fim do paquistão

Lahore é uma cidade cheia de coisas para visitar e, ao que parece, é muito bonita. Pois… ao que parece… não podemos dizer nada em relação à cidade, mas podemos dizer que passámos a tratar uma gelataria por “tu”.

Chegámos a Lahore no famoso “dia não”. Tínhamos um contacto de um couchsurfing mas sentimo-nos obrigados a cancelar o nosso encontro. Não estávamos com energia, nem boa cara para nos encontrarmos com quem quer que fosse…

Tínhamos na carteira dinheiro suficiente para passarmos duas noites num humilde hotel. Não mais que duas noites! Não é que o nosso visto estivesse a terminar, não era esse o caso. O que não queríamos era levantar mais dinheiro e voltar a pagar as taxas que os bancos, portugueses, exigem. Duas noites, não mais! Combinado!

Depois de termos subido dois terroríficos andares, entrámos, finalmente, no quarto que mais parecia um forno! Duas noites, apenas duas noites quentes de morrer! Era impossível ficar mais que duas noites e sempre ouvi dizer que não faz bem ao corpo muitos dias seguidos de sauna.

Depois de um banho de água fria – maravilha – saímos para procurar, sem muita vontade, algo para comer. O Rafael continuava na sua dieta de picante. Sendo assim, acabei por comer metade do seu veg burger. Foi logo a seguir ao jantar que nos apaixonámos. Bastou um olhar para sentirmos o coração aos pulos, o queixo a tocar no chão, a língua a tombar para a esquerda, sentirmos o rabo a empinar levantando os pés do chão e sermos levados lentamente para a entrada da gelataria! E foi assim que tudo começou e esse foi o único “monumento” que visitámos!

Fomos de gelado na mão em direcção ao hotel mas por um caminho diferente. Mas porquê??? Claro que não ia correr bem! Perdemo-nos… Estávamos cansados do dia, do “dia não” e claro que não ia acabar bem! Andámos às voltas e às voltas e as minhas pernas doíam cada vez mais. Só queria estalar os dedos e dar por mim no quarto, mas se isso acontecesse, aposto que o mosquito do dengue estaria lá à nossa espera!

Duas noites, não mais! E assim foi. Voltámos a descer os dois andares, com escadaria bastante inclinada e com altos degraus. Andes de partir, já estávamos a escorrer.

“Tanya, este é um novo dia. Vais entrar na Índia! Estás contente? Não era isso que querias? Vai com calma, vai tudo correr bem! As tuas trombas vão passar, vais ver! Só estás a precisar de um novo país. Estás a olhar para onde, oh tu! É preciso andar tapada como a tua mulher para não olhares? Estou a falar contigo! Pára de olhar e de fazer esse sorriso!”

Pedalámos com poucas paragens até à fronteira. Continuava a ignorar os bons dias e a tentar ignorar todos os olhares masculinos. As minhas trombas eram mais sagradas que as trombas dos elefantes da Índia!

- Olha a fronteira! Chegámos! Como te sentes? – Perguntou a Rafael.

- Bem… Não sei… Pensei que ia ficar mais entusiasmada mas não… Vamos ver.


Saímos do Paquistão sem problemas, e fomos, pé ante pé, ou pedal ante pedal, em direcção ao Ghandi, que nos dava as boas vindas. 

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