Dicas - Vistos para a Asia Central

Este post muito comprido, fala em relação à obtenção de vistos na Ásia Central, uma zona que, depois de África, é talvez a que mais burocracia exija. Assim, tendo como exemplo a rota que fizemos, pois este site é dedicado ao cicloturismo, vamos tentar explicar da melhor forma possível a nossa experiência na obtenção destes vistos que tanta dor de cabeça dão a algumas pessoas!


TURQUIA – Fácil e barato! Custa 15 euros ou 20 dólares, pagos em euros ou dólares, somente. Não são aceites outras moedas e o melhor é levar já o dinheiro no bolso, pois não há local na fronteira para se trocar. Sempre entrámos de bicicleta, pela Bulgária e pela Síria e das duas vezes foi feito de forma muito rápida. Não precisam de fotografias, nem de preencher formulários. O visto é válido por 3 meses! Não temos ideia de como é em relação a extensões.


IRAQUE (CURDISTÃO) – Fácil e gratuito! Entrámos pela Turquia. Chega-se à fronteira, sentam-se nas incríveis poltronas na sala de espera, levam o vosso passaporte ao balcão devido, servem-vos chá enquanto esperam (o de kiwi é muito doce!) e passados uns minutos, têm o passaporte carimbado nas mãos, com duração para 10 dias. Podem, se desejarem, estende-lo em Erbil, mas não sei o custo (penso até que seja gratuito) e não sei por quanto tempo mais. Não precisam de fotografias, nem de preencher formulários. 


IRÃO – O visto pode ser muito complicado de tirar, como também muito, muito fácil. Enquanto em viagem, o local mais lógico para o adquirir é na Turquia. Há 3 cidades onde o podem fazer: Ankara, a capital; Trabzon, no nordeste; e Erzurum, outra cidade uns 300kms a sul de Trabzon! O sítio mais complicado é Ankara, já que é onde toda a gente o faz. Ouvimos por outros viajantes, que às vezes demora 1 mês a tirar o visto e garanto-vos, Ankara é a cidade menos interessante da Turquia. Nós pedimos boleia até Trabzon, bem lá no norte e fomos ao Consulado do Irão. Fizemo-lo em 3 horas e porque apanhámos a hora do almoço! Muito simpáticos, prestáveis e muito fácil! Precisam de duas fotografias tipo passe, preencher um formulário que vos dão à chegada e depositar a quantia que vos dizem, num banco perto dali. Eles explicam tudo! Pagámos 75 euros por um mês de visto. Em Ankara, ouvimos que era mais barato, embora não tenhamos a certeza, mas se passarmos 1 mês na capital, gasta-se muito mais dinheiro. Para as meninas: levarem fotografias com o cabelo tapado, é uma grande ajuda! Se quiserem ficar mais tempo, a extensão fica à volta de 30 euros por um mês e perde-se um tempo a fazê-lo, mas não há pressas em viagem! Fazê-lo fora de Teerão, é ser-se inteligente! Shiraz ou Esfahan são os melhores locais. Atenção: Não utilizem o site iranianvisa.com. Soubemos de muitas pessoas que ficaram sem dinheiro e sem visto.


TURQUEMENISTÃO – Chamam-lhe a Coreia do Norte da Ásia. O visto que obtemos é somente de 5 dias – visto de trânsito – e se quiseres ficar mais dias ou chegares atrasado à fronteira com o Uzbequistão, que fechava na altura às 17h, pagas 200 euros por dia! O visto foi tirado em Teerão, no Irão e demora entre 5 a 8 dias. Atenção: nunca é certo. É possivelmente o visto mais complicado, pois quem atende “não tem amigos” e há que saber lidar com isso. Leva um sorriso! Connosco, não houve qualquer problema. Temos de preencher um formulário que dão na altura, necessitas de 2 fotos tipo passe e dinheiro, claro, que se deve pagar na atura em que se levanta o visto. Muito importante: só dão o visto se já se tiver no passaporte o visto para o próximo país, ou Tajiquistão ou Cazaquistão, que é a maneira de perceberem que não vais ficar no Turquemenistão para sempre! Caso ainda não se tenha este carimbo de qualquer um destes países no passaporte, nem vale a pena tentar! Têm que deixar a respectiva fotocópia a confirmar. Há duas maneiras de tirar o visto: o rápido, que sai em 5 dias, se tudo der certo e o lento, que penso ser em 10, mas a diferença são 10 dólares ou qualquer coisa, daí ser preferível pagar pelo “rápido”! O preço são 55 dólares, mais 12 dólares de taxa na entrada do país (ou na saída, não me lembro) embora ninguém te consiga explicar a razão da taxa depois de já teres pago o visto. É também o visto mais complicado, porque têm de dizer o dia exacto de entrada no país. A partir desse dia, mesmo que ainda não se tenha chegado, azar, começa a contar! O sítio mais fácil onde tirar, ouvimos por outros viajantes, é Teerão. Tirar noutros países, como Uzbequistão, pode significar ficarem 1 mês à espera e nada.


UZBEQUISTÃO – Fácil e rápido! A única coisa é que tens de ter uma carta convite para entrar no país, que acontece com 10% dos países europeus e Portugal, claro, está incluído na minoria! Esta carta convite, é paga, claro! Ou seja, antes tens de escrever a uma empresa – a melhor é a Stantours, em quem realmente se pode confiar – e dizer que precisas da tal carta. Eles enviam-te um e-mail a dizer o que precisam. Normalmente é isto (só para se irem preparando):


If you wish to proceed we would request  your passport info, a copy of your
passport and a letter confirming your current employment / place of study by
e-mail attachment or fax and a full payment of USD 40 or EUR 28 per person
as follows:


 
1       Full Name (incl. name at birth or previous names if applicable):
2       Date of Birth :
3       City and Country of Birth :
4       Citizenship (also previous citizenship if changed) :
5       Passport Number :
6       Date of the passport issue and expiration :
7       Issuing authority :
8       Gender :
9       Marital Status:
9a      if married: spouse's full name:
10      Occupation, Place of Employment and type of business :
11      Address and phone number of place of work :
12      Accompanying children travelling on applicant's passport :
13      Previous visits (date, purpose and inviting party if applicable):
14      Port of Entry :
15      Date(s) of Entry and Departure :
16      Cities and Sites you wish to visit :
17      City/country where you will obtain visa :
18      Home Address and Phone number:

Beneficiary:    STANtours Ltd., Level 5, 369, Queen Street, Auckland 1010,
New Zealand, Fax +49 (3212) 1039960
Bank:           Aizkraukles Banka, 23 Elizabetes St., Riga, LV-1010, Latvia,
Fax: +371 6777 5200
Account # / IBAN:       LV16AIZK0001140106063
BIC/SWIFT:      AIZKLV22
 

O ridículo é que, teoricamente, se fores desempregado, não podes visitar o país! No entanto, se não tiverem emprego, escrevam uma carta falsa, com qualquer empresa que conheçam ou para quem tenham trabalhado e assinem por baixo, arranjem um carimbo e já está. Eles nunca confirmam! Quanto à quantia, eles informam sempre qual é, mas façam sempre o cálculo dólar – euro, para não haver erros no cálculo, por parte…deles, claro! Também têm que dizer a data de entrada no país, apesar de depois poderem sempre mudá-la, se não for muito diferente, dizendo que a calcularam mal, na altura em que forem à embaixada! A carta demora entre 10 a 15 dias a chegar e imprimem-na, juntamente com o formulário que vos enviam e levam duas fotos e dinheiro – 75 dólares – à embaixada em Teerão (a que nos usámos). Em 30 minutos o passaporte é-vos passado para as mãos! Fácil. Têm visto para 1 mês. Não sabemos como funcionam as extensões.


TAJIQUISTÃO – Simples! Tirámos o visto em Ankara e é outro que também têm que dar a data certa de entrada. No entanto, este tem a validade de 1 mês e só começa a contar 30 dias a partir da entrada no país. Precisam de cópias do passaporte, 2 fotos tipo passe e uma carta escrita por vocês (nem sempre pedido) a dizerem quais são as vossas intenções no país! 
 
Uma das estradas mais míticas do mundo, a Pamir Highway (sobre a qual escrevemos um artigo para a Visão, Vida & Viagens) é um ponto obrigatório de passagem, correndo 200kms lado a lado com o Afeganistão. Para esta estrada, é preciso uma autorização especial que pode ser tirada juntamente com o visto em qualquer embaixada, pagando mais 25 dólares. O visto custa 50 dólares para 1 mês. Esta autorização pode ser também tirada através de algumas agências – embora não aconselhemos por levarem muito dinheiro – ou em Dushanbe, a capital do país, no gabinete do GBAO (a zona onde a Pamir Highway se insere) e custa apenar 3 dólares e alguma luta na comunicação! Se quiserem percorrer o Wakhan Corridor, mesmo na fronteira do Afeganistão, têm que dizê-lo aquando da aquisição da autorização especial, pois o nome do checkpoint por onde passam a caminho do Wakhan Corridor tem de constar no passaporte. Quanto a extensões, ouvimos por alguns viajantes, que era quase impossível. 


QUIRGUISTÃO – Fácil! Mais uma vez, Ankara, na Turquia. Fomos à embaixada, preenchemos um formulário que nos dão e deixámos os passaportes, com as respectivas fotocópias do mesmo, 2 fotos tipo passe e dinheiro – 55 dólares para 1 mês. Nós tivemos de esperar um fim-de-semana, que é uma grande dor de cabeça, pois não tens passaportes. Não sei se era por ser sexta, ou porque é mesmo lei, mas não é normal! No entanto, podem tentar sempre perguntar se não podem ficar com os passaportes, inventando que vão para fora de Ankara e que precisam deles para se existir qualquer problema. Inventem! O responsável que vos atende é muito prestável! Quanto a extensões, nada sabemos.


Qualquer questão, perguntem!

2 comentários:

Paulo Rosa disse...

Não penso viajar para esses paises mas vocês são extraordinários em disponibilizar toda a informação ao pormenor. Continuação de boa viagem e divirtam-se a pedalar e conviver com outros povos (ja estou com inveja vossa ehehehh)
um abraço.

Carla Mota disse...

Vocês são uns SANTOS! Gracias. :)

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