Os animais!

 Os animais nos nossos quartos, são nossos amigos!!!



Na rota do Buda

Os primeiros quilómetros foram de grande prazer. Soube bem voltar a sentir-nos em viagem. Pedalar na Índia foi um pequeno inferno, sem prazer nem recompensas. A Tailândia estava a ser como o bolo de chocolate que a minha sogra faz tão bem e dos quais vou ter uma mesa cheia, quando regressar.

O Rafael tinha tirado as indicações que seriam necessárias e pelos seus cálculos, teríamos uns 65 quilómetros pela frente. Mesmo com as indicações que possuíamos, achámos por bem ir perguntado às pessoas… Não vá o diabo tecê-las.

Estava um belo dia de sol, parávamos muitas vezes, ora para um granizado de fruta, ora para um Nescafé com gelo, ora para outras bebidas no 7eleven, a loja mais conhecida da Tailândia! Estão em todas as ruas, e por vezes, estão mesmo frente a frente! O que é demasiado cansa, é o que se diz, não é? Pois ao 7eleven, essa frase não se aplica! É bom saber que podemos contar com ele em cada esquina! É lá que se pode beber o café mais barato e à noite, há fila para a cerveja. 

As pessoas davam-nos estranhas indicações que não coincidiam com as que tínhamos. Achávamos estranho mas confiávamos na palavra dos locais, pois quem melhor que eles para indicar o caminho?

- É impossível estarmos bem… Acho isto muito estranho… - Dizia o Rafael sem parar de pedalar.

Quando estávamos com 60 quilómetros, ainda nos encontrávamos longe do destino.

- Não me recordo desta terra, acho que não tínhamos de passar por ela… - Continuava o Rafael.

Eu estava estranhamente calma. Quando nos foi dito que ainda faltavam 20 quilómetros para Ayutthaya, não me afligi. O dia estava bem-disposto e deixava-me bem-disposta. Tínham-nos oferecido uma garrafa de água e quando parámos para almoçar, ofereceram-nos bananas. Pequenos gestos que nos deixam o sorriso em freeze. Era assim que estávamos nesse dia. Continuávamos a dizer que adorávamos a Tailândia! 
 
Estávamos a gostar dos pormenores que víamos, a gostar das pessoas que têm sempre um sorriso para nos oferecer, a gostar do respeito que os condutores têm para connosco, a gostar das boas estradas, a gostar dos autocarros coloridos e desenhados… Tanta coisa linda que este país tem! Até casas de banho à beira da estrada eles têm! Não tinha xixi suficiente para as usar… mas elas são espectaculares!

Com 85 quilómetros, já sentíamos uma comichãozinha no sistema nervoso mas sem grande perigo de explodir.

- Já estou cansado de pedalar. – Dizia o Rafael.

- Eu também mas o melhor é não pensarmos muito.

 Chegámos com 97 quilómetros! 97! Os hotéis estavam todos cheios e começámos a ficar preocupados… 

Desanimados. Afastámo-nos do centro e o Rafael foi ver o preço de um hotel. Voltou com má cara.

- Primeiro dizem que têm quartos, depois, dizem um preço nada simpático, depois digo que no quinto andar não, por causa das bicicletas, depois dizem-me que afinal não têm quartos.

Uma rapariga parou a motorizada ao nosso lado e ofereceu-se para nos ajudar e guiou-nos até outro hotel, não muito longe dali. Santa mulher!

Não discutimos o preço pois estávamos mais para lá do que para cá… Há muito que não tínhamos um quarto tão bom! Champôs, toalha, frigorífico… as bicicletas ficaram à entrada, ao ar livre.

- Não se preocupem, temos câmaras de vigilância, os portões são fechados à noite e temos um guarda 24h, pois nós também moramos aqui. – Explicou-nos a rapariga que nos entregou a chaves do quarto.




Ufa! Finalmente em Ayutthaya, terra onde Portugal, foi o primeiro país ocidental a ter uma Embaixada. Pois é, ajudámos os tailandeses na guerra contra Burma e recebemos uma pequena parte de terra na cidade. 

Ainda podemos ver marcas dos portugueses. Poucas mas ainda existem! Passámos pela comunidade e visitámos o que resta de nós: um cemitério com os esqueletos à vista… alguns dos ossos, pois as águas das cheias levaram muitos ossos de portugueses e tailandeses que se converteram ao Cristianismo. É bastante triste ver tudo muito desmazelado…

Apesar da pouca presença dos portugueses, que se vai apagando aos poucos, gostámos muito desta pequena cidade. Visitámos muitos templos e budas de vários tamanhos, ora deitados, ora sentados, vimos um escondido, só com a cabeça de fora por entre as raizes.

Tínhamos como ideia ficar apenas um dia, mas o que vimos agradou-nos tanto que decidimos prolongar a nossa estadia. Usámos as bicicletas para visitar a cidade e acreditem, é a melhor forma! É um passeio agradável e bem económico. 


Jantámos no mercado nocturno e decidimos petiscar uma coisa aqui, outra acolá e assim enchemos o bandulho!


Saímos de Ayutthaya e desta vez, fui eu que tirei as indicações. Querem saber o que aconteceu desta vez? Podem clicar no Play.


Está visto? Pronto, foi o que aconteceu… Fizemos 40 quilómetros a mais, muito calor e acampámos, com receio das cobras e a ouvir bichos estranhos durante a noite… Que dia. Mas há mais… Querem ver o dia seguinte? Play.


Está visto? Pronto, foi o que aconteceu… Muito calor, muito calor, muito calor… Depois do almoço, fizemos a sesta, pois estávamos mesmo todos rotos e o calor era insuportável. A recompensa foi ter ficado em casa de um casal de filipinos, com os seus três filhos, em Pak Chong. Adorámos conhecê-los e eu adorei ser criança com as crianças!

Nessa mesma noite, o Rafael apanhou o comboio para recolher os passaportes com os vistos da China! 

Passou a noite sem dormir e quando chegou, às 6 da manhã, a Bangkok, teve de esperar que o metro abrisse. Diz que estava muito cansado e que não gostou do pão com queijo que comprou… Diz que o queijo tinha açúcar. Diz também que quando chegou a Embaixada Chinesa, já estavam algumas pessoas a fazer fila. Que esperou duas horas e quando as portas abriram, foi informado que aquela fila não era para recolher os passaportes… Que tinha de se dirigir às traseiras e esperar na outra fila… Que não foi preciso esperar muito mas que estava muito cansado. Pensou que poderia dormir no comboio no regresso mas que tal feito foi impossível, pois os bancos eram de plástico e nada confortáveis. Quando finalmente chegou, disse:

- Vou dormir. – E foi.

A minha noite foi bem melhor. Vi um filme, acordei às 10 da manhã, fui almoçar, fugi do calor e fui à net. 

Voltei para casa, li um pouco e estava a começar a trabalhar para o blog, quando o Rafael chegou e disse:

- Vou dormir. – E foi.

Passei a tarde a trabalhar e o Rafael a dormir. As crianças chegaram, depois foram os pais – professores de inglês – o Rafael acordou e a brincadeira começou. Foi a nossa primeira experiência de Couchsurfing na Tailândia, com couchsurfers filipinos que estão neste país há 7 anos. Não foi fácil mudar de país mas agora não pretendem voltar para as Filipinas.

- A vida aqui é mais barata – dizem – e os Tailandeses são pessoas que estão sempre prontas a ajudar. Sentimo-nos bem aqui.

Nós também nos sentimos bem aqui mas a hora da partida tinha chegado. Sacos nas bicicletas e partimos com os braços esticados a dizer adeus.

É ocidentalizada? É o que precisamos!

A boa vida acabou… a água salgada no corpo, o sol a deitar-se no mar, os longos passeios pela costa, os saltos na areia, as barrigas à mostra, o não fazer nada… ah como soube bem! Agora, apenas no Vietname poderemos ter as mesmas sensações.

De volta a Bangkok. Gostamos desta capital! “Ah e tal, é muito ocidentalizada.” Pas de problème! Estávamos a precisar de sentir o nosso ocidente. Estávamos a precisar de não ver pessoas a cuspirem como se não houvesse amanhã, para o chão, ou a fazerem xixi para as paredes, ou a chatearem-nos a cabeça! Estávamos rodeados de sorrisos e isso deixava-nos felizes!

Para quem voa de Portugal para Bangkok, a experiência deve ser bem diferente da nossa. Não podem esquecer que o país anterior foi a Índia… Chegar a este novo país foi uma bomba de vitaminas para a nossa viagem. No primeiro dia, ficámos em choque, mas agora já estávamos abertos para receber todas as novidades!

Usámos o barco como transporte público, que fica mais em conta e como não há trânsito no rio, chegávamos bem mais depressa a qualquer sítio. Enquanto se espera pelo barco, podemos dar pão aos peixes que se atropelam para conseguirem ter um pedacinho na boca. Relembrámos Urfa na Turquia e os seus peixes sagrados. É impossível tirar os olhos da luta que não tem fim, pois há sempre pessoas com um saco de pão na mão.

Antes de viajar, dizem-nos vezes sem fim: “Não comam na rua!” Como? Foram poucas as vezes que entrámos num restaurante. Preferimos experimentar as comidas que são preparadas na rua e que são muito saborosas! “Não bebam os sumos com gelo!" Como não beber esses deliciosos granizados de fruta fresca, servidos num gigantesco copo? Como é possível sair da Tailândia sem experimentar essas delícias? 


O nosso estômago sente-se sempre vazio e baba-se todo quando vê uma novidade com óptimo aspecto. Não queremos contraria-lo, então tornamo-nos seus escravos. O problema é que tudo é uma bomba calórica… Eles adoram o açúcar! O açúcar está para eles como o sal está para nós, ou um pouco mais. O leite condensado é outro ingrediente chave e é um belo ponto final nas panquecas de ovo e banana! Podem por hummm nisto! As baratas, escorpiões e outras bichezas assim, é que não nos suscitaram curiosidade e não é por sermos vegetarianos! São bichos que não fazem parte da nossa pirâmide alimentar. 





No entanto, há coisas estranhas que mesmo sendo estranhas, tenho de experimentar! Os ovos de mil anos, foi uma delas. É um ovo que fica enterrado durante vários meses, envolvidos com argila, cal e sal. Eles pintam de cor de rosa para diferenciar dos outros. Parecem bonitinhos mas quando começamos o descasca-los… São pretos! Neste momento posso parecer um pouco racista mas não o sou. Não é, é normal vermos um ovo preto! Gema e clara, preta! A clara, que é agora escura, é gelatinosa e a gema é cremosa. É bom? Não é mau. Sabe a ovo mas a textura é estranha… Um ovo deu para quatro pessoas e ficou um pouco no prato, mas não é mau…



Bangkok pode ficar uma paragem muita cara… Há muita coisa que chama a atenção e assim de repente, parece que precisamos de muitas coisas. Fomo-nos perder em China Town… Que perdição! Começámos com um simples passeio pelas estreitas ruas a abarrotar de gente e de coisas. Depois decidimos entrar em algumas lojas e parecíamos duas crianças doidas com tanta novidade, tanta chinesada… Tocávamos em tudo, comentávamos tudo e não resistimos em trazer algumas coisinhas para nós. As estreitas ruas movimentadas não param! É um enorme labirinto de tentações chinesas. Sentimos que estávamos a ser comidos por eles e ainda lhes oferecíamos um sorriso como agradecimento.




Não é só nesse gigante China Town que ficámos de boca aberta. Entrámos num centro comercial com 4 ou 5 andares, (não me recordo dos andares) todo ele com lojas de informática! Aqui não existe roupa à venda, apenas computadores, portáteis, telemóveis, máquinas fotográficas, câmaras de vigilância… e comida espalhada um pouco por todo o lado.

A nossa boca voltou a abrir quando entrámos num espaço onde só vendiam capas para telemóveis, mas não é um espaço tipo uma loja. É um espaço tipo dois andares de um pequeno centro comercial mas neste caso, as lojas não estão separadas por vidros. Capas, capas e mais capas. Não tenho a certezas mas penso que também tenham vindo dentro de camiões chineses… Será?

Não ficámos uma semana em Bangkok para ver apenas comércio. Voltámos para a Embaixada Portuguesa e fomos buscar as nossas meninas que estavam cobertas de pequenas mosquinhas… Será que estavam sujas? Fomos levá-las ao senhor doutor e saíram de lá a brilhar! Até as pulseiras que tenho para embelezar a minha princesa, tinham limpo! Estavam mesmo a brilhar, estavam como novas! Elas estavam a merecer um spa como este e uma revisão geral. Estavam agora prontas para pedalar até a Embaixada do Vietname!

Pedalar aqui é incrível! Pode parecer haver muita confusão mas deu-nos a sensação de ser uma confusão muito bem controlada. Não sei o que se passava comigo mas fiz tantas asneiras na estrada… e não recebi nenhuma buzinadela! Incrível! O Rafael só se ria.

- Mas o que é que estás a fazer? – Perguntava.

- Pois não sei…

Os carros paravam e esperavam para ver o que queria fazer. Pedia desculpas e recebia um sorriso. A minha alma estava parva! Nunca sentimos tanta facilidade em pedalar numa grande cidade, ou melhor, numa capital. OK há uma coisa que não posso dizer que tenha gostado… As motorizadas andam por cima dos passeios… uma grande falha mas pronto, pelo menos não buzinam nem andam como doidos, como os indianos! Não foi fácil pararmos de falar dos indianos. Tudo o que víamos, comparávamos com a Índia, “isso não Índia não seria assim (…) txi, imagina isto na Índia (…)” Chegámos a um ponto que nos dissemos um ao outro:

- Vamos parar de comparar tudo com a Índia! Vamos aproveitar estes momentos.
Num dos nossos muitos passeios, vi que o Rafael tinha ficado para trás a falar com um senhor. Não voltei para trás, fiquei a espera. O Rafael apareceu a rir-se e chateado ao mesmo tempo.

- Aquele gajo começou a falar comigo, a dizer que eu tinha um bom karma, uma boa energia, e que ele conseguia adivinhar o nome da minha mãe, só tinha que ir à loja dele. Agradeci e disse que não e ele virou as costas com má cara, e foi-se embora. Adivinha, era indiano! É incrível!

Atenção! Temos muitos amigos indianos de quem gostamos muito!

A nossa principal missão, na capital, eram os vistos. Tirámos o visto para o Vietname mas tivemos de esperar 3 dias para reavermos os passaportes… Impossível ir à embaixada Chinesa assim.

Esses 3 dias de espera, serviram para comprarmos umas prendinhas para as nossas meninas: uma bomba, um espelho, luzes… 


Serviram para comprar uns óculos graduados por 30 euros... 





Serviram para visitarmos alguns templos budistas mas sem grandes pressas, apenas aqueles que íamos encontrando pelo caminho .





E serviram para participarmos na louca noite de Bangkok! Percorremos as ruas animadas, sentámo-nos para jantar e voltámos a percorrer as ruas animadas para escolhermos o bar. Experimentamos um, mas a minha caipirinha tinha mais ar de sumo de limão e a vodka red bull do Rafael era apenas red bull… Muda de sítio Rafael e Tanya, e mudámos.

- Um balde de VODKA red bull. – Dissemos para a empregada bem machona, sublinhado bem a Vodka.

Veio bem servida, sim senhor. Estávamos nós com as palhas na boca, quando uma rapariga se aproximou.

- Vocês são os portugueses que vão a Macau de bicicleta! Encontrámo-nos na Índia, lembram-se? Estava com a minha mãe.

Claro que nos lembrámos! Foi em Amritsar que a conhecemos. E assim terminámos a noite – a falar português!

No dia seguinte o Rafael acordou mais cedo para ir buscar o visto. Passadas algumas horinhas comecei a ficar muito preocupada! A chuva era forte e a trovoada assustava. Quando ele chegou, todo molhado, mostrou-me as fotos das ruas alagada! Foi tão bom ter ficado na cama! O Rafael estava com o ar divertido e não parava de dizer:

- É espectacular pedalar aqui!

Para o visto da China, não quisemos ficar em Bangkok à espera mas também não quisemos pagar mais para o ter no mesmo dia, nem no dia seguinte. Decidimos começar caminho e voltar a Bangkok de comboio. E assim foi.

Estávamos com muita vontade de começar a pedalar, estávamos curiosos para conhecer um pouco mais da Tailândia. Preparámos o pequeno-almoço e partimos…

Paparoca tailandesa





Isto é que é vida

Bangkok! Finalmente na Tailândia! Tínhamos aterrado, mas ainda não tínhamos chegado. Quero dizer, estávamos em Bangkok mais ainda tínhamos de percorrer 40 quilómetros para estarmos meeeesmo em Bangkok.

Quando terminamos de montar as bicicletas, quando elas estavam prontas para partir, o sol abandonou-nos. Perguntávamos às pessoas o caminho para o centro da capital e todas diziam:

- De bicicleta, é impossível!

Como “é impossível”? Não tínhamos mapa, não tínhamos luzes e começávamo-nos a irritar um ao outro, mas que foi possível chegar, foi!

Os carros passavam sem buzinar… Os carros paravam à nossa passagem… “ai, vai buzinar… não buzinou”. Um sorriso, outro sorriso… Os carros paravam ao no sinal vermelho. Ninguém tinha o olhar colado em nós… Os carros esperavam pelo sinal verde… Os carros continuavam sem buzinar… E quando o sinal verde aparecia os carros… NÃO BUZINAVAM! 

Três vivas – viva, viva, viva!


Tudo era diferente e estávamos a gostar MUITO! Não foi fácil chegar à Embaixada Portuguesa, onde nos foi dada autorização para estacionarmos as nossas meninas, para pudermos ir de férias. Estivemos muitas vezes perdidos, muitas vezes pensávamos que poderíamos estar perto da Embaixada mas depressa vinha um sorriso que destruía essa nossa possibilidade. Os tailandeses devem nascer às gargalhadas e não a chorar! Sabe tão bem pedalar por entre sorrisos sinceros e conseguir chegar aos sítios graças às ajudas que eles têm o prazer em oferecer. Estamos a adorar!!!

Mortos, cansados, estoirados, rastejando com a língua ao dependuro, chegávamos! O segurança não estava a perceber que o senhor Embaixador estava informado da nossa chegada e que nos foi dada a autorização para batermos à porta. É certo que 23h30 não são horas para se bater à porta mas… Foi-nos impossível chegar mais cedo. Conseguimos ter acesso ao motorista que nos abriu o portão, nos indicou um lugar seguro para as nossas meninas e nos ofereceu um cacho de bananas! De mini bananas… Como explicar… As nossas bananas da Madeira parecem monstruosas, gigantes, imponentes ao lado destas. 
Não estou a exagerar, eu nunca exagero!

Mochila às costas e fomos à procura de um hotel. Estávamos chocados! Não estávamos habituados a ambientes de festas, nem a mini saias minis, nem mini calções minis, mas “botem” minis nisto que estou a escrever! Em muitas, esse vestuário mini é a farda do trabalho e em muitos casos, este vestuário feminino é usado pela quantidade imensa de transexuais que existem em Bangkok, além das estrangeiras em busca de…alegria! Não estávamos habituados à música alta nos bares, nem sequer habituados a bares, nem a ver tanto turista junto, com muitas parecenças com aos turistas da Quarteira. Estávamos rodeados de muitas informação, muita festa e não conseguíamos, nem queríamos entrar nessa onda de “e bota abaixo”. Fugimos para o quarto!

- Não estou preparada para isto… Estou em choque! Choque não foi chegar ao Cairo, depois da Alemanha! – Dizia eu.

Novo dia: saímos à rua para ver como era Bangkok durante o dia. “Tailândia é cara!”. Atenção: não podem esquecer que estivemos na Índia! Comer por 1,50 ou dois, é muito caro! Andámos há 4 meses a comer por 50 cêntimos, 1 euro… Só nos ríamos quando nos apercebíamos do ridículo que estávamos a dizer. 

Durante o dia, a capital é bem diferente, bem mais sossegada, mas não conseguimos tirar-lhe bem as medidas pois andámos a tratar das nossas férias. Voltámos à Embaixada para preparar com mais calma a nossa mochilinha, fomos à net para tentar perceber onde poderiam estar os nossos amigos, com quem nos iríamos encontrar, e fomos à estação de comboios para comprar o bilhete para essa mesma noite. Foi por causa dessa nossa pressa, que nada vimos de Bangkok… Mas deu para perceber que adorámos a comida e adorámos experimentar a bebida que fazem com Ovomaltine! Podem tirar nota:

- Muitas colheres de sopa de Ovomaltine.
- Muitas colheres de sopa de leite condensado.
- Uma grande colher de sopa de açúcar.
- Água.
- Gelo triturado num grande copo.

Num copo, juntem os ingredientes das colheres de sopa. Juntem a água quente, para bem dissolver os ingredientes que só por acaso, são bem doces. Depois de tudo muito bem misturado, despejem a bomba calórica para dentro do grande copo cheio de gelo.
Não bebam com gula, pois desaparece depressa. Deixem o gelo derreter para poderem saborear cada gota que desaparece bem rapidamente da boca e permanece bem teimosamente no rabo ou na barriga, ou nas coxas...

Bom apetite!


Nessa noite, apanhámos o comboio. Mas que luxo! Os lugares eram espaçosos e o garçon vinha fazer-nos a cama, ao nosso sinal. Lençol, almofada, cobertor, cortina… E o garçon fazia de despertador! “Não há baratas por aqui? Não estou habituada a viajar sem baratas nos comboios!”

Estávamos a caminho de Ko Jum, uma ilha no sul, onde tínhamos combinado encontrarmo-nos com dois casais! Um casal inglês e um português. O inglês, são os nossos amigos Sam e Frank (www.odycycle.com), com quem pedalámos em 4 países diferentes e que estávamos ansiosos por reencontrar e o casal português é a família do Diário da Pikitim. O Filipe e a Luísa começaram no dia 6 de Janeiro deste ano, a sua volta ao mundo com a filha – Pikitim – de 4 anos! (www.pikitim.com)


Depois do comboio, apanhámos um autocarro, onde nos foi dado um autocolante para colarmos na camisola. Depois tivemos outro autocolante e mandaram-nos esperar por outro transporte. Apareceu uma carrinha que nos levou até ao porto onde recebemos outro autocolante. Entrámos no barco e passado uma hora, o barco parou e pequenos barquinhos apareceram. Foram estes barquinhos que nos deixaram na ilha.




Finalmente férias, silêncio, água do mar, bungalows, boa comida, sorrisos…

- Onde é que o Sam e a Frank estão?

Eles já tinham chegado no dia anterior mas não sabemos quais seriam os bungalows que tinham escolhido e não tiveram forma do entrar em contacto connosco… Fomos em busca do casal inglês de hotel em hotel. Parecíamos duas crianças ansiosas pelo reencontro.

Adoramos reencontros, adoramos estar com pessoas que gostamos! Ah, foi tão bom! Depois do abraço, fomos ver o ninho deles, que era bem mais barato que o nosso mas depois de termos visto o nosso, de termos arrumado tudo como se da nossa casinha se tratasse, fomos incapazes de mudar!

- Estamos de férias! Se nos sentimos melhor onde estamos, para quê trocar? – Perguntava o 
Rafael.

Não trocámos mas fizemos o nosso choradinho que só terminou quando ela reduziu o preço! Claro que temos de fazer estes choradinhos! Estamos numa viagem que tem como duração quase 2 anos!

No dia seguinte, encontrámos os pais da Pikitim e depressa nos juntámos à menina mais famosa de Portugal, para dentro da água!


Foram umas belas férias! 6 dias com longas caminhadas, boa comida, descanso, mergulhos… Sentíamos saudades das nossas meninas mas queríamos aproveitar ao máxima esse pequeno paraíso que nunca pensei vir a pisar…

Pikitim, não podes estar mais certa: isto é que é vida!

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