Não é fácil não!

Grande notícia! 2numundo estão de volta à estrada e estão cheios de energia!

55 quilómetros depois, a energia fugiu a 7 pés e encostámos às boxes… O caminho era do mais desinteressante, as pessoas insistiam em não ser simpáticas, a comida continuava picante… Não há qualquer tipo de dúvida - continuávamos na Índia!

Chato, chato, chato! Que estrada chata, que estrada plana, que estrada… ok, com um bom pavimento mas nem por isso deixa de ser chata! E depois há os chatos humanos:

- What’s your nome? – Pergunta um chato.

- Paralelepípedo. – Responde o Rafael.

- Good nome!

Prefiro não revelar o nome que me dei para não levar duas chapadas da minha mãe, à nossa chegada, acompanhadas com uma mão cheia de pimenta na boca.

Depois temos outro tipo de chatos – os especiais de corrida. Aqueles que estão a morrer nas suas bicicletas sem mudança e que, à nossa passagem, despertam e ganham energia como se Red Bull tivessem tomado. Somos ultrapassados pelos ciclistas de camisola amarela que ficam à espera de serem ultrapassados (só assim o jogo tem piada). Eles adoram esse joguinho que pode parecer inofensivo, divertido e não-custa-nada-brincar. Nós detestamos e quando perdemos a paciência terminamos o jogo muitas vezes com batotice pois somos mauzinhos! Uuuuh… Cartão vermelho para os 2numundo mas quem sai da corrida, são os especiais de corrida.

Há uns chatos que não são bem chatos mas chateiam a nossa paciência.

- Palwal? – Perguntamos a direcção de terra onde queremos chegar, esperando uma resposta ou um braço estendido a indicar o caminho.

Não temos qualquer tipo de resposta… Temos sim uma cara de espanto, de admiração de não-sei-o-quê, de boca aberta, mostrando os dentes vermelhos, acabando por escarrar o excesso de “Pan”. Não é uma imagem nada agradável de ver e depois de muitos quilómetros nas pernas, nos ombros, nas costas, no rabo, não há paciência para esperar por qualquer tipo de reacção…  

Chegámos a Palwal, conhecem? Não vale a pena. Não foi fácil encontrar um hotel que nos aceitasse. Fora das zonas turísticas, é impossível negociar os preços e é nessas zonas que os hotéis se tornam mais puxadinhos no preço. Mas que podemos fazer? Ainda não encontrámos nenhum indiano hospitaleiro… e montar a tenda, é coisa que não queremos experienciar.

O nosso quarto de hotel era também sala de estar e sala de jantar, sendo a cama, mesa e cadeiras. Jantar picante engolido forçadamente (da minha parte, pois já não suporto o picante), uma olhadela para o ecrã da televisão e xixi cama – xixi numa sanita.

Novo dia. “Mas quem me mandou enviar os calções de ciclista para Portugal?” Há dias que penso muito neles e ao ver a cara de sofrimento do Rafael a tentar sentar-se no selim, sei que ele também sente remorsos de os ter enviado. Sabíamos que iríamos ter um dia de ui-ui-ai-ui-ai-ai.

 Mathura! O caminho até lá continuava desinteressantíssimo, sujo, chato, nós sem paciência, com gritos, com buzinas, com caras nada simpáticas, com colas colantes até dizer chega! Tivemos o azar de ter um furo! Um furo na Índia não é nada agradável, acreditem! A sorte de se viajar de mochila às costas por aqui, é que não se ganham furos!

A multidão apareceu para o espectáculo dos saltimbancos: os 2numundo e o furo no pneu!
Queríamos remenda-lo o mais depressa possível. Não queríamos que fosse de outra forma. Velocidade nas mãos! Depois aparecem aquelas frases que as mães ou as avós dizem: “devagar se vai ao longe”; “quanto mais depressa mais devagar”. Como por milagre, o injector partiu! Pronto, e agora? Estamos rodeados de indianos e nenhum se ofereceu para ajudar. Ah! Houve um, sim!

- Por 10 Rupias, eles podem colar isto. – O Chico-Esperto falou.

Apareceu, vindo do nada, furando a multidão, um anjo sem asas que tinha uma oficina mesmo ao nosso lado. Tivemos uma bela ajuda e aproveitei que o Rafael se tinha afastado para me levantar e com o pneu na mão, tentar afastar o maior número de pessoas!

Pensava que o foco principal fosse a câmara-de-ar furada mas quando o Rafael se afastou, ninguém o seguiu… Continuei rodeada, como se fosse um bicho estranho numa jaula. Levantei-me e enxotei-os como se de moscas se tratassem, com a ajuda do pneu que movimentava violentamente de um lado para o outro. Resultou um pouco, mas o que consegui provocar foi riso, que me deixava ainda mais fula! Foi preciso dois senhores de muita idade dizerem meia dúzia de palavras, para conseguir respirar, sentar-me com calma e guardar lugar para o Rafael.

Bicicleta pronta, perguntámos ao senhor anjo, quanto seria pela ajuda.

- 20 Rupias! - Gritou um da multidão.

O anjo apertou a mão ao Rafael e depois levou a mão ao peito dizendo que não era nada. Ui, não é nada? Agradecemos e partimos.

Chegar a Agra foi uma boa experiência. O trânsito estava caótico. Ninguém se mexia, ou melhor, apenas os dedinhos nas buzinas. Devem pensar que são o Moisés e que à sua buzina, os carros, as motas, as vacas, as bicicletas, as carroças, afastam-se, abrindo caminho para suas excelências.

A regra é não ter regras. Não podemos deixar passar ninguém, pois ninguém nos vai deixar passar. Há sempre um buraquinho para nós. Eles são obrigados a parar pois nós não paramos e quando não podemos fazer nada e ficamos parados, discutimos com o vizinho de trás.

- Mas o que é que estás a fazer? – Pergunta o Rafael ao vizinho do lado com o dedo colado na buzina com ar sereno.

- A buzinar. – Responde, achando ridícula a pergunta.

- Claro que estás a buzinar! Mas porquê??? PÁRA!!! Não vais a lado nenhum a buzinar!
Depois há os que acham piada ao verem-nos reclamar e mal viramos costas, voltam a buzinar.

- Estás a armar-te em parvo? O que fazes agora? Queres passar por cima de mim? Vá passa, oh boi! (Adoro a palavra boi! É rápida de dizer, pois digo em português para não ofender ninguém. É a palavra que mais gosto de dizer! Escorrega bem na boca: boi! Não é bom? Boi!)

O riso deles desaparece e ficam preocupados ao ver que os carros da frente voltaram a andar.

- Ah pois é! E agora? Queres passar não queres? Pois vais passar quando eu quiser! Vá buzina agora ou passa por cima de mim, oh BOI! – Tenho sempre que terminar as minhas frases com boi. Por favor não me interpretem mal. É mais um vício de boca que adquiri, mas às vezes sai bem sentido.

É uma grande adrenalina e um grande gozo, pedalar em grandes cidades, mas é também a morte do corpo e da alma, da paciência e da harmonia. Pedalar na Índia é a morte de tudo!
Finalmente chegámos à rua dos hotéis, e escolhemos o hotel dos proprietários muçulmanos. Confiamos mais neles que nos hindus. Acham estranho? Ah pois é, amigos! Negociámos um bom preço, e fizemos do quarto o nosso ninho! Lavámos a roupa e montámos o “estendal” no quarto. O cheiro a roupa lavada passou a mofo devido à falta de ar no quarto. Tristeza…
Banho frio e fomos para a rua!

I Love You em Mammallapuram



Olha que 3

A praia terminou, assim como a mochila às costas. As férias de um mês passaram a correr mas vamos revelar um pequeno segredo: estamos com saudades das nossas meninas que ficaram aprisionadas numa varanda.

De volta a Delhi e à confusão mas vamos revelar outro pequeno segredo: Adorámos esta capital da forma como a vivemos. Sim, voltámos para a casa do senhor embaixador! Delhi passa a ser diferente assim. Deixa de ser Delhi. A própria Índia deixa de ser a Índia. A comida deixa de ser picante e passa a ser familiar. Há vinho para alegrar o corpo, há conforto para descansar o mesmo. Há alegria e boa disposição com gargalhadas festivas. O Natal está a chegar. A neta do casal chegou para a árvore de Natal ser decorada. Sentimo-nos bem naquela casa e por isso, sair, foi algo de muito complicado.

Conseguimos a extensão para mais um mês, graças ao trabalho impecável da nossa Embaixada, mas claro que não foi chegar e carimbo no passaporte… Ainda tivemos dois dias a lutar por aquilo que já sabíamos que íamos conseguir, mas isto é Índia… “Vão para ali, vão para acolá, ai e tal, afinal não é aqui, tem de ser ali. Aqui?! Claro que não, é ali. Desculpe mas não temos o vosso registo.” Não entendemos como é possível existir tanta falta de organização num espaço só! Resultado final: Ganhámos! Temos mais um mês!

Estava na hora de sair de Delhi e aceitar o convite para almoçar em casa da família Azeredo, onde acabámos por passar uns dias. O almoço não podia ser mais português! Voltar a comer feijão-frade com cebola e salsa e o tão delicioso fio de azeite, levou-nos ao céu, mas eu fui direitinha para o inferno quando terminei com um prato de bacalhau com natas…

- Tenho ali um bacalhau com natas, mas vocês são vegetarianos… é pena, porque está muito bom! – Disse a Maria da Graça.

- A Tanya anda a desejar esse prato há meses. – O Rafael não conseguiu manter a boca calada.

- Sério? Então vou mandar aquecer um pouco, não há problema!

- Não é preciso, só se for um bocadinho… Oh, não, mas agora estou a comer o feijão-frade e estou nas nuvens! Mas… Pronto, ok eu como um pouco… - Mas o que foi que acabei de dizer.

E pronto, foi assim que depois de 5 anos, voltei a deliciar-me com bacalhau… e o Rafael foi o diabinho que me provocou e eu não resisti. Se estava bom? Nem vou responder a esta pergunta para não me sentir mal comigo mesma.


Mais uma família portuguesa incrível! Sabe tão bem conhecer lusitanos fora da nossa nação! Soube bem comer um pequeno-almoço com os nossos sabores, comer pão-de-ló, comer crepes com Nutella, comer para engordar e beber sem esquecer! Mas o mais importante foi ter conhecido as pessoas que conhecemos e que nos mimaram!


Hora de mudar de casa para passarmos por todas as capelinhas. Desta vez fomos para a casa da família Cunha. Não é necessário dizer que foi incrível. Estávamos de novo rodeados de mimos de comida, de tremoços e de longas conversas! Os crepes com Nutella já faziam parte do nosso menu diário e as noites regadas com álcool moderado! Viva as caipirinhas e o vinho tinto!

Aproveitámos esses dias para voltar a Delhi. Visitámos o Humayun’s Tomb e o Lotus Temple. Não podíamos sair sem visitar certas coisas. Tinha curiosidade com o Lotus Temple pela sua arquitectura. Não me desiludio mas o seu interior, pouco mexeu comigo.


Passeámo-nos por ruas já nossas conhecidas para voltar a estar com a Celine, a belga que conhecemos em Goa. Passeámo-nos por ruas que deixaram as nossas almas parvas. Já não é estranho vermos pessoas a defecar ao ar livre, mas foi a primeira ver que vimos em plena rua, em plena capital, sem qualquer tipo de pudor. Ele estava em “casa”, aquele era o passeio dele, da família dele e de muitas outras famílias. Ali dormem, ali comem, ali tomam o banho e ali defecam porque sim, porque é natural, porque estão com vontade e pronto. Ponto final.


A hora da partida era sempre adiada. Estava a ser dificil assumirmos uma data. Lavámos as bicicletas com um banho de espuma mas ainda não estávamos prontos para dizer adeus.  Aceitámos o convite para falarmos na British School, onde estão a estudar os filhos das duas famílias. Foi mais uma boa experiência! 

É incrível a mistura de nacionalidades que encontrámos numa turma só! Lá se encontram turmas Benneton.
Prepáramos as bicicletas com um sentimento estranho. Temos de continuar viagem mas despedirmo-nos de mais duas famílias portuguesas, era coisa que não nos agradava.

Foi tudo muito rápido… Foi como eu gosto, sem grandes abraços para não provocar a lágrima. Foi um até já como se voltássemos para almoçar, mas desta vez almoçámos na rua, já longe das pessoas que nos deram tanto e a quem queremos agradecer do fundo do nosso coração!

Relaxar na Índia


Relaxar com uma massagem facial! É mesmo isso que estou a precisar! Adoro massagens!
Nem precisei de me deslocar, pois a massagista faz o trabalho ao domicílio! Maravilha!
Não custa nada! Recebi instruções para me deitar e relaxar. Óptimo, é mesmo isso que quero. A massagista senta-se por atrás da minha cabeça. A porta continua aberta e toda a família - mulheres - continuam no quarto. “Devem sair quando a massagem começar. Hummm vou adorar!”

Fita na cabeça para não sujar o cabelo. Mas que bem, que profissional! As mulheres ainda não saíram e a massagista já estava com as mãos num boião de creme e… começou! Começou a massagem e começou a conversa!

“Espera aí? Elas não vão sair?” Não tive coragem para dizer o que quer que fosse. Tentei concentrar-me nos movimentos repetitivos… Tentei pedir para desligarem a ventoinha para não sentir a minha cara fria com tanto creme e retirar um som daquele quarto concorrido. Não desligaram... reduziram.

As vozes agudas continuavam com a sua discussão e eu, depressa desisti de esperar por umas excelentes e relaxantes massagens. “Ok, estou na Índia, vou absorver esta nova experiência e rir-me mais tarde”.

Mais uma camada de creme e já sentia os meus olhos colados. Os movimentos continuavam a não surpreender e já sabia a sequência de cor e salteado. O telemóvel toca. Era o telemóvel da massagista. Com uma mão, atende o telemóvel e com a outra, continua a massagem. A sua voz aguda mesmo em cima de mim, discute freneticamente e no meio da conversa, escapa um perdigoto que cai na minha testa e que se mistura com o creme. “Pas de problème!” fim da conversa e recomeça a conversa com as pessoas presentes no quarto.
Mas que bela experiência. “Diga? Quer arrotar? Mas qual é o problema! Arrote pr’aí!” Sem qualquer problema, a senhora arrotou, sim, arrotou porque tinha vontade. Tem vontade arrota, mesmo se está a fazer uma massagem. “Mas o que é isto?” e mordo o interior do lábio para não me rir do sucedido.


Sinto um pano húmido a limpar-me a cara e novo creme, desta vez é argila. Sinto uma grande camada na cara e “Finish”.

Voltei para casa com a cara verde e com instruções que quando secasse, podia lavar a cara.


Se relaxei? Aaaahahahahahaaaah

xixi

"Não vou escrever isto no blogue” Pensava enquanto gotas desuor me caiam pela face. “Respira fundo Tanya, concentra-te”

- É preciso tanto tempo? – Dizia o Rafael sem piedade.

- Estou a concentrar-me!

Não é fácil viajar num autocarro quando se está com umainfecção urinária… Estávamos num autocarro com um compartimento com duas camas,onde podíamos fechar o compartimento e escondermo-nos, fechando a cortina.Tínhamos tudo para poder fazer uma boa viagem de 15 horas. Passado pouco maisde uma hora, a minha bexiga dava sinal de vida e de desespero. Tenteidistrair-me olhando para o mundo lá fora e tirar umas quantas fotografias.

- Eh ouh, estou a ficar sem espaço para a tua urina, o quefoi que andaste a beber? – Esta é a minha bexiga a pensar que é gente.

- Qual beber qual carapuça. Não ando a beber nada com medode ti nestes cenários!

Desisti da máquina fotográfica e deitei-me para ver seconseguia dormir um pouco e esquecer o assunto.

- Ah, isso é que era bom! Se te deitares de lado, vou ficarmais apertadinha. Viste! Eu avisei! Ok, assim aguento mais um pouco mas nempenses que te vou deixar adormecer! – Continuava a minha miss bexiga.

Tentava levar o meu pensamento para longe. Comecei a pensarno nosso regresso a Portugal, na festa surpresa de carnaval. Sim, surpresa, atélá vou esquecer e vou fazer a minha melhor cara de admirada com a surpresa! Umafesta fora da data de carnaval mas todos mascarados, num grande jantar cheio deamigos! Com uma mesa cheia de comida, sim muita comida! Depois comecei a pensarno meu sobrinho, o meu super herói. Ele está enorme! Estou ansiosa para estarcom ele e contar todas as minhas aventuras! Quero acampar com ele, nem que sejano quintal da minha avó!

- Já te distraíste com esses pensamentos lamechas? Entroumais uma gota de urina e não estou a gostar deste entra entra e ninguém sai.

Ainda não tínhamos saído de Mumbai e já tinham passado 3 horas!Incrível como isto é e como o trânsito é sufocante! Fui ter com o motorista,quando este parou o autocarro.

- Onde posso encontrar uma casa de banho?

- Não há casa de banhos. Podes fazer ali. – Respondeu semter olhado para a minha cara que vertia xixi pelos olhos!

Ali? Mas ali onde? Saí do autocarro, fui para o passeio enada, não havia nada, era um grande buraco com muito lixo lá em baixo e muitoshomens de pila na mão a aliviarem-se. Voltei a entrar com a minha cara depoucos amigos.

Começava a não encontrar pensamentos alegres para medistrair… Voltei a dirigir-me ao motorista.

- Quando é que paramos? É que estou com muita vontade de ira uma casa de banho!

- Só paramos daqui a 3 horas. – Disse ele na maior dascalmas.

3 horas?! Não! Só pode estar a gozar! Então ele não me estáa ouvir? Não vou aguentar 3 horas!!!

- Não está a perceber. Não dá para parar num café para poderir à casa de banho?

- Não.

- Não aguentou!

- Só daqui a 3 horas.

- Então pronto, vou entrar num compartimento vazio e faço o meu xixi numa das camas! Eu estou a avisar!

E ignorou-me! Encolheu os ombros num faz-o-que-tu-quiseres.Que nervos! Voltei para o compartimento e comecei a pensar “como possolivrar-me deste xixi na bexiga? Se fosse menino, punha a pilinha para fora dajanela.” Não posso pensar nos “ses” tenho de pensar em algo possível. Olheipara a garrafa de plástico que estava quase vazia e comecei a estudá-la. “Possofazer um Pee Style!

- Não queres beber o resto desta água? Estou a pensar fazerum Pee Style com a garrafa. Como é que posso cortar? Corto a meio e fica tipopenico? Ou faço como o pee style mas sem o xixi sair? – Expus as minhasdúvidas.


O Rafael bebeu o resto da água, eu agarrei-me à tesoura.Cortei um quadrado, onde a minha pombinha ia ficar bem instalada e pronto,trabalho concluído! Agora é só fechar a cortina e aliviar-me.

- Que vergonha! Não vou escrever nada disto no blogue!Quando contar isto à minha mãe ela vai partir-se
a rir! Nunca na minha vidapensei em fazer xixi num autocarro!

- Cala-te e faz. – Dizia o Rafael.

- Espera, não estou a conseguir.

- Não estavas cheia de vontade?

- E pensas que sai assim? Não consigo…

Desisti…

- Como não consegues? Deixa-te de coisas e ajuda-me a ficarvazia! – Cá está, a minha bexiga a meter-se na conversa.

Tentei outra vez e nada… Com o autocarro em andamento eraimpossível ficar relaxada e aliviar-me.

- Aproveita agora que estamos parados. - Disse o Rafaelquerendo ajudar.


Concentrei-me, pensei em água a correr, em cascatas, emfontes, em água muita água e… está quase… estou a sentir… uma gota, a gotacorajosa saiu e todas as outras voltaram para trás quando sentiram o autocarroa arrancar… Não me podia estar a acontecer isto! Estava cheia de calor,transpirava… “Vá lá Tanya, concentra-te” e timidamente o xixi apareceu, pé antepé, fazendo-me soltar pequenos risos de alegria e demas-o-que-é-que-estou-a-fazer?

Alegria, alegria! Consegui!!! Pois é meninas! Temos de nosdesenrascar!

- Ouve lá, oh bexiga! Tanta coisa e só tinhas isto?

- E diz lá se não estás aliviada?

Estava, mas passado meia hora, a bexiga começava achatear-me.

- Já me estou a sentir com muitas passageiras dentro de mim…

Correria nos transportes

Visitámos os Chola Linving Temples em poucas horas, dando-nos tempo para apanharmos outro autocarro com destino a Chennai. Não queiram imaginar o nosso cansaço! Desde que saímos de Cochim, temos apanhado autocarros locais, que aqui na Índia fazem centenas de quilómetros! Os assentos não são confortáveis, as pessoas passam horas em pé e muitas vezes apertadas. A limpeza é inexistente e as paragens são inúmeras. Resumindo: um espectáculo!

Chegámos a Chennai às 4 da manhã… A sala de atendimento aos turistas, só abria às 8! O que fazemos? Fomos à procura de um hotel e nada… Tudo cheio e os que não estavam cheios, custavam os olhos da cara! Voltámos para a estação.

- Fazemos como eles? Acho que é o melhor… - Dizia já cansada e farta de procurar hotéis, olhando para o mar de gente a dormir no chão, dentro e fora da estação.

- Oh, pá… Não quero nada e ainda por cima, isto está cheio de ratazanas. – O Rafael não estava convencido com a nossa única solução.

Dois turistas no meio dos indianos… Seria a primeira vez? Não chegávamos a nenhum consenso, o nosso cansaço começava a transformar-se em irritação, um para com o outro. Começámos a não nos entendermos e o melhor foi ficar em silêncio. Os guardas não nos deixavam estar onde queríamos… Fomos obrigados a juntar-nos às centenas de pessoas estendidas no chão. Estava cansada, não me importei! Estendemos um pano e descansámos com a companhia de um cão que nos adoptou durante aquelas horas! O pano era grande, o
suficiente para três!

Quando o atendimento ao turista abriu as portas, já estávamos a marcar presença!

- Não temos bilhetes para Ahmdabad. O que podem fazer, é tirarem daqui para Mumbai e de lá tentarem tirar para os restantes sítios. – Explicou-nos a senhora, que por milagre, era simpática, ou melhor, poucos sorrisos mas prestável e profissional.

E assim foi. Reservámos os bilhetes e fomos apanhar outro autocarro para Mamallapuram. O nosso objectivo não era ficar em Chennai. Queríamos voltar a ver o mar e descansar os poucos dias que nos restavam de férias.

Mais umas horinhas no autocarro onde o Rafael se passou com o homem dos bilhetes! Mas que falta de respeito para com as pessoas! É incrível! Sem pedir licença, empurra o Rafael para este ser mais uma sardinha na lata.

- Comigo não falas assim nem me tratas assim, percebeste? Não vou para ali! Paguei o bilhete então vou onde quero. – Disse o Rafael sem se mexer.

Dito e feito! O homenzinho não gostou mas engoliu.

Mamallapuram, finalmente! Ufa, que dias… Fomos para o hotel onde o Rafael tinha estado na sua última viagem à Índia. Estávamos bem instalados. O clima não estava para grandes praias e a praia estava cheia de barcos e peixes balão sem olhos.


Vamos resumir os nossos dias: Quarto - restaurante, restaurante - quarto, quarto - templos deMamallapuram, templos de Mamallapuram - restaurante, restaurante - quarto… Isto no primeiro dia porque nos outros é só trocar os templos por “pequeno passeio na praia”.

Hora de apanhar o autocarro para Chennai e de lá, o comboio para Mumbai… uma vez mais.
Gostamos de comboios. Gostamos da vida que neles existe, das despedidas amorosas que nos tocam, das histórias que vemos e gosto de poder ir as vezes que quero à casa de banho!
Detestamos as manhãs! Neste dia, passei-me! Passei a noite numa correria à casa de banho pois a minha bexiga não se estava a portar bem. Pouco ou nada dormi e às 5:30 da manhã, uns cromos faziam a festa. Ele é música no telemóvel, ele é palmas… uma verdadeira festa.
- Podem desligar a música? São 5:30 da manhã, as pessoas querem dormir! – Tive de me levantar e dirigir-me a eles.

Fizeram sinal ao rapaz do telemóvel para desligar a música. Tudo muito bem, voltei para o meu lugar. Passado meia hora, de novo a festarola e de novo a Tanya em acção.

- Vocês não têm mesmo respeito por ninguém, não estão a ver que está toda a gente a dormir?

- São 6 da manhã, são horas de acordar! – Dizia um com cara de gozo.

- Não são vocês que decidem a que horas devemos acordar! Desliguem a música! – Já falava com o dedo mandão no ar, vendo a cara de gozo de todos e a mandarem-me calar.

Gozavam comigo e riam-se. Fiquei tão enervada! Voltei para o meu lugar chateada por ninguém dizer nada, ninguém se importar por lhes estarem a cagar nas cabeças – desculpem a expressão, mas é mesmo assim! Ninguém diz nada, ninguém se importa com nada! Eles batiam com mais energia as palmas e cantavam por cima da música irritante do telemóvel. O Rafael levantou-se e foi mandar vir com eles mas também ele foi mal recebido e gozado.
Nada a fazer, há gente parva em todo o lado!


Às 2 da tarde chegávamos a Mumbai e às 2:30 apanhámos o autocarro para Ahmedabad, pois não havia comboios… Mais umas 15 horas num compartimento com duas camas! Assim sim, viaja-se bem, mas a minha bexiga conseguiu estragar todo o prazer que poderia vir a ter!
Se o autocarro tem 50 lugares, eles conseguem vender 80 bilhetes pois nos compartimentos para duas pessoas, cabe lá dentro uma família indiana e o corredor serve de longa cama para muitos. Inacreditável!

Em Ahmedabad, ficámos com uma família Goesa já conhecida do Rafael. Fiquei apaixonada por ela desde o primeiro dia! Como foi bom ficarmos em família!


Saímos um dia para visitar a casa do Gandhi e para ver uma mesquita. Saímos outro dia para visitar um templo e um poço – poço bastante especial. Não saímos mais! Não apetecia! Estar com a família sabia melhor e a senhora preparava-nos refeições de chorar por mais! Babávamo-nos em frente à televisão, ao ver concursos e programas de culinária. Comentávamos as refeitas e a senhora corria para a cozinha para fazer qualquer coisa. Experimentei umas massagens faciais muito particulares e até fui ao dentista! Sim, fui ao dentista na Índia! Agora tenho uma cápsula prateada como recordação. O único ponto negativo que tenho a apontar, é o facto de ela me ter dado uma anestesia no céu-da-boca! Dor, muita dor!
A nossa passagem por Ahmedabad não podia ter sido melhor! Do pouco que vimos da cidade, gostámos. Muita história e limpa (dentro dos possíveis neste país), muito ampla e cheia de luz. Perdemos a visita ao museu dos tecidos que dizem valer muito a pena… Temos de deixar sempre um motivo para voltar! Eu cá quero voltar nem que seja para estar com esta maravilhosa família Menezes!


Hora da despedida e hora de um novo e último comboio!

Destino: Deli! – Fim de férias

I Love You no Palácio Tirumalai Naya


Posts mais populares