Com a cabeça em casa


Compreendemos as pessoas que detestam o Vietname. Visitar apenas os sítios turísticos, faz crescer uns nervinhos cá dentro… Mas porque é que fomosa Halong Bay???

A nossa primeira cidade turística foi Ninh Binh. Os preços dispararam, o sorriso das pessoas já tinha outro propósito mas nada que nos fizesse ter vontade de fugir.

Encontrámos um hotel simpático, confortável e muito familiar. É bom podermos armar confusão no quarto, com roupa a secar, com os sacos abertos, coisas e coisinhas no chão, produtos higiénicos espalhados e dizemos: “Amanhã, ninguém sai!”

Será que os estrangeiros/turistas têm uma placa que diz “Somos estúpidos” na testa? Senti que a tínhamos quando nos sentámos numa esplanada para jantarmos.

Torci o nariz quando vi os preços armados em foguetes, mas esse dia, era um dia especial e para um dia assim, uma pequena loucura, não custa nada. Pedimos arroz e legumes fritos e ela apareceu com um “nico” de arroz e couve branca… Cozida… Eu que sempre reclamo, não o fiz, só perguntei ao Rafael:

- Queres comer isto? Vamos pagar o que ela pede para comer couve cozida?!

Não sei se foi imaginação minha, mas tenho a certeza que vi o Rafael a mudar de cor, vi fumo a sair pelos olhos e pelas orelhas, tal e qual como uma panela de pressão! Os turistas olhavam para a nossa mesa, quando viram a nossa pobre refeição…

- Mas estão a gozar connosco ou quê? Somos estúpidos? É isso? Eles pensam que somos o quê? Que vamos engolir isto sem dizermos nada? – O Rafael estava pronto para a luta!

A empregada aproximou-se, pois viu que algo não estava bem…

- Pedimos legumes fritos. – Dissemos.

- Sim, é isso!

– O que foi que ela disse? É isto?!

O cozinheiro apareceu e confirmou que a couve branca cozida eram oS vegetaiS FRITOS! Não valia a penas chatearmo-nos mais… Levantámo-nos e fomos embora – fulos! Procurámos pequenos restaurantes locais, mas estes devem pensar que somos burros, e pedem um preço ridículo! Mas ridículo mesmo. Não têm noção daquilo que pedem! Voltámos para o hotel e decidimos jantar por lá e ficámos bem satisfeitos! Até tivemos direito a fruta, como sobremesa. Passou a ser o nosso spot. E foi a comer tofu com tomate, arroz com legumes, e noodles também estes com legumes, que festejámos o nosso 6º aniversário de namoro.

A principal atração de Ninh Binh são os passeios de barco pelos rios que serpenteiam os picos trabalhados pela água, pelo vento e pela vegetação durante milhares de anos. É incrível a imagem destas elevações saindo de dentro de água e dos campos de arroz. O passeio agradou-nos! Pensávamos que seriam alguns minutos, mas o passeio tem mais de 2 horas! Chegámos ao fim, já fartinhos de barco! Mas valeu a pena.

Subimos num dos muitos barcos que se encontram estacionados, com a respetiva dona a segurar a “coleira”, não vá o barco fugir. Passámos por várias grutas, vimos alguns templos e vimos pela primeira vez, uma cobra! Mas cobra a sério! Não aquelas cobras fininhas que encontrámos por vezes, à beira da estrada a fugir ou esmagadas! Esta era uma senhora cobra! Vimos uma senhora a recuar, assustada avisando as amigas. Estas não estavam a perceber muito bem… Começaram a movimentar-se um pouco atabalhoadas e a senhora cobra, de cabeça levantada, ia dando beijinhos nas pernas de uma delas. Ufa que susto! Um homem apareceu com um tronco de bamboo e conseguiu enxotá-la e vimo-la a desaparecer no rio. Fico contente de ter sido a única cobra que os meus olhos avistaram! Assim, cobra a séria, ao vivo e a cores e vivinha da silva!

O que estragou o passeio foi o tempo nublado… O dia anterior teria sido perfeito para fazermos o passeio de barco, se não tivéssemos dormido até às 2 da tarde… O nosso único dia de sol no Vietname foi passado na cama… Tristeza…

Podem comprar uma passagem para o Vietname, rapidinho, para poderem visitar Ninh Binh, antes que perca o encanto! É agora ou nunca!

Halong Bay? Mas porque fomos até lá?

Fim dos três dias de descanso e voltámos para o selins das nossas meninas, que conhecem tão bem o nosso rabiote!

“Têm de ir a Halong Bay, é lindíssimo, adorámos a experiência! Foram 3 dias maravilhosos! Não podem falhar!” - Disse-nos o casal inglês, o Sam e a Frank.

“Não sou fã de Halong. Está muito estragado e muito sujo.” Disse-nos um amigo – Jorge Vassalo – que anda com a mochila colada às costas 425 dias por ano.

Ir ou não ir? Há coisas que por muito que nos digam que não vale a pena, há sempre aquela vontade de ver com os próprios olhos e é quase obrigatório lá passar. Erro… Mas tivemos de cair nesse erro para vos dizer que têm de visitar Halong Bay para verem como, uma coisa tão bonita pode ser transformado numa grande fábrica de negócios, uma piscina de sujidade… e para terem a vossa opinião. Atenção: Tivemos uma má experiência, não quer dizer que aconteça a todos, mas já são muitas histórias parecidas… Muitas queixas…

Pedalar no Vietname, não se tornou cansativo. Estávamos em boa forma e como tudo indica que estamos na recta final da viagem, queremos é pedalar com força, como se fosse possível chegar mais cedo a Portugal… Pouco ou nada temos para ver ou queremos ver. A máquina fotográfica é pouco usada para disparos. Auscultadores nas orelhas e sempre em frente, que se faz tarde! A paisagem daqui para a frente, na China, não ajudará, com blocos de cimento a seguir a blocos de cimento.

Os nossos pensamentos voam longe. O que vamos fazer quando chegarmos? Como nos sentiremos no regresso?

Vou abraçar tanto o meu super herói que já sabe ler e escrever! Vamos ver quem consegue encher a boca com mais gomas! Vamos montar a tenda perto de casa dos avós e lavar o rabo no rio, ao qual ele responde “Eu não! Eu levo papel higiénico, o pente e todos os meus cremes.”Por quanto tempo ficarei sem dizer “A tia vai ter de voltar a partir para mais uma missão noutro planeta.” Ele já não vai na história do outro planeta…


Os nossos pensamentos voam longe… Não estou na cabeça do Rafael para saber quais tem, mas acredito que a Duda e o T estejam sempre presentes. Vai saber bem voltar a ter a roupa cheia de pêlos, escovar os poucos dentes da Duda e sentir o focinho do T a tentar furar as costas, quando estamos deitados.

As saudades são muitas, e andamos a pedalar com o pensamento longe. O corpo e companhia dizem: 

“Vamos para casa, já chega!”

Já chega, está quase, em breve vamos querer voltar a partir e voltaremos a sentir saudades e a dizer mais cedo ou mais tarde: 

 “Já chega!”

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