Primeira manhã na Índia! O meu lado da cama
parecia que tinha pulgas! Sentia-me como uma criança que acorda os pais bem
cedinho, para ir para a rua brincar! Toda eu estava desperta mas sentia o
Rafael num sono profundo… Os guardas já falavam aos berros entre eles. “Mas que
horas serão? Não tenho sono nenhum… como é que ele ainda consegue dormir?”
Estava curiosa para ver o movimento das ruas, para ver as pessoas, os sumos
naturais, as frutas, as pulseiras, os anéis, os sacos, as cores… Mas o
telemóvel, sem piedade, falou: “Dorme mais um pouquinho que ainda são só 5:30!”.
O melhor era fechar os olhos e esperar pelo despertar do Rafael.
Finalmente: hora do banho matinal, bem
fresquinho! O corpo estava pronto para sair à rua e lá fomos nós!
“Táxi? (…) Querem ver a minha loja? (…) Rickshaw? (…) Faço um preço especial
para vocês! (…) Táxi? (…) Hachiche? (…) Pequeno-allmoço? (…) Tenho mais cores
no interior da loja! (…) Fruta? (…) Sumo? (…) Rickshaw? (…)”
Foi um bombardeamento de perguntas! Era
difícil absorver tudo. Temos de ter atenção aos carros, às motas, às
bicicletas, às pessoas e tentar responder a tudo com um sorriso. “Não obrigada!
(…) Obrigada! (…) Não! (…) Não!” Garanto-vos que não é fácil e chegamos ao fim
do dia cansados!
- Isto sabe mais a laranja… - Disse, um pouco
desconsolada…
- Eles não limpam as máquinas e este ananás
não tem sabor nenhum… - Queixava-se o Rafael.
Mesmo ao lado, um senhor vendia uns pratinhos
com fruta cortada. Pedi!
- Não acredito! Tem sal… Mas porquê? –
Queixava-me mas comia tudo, no entanto nada me satisfazia.
Para almoço, fomos a uma pizzaria! Ainda é
cedo para se estar cansado da comida indiana mas para não cansar, decidimos
começar a intercalar sabores bem nossos conhecidos!
- Não sei porquê, mas tinha outro sabor da
Índia na mente. Até agora, prefiro os restaurantes indianos em Portugal! –
Estava um pouco triste.
- Quando estive cá, as coisas pareciam-me bem
melhor. Deve ser por estarmos nesta zona. Vais ver, isto vai melhorar! – Dizia
o Rafael, também ele um pouco desconsolado com os sabores.
Há uma coisa que ainda não percebi neste
enceramento. Será que as tropas levam aquilo a sério? É um mostrar de forças?
Ou é apenas um espectáculo para fazer rir? A nós, divertiu-nos muito e ficámos
admirados ao ver tanto entusiasmo, tanto patriotismo, deste nosso novo país!
Em Amritsar,
visitámos o Mata Temple. Divido a
visita em duas partes: primeira parte é assistir aos cânticos e à adoração à guru
Lal Devi. Ali as pessoas são
alimentadas com a alimentação que a “santa” tinha em vida, fruta e sumo. Tudo
gratuito.
Segunda parte chega, quando subimos umas
escadas e nos surpreendemos com um labirinto de vários andares, com passagens
estreitas que nos levam a salas espelhadas com imagens dos deuses. Cada curva é
uma surpresa e novas cores. Não eram só os deuses que eram fotografados e
admirados. Nós continuávamos a ser o maior centro das atenções! Os pedidos de
fotografias continuavam em grande e nós não recusámos nenhum pedido!
De novo nas ruas confusas e sem regras. Os
novos sabores continuavam a ser bem-vindos. Provámos o Lassi doce, o gelado Kufi
que o Rafael ficou fã! A mim, esse gelado feito de especiarias, não me
entusiasmou. Para dizer a verdade, nada me entusiasmava mas sentia que a Índia
iria ser um país bem diferente dos outros. Havia ali algo que me fascinava mas
ainda não conseguia ver. As diferenças, nas pessoas, nos hábitos, atraiam-me,
mas algo não estava a bater certo… O Rafael, estava a sentir o mesmo, ele que
há 7 anos atrás andou neste país durante 6 meses! Algo de estranho se estava a
passar…
Hora de partir e ganhar coragem para pegar nas
bicicletas mas antes, um guarda veio ao nosso encontro:
- Têm de dar um donativo.
- Já demos o donativo numa das caixas para esse
efeito. – Respondemos um pouco admirados, pois somos livres de não dar.
- É um donativo aqui para o guarda.
Respondemos ao não respondermos?
Ignorámos e partimos!
1 comentário:
Viagens e fotos fantásticas. Gostei muito de tudo por aqui. Principalmente pelo colorido que a India oferece. Mas eu sei que vão continuar pelaí...
Grande abraço!
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