Olha que 3

A praia terminou, assim como a mochila às costas. As férias de um mês passaram a correr mas vamos revelar um pequeno segredo: estamos com saudades das nossas meninas que ficaram aprisionadas numa varanda.

De volta a Delhi e à confusão mas vamos revelar outro pequeno segredo: Adorámos esta capital da forma como a vivemos. Sim, voltámos para a casa do senhor embaixador! Delhi passa a ser diferente assim. Deixa de ser Delhi. A própria Índia deixa de ser a Índia. A comida deixa de ser picante e passa a ser familiar. Há vinho para alegrar o corpo, há conforto para descansar o mesmo. Há alegria e boa disposição com gargalhadas festivas. O Natal está a chegar. A neta do casal chegou para a árvore de Natal ser decorada. Sentimo-nos bem naquela casa e por isso, sair, foi algo de muito complicado.

Conseguimos a extensão para mais um mês, graças ao trabalho impecável da nossa Embaixada, mas claro que não foi chegar e carimbo no passaporte… Ainda tivemos dois dias a lutar por aquilo que já sabíamos que íamos conseguir, mas isto é Índia… “Vão para ali, vão para acolá, ai e tal, afinal não é aqui, tem de ser ali. Aqui?! Claro que não, é ali. Desculpe mas não temos o vosso registo.” Não entendemos como é possível existir tanta falta de organização num espaço só! Resultado final: Ganhámos! Temos mais um mês!

Estava na hora de sair de Delhi e aceitar o convite para almoçar em casa da família Azeredo, onde acabámos por passar uns dias. O almoço não podia ser mais português! Voltar a comer feijão-frade com cebola e salsa e o tão delicioso fio de azeite, levou-nos ao céu, mas eu fui direitinha para o inferno quando terminei com um prato de bacalhau com natas…

- Tenho ali um bacalhau com natas, mas vocês são vegetarianos… é pena, porque está muito bom! – Disse a Maria da Graça.

- A Tanya anda a desejar esse prato há meses. – O Rafael não conseguiu manter a boca calada.

- Sério? Então vou mandar aquecer um pouco, não há problema!

- Não é preciso, só se for um bocadinho… Oh, não, mas agora estou a comer o feijão-frade e estou nas nuvens! Mas… Pronto, ok eu como um pouco… - Mas o que foi que acabei de dizer.

E pronto, foi assim que depois de 5 anos, voltei a deliciar-me com bacalhau… e o Rafael foi o diabinho que me provocou e eu não resisti. Se estava bom? Nem vou responder a esta pergunta para não me sentir mal comigo mesma.


Mais uma família portuguesa incrível! Sabe tão bem conhecer lusitanos fora da nossa nação! Soube bem comer um pequeno-almoço com os nossos sabores, comer pão-de-ló, comer crepes com Nutella, comer para engordar e beber sem esquecer! Mas o mais importante foi ter conhecido as pessoas que conhecemos e que nos mimaram!


Hora de mudar de casa para passarmos por todas as capelinhas. Desta vez fomos para a casa da família Cunha. Não é necessário dizer que foi incrível. Estávamos de novo rodeados de mimos de comida, de tremoços e de longas conversas! Os crepes com Nutella já faziam parte do nosso menu diário e as noites regadas com álcool moderado! Viva as caipirinhas e o vinho tinto!

Aproveitámos esses dias para voltar a Delhi. Visitámos o Humayun’s Tomb e o Lotus Temple. Não podíamos sair sem visitar certas coisas. Tinha curiosidade com o Lotus Temple pela sua arquitectura. Não me desiludio mas o seu interior, pouco mexeu comigo.


Passeámo-nos por ruas já nossas conhecidas para voltar a estar com a Celine, a belga que conhecemos em Goa. Passeámo-nos por ruas que deixaram as nossas almas parvas. Já não é estranho vermos pessoas a defecar ao ar livre, mas foi a primeira ver que vimos em plena rua, em plena capital, sem qualquer tipo de pudor. Ele estava em “casa”, aquele era o passeio dele, da família dele e de muitas outras famílias. Ali dormem, ali comem, ali tomam o banho e ali defecam porque sim, porque é natural, porque estão com vontade e pronto. Ponto final.


A hora da partida era sempre adiada. Estava a ser dificil assumirmos uma data. Lavámos as bicicletas com um banho de espuma mas ainda não estávamos prontos para dizer adeus.  Aceitámos o convite para falarmos na British School, onde estão a estudar os filhos das duas famílias. Foi mais uma boa experiência! 

É incrível a mistura de nacionalidades que encontrámos numa turma só! Lá se encontram turmas Benneton.
Prepáramos as bicicletas com um sentimento estranho. Temos de continuar viagem mas despedirmo-nos de mais duas famílias portuguesas, era coisa que não nos agradava.

Foi tudo muito rápido… Foi como eu gosto, sem grandes abraços para não provocar a lágrima. Foi um até já como se voltássemos para almoçar, mas desta vez almoçámos na rua, já longe das pessoas que nos deram tanto e a quem queremos agradecer do fundo do nosso coração!

1 comentário:

Camolas disse...

Boas viagens em 2012, cheias de peripécias e boa gente!

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