É ocidentalizada? É o que precisamos!

A boa vida acabou… a água salgada no corpo, o sol a deitar-se no mar, os longos passeios pela costa, os saltos na areia, as barrigas à mostra, o não fazer nada… ah como soube bem! Agora, apenas no Vietname poderemos ter as mesmas sensações.

De volta a Bangkok. Gostamos desta capital! “Ah e tal, é muito ocidentalizada.” Pas de problème! Estávamos a precisar de sentir o nosso ocidente. Estávamos a precisar de não ver pessoas a cuspirem como se não houvesse amanhã, para o chão, ou a fazerem xixi para as paredes, ou a chatearem-nos a cabeça! Estávamos rodeados de sorrisos e isso deixava-nos felizes!

Para quem voa de Portugal para Bangkok, a experiência deve ser bem diferente da nossa. Não podem esquecer que o país anterior foi a Índia… Chegar a este novo país foi uma bomba de vitaminas para a nossa viagem. No primeiro dia, ficámos em choque, mas agora já estávamos abertos para receber todas as novidades!

Usámos o barco como transporte público, que fica mais em conta e como não há trânsito no rio, chegávamos bem mais depressa a qualquer sítio. Enquanto se espera pelo barco, podemos dar pão aos peixes que se atropelam para conseguirem ter um pedacinho na boca. Relembrámos Urfa na Turquia e os seus peixes sagrados. É impossível tirar os olhos da luta que não tem fim, pois há sempre pessoas com um saco de pão na mão.

Antes de viajar, dizem-nos vezes sem fim: “Não comam na rua!” Como? Foram poucas as vezes que entrámos num restaurante. Preferimos experimentar as comidas que são preparadas na rua e que são muito saborosas! “Não bebam os sumos com gelo!" Como não beber esses deliciosos granizados de fruta fresca, servidos num gigantesco copo? Como é possível sair da Tailândia sem experimentar essas delícias? 


O nosso estômago sente-se sempre vazio e baba-se todo quando vê uma novidade com óptimo aspecto. Não queremos contraria-lo, então tornamo-nos seus escravos. O problema é que tudo é uma bomba calórica… Eles adoram o açúcar! O açúcar está para eles como o sal está para nós, ou um pouco mais. O leite condensado é outro ingrediente chave e é um belo ponto final nas panquecas de ovo e banana! Podem por hummm nisto! As baratas, escorpiões e outras bichezas assim, é que não nos suscitaram curiosidade e não é por sermos vegetarianos! São bichos que não fazem parte da nossa pirâmide alimentar. 





No entanto, há coisas estranhas que mesmo sendo estranhas, tenho de experimentar! Os ovos de mil anos, foi uma delas. É um ovo que fica enterrado durante vários meses, envolvidos com argila, cal e sal. Eles pintam de cor de rosa para diferenciar dos outros. Parecem bonitinhos mas quando começamos o descasca-los… São pretos! Neste momento posso parecer um pouco racista mas não o sou. Não é, é normal vermos um ovo preto! Gema e clara, preta! A clara, que é agora escura, é gelatinosa e a gema é cremosa. É bom? Não é mau. Sabe a ovo mas a textura é estranha… Um ovo deu para quatro pessoas e ficou um pouco no prato, mas não é mau…



Bangkok pode ficar uma paragem muita cara… Há muita coisa que chama a atenção e assim de repente, parece que precisamos de muitas coisas. Fomo-nos perder em China Town… Que perdição! Começámos com um simples passeio pelas estreitas ruas a abarrotar de gente e de coisas. Depois decidimos entrar em algumas lojas e parecíamos duas crianças doidas com tanta novidade, tanta chinesada… Tocávamos em tudo, comentávamos tudo e não resistimos em trazer algumas coisinhas para nós. As estreitas ruas movimentadas não param! É um enorme labirinto de tentações chinesas. Sentimos que estávamos a ser comidos por eles e ainda lhes oferecíamos um sorriso como agradecimento.




Não é só nesse gigante China Town que ficámos de boca aberta. Entrámos num centro comercial com 4 ou 5 andares, (não me recordo dos andares) todo ele com lojas de informática! Aqui não existe roupa à venda, apenas computadores, portáteis, telemóveis, máquinas fotográficas, câmaras de vigilância… e comida espalhada um pouco por todo o lado.

A nossa boca voltou a abrir quando entrámos num espaço onde só vendiam capas para telemóveis, mas não é um espaço tipo uma loja. É um espaço tipo dois andares de um pequeno centro comercial mas neste caso, as lojas não estão separadas por vidros. Capas, capas e mais capas. Não tenho a certezas mas penso que também tenham vindo dentro de camiões chineses… Será?

Não ficámos uma semana em Bangkok para ver apenas comércio. Voltámos para a Embaixada Portuguesa e fomos buscar as nossas meninas que estavam cobertas de pequenas mosquinhas… Será que estavam sujas? Fomos levá-las ao senhor doutor e saíram de lá a brilhar! Até as pulseiras que tenho para embelezar a minha princesa, tinham limpo! Estavam mesmo a brilhar, estavam como novas! Elas estavam a merecer um spa como este e uma revisão geral. Estavam agora prontas para pedalar até a Embaixada do Vietname!

Pedalar aqui é incrível! Pode parecer haver muita confusão mas deu-nos a sensação de ser uma confusão muito bem controlada. Não sei o que se passava comigo mas fiz tantas asneiras na estrada… e não recebi nenhuma buzinadela! Incrível! O Rafael só se ria.

- Mas o que é que estás a fazer? – Perguntava.

- Pois não sei…

Os carros paravam e esperavam para ver o que queria fazer. Pedia desculpas e recebia um sorriso. A minha alma estava parva! Nunca sentimos tanta facilidade em pedalar numa grande cidade, ou melhor, numa capital. OK há uma coisa que não posso dizer que tenha gostado… As motorizadas andam por cima dos passeios… uma grande falha mas pronto, pelo menos não buzinam nem andam como doidos, como os indianos! Não foi fácil pararmos de falar dos indianos. Tudo o que víamos, comparávamos com a Índia, “isso não Índia não seria assim (…) txi, imagina isto na Índia (…)” Chegámos a um ponto que nos dissemos um ao outro:

- Vamos parar de comparar tudo com a Índia! Vamos aproveitar estes momentos.
Num dos nossos muitos passeios, vi que o Rafael tinha ficado para trás a falar com um senhor. Não voltei para trás, fiquei a espera. O Rafael apareceu a rir-se e chateado ao mesmo tempo.

- Aquele gajo começou a falar comigo, a dizer que eu tinha um bom karma, uma boa energia, e que ele conseguia adivinhar o nome da minha mãe, só tinha que ir à loja dele. Agradeci e disse que não e ele virou as costas com má cara, e foi-se embora. Adivinha, era indiano! É incrível!

Atenção! Temos muitos amigos indianos de quem gostamos muito!

A nossa principal missão, na capital, eram os vistos. Tirámos o visto para o Vietname mas tivemos de esperar 3 dias para reavermos os passaportes… Impossível ir à embaixada Chinesa assim.

Esses 3 dias de espera, serviram para comprarmos umas prendinhas para as nossas meninas: uma bomba, um espelho, luzes… 


Serviram para comprar uns óculos graduados por 30 euros... 





Serviram para visitarmos alguns templos budistas mas sem grandes pressas, apenas aqueles que íamos encontrando pelo caminho .





E serviram para participarmos na louca noite de Bangkok! Percorremos as ruas animadas, sentámo-nos para jantar e voltámos a percorrer as ruas animadas para escolhermos o bar. Experimentamos um, mas a minha caipirinha tinha mais ar de sumo de limão e a vodka red bull do Rafael era apenas red bull… Muda de sítio Rafael e Tanya, e mudámos.

- Um balde de VODKA red bull. – Dissemos para a empregada bem machona, sublinhado bem a Vodka.

Veio bem servida, sim senhor. Estávamos nós com as palhas na boca, quando uma rapariga se aproximou.

- Vocês são os portugueses que vão a Macau de bicicleta! Encontrámo-nos na Índia, lembram-se? Estava com a minha mãe.

Claro que nos lembrámos! Foi em Amritsar que a conhecemos. E assim terminámos a noite – a falar português!

No dia seguinte o Rafael acordou mais cedo para ir buscar o visto. Passadas algumas horinhas comecei a ficar muito preocupada! A chuva era forte e a trovoada assustava. Quando ele chegou, todo molhado, mostrou-me as fotos das ruas alagada! Foi tão bom ter ficado na cama! O Rafael estava com o ar divertido e não parava de dizer:

- É espectacular pedalar aqui!

Para o visto da China, não quisemos ficar em Bangkok à espera mas também não quisemos pagar mais para o ter no mesmo dia, nem no dia seguinte. Decidimos começar caminho e voltar a Bangkok de comboio. E assim foi.

Estávamos com muita vontade de começar a pedalar, estávamos curiosos para conhecer um pouco mais da Tailândia. Preparámos o pequeno-almoço e partimos…

2 comentários:

Anónimo disse...

moces!
mas que vida boa, sim senhor!
estou a gostar :)
vocês merecem, finalmente, um "descanso"!!!
que só dá para aproveitar assim, porque vieram da índia! é preciso as coisas menos boas, para apreciarmos as boas ;)
essa comidinha tem mesmo boa pinta, pá! até faz crescer água na boca
boas continuações
ana (nomadiclas)

oblogdaguida.blogspot.com disse...

O tal ovo mil anos de que o Zé Candeias falou hoje na rádio. De facto tem um aspecto horroroso. Mas com fome marcha :)
Tenho acompanhado na rádio as vossas crónicas com o Zé Candeias e desejo-vos continuação de boa viagem e divirtam-se. Este fim semana vou estar na vossa terra. Aveiro, mas concretamente Costa Nova.

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