranho, muito estranho... Estávamos cada vez mais perto de Adana e isso não era suposto acontecer. Estávamos a começar a ficar preocupados mas não podíamos fazer nada. O camionista saca de um perfume e tenta borrifá-lo em nós. Quase que gritámos: "NÃO!"
- Muito bom! É um perfume francês! - Dizia ele.
Mas qual perfume francês! Ele não o borrifou em nós,  mas espalhou pelo camião... fraca ideia!
- Ok, é aqui que ficam. - Disse ele...
- Aqui?! Estamos numa autoestrada. - Dissemos em português para ele não perceber e seria difíccil explicar que não podemos estar numa auto-estrada. Ah, mas estamos na Turquia!
Ficámos ali... olhámos para a placa e não queríamos acreditar no que vimos: Konia - 180 kms. O quê?! Estávamos mesmo chateados! Ainda por cima havia muito poucos carros a passar. Tentámos não pedir boleia a camiões pois seria difícil chegar a Antalia nesse mesmo dia. Uma carrinha parou e levou-nos para um sítio onde seria mais fácil apanhar boleia. E não é que foi fácil! Nem tivemos o trabalho de estenter o polegar! Ele mandou parar uma carrinha e pediu para nos levar! Muito bom! Ficámos deitados na parte de trás e isso para mim foi do melhor!!!


Voltámos a ver neve e passámos por estradas incríveis! Eles foram impecáveis, até nos estávamos a sentir mal pois não nos deixavam pagar nada e eles compravam-nos tudo!
Parámos a 80 kms de Antalia e fomos jantar. Tudo por "conta da casa". As horas iam passando e nós começávamos a ficar preocupados. Quando soubemos que eles iam ficar ali e nós teríamos que procurar outra boleia, nesse momento é que ficámos ainda mais preocupados, pois estava a ficar escuro e a Peren estava à nossa espera. Levaram-nos para um sítio melhor e foi um camião que nos saiu na rifa. Íamos a 80 km/h, não mais, mas não nos podíamos queixar. Foram uns longos kms...


Finalmente em Antalia! Gostámos bastante e sentimo-nos em Portugal. Fez-nos lembrar Lagos. O centro é muito bonito mas claro, muito turístico. Muitos alemães, muitos russos e encontrámos portugueses! Muitos portugueses.
- Eu conheço-vos! Vi-vos na televisão. Eu até sei o que levam nos sacos! - Disse uma portuguesa.
Já estávamos com saudade de ouvir português e falar com outras pessoas na nossa língua!


Passámos os dias com a Peren, uma turca que fez Erasmos em Portugal. Não visitámos muito mas soube bem não termos planos. Preferimos estar com ela e conhecermos alguns café e restaurantes! Muito comemos!!!
Estávamos cada vez mais perto das nossas meninas e estávamos cheios de saudades! Sair de Antalia significava pedirmos a nossa última boleia e conseguimos uma muito boa, que nos levou quase até ao destino. Não foi nenhum camião, o que significou que íamos a mais de 80 kms/h! Íamos a tanta velocidade que o condutor até recebeu uma multa! Mais uma vez, não conseguimos pagar nada. Eles alimentaram-nos como se fossem nossos pais. Parámos para lavar o carro e não escondemos as gargalhadas, quando vimos uma senhora a correr com 4 chás. Enquanto o carro estava a ser lavado, nós estávamos no interior a beber um belo de um chá! Não falámos muito mas foi das melhores boleias que tivemos! Chegámos a Adana e achámos melhor fazer o resto do caminho de autocarro, pois estava a chover e noite cerrada...
E assim foi, entrámos no autocarro, onde o condutor que fumava e falava ao telemóvel, nos levou até Iskenderon onde voltámos a ver as nossas meninas! Que saudades que tínhamos delas!

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