Vietname sorri

Como foi bom entrarmos no Vietname! Não é todos os dias que temos uma descida com mais de 25 quilómetros! As montanhas eram mais verdes e com uma forte e selvagem vegetação!

Descemos até nos doerem as mãos. O vento na cara esticava ainda mais o nosso sorriso. Estávamos a menos de 200 metros de altitude! “Não quero ter de voltar a subir.” Pedia com todas as minhas forças! Resultou! Andámos por entre as montanhas e sem nunca às coçarmos às costas.

As pessoas eram extremamente simpáticas. Desta vez, não eram as crianças que gritavam “hello”, elas pouco nos ligavam. Os adultos, sim, festejavam à nossa passagem, gritavam, atiravam estranhos ruídos, gesticulavam, riam-se… Lembrei-me da minha cadela, que sempre que me vê, deixa no chão umas pinguinhas de xixi…


Ainda estávamos longe das cidades turísticas e estávamos a adorar! Comer tornava-se cada vez mais barato. Escolhíamos sempre os restaurantes/tascas, com ar de quem já viveu muito. Escolhíamos sempre tofu, felizes por existir esta bomba de proteínas. Comíamos no meio de capacetes que foram transformados em vasos. Comíamos perto dos tachos, com os olhos na senhora que cortava os legumes. Comíamos com os pauzinhos já tão nossos conhecidos. Comemos bem aqui e isso agrada-nos. Então, quanto temos de pagar 1 dólar por tofu com tomate e couve branca, e arroz (que podemos repetir), para ambos, ui adoramos! 


Dormir é mais estranho… barato mas estranho. O estranho passou a ser divertido mas depressa se tornou detestável! 

- Querem o quarto por quantas horas? – Perguntam-nos.

Em todas as terrinhas, há pequenos hotéis para as meninas trabalharem, ou para os jovens se conhecerem melhor. Entram com as motorizadas para o interior do quarto – todos estão equipados com uma rampinha. As raparigas, pouco ou nada vemos de pele – capacete na cabeça, óculos de sol e máscara na cara. O que conhecemos delas são os ruídos que lhes saem da boca. Os quartos estão bem equipados, sabonetes, champô, escova dos dentes, pente, toalhas e preservativos. Nada pode faltar aos clientes! 

A limpeza é muito duvidosa… Chegámos a pedir para trocarem o lençol antes de nos instalarmos. O quarto fica limpo quando o spray para disfarçar cheiros, é usado. Limpeza feita, quarto desinfetado, quarto barato! Às vezes não é bem barato, pois não percebem que queremos dormir somente e fazem-nos o preço por horas… Não têm noção da quantia que estão a pedir e só nos deixam irritados! Em muitos deles, conseguimos negociar os preços, mas noutros… é por hora, é por hora.

Estamos a gostar muito do Vietname e das pessoas. Recebemos um e-mail do casal “atleta” francês que conhecemos em Phnom Penh e eles disseram que não aguentaram… Passaram 4 dias no país e fugiram para a China. Não percebemos, pois nós estamos nas nuvens. Não discutíamos muito os preços e quando o fazíamos conseguimos, sem nos exaltarmos ou nos chatearmos. 

Pedalar estava a ser um grande prazer, pois pensávamos que iríamos continuar com montanhas… Na realidade, elas estavam lá mas a estrada mantinha-se sempre à beira do rio, contornando as montanhas! O sol é que não aparecia… Os dias eram todos iguais. Sempre com a mesma nebulosidade, com a mesma chuvinha miudinha, e foi por baixa dessa chuvinha que completámos 16 mil quilómetros. 


Aqui bebesse café! O do Laos, não nos agradava… O do Vietname… Bebemos, não com um enorme prazer, mas bebemos. Somos como crianças, queremos é ver o café a cair pinguinha a pinginha, e tirar o leite condensado no fundo do copo! Já fomos às compras e em Portugal vamos poder continuar a ver cair as pinguinhas, com aromas que bem conhecemos. 


Vietname, continua assim que estás no bom caminho!

Luang Prabang

 

Laos VS Calgon

Antes de nos passearmos pela mais bela e mais bem conservada cidade do sudeste asiático – a Unesco assim o diz – fomos à procura de um quarto à nossa medida. A rapariga que nos recebeu tinha um enorme sorriso e continuou a sorrir quando lhe sugerimos um novo valor para o quarto em questão. Bom negócio para ambos, já que o hotel estava vazio… 

Ganhámos um amigo com pêlo branco que gostou logo muito de nós, pois tínhamos uns bolinhos fritos que já não conseguíamos olhar sequer para eles. Ele, pouco olhava, engolia quase sem mastigar. Amigo para a vida!

Quarto arranjado, amigos feitos e saímos sem mapa da cidade, sem destino, sem querer procurar ver algo.

- Isto é muito bonito. – Dizia um e continuávamos a caminhar.

- Isto é muito bonito. – Dizia o outro e continuávamos a caminhar.

 Como chegámos já tarde, a noite apareceu num instantinho. É nessa altura que o mercado da noite entra em actividade e é nessa altura que somos enfeitiçados por ele. É tudo para o turista e temos que confessar que tudo atrai! Nós é que temos bons travões, caso contrário, teríamos que andar com dois atrelados cada um, e queria ver quem tinha pernas para tanto peso!

As cores dos tecidos, as luzes, as coisinhas e mais cosinhas, chamam a nossa atenção, mas foi a parte da comida que mais nos surpreendeu e nos fez salivar! Buffet por 1€! Conseguimos reproduzir as pirâmides de Gizé na perfeição!

Luang Prabang é bonito, sim! Não podemos dizer o contrário. É uma cidade onde se pode relaxar, mas sentimos que falta algo… É bonitinho mas… O que faltará? Não sabemos dizer ao certo mas faltam mais espaços para se estar mais próximos dos locais, falta ver mais casas-casas e não casas transformadas em Hotéis… Falta algo, mas gostámos muito!

De volta a Phonsavanh. O condutor era outro e este tinha uns pezinhos de pantufa! Mal sentíamos as curvas. Os nossos corpos já podiam relaxar e lembro-me te ter adormecido e lembro-me de acordar e ver o Rafael a babar-se! Bela viagem! Afinal o caminho pode ser agradável! Tudo depende do motorista.

De volta para os braços das nossas meninas! Que saudades! Estávamos há dois dias no Vietname e estávamos cheios de curiosidade em relação a este novo país, do qual muitos falam mil maravilhas e outros o detestam do fundo do coração! Estaremos em que grupo?

A nossa última noite foi passada no jardim de uma família. Montámos a tenda e esperámos que houvesse mais interação, mais nem sempre o que desejamos, é o que acontece. Simpáticos, não haja dúvida, mas nada mais… Havia uma grande distância entre nós.

Fomos tomar banho ao ar livre, para não variar e, à falta de água, tivemos de a ferver, para podermos cozinhar e beber água sem problemas. Nunca vi tanto calcário! A água que parecia limpa, sem cor e sem odor, mostrou o verdadeiro lado negro! Deixámos a água a ferver durante algum tempo e deixámos a verdade vir ao de cima. Filtrámos com a ajuda do nosso estojo dos óculos, em pano, na esperança que todos os males desaparecessem!

Aconselhamos a viajarem com pastilhas Calgon. Caso contrário, as idas à casa de banho podem tornar-se fatigantes! E se viajarem a dois, assegurem-se que são melhores que o companheiro, a correr!

Subimos tanto nestes dois dias! Mas quando é que isto termina?

O Laos terminou e terminou bem! Gostámos muito e um dia, será para repetir, com mais calma e mais tempo!

I Love You em Luang Prabang






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