Eurásia - apresentação

Amigos, estamos finalmente prontos a apresentar a nossa viagem! 

Aceitamos propostas de espaços pelo país inteiro! 

Contactem-nos por mensagem através do e-mail 2numundo@gmail.com ou pelo Facebook. 

Muito obrigado e até já!


E assim terminamos...

Depois de 19 meses e 24 horas por dia juntos, estamos separados pelo trabalho. Não é que não estejamos habituados a trabalhar em cidades diferentes mas depois destas nossas viagens, hei-nos cada vez mais difícil ter de nos despedir, para um de nós partir… Resta-me recordar a viagem, olhando para as fotografias, vendo vídeos, suspirar de saudades e finalmente, escrever o último post. É uma sensação estranha esta… “escrever o último post”…  Há sempre um sentimento estranho quando se termina. Andamos distraídos no trabalho, fazemos praia quando o tempo assim o permite, e pensamos no futuro, pouco tempo temos para recordar esta nossa odisseia... Em Setembro, volto para o teatro e não me podia sentir mais feliz com este convite do Teatro Regional da Serra do Montemuro! O Rafael está em Guimarães a trabalhar num projecto para a Capital Europeia de Cultura.


Os nossos últimos dias na China, foram uma corrida contra o tempo! Marcámos uma data de chegada e não queríamos fugir a essa data! 2 de Maio. Tinha que ser nesse dia, não antes, nem depois: 2 de Maio! Porquê? Não há explicação! Tivemos a sorte de apanhar as tais duas boleias que nos ajudaram a atravessar aquelas duas longas pontes. Anjos que nos apareceram e nos livraram de somar quilómetros. Conhecemos raparigas que nos fotografavam nos restaurantes e que esperavam que saíssemos para poderem dar dois dedos de conversa, pois nunca tinha falado com estrangeiros… Perdemos horas à procura de hotéis que nos acolhessem, pois nem todos são autorizados a turistas. Tudo o que poderia ser extraordinário, surpreendente, diferente numa viagem destas, não estávamos a conseguir sentir, pois só queriamos chegar rápido e tudo já era igual a tudo. Depressa nos habituámos ao estranho.

Só pensávamos no regresso a Portugal. Estávamos tão focados nisso que nos esquecemos que a verdadeira chegada seria em Macau. A viagem termina lá, o destino é Macau!

- Ninguém vai estar à nossa espera… - O Rafael foi quem se lembrou desse pormenor.

- Pois, eu só estou a pensar em Portugal. – Dizia muito triste.


Não íamos ter família, amigos para abraçar mas não podíamos deixar que isso nos afectasse! Íamos chegar! Só tínhamos que nos sentir vitoriosos e festejar com quem nos aturou durante esta viagem, com quem nos abraçou quando chorámos, com quem discutimos, com quem partilhamos o que vimos, o que sentimos, com quem ajudou a puxar a bicicleta em grandes e monstruosas subidas. Era com essa pessoa que fazia todo o sentido terminar a viagem e dar os parabéns! Essa pessoa éramos nós. Nós que nos apoiámos, que rimos, que chorámos, que houve momentos que não nos podíamos ver um ao outro, mas éramos nós que nos encorajávamos e que nos amávamos!

Macau estava ali. Um rapaz que nos acompanhou durante 15 quilómetros esticou o braço e o indicador e disse:

- Macau!


Macau?! Macau à vista!!! Que enorme emoção! Abraço atrás de abraço! Só nos restava apanhar o barco e pedalar os últimos metros ou quilómetros até chegar à Praça do Senado. Não queríamos acreditar que tínhamos chegado! Voltámos a pedalar na faixa da esquerda, pelo caminho indicado por uns franceses. “ Vou gostar disto” lembro-me de ter pensado, ainda no meio do trânsito.


- Não faço a mínima ideia se estamos bem ou não… - Dizia o Rafael com a câmara na mão, para registar a nossa chegada.

 Vimos uma praça ao nosso lado esquerdo e o Rafael disse para virar lá. Não era preciso ter dito aquilo pois a calçada portuguesa estava ali a convidar-nos para as últimas pedaladas! Estávamos na meta final, já sentíamos a nossa vitória e sentiamo-nos feliz! O Rafael continuava na sua gravação e dizia:

- Pois, chegámos e não está aqui ninguém para nos receber.

- Está sim. Olha ali. – Respondi-lhe, vendo um pequeno grupo de 5 ou 6 jornalistas portugueses que estão a trabalhar no outro lado do mundo.

A emoção era muita, os nossos abraços eram fortes! Passados 19 meses, 17520 quilómetros, tínhamos chegado!


Fomos entrevistados, saímos nos diferentes jornais de Macau, fomos convidados para um programa de televisão, num canal português. Fomos reconhecidos na rua por uma senhora que nos deu os parabéns… Estava tudo a ser tão estranho… mas tão bom.


Ficámos hospedados na Fundação Oriente e não podíamos ter terminado melhor! Tivemos o conforto merecido, tivemos um cheirinho a Portugal e só isso nos deixava em paz. Macau foi o destino perfeito para esta viagem.

Conseguimos e estamos felizes com o nosso percurso e felizes por continuarmos com a nossa grande amizade e pensar em projectos futuros. Agradecemos a todos os que nos acompanharam, a todos os que nos escreveram a dar forças. Viajar é partilhar e ficamos felizes por ter partilhado convosco esta nossa/vossa viagem! Obrigada a todos e obrigada Rafael, por seres uma pessoa tão especial para mim. Sem ti, não teria chegado onde cheguei, não seria quem me tornei e só a ti tenho de agradecer! 



Levaste-me a ver o mundo e o mundo é lindo ao teu lado! (estúpida, fizeste-me chorar...isto não se faz...depois dou-te muito beijinhos bons...e um triciclo!)

Obrigada! Obrigado!

Novo odor Chinês

Já nos encontramos em Portugal mas para quem segue o blog, ainda estamos na China… Não é fácil regressar e dedicar um tempinho para terminar o que ficou pendente. Regressar nunca é fácil - é bom, foi desejado mas há um certo vazio que nos é dificil explicar... Temos que perceber onde estamos e o que estamos cá a fazer. Não foi fácil organizar as ideias mas estamos de volta ao blog para vos contar como correram as nossas duas últimas semanas na China, sempre com a cabeça no regresso para não querer deixar o portátil para trás e voltar a pegar na bicicleta...

Já tínhamos tido um cheirinho da China mas desta vez, foi bem diferente. Estávamos na costa Este e traçámos o nosso caminho sempre ao longo desta. Festejámos o meu aniversário com um casal brasileiro que já se encontra no país dos olhos em bico há 2 anos. A festa teve lugar em Beihai, numa praia onde podemos encontrar imitações de estátuas do renascimento... Lindo de se ver! Homens musculados, homens montados a cavalo, mulheres com a gordura formosa da época e até leões de boca aberta. Não há manutenção e tudo está ao abondano. Será que querem transformar essas estátuas em ruínas, assim tão rapidamente?

Os chineses não fazem praia como nós... O sol pode estar lindo, quente, a convidar para estender a toalha e torrar, ora de papo para o ar, ora de rabo para o ar, que eles e elas não gostam de se sentir como pão na torradeira... Esperam pelas 18 ou19 horas para o mergulho e para exibirem os bikinis com folhos, com sainhas, que tapam metade do corpo e mesmo assim, vão a correr para a água com risinhos envergonhados... Até chegar a hora do banho, eles brincam à sombra! Temos o jogo do saco, temos corridas, risos, churrasco e cerveja! Nós - a mesa dos estrangeiros - queriamos sol e um joginho de voleibol, mesmo com as cabeças por baixo do sol quente que nos levou ao mergulho!


Foi na praia que festejei os meus 30 aninhos, com uma bela voz masculina acompanhada pela guitarra. Despedi-me dos vintes e pedi um desejo para os trintas.

Foi bom entrar nos trintas e ter uma surpresa. Entrámos num elevador e este parou no andar das massagens... Estranho... Parece que havia uma marcação em meu nome. Parece que ia receber umas massagens! Parece que faço anos e o Rafael queria que me sentisse relaxada para não sentir o peso da idade!

Os meus queixos cairam quando olhava à minha volta. Tudo era calmo, relaxante, com uns tons castanhos e beges... Tive uma pequena pulseira e fui para a minha sala. Ora bem... "minha sala"?! Nossa sala!!! Parecia um hospital! Tudo branco, com mais de 50 camas alinhadas. Entregam-te um chá que parei de beber ao primeiro trago porque fiquei com dúvidas se aquilo era chá ou o oléo para as massagens... Mandaram-me deitar e a senhora começou a massajar-me... Com roupa e tudo, sem óleo nem cremes mas com duas grandes televisões a passarem um filme de acção com muitos tiros! Tirando todo aquele ambiente, as massagens foram óptimas!!! 


De volta às nossas meninas e de volta à estrada! Mas onde está a China que imaginamos? Estamos mesmo na China? Só me acreditei pela dura comunicação que tivemos com aquele povo. Mas é assim tão difícil perceber o que queremos? O mais dífícil, é mesmo conseguir comer. Entrámos nas cozinhas, apontávamos para tudo, diziamos "sim – não" mexíamos em tudo, faziamos sons, e eles sorriam, envergonhados ou nervosos não sei, só sei que muitas vezes desistíamos, gritávamos, atirávamos sandálias para o ar com umas quantas pedrinhas de gravilha e quando a fome era muita, dava vontade de partir o restaurante! Claro que não chegámos a esse ponto, mas na nossa cabeça, deixámos uns quantos restaurantes a arder!



Passámos por cidades feias, sem história, sem China... Tudo quer crescer rapidamente, todos querem ter mais fábricas. Conhecemos pessoas simpáticas e pessoas com trombas de todo o tamanho. Um rapaz salvou-nos das estradas chinesas, oferecendo-nos um mapa. Nunca chegaríamos a Macau na data marcada sem a ajuda daquele mapa! Estudámos as pequenas estradas e escolhemos a mais directa. Não tínhamos muito tempo, não podíamos descansar, pois não tínhamos tempo para isso. Tempo tempo tempo... Não tínhamos tempo... Ponto final.
Tínhamos uma pequena estrada ao longo da costas mas - há sempre um mas - tínhamos que passar por dois grandes rios, onde essa pequena estrada não passava. Éramos obrigados a contorná-lo, fazendo mais 40 num e 60 quilómetros noutro. Não tínhamos tempo para isso nem queríamos fazer esse desvio! Pelas pontes eram só 8 quilómetros, à volta, mais de 100. Tínhamos que conseguir arranjar boleia , apenas para atravessa-las. Conseguimos e ficámos todos contente com isso! A primeira carrinha foi um pouco assustadora. O nosso condutor abriu a bagageira e deparamos com um caixote com muitas cobras, magras e compridas, cobertas de sange pelas tentativas de fuga. Pareceu-nos um pouco perigoso e estranho, mas precisávamos daquela boleia. Correu bem. Nenhuma cobra fugiu e nos atacou. Ganhámos duas boleias preciosas para atravessar as pontes, que nos permitiram chegar no dia combinado a Macau! Que emoção chegar! 

Agora vamos ali trabalhar mais um pouco e voltamos brevemente para contar a nossa chegada!!!

Concurso Fabulástico


Ainda alguém se lembra do CONCURSO FABULÁSTICO? 

Pois assim é, a intenção era responder a duas questões e palpitar sobre o número de furos que cada um de nós tinha tido. 

O prémio consistia na apresentação da nossa viagem em casa da pessoa que ganhasse, para toda a família, amigos, animais, conhecidos e até gatunos e ladrões que nesse dia ali estivessem, convidados do "ganhante"!  

Tivemos várias participações, mas a pessoa que mais se aproximou do topo foi este...o da fotografia de baixo! 

Identifique-se e marquemos então o encontro!

PARABÉNS!


Nada de nada e mais nada

Já escrevi sobre Halong Bay mas o ponto final ainda não se colocou na posição correcta. Cá vai a conclusão: Chegámos ao hotel por voltas das 15 horas e esperámos pelo rapaz que nos vendeu os bilhetes. Esperámos, esperámos e… nada… Disseram-nos que ele não iria aparecer hoje mas depois mudaram o discurso e afinal ele iria aparecer mas ao fim da tarde. OK, não há problema, nós esperamos!

A hora do jantar tinha chegado e nada… nada de nada! Fomos jantar com má cara e voltámos rápido com a mesma má cara! E o rapaz… nada. Os nervos andavam aos saltos dentro do corpo. Fui ter com a senhora do hotel que se encontrava deitada, atenta à novela, dobrada com vozes irritantes e pedi com muita educação para telefonar ao dito-cujo. Nada, nada de nada. Sorriu e disse que sim com a cabeça mas o seu corpinho nada fez. Fui a segunda vez e obtive a mesma resposta, a mesma reacção. Começava a sentir que não era seguro ninguém estar ao meu lado e o Rafael salvou a senhora das minhas possíveis agressões quando bateu com a mão na mesa e gritou, exigindo que ela se levantasse e fosse telefonar para o Godot

23 horas e entra um rapaz, não era o tal mas era outro que tal. Explicámos tudo muito bem explicadinho, repetimos não uma, não duas, mas três vezes. Ele fez-nos uma proposta que recusámos. Fizemos a nossa proposta e ele recusou. Insistimos em negar a dele e insistimos em apresentar a nossa. Não ganhámos mas conseguimos uma boa, muito boa parte do dinheiro e duas noites no hotel. Mas não ficámos contentes com a situação. Halong Bay foi, para nós, uma grande desilusão!

O Vietname é bom, fora da rota turística. Isto garanto eu! Entrámos na China passado dois dias e até lá chegar, tivemos uma nova experiência. Finalmente fomos convidados para pernoitar numa casa! Depois de termos fugido de um hotel que nos pediam mais que num hotel de 5 estrelas, dirigimo-nos a uma igreja e fomos à procura do padre. Não o encontrámos mas fomos convidados para tomarmos um banho na casa ao lado. Banho tomado e lanche na mesa. O padre não vinha…

O rapaz pouco ou nada sabia de inglês. Uma amiga perguntou, se não nos importaríamos de dormir ali, com ele e a mulher e como resposta, recebeu um sorriso nosso. Claro que não nos importámos! A mulher apareceu e o filho de ambos fugia de nós. Jantámos juntos com o jovem casal e preparámos as camas! Só havia um quarto que também era sala. De nada valia dizer que dormia no chão com o Rafael… Fui obrigada a dormir na cama com a rapariga que me lembrou que tínhamos de rezar antes de dormirmos. Está certo. Imitei-lhe os gestos e concluímos juntas a oração. Acho que os rapazes, nada fizeram.


Na manhã seguinte, fomos à missa. A igreja estava a arrebentar e o padre falava sem cativar. Parecia um robô com as falas decoradíssimas e movimentos estudadíssimos… Nada sentimos de emocionante. Na hora da partida, de nada valeram os pedidos para ficarmos um dia a mais, do jovem casal… O tempo está contado, não nos podemos demorar, por muito que quiséssemos ficar.
Chegar à fronteira da China, pouco ou nada custou. Ou melhor, não foi assim tão fácil… fizemos em dois dias o que tínhamos pensado fazer em 3. Claro que fizemos mais quilómetros por dia mas só assim era possível terminar mais cedo a nossa odisseia no Vietname!  

Visão, Vida & Viagens

Nova fotogaleria na Visão, Vida & Viagens! Clicar AQUI para ler!

Concurso Fabulástico!!!

Decidimos fazer um concurso fabulástico!

Os 2numundo estão quase quase a regressar a Portugal e por isso, junto dos nossos leitores mais assíduos (sim, porque só esses lerão este post!)
lembramo-nos de fazer um teste à vossa memória e claro, à vossa sorte!


O prémio é espeeeeectaaaacuuuuulaaaaar!!!

Uma apresentação da viagem em vossa casa, para vocês e família e amigos e bicharada e vizinhos e também quem quiserem convidar mais e quantos couberem na sala!

Para isso, têm que acertar em 3 coisas:



- quantos países atravessámos nós? 
(partindo do princípio que Macau é considerado como tal, por ser autónomo)

- em que cidade foi tirada a fotografia em baixo?

- quantos furos teve cada um de nós nesta viagem?


Vá, trata de remexer toda a nossa tralha e responder, porque julgamos que a recompensa será magnífica!

Regras..sim, porque em tudo existem regras:

- A família mais directa não pode concorrer, não porque já saibam tudo, mas porque vão ouvir a história milhares de vezes e queremos dar oportunidade aos outros (é justo?);

- Cada pessoa só poderá responder uma vez e não terá oportunidade de dizer "Ai e tal, enganei-me, apaga e corrige...";

- As respostas terão de ser enviadas para o nosso mail: 2numundo@gmail.com e NÃO para o Facebook;


- O concurso decorre até à meia-noite do dia 15 de Maio!

Vá, atirem-nos as respostas..achamos que vale mesmo a pena! Não?!

Até já!

2numundo - eles, a Tanya e o Rafael...que dois!

Barcelona

Chegamos a Barcelona dia 10 de Maio à noite e precisamos de um sítio para dormir até dia 13, dia em que partimos para Portugal! Gostaríamos de saber se têm alguém conhecido que nos possa dar guarida por 3 noites, pois ainda não temos poiso! 


Mensagens para 2numundo@gmail.com!

Muito Obrigado!

Alma de Viajante

Mais um post no Alma de Viajante! Clicar AQUI para ler!

Tim-tim por tim-tim


“Ai vão e tal, é espetacular, é muito bonito.” E de outras bocas: “Não vale a pena. Está muito estragado e tal, é muito lixo.”

Fomos! Fomos para ver a tal maravilha natural. Estávamos ali. Não podíamos fechar os olhos e deixar por visitar uma das maiores atrações do Vietname: Halong Bay!

Estávamos a pedalar com uma estranha energia. Os quilómetros eram somados como quem come tremoços. A música ajudava nas pedaladas e não negávamos à vontade de cantar. As carrinhas cheias de turistas passavam e passavam… Tantas que passaram!

Numa das nossas pequenas paragens, o Rafael diz-me:

- Entregaram-me este cartão-de-visita. Podemos passar por lá para ver os preços dos quartos.

Ainda estávamos a uns valentes quilómetros e já sentíamos a caça ao turista. OK. Não custa nada dar uma espreitadela. Continuámos caminho com boa disposição.

Deixámos um corte para a direita para trás, quando um rapaz de motorizada nos avisa que não estávamos no bom caminho, que tínhamos de ter cortado precisamente, à direita. Estávamos confusos pois, nas nossas cabeças, teríamos de fazer mais quilómetros. Muito estranho… E o mais estranho era que o rapaz da motorizada foi o mesmo que entregou o cartão-de-visita ao Rafael… OK, confiámos e retomámos caminho, desta vez, à direita. “Ou será que o hotel do moço fica longe do centro?”

A motorizada seguia-nos lentamente mas não fizemos caso. Queríamos chegar perto do mar e lá, procurar qualquer coisinha baratinha. O hotel do moço, por sorte dele, ficava perto do mar. O Rafael foi espreitar e eu fui informar-me dos preços noutros hotéis.

-O quarto é fixe e ele baixa mais o preço mas quero ver mais. Não me parece que seja o centro aqui… Vimos tantos turistas passar e aqui não se vê ninguém… Ainda é só uma da tarde, temos tempo. O que achas? – Perguntou-me o Rafael.

Agradecemos ao rapaz e explicámos o nosso plano. Ele não gostou muito e disse que não íamos encontrar mais nada. Fomos na mesma. Andámos uns 4 quilómetros ao longo do mar e duas motorizadas, seguiam-nos… eram eles. Parámos as bicicletas.

- Queremos ficar sozinhos, por favor. Caso não tenha mesmo nada, voltaremos para o vosso hotel, não se preocupem! – Disse, sem me exaltar.

“OK OK” mas continuaram atrás de nós, um pouco mais afastados… Uma outra motorizada apareceu a perguntar se queríamos ver o hotel dele. Não deu para responder, pois os nossos amigos que insistiam em marcar presença, enxoto-o com buzinadelas… Gota de água, fim da brincadeira. Voltámos a parar e falámos com menos amizade. Podíamos não encontrar mais barato, mas naquele momento, sabíamos que não iríamos voltar para trás.

Desistiram de nos seguir quando viram que nos estávamos a aproximar do centro, quando viram que tínhamos visto turistas a passearem-se na marginal. Sentiram-se derrotados, pois sabiam que iriamos encontrar o que procurávamos!

Encontrámos um hotel. Mais barato, mais no centro, “mais melhor bom” e foi neste hotel que comprámos o bilhete para visitarmos Halong Bay.

70 dólares para os dois!!! CHULOS! Tentei puxar para os 65 mas não consegui… Bem podia estrebuchar, chorar lágrimas de crocodilo, que de nada valia, pois ele deixou bem claro que lhe era impossível baixar.

- Oh, deixa lá, às vezes exageramos nas coisas. O rapaz pareceu-me correto. – Disse o Rafael.

Pagámos o balúrdio, com a desculpa que será uma vez na vida e que já que estamos no Vietname, “parecia mal” não fazer este passeio de barco.

O nosso bilhete era de 6 horas e incluía o transporte do hotel para o cais e do cais para o hotel, visita às três caves, visita às vilas piscatórias, uma hora de caiaque e almoço. Iria ser um dia bem diferente e estávamos ansiosos, apesar do mau tempo… mas o rapaz, garantiu-nos que iria fazer sol…

- Sol? Vimos na net e dá nebulado para amanhã. Como é que sabes que vai fazer sol? Logo amanhã que é o dia que queremos ir? – Achei muito estranho e tive de perguntar.

- Olho para o céu e sei. Amanhã vai fazer sol.

Sim, sim charolim… Sim, sim…

QUE O DIA COMECE!


O transporte que nos vinha buscar, atrasou-se meia hora… Somos portugueses mas fugimos à regra – nós cá gostamos de chegar a tempo e horas e por isso, não gostámos do atraso… 


Éramos 6 no barco. Dois rapazes vietnamitas, um casal chinês que vive em Itália e nós.

O sol?

Fomos visitar a primeira cave. UAU! É realmente impressionante mas as luzes coloridas tornam ridículo o espaço… Vermelho, verde, azul, amarelo… É Natal o ano inteiro! Andávamos um pouco perdidos, sem saber muito bem quando é que teríamos de regressar para o barco… Íamos seguindo a multidão, sim, porque no nosso barco só éramos 6 mas haviam muitos mais barcos com muitas mais pessoas… MUITAS. Passado meia hora estávamos de regresso para o passeio prosseguir.

Era 9:30 e o barco parou. Vimos comida numa mesa e achámos estranho… O mais estranho, foi quando nos disseram que aquilo era o nosso almoço… 

- Almoço?! Às 9:30 da manhã?! – Perguntei, já com o meu nariz todo torcido.

- Deixa-la. Tomamos um grande pequeno- almoço. – O Rafael sempre com os paninho quentes.

Estávamos a começar a comer, quando um rapaz se aproxima e diz que podíamos ir fazer caiaque. Começou a confusão… Caiaque?! Mas estávamos a almoçar, às 9:30 da manhã e íamos interromper aquele momento para fazer caiaque?! Eles só podiam estar a brincar connosco! Perguntámos quanto tempo era o caiaque, ao que ele responde “meia hora”(Tenho que abrir um parêntesis, não era bem inglês que ele falava). O quê? Confusão!!! Saímos do barco para discutir com todos os que estavam a jogar cartas, em vez de estarem a trabalhar. Todos nos ignoraram!

Perdemos o apetite e não aceitámos a meia hora de caiaque! Ninguém falava inglês mas perceberam que estávamos fulos, então disseram-nos que tínhamos de mudar de barco para fazermos caiaque mais tarde. E assim foi, mudámos de barco…

O barco arrancou e em poucos minutos, voltou a parar. Mais uma vez, ninguém falava inglês… só nos faziam sinais para saírmos do barco. Percebemos que estávamos na zona de pesca, mas ninguém nos veio dar mais informações… Houve um que se virou para mim e disse:

 - Peixe.

Ao qual eu respondi:

- A sério?!

Voltámos para o barco. Vimos um amontoado de barcos perto de uns pedregulhos e já sabíamos que seria a nossa próxima paragem. Esperámos que os barcos desaparecessem para finalmente conseguirmos tirar a fotografia “obrigatória”, ao beijo dos pedregulhos… Está visto, foto tirada, siga em frente!


Nova cave e.. Não nos deixaram entrar! Ao que parece, tinham-nos dado um bilhete de 4 horas, e esta nova cave, e a próxima, não faziam parte do “pacote”. Foi a gota de água! Mesmo! Exigimos alguém que falasse inglês e NINGUÉM apareceu! Gritámos, armámos confusão, insultámos o espaço! Como é possível, um local que foi considerado uma das 7 maravilhas naturais, não ter assistência ao turista, não ter uma pessoa que fale inglês? Somos comos marionetas naqueles barcos que seguem às ordens de “sai” e “entra”, mais nada! Não sabemos para onde ir, o que ver, NADA!


Entrámos para o barco e para nós, a viagem tinha morrido ali! Estávamos todos no barco, quando o “comandante” pediu para assinarmos a folha, para confirmarmos a nossa presença no barco e outro rapaz, a pedir os nossos bilhetes. Não fizemos nada daquilo que nos pediram! Bilhetes para quê? E ia voltar a assinar? Já assinámos no outro barco. Chamaram a polícia mas esta também não falava inglês… Eles falavam, falavam e olhavam para nós. Voltaram a pedir para assinarmos e nós, nada! O rapaz, com cara agressiva, fez-nos sinal para sairmos do barco e, nem nos mexemos.

- E vamos como embora? – Perguntámos.

- Caiaque, caiaque, pagam caiaque e vão.

O “comandante” voltou com a folha para assinarmos. OK estão a gozar connosco? Deixa-me brincar também um pouco. Peguei na M”#DA da folha e desenhei uma pilinha no lugar reservado aos nomes. Ele pegou na folha, olhou para a pilinha, e foi fazer queixinhas à polícia. Voltou para dentro e arrancou com o barco. Ufa, não fomos presos… Ao que parece, não é crime fazer pilinhas no Vietname.



Estávamos doentes com toda aquela história! O nosso dia estava mais que estragado, os nossos nervos estavam virados do avesso e o sol? O sol…

Voltámos a parar. Nova cave e nós ficámos uma hora à espera…

- Caiaque? Uma hora. – Disseram-nos as duas empregadas a rirem-se.

- Não obrigada!

Caiaque? Para fugirem com o barco e termos de remar até à costa? Podia ser interessante, mas não aceitámos. O nosso dia estava morto! Só queríamos chegar à costa e fazer nova discussão com o rapaz que nos vendeu bilhetes de 4 horas pelo preço ridículo do bilhete de 6 horas. “Acreditem, não posso baixar mais…” Foi por isso que tivemos o almoço às 9:30 e teríamos de fazer caiaque a correr, para conseguirmos fazer tudo em 4 horas! Pois os outros 4 que estavam no barco, tinham bilhetes para 4 horas!
Fim do passeio e quem é que estava à nossa espera para nos levar ao hotel? NINGUÉM! Lindo! Ter de caminhar mais de 4 quilómetros, não estava nos nossos planos! Pedimos boleia e por sorte, o primeiro carro parou e levou-nos perto do hotel. Ufa…

E agora… esperar pelo rapaz dos bilhetes! 

Não percam o próximo post…

E o sol? ahahahahhahah

Aparição de 13 de Maio

CHEGADA A PORTUGAL

Como já todos sabem, chegaremos ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, no dia 13 de Maio!

Algumas explicações:

- Não pedalaremos do aeroporto até Ovar. A chegada será simbólica e quem nos quiser acompanhar de bicicleta nos últimos quilómetros, deverá estar na entrada das Piscinas Municipais de Ovar às 16 horas. Para aqueles que não quiserem pedalar, chegaremos à Praça da República, 20 minutos mais tarde!

A todos um MUITO OBRIGADO por todo este apoio nesta aventura!

Bem haja!

Fotografias Vietname

  

 





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