god bless you

O calor começa a aparecer e sente-se mais quando nos encontramos numa subida. Subir custa, subir custa sempre, mas conseguir chegar ao topo, faz-nos sentir bem! Sentimo-nos grandes, fortes e sentimos que estamos verdadeiramente a viajar de bicicleta. No entanto, só nos lembramos dessas coisas boas, quando estamos no topo, até lá, as nossas caras não mostram nenhum prazer.
O Padre Lucas, falou-nos de uma freira portuguesa que estava num mosteiro a 40 kms de Mar Musa. Fomos à procura dela e encontrámo-la! Não perguntámos a idade mas deve ter uns 28. Com 16 anos, descobriu que tinha de seguir o caminho de Deus e assim foi!

Assistimos à missa mais emocionante das nossas vidas! Não foi possível disfarçar as lágrimas e não conseguíamos falar devido ao gigante nó na garganta! Soubemos que se tratava de um dia especial. Católicos e protestantes juntaram-se e misturaram diferentes formas de louvar o Senhor. As pessoas entregavam-se por completo nas suas orações. Via-se a fé deles, via-se a sua devoção. Cantavam com alegria, com energia e o corpo dançava. As pessoas saltavam como num concerto de rock, o padre juntou-se às crianças, que formaram uma roda. As pessoas tiravam fotografias. Terminava uma canção, começavam outra, ainda mais animada e o nosso nó, não parava de crescer. Nunca assistimos a nada assim. Foi forte ver toda aquela entrega, aquele fé! À hora do jantar, a conversa foi toda direccionada para a religião e até nos disseram que éramos uns bom católicos, depois de saberem da nossa viagem e os motivos desta. Não tivemos coragem de dizer que não seguimos nenhuma religião, apenas tentamos ser boas pessoas. A conversa continuava entre os “aleluia” e os “god bless you”!

Partimos, sabendo que entraríamos numa oração do americano que queria ser monge.
Homs era um dos pontos de passagem para podermos estender os vistos.
- No problem! - Dizia o senhor por detrás do balcão.
- Há problema sim. O visto está a acabar. – Dizia Rafael.
- No problem! - Insistia.
- Não temos tempo para sair do país em 5 dias! Estamos em bicicleta. – Explicava Rafael .
Ele continuava com o “no problem” e depois percebemos que quando tiramos o visto para um mês, este equivale a 54 dias… e quem tira um visto de 15 dias, estes tem direito a um mês. Não nos perguntem porquê, mas parece que é assim.

Fomos à procura de uma igreja para nos darem alojamento mas há uns anos atrás, eles deixaram de abrir as portas aos viajantes, por causa da polícia… a polícia proibi-os, dizendo que aquilo não era nenhum hotel. Não conseguimos nenhum quarto. Começámos a caminhar, à procura de outra entrada para voltar a tentar a nossa sorte quando à nossa frente, se aproxima um rapaz a empurrar um carrinho de bebé.
- Não tem cara de sírio. – Dizia Rafael.
À medida que caminhávamos, os sorrisos dos três ficavam maiores.
- Olá, são de onde? – Perguntou ele.
- Somos de Portugal.
- Precisam de alguma ajuda?
- Estamos à procura de um sítio para passar a noite.
- Querem ficar em minha casa? - Perguntou, sem hesitar.
- Claro! De onde és? – Estávamos com curiosidade.
- Sou francês e estou casado com uma síria.
Claro! Só podia ser francês! Sempre tivemos sorte com os franceses e mesmo fora de França, continuam a mostrar a sua hospitalidade para connosco! Passámos duas noites divertidas com a família dele, a mulher Mira e o filho Martin. Rimo-nos com as suas histórias e deliciámo-nos com os seus cocktails de fruta. Enchemos a máquina de lavar roupa e saímos de Homs com um cheirinho a lavadinhos!

1 comentário:

Cisfranco disse...

Muito bem. Tenho gostado muito dos vossos relatos e deste ainda mais, com letra grande onde deve ser. Só o título tem senão...

Boa viagem!

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