Correria nos transportes

Visitámos os Chola Linving Temples em poucas horas, dando-nos tempo para apanharmos outro autocarro com destino a Chennai. Não queiram imaginar o nosso cansaço! Desde que saímos de Cochim, temos apanhado autocarros locais, que aqui na Índia fazem centenas de quilómetros! Os assentos não são confortáveis, as pessoas passam horas em pé e muitas vezes apertadas. A limpeza é inexistente e as paragens são inúmeras. Resumindo: um espectáculo!

Chegámos a Chennai às 4 da manhã… A sala de atendimento aos turistas, só abria às 8! O que fazemos? Fomos à procura de um hotel e nada… Tudo cheio e os que não estavam cheios, custavam os olhos da cara! Voltámos para a estação.

- Fazemos como eles? Acho que é o melhor… - Dizia já cansada e farta de procurar hotéis, olhando para o mar de gente a dormir no chão, dentro e fora da estação.

- Oh, pá… Não quero nada e ainda por cima, isto está cheio de ratazanas. – O Rafael não estava convencido com a nossa única solução.

Dois turistas no meio dos indianos… Seria a primeira vez? Não chegávamos a nenhum consenso, o nosso cansaço começava a transformar-se em irritação, um para com o outro. Começámos a não nos entendermos e o melhor foi ficar em silêncio. Os guardas não nos deixavam estar onde queríamos… Fomos obrigados a juntar-nos às centenas de pessoas estendidas no chão. Estava cansada, não me importei! Estendemos um pano e descansámos com a companhia de um cão que nos adoptou durante aquelas horas! O pano era grande, o
suficiente para três!

Quando o atendimento ao turista abriu as portas, já estávamos a marcar presença!

- Não temos bilhetes para Ahmdabad. O que podem fazer, é tirarem daqui para Mumbai e de lá tentarem tirar para os restantes sítios. – Explicou-nos a senhora, que por milagre, era simpática, ou melhor, poucos sorrisos mas prestável e profissional.

E assim foi. Reservámos os bilhetes e fomos apanhar outro autocarro para Mamallapuram. O nosso objectivo não era ficar em Chennai. Queríamos voltar a ver o mar e descansar os poucos dias que nos restavam de férias.

Mais umas horinhas no autocarro onde o Rafael se passou com o homem dos bilhetes! Mas que falta de respeito para com as pessoas! É incrível! Sem pedir licença, empurra o Rafael para este ser mais uma sardinha na lata.

- Comigo não falas assim nem me tratas assim, percebeste? Não vou para ali! Paguei o bilhete então vou onde quero. – Disse o Rafael sem se mexer.

Dito e feito! O homenzinho não gostou mas engoliu.

Mamallapuram, finalmente! Ufa, que dias… Fomos para o hotel onde o Rafael tinha estado na sua última viagem à Índia. Estávamos bem instalados. O clima não estava para grandes praias e a praia estava cheia de barcos e peixes balão sem olhos.


Vamos resumir os nossos dias: Quarto - restaurante, restaurante - quarto, quarto - templos deMamallapuram, templos de Mamallapuram - restaurante, restaurante - quarto… Isto no primeiro dia porque nos outros é só trocar os templos por “pequeno passeio na praia”.

Hora de apanhar o autocarro para Chennai e de lá, o comboio para Mumbai… uma vez mais.
Gostamos de comboios. Gostamos da vida que neles existe, das despedidas amorosas que nos tocam, das histórias que vemos e gosto de poder ir as vezes que quero à casa de banho!
Detestamos as manhãs! Neste dia, passei-me! Passei a noite numa correria à casa de banho pois a minha bexiga não se estava a portar bem. Pouco ou nada dormi e às 5:30 da manhã, uns cromos faziam a festa. Ele é música no telemóvel, ele é palmas… uma verdadeira festa.
- Podem desligar a música? São 5:30 da manhã, as pessoas querem dormir! – Tive de me levantar e dirigir-me a eles.

Fizeram sinal ao rapaz do telemóvel para desligar a música. Tudo muito bem, voltei para o meu lugar. Passado meia hora, de novo a festarola e de novo a Tanya em acção.

- Vocês não têm mesmo respeito por ninguém, não estão a ver que está toda a gente a dormir?

- São 6 da manhã, são horas de acordar! – Dizia um com cara de gozo.

- Não são vocês que decidem a que horas devemos acordar! Desliguem a música! – Já falava com o dedo mandão no ar, vendo a cara de gozo de todos e a mandarem-me calar.

Gozavam comigo e riam-se. Fiquei tão enervada! Voltei para o meu lugar chateada por ninguém dizer nada, ninguém se importar por lhes estarem a cagar nas cabeças – desculpem a expressão, mas é mesmo assim! Ninguém diz nada, ninguém se importa com nada! Eles batiam com mais energia as palmas e cantavam por cima da música irritante do telemóvel. O Rafael levantou-se e foi mandar vir com eles mas também ele foi mal recebido e gozado.
Nada a fazer, há gente parva em todo o lado!


Às 2 da tarde chegávamos a Mumbai e às 2:30 apanhámos o autocarro para Ahmedabad, pois não havia comboios… Mais umas 15 horas num compartimento com duas camas! Assim sim, viaja-se bem, mas a minha bexiga conseguiu estragar todo o prazer que poderia vir a ter!
Se o autocarro tem 50 lugares, eles conseguem vender 80 bilhetes pois nos compartimentos para duas pessoas, cabe lá dentro uma família indiana e o corredor serve de longa cama para muitos. Inacreditável!

Em Ahmedabad, ficámos com uma família Goesa já conhecida do Rafael. Fiquei apaixonada por ela desde o primeiro dia! Como foi bom ficarmos em família!


Saímos um dia para visitar a casa do Gandhi e para ver uma mesquita. Saímos outro dia para visitar um templo e um poço – poço bastante especial. Não saímos mais! Não apetecia! Estar com a família sabia melhor e a senhora preparava-nos refeições de chorar por mais! Babávamo-nos em frente à televisão, ao ver concursos e programas de culinária. Comentávamos as refeitas e a senhora corria para a cozinha para fazer qualquer coisa. Experimentei umas massagens faciais muito particulares e até fui ao dentista! Sim, fui ao dentista na Índia! Agora tenho uma cápsula prateada como recordação. O único ponto negativo que tenho a apontar, é o facto de ela me ter dado uma anestesia no céu-da-boca! Dor, muita dor!
A nossa passagem por Ahmedabad não podia ter sido melhor! Do pouco que vimos da cidade, gostámos. Muita história e limpa (dentro dos possíveis neste país), muito ampla e cheia de luz. Perdemos a visita ao museu dos tecidos que dizem valer muito a pena… Temos de deixar sempre um motivo para voltar! Eu cá quero voltar nem que seja para estar com esta maravilhosa família Menezes!


Hora da despedida e hora de um novo e último comboio!

Destino: Deli! – Fim de férias

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