Dicas - Atrelados para bicicletas


A discussão entre atrelados (trailers) e alforges (panniers) é eterna e não nos leva a nenhuma conclusão. Discutir qual é melhor, é como discutir clubes de futebol, religiões ou política: cada um pensa da sua maneira. Há muitos argumentos que se colocam na utilização de uns e de outros e por isso decidimos falar dos atrelados, já que tanto nesta como na viagem anterior, fizemos uso dos mesmos e são geralmente aqueles que suscitam mais interesse do público em geral, por serem menos conhecidos e utilizados.

As marcas de atrelados mais conhecidas são:


Bob Trailer – O mais famoso dos atrelados para cicloturismo é robusto, pode levar até 50kg de peso e tem a vantagem de poder ser colocado ao contrário e servir como mesa. É também um dos exemplos de atrelados que pode servir outras necessidades: transportar enha, compras ou outros objectos pesados. Vem com um saco impermeável, geralmente amarelo, que é bem visível a longa distância. Pesa entre 7kg e 9kg, conforme o modelo. É mais comprido do que outros modelos no mercado e tem a desvantagem de ter uma roda de tamanho diferente, o que nos obriga a levar sempre um pneu e câmara-de-ar fora do normal tamanho dos da nossa bicicleta;


Extrawheel – A marca polaca desenhou um atrelado que já foi alvo de vários prémios  internacionais. A diferença é marcada por uma roda que é exactamente a mesma das da nossa bicicleta – 26´ou 700c – pelo baixo peso – 4kg – e porque absorbe muito melhor o impacto do que outros atrelados, pelo tamanho da sua roda. Foi pensado para viagens offroad, mas porta-se mais que lindamente em cidade. É de fácil colocação na bicicleta e em casos de descontrolo – em descidas a grande velocidade, por exemplo – é a primeira coisa a saltar da bicicleta, que pode ser visto como uma desvantagem, mas que só traz vantagens, pois deixa-nos menos peso nas mãos para controlar a situação;


Burley’s Nomad Cargo – Este atrelado de duas rodas é dos mais conhecidos do mercado. Consegue transportar uma carga até quase 80kg mas a sua cobertura não é totalmente impermeável. Pesa quase 7kg e é o atrelado mais flexível se, além do cicloturismo, quisermos fazer dele um instrumento caseiro: tudo cabe nas suas duas rodas! A desvantagem maior é mesmo, para nós, o facto de ter duas rodas, pois causa muito mais tracção na estrada, além de que em curvas apertadas, o desequilíbrio é muito maior;


Carry Freedom Y-Frame – No Tajiquistão vimos uns franceses com este atrelado. Não vem com nenhum saco incluído e pode colocar-se em cima dele qualquer coisa, pelo seu formato rectangular: sacos, caixas de plástico, alforges. Tem dois tamanhos diferentes, o mais pequeno com 6kg, capaz de suportar um peso até 45kg e o maior 7kg, capaz de suportar até 90kg. É feito de materiais simples que se encontram facilmente nos lugares mais remotos do mundo, deixando as suspensões para outro campeonato.

Oxtail - Este trailer chega-nos de Portugal e tem tido excelentes críticas em revistas da especialidade. Construído de um modo básico, tem nos seus materias o seu maior sucesso, dispensando amortecedores caros e optando pelo mais simples, pesando apenas 4,2kg e dobrando sobre si mesmo, o que é uma excelente vantagem em caso de viajarmos com ele dentro doutros transportes. A ligação à bicicleta é feita com o espigão do selim e é articulado tanto na vertical como na horizontal. Diz o seu construtor que aguenta até 70kg de peso! Uma das vantagens também, é que despensa sacos especiais ou alforges. Uma normal mochila pode ser colocada sobre a sua plataforma!

Cougar Chariot – No que toca a transporte de crianças, a opinião é unânime: Chariot! O modelo é conhecido por ser totalmente impermeável, ter um espaço enorme no seu interior para brinquedos e jogos e poder transportar até duas crianças confortavelmente. Tem suspensão e pode ser utilizado como carro-de-bebé, o que em viagens de avião é uma grande vantagem, já que não paga como material extra, enquanto que como atrelado, se paga! O seu peso ronda os 12kg.

Tout Terrain - Para transporte de crianças, a companhia desenhou um atrelado de um roda só – algo único neste mercado – e para uma só criança, feita sobretudo para offroad. É leve, pequeno e verdadeiramente, todo o terreno, sendo especializado em trilhos. Tem uma suspensão hidráulica e seria tudo para ser o número um, se o seu preço não rondasse os 1000 euros!

Vantagens dos atrelados:

- No caso do Extrawheel, ter como “sobresselente” um pneu exactamente do mesmo tamanho do pneu da nossa bicicleta (podemos escolher entre a medida 26´ e a 700c) e que poderemos sempre mudar, caso não tenhamos nada extra. Aconteceu-nos no Tajiquistão e “salvou-nos”a vida;

- Tira o peso da bicicleta, o que evita que partamos raios das rodas;

- Para viagens fora de asfalto, ou btt, deixa a bicicleta muito mais manobrável e leve;

- No caso de perseguição de cães, o que acontece vezes sem fim nestas viagens, a primeira coisa que atacam é o atrelado, pois é o que se encontra mais acessível;

-Tira-se facilmente, caso queiramos ter a bicicleta sem qualquer peso para umas voltas pela cidade ou montanha;

- É quase um metro a mais quando falamos de impactos por trás de outros veículos, pois é a primeira coisa a ser atingida;

- Pode ser transformado em mesa (no caso do Bob Trailer, por exemplo) ou ser utilizado para outras funções, como é o caso de compras, lenha, objectos maiores;

- É sempre um motivo de dois dedos de conversa com outros ciclistas e locais, pois além de não ser um design comum, querem sempre saber das vantagens e desvantagens de tal atrelado;

Desvantagens dos atrelados:

- Um pneu e câmara-de-ar de tamanho extra, caso não falemos no Extrawheel;

- É um peso a mais quando queremos apanhar outro transporte, além de que ocupa mais espaço;

- Quando temos que fazer marcha a ré, é como guiar um camião, há que aprender a conduzir;

- Por vezes é mais complicado subir degraus e escadarias, enquanto descer não tem qualquer dificuldade;

- Quando se desce a grande velocidade, a bicicleta sem peso na roda da frente perde facilmente o equilíbrio, o que exige um controlo muito maior, enquanto que, não se levando peso na roda de trás, quando em subidas e geralmente em gravilha ou terra batida, a roda perde tracção;


  - Quando temos de nos deslocar com a bicicleta à mão: subidas mais íngremes, quando nos dirigimos para um local para acampar, quando apanhamos lama, puxar um elemento a mais é sempre mais complicado e atrasa todo o processo.

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