A praia terminou, assim como a mochila às costas.
As férias de um mês passaram a correr mas vamos revelar um pequeno segredo:
estamos com saudades das nossas meninas que ficaram aprisionadas numa varanda.
De volta a Delhi e à confusão mas vamos
revelar outro pequeno segredo: Adorámos esta capital da forma como a vivemos.
Sim, voltámos para a casa do senhor embaixador! Delhi passa a ser diferente
assim. Deixa de ser Delhi. A própria Índia deixa de ser a Índia. A comida deixa
de ser picante e passa a ser familiar. Há vinho para alegrar o corpo, há
conforto para descansar o mesmo. Há alegria e boa disposição com gargalhadas
festivas. O Natal está a chegar. A neta do casal chegou para a árvore de Natal
ser decorada. Sentimo-nos bem naquela casa e por isso, sair, foi algo de muito
complicado.
Conseguimos a extensão para mais um mês,
graças ao trabalho impecável da nossa Embaixada, mas claro que não foi chegar e
carimbo no passaporte… Ainda tivemos dois dias a lutar por aquilo que já
sabíamos que íamos conseguir, mas isto é Índia… “Vão para ali, vão para acolá,
ai e tal, afinal não é aqui, tem de ser ali. Aqui?! Claro que não, é ali.
Desculpe mas não temos o vosso registo.” Não entendemos como é possível existir
tanta falta de organização num espaço só! Resultado final: Ganhámos! Temos mais
um mês!
Estava na hora de sair de Delhi e aceitar o convite
para almoçar em casa da família Azeredo, onde acabámos por passar uns dias. O
almoço não podia ser mais português! Voltar a comer feijão-frade com cebola e
salsa e o tão delicioso fio de azeite, levou-nos ao céu, mas eu fui direitinha
para o inferno quando terminei com um prato de bacalhau com natas…
- A Tanya anda a desejar esse prato há meses.
– O Rafael não conseguiu manter a boca calada.
- Sério? Então vou mandar aquecer um pouco,
não há problema!
- Não é preciso, só se for um bocadinho… Oh,
não, mas agora estou a comer o feijão-frade e estou nas nuvens! Mas… Pronto, ok
eu como um pouco… - Mas o que foi que acabei de dizer.
E pronto, foi assim que depois de 5 anos,
voltei a deliciar-me com bacalhau… e o Rafael foi o diabinho que me provocou e
eu não resisti. Se estava bom? Nem vou responder a esta pergunta para não me
sentir mal comigo mesma.
Mais uma família portuguesa incrível! Sabe tão
bem conhecer lusitanos fora da nossa nação! Soube bem comer um pequeno-almoço
com os nossos sabores, comer pão-de-ló, comer crepes com Nutella, comer para engordar e beber sem esquecer! Mas o mais
importante foi ter conhecido as pessoas que conhecemos e que nos mimaram!
Hora de mudar de casa para passarmos por todas
as capelinhas. Desta vez fomos para a casa da família Cunha. Não é necessário
dizer que foi incrível. Estávamos de novo rodeados de mimos de comida, de tremoços
e de longas conversas! Os crepes com Nutella
já faziam parte do nosso menu diário e as noites regadas com álcool moderado!
Viva as caipirinhas e o vinho tinto!
Aproveitámos esses dias para voltar a Delhi. Visitámos
o Humayun’s Tomb e o Lotus Temple.
Não podíamos sair sem visitar certas coisas. Tinha curiosidade com o Lotus Temple pela sua arquitectura. Não
me desiludio mas o seu interior, pouco mexeu comigo.
Passeámo-nos por ruas já nossas conhecidas para voltar a estar com a
Celine, a belga que conhecemos em Goa. Passeámo-nos por ruas que deixaram as
nossas almas parvas. Já não é estranho vermos pessoas a defecar ao ar livre,
mas foi a primeira ver que vimos em plena rua, em plena capital, sem qualquer
tipo de pudor. Ele estava em “casa”, aquele era o passeio dele, da família dele
e de muitas outras famílias. Ali dormem, ali comem, ali tomam o banho e ali
defecam porque sim, porque é natural, porque estão com vontade e pronto. Ponto
final.
A hora da partida era sempre adiada. Estava a ser dificil assumirmos uma
data. Lavámos as bicicletas com um banho de espuma mas ainda não estávamos
prontos para dizer adeus. Aceitámos o
convite para falarmos na British School, onde
estão a estudar os filhos das duas famílias. Foi mais uma boa experiência!
É
incrível a mistura de nacionalidades que encontrámos numa turma só! Lá se
encontram turmas Benneton.
Foi tudo muito rápido… Foi como eu gosto, sem grandes abraços para não
provocar a lágrima. Foi um até já como se voltássemos para almoçar, mas desta
vez almoçámos na rua, já longe das pessoas que nos deram tanto e a quem
queremos agradecer do fundo do nosso coração!
1 comentários:
Boas viagens em 2012, cheias de peripécias e boa gente!
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