Ilhas Faroé

As Ilhas Faroé são um dos últimos destinos de viagem onde imaginamos passar uns dias, mas foi lançada há pouco mais de uma semana pelo novo projecto de experiências culturais e de aventura que tenho vindo a desenvolver desde Fevereiro deste ano. Depois de destinos como a Pérsia, a Índia, Geórgia e Arménia, Japão e Sri Lanka, é a vez destas pequenas ilhas perdidas no gelado Atlântico entrarem na rota da LAND ESCAPE.


O líder da viagem às Faroé chama-se Henrique Castilho e é um dos novos rostos da cozinha de autor em Portugal. Apesar da sua tenra idade, o Henrique tem já na sua bagagem tudo o que lhe permite levar as pessoas a experienciar o melhor das paisagens e da história deste arquipélago, bem como da gastronomia local. Depois de ter passado por vários restaurantes conceituados, foi a vez de dar aso à sua imaginação no Kooks, um dos mais respeitados espaços de gastronomia das Faroé.

As Ilhas Faroé são, nas palavras do Henrique, um espaço “intocável, imprevisível e deslumbrante, onde mais de 80 nacionalidades convivem em harmonia e onde existem mais ovelhas do que população e de onde, num dia perfeito e sem nevoeiro, se consegue avistar a Islândia, que fica a 560 quilómetros de distância! Tudo começa com a procura dos voos mais económicos para as Ilhas Faroé na Rumbo, um motor de busca de viagens preferencial, na minha escolha. Muitas são as imagens de paisagens idílicas e que parecem retiradas de um livro da infância, mas não são só essas as mais-valias de uma viagem no arquipélago. As estórias fizeram deste local um lugar único nas lendas por esse mundo fora! Em Eiði, por exemplo, existe uma lenda curiosa que nos fala de dois rochedos que se elevam da água a 70 metros e que são chamados de Risin and Kellingin, ou o gigante e a bruxa! Reza a lenda que a uma certa altura, os gigantes na Islândia decidiram que queriam as Ilhas Faroé, enviado um deles e uma bruxa para irem até às ilhas e as trazerem até eles.      
Chegaram às ilhas e quando se depararam com uma montanha, o gigante ficou a aguardar no oceano, enquanto a bruxa a subia e com uma corda, as tentasse amarrar para que o gigante as pudesse levar às cotas. No entanto, quando ela prendeu a corda na montanha e o gigante puxou, uma parte da montanha partiu. Outras tentativas se seguiram, mas todas sem sucesso. Lutaram durante a noite toda, mas a base da montanha era firme e eles não a conseguiram mover. Porém, havia um pormenor. Estes foram avisados que caso o sol do dia brilha-se sobre eles, estes se transformavam em rochas. Como continuaram a lutar contra a montanha a noite toda, não notaram o passar do tempo e, ao amanhecer, um raio de sol pôs fim aos seus esforços, transformando-as naquilo que hoje conseguimos ver e que é uma das imagens de marca das Ilhas Faroé, o gigante e a bruxa virados a “caminho” da Islândia.

Este é um dos locais por onde a viagem passa, além de lagos no cimo de montanhas, cascatas de perder a respiração, aldeias onde o tempo parece que parou ou, na capital que tem o nome de Tórshavn - Deus do Trovão - um forte do século XVI construído para a população se poder defender dos piratas! 

fotografias de Henrique Castilho

Tbilisi, não foi amor à primeira vista

Não foi amor à primeira vista.

Foi assim que senti Tbilisi, quando olhava para trás do banco traseiro do táxi desenrascado que me levou ao aeroporto da capital, naquela noite cerrada, com chuviscos ao barulho.

Dois meses antes, ainda em casa e depois de já ter feito a compra dos voos para Tbilisi através da Rumbo, pensava para mim se valia mesmo a pena dedicar parte do tempo que tanto me faltava naquela altura, a percorrer um país que, diziam “hospitaleiro, simpático e genuíno”. Estava tudo marcado e pela primeira vez na minha vida, sentia vontade de ficar, em vez de partir. Nunca antes me havia acontecido. Curioso ou não, estava cansado de andar de um lado para o outro de avião, eu que com a LAND ESCAPE, já tinha feito 5 viagens com grupos a Istambul, até Junho. A ideia de acompanhar pessoas em viagem, é das coisas que mais me agrada. De apanhar aviões para me deslocar para os locais, de longe o que me faz sentir melhor.


A primeira sensação ao chegar a Tbilisi, era que iria ser uma autêntica aventura: nenhum país que eu conheça, oferece uma garrafa de vinho tinto no momento em que nos carimbam o passaporte. Ainda para mais pelas mãos de uma agente da autoridade. É verdade que os georgianos se orgulham – verdade ou não – de serem o país que inventou o vinho, mas daí a incitar-nos ao consumo ainda nem sequer entrámos no país, confesso que foi bizarro! Fosse isto nos anos 80, não gastava uma fotografia a documentar o momento, mas na era do digital, foi naturalmente a minha primeira acção! Vinho fotografado! Sei sempre que o primeiro dia num país que desconheço é motivo de pensar a toda a hora: vou ser enganado agora! E foi exactamente isso que me aconteceu para chegar ao centro da capital, ser enganado por um taxista de última hora que, além de me subir o preço 3 vezes mais do que o normal – atenção, já depois de regateado! – ainda levou mais 10€, por pura distração minha.

Viva a Geórgia!

Relaxei, fui recebido por uma mulher em pijama à riscas cor-de-rosa no meio duma praça de edifícios decadentes a falar-me em russo, que me levou até ao meu poiso onde, a parede que dividia o meu quarto do outro, como não ia até ao tecto, me proporcionou uma noite de ressona e para do meu vizinho do quarto ao lado! Tudo bem até agora! Adormeci!


Tbilisi acordou quente. À primeira impressão, achei tudo um pouco delapidado, decadente (já me estou a repetir), com varandas precipitadas sobre a rua avisando que podiam cair a qualquer momento, com vielas onde havia passado a guerra, com toda a certeza, há 10 minutos atrás e anúncios de hosteis a cada esquina, anunciando saldos nocturnos e promessas de festa junto a outros viajantes. Percorri a cidade em busca de encanto, como se o encanto de um canto da Europa fosse fácil de ser encontrado.

Na verdade, Tbilisi começou a encantar-me somente no segundo dia, já bem mais relaxado e com a cabeça no sítio, que é o mesmo que dizer, sem uma rota traçada que me levasse a sítios que sabia existirem, a cafés que conhecia de dicas amigas, a igrejas e catedrais tão antigas quanto a história deste país porque, se bem que tudo isto me seduza e me encante também, o que me atrai verdadeiramente quando viajo, é o local onde tropeço sem saber que existe. E desses, está Tbilisi cheio: jardins recatados e cheios de silêncio, pequenos cafés nas encostas do tão visitado forte, pátios escondidos nas ruelas onde a guerra, talvez, tenha passado, onde sim, varandas de um trabalho impressionante, quase caem e restaurantes onde o volume da música é tão elevado que se sai, não sei se de barriga cheia ou de ouvidos a zumbir.


O encanto está também num espaço religioso que agrada a “gregos e troianos” (a primeira mesquita que entrei, onde sunitas e xiitas rezam em conjunto), no cheiro a enxofre que sai das entranhas da terra e que dá o nome à cidade, no encontro com dois adolescentes que envergando dois grandes cartazes, pedem em inglês e no idioma local, uma ajuda para poderem ir ao maior festival de música do país: “Um sonho, o maior sonho!” – dizem-me e a quem dou todas as moedas que tenho no bolso e os mando divertirem-se!

Isto podia acontecer em todo o lado, sim, mas não aconteceu. Foi ali, em Tbilisi e estes pequenos nadas fazem-me começar a gostar de uma cidade que me custou deixar mais tarde, noite adentro, olhando para trás pela janela daquele táxi desenrascado e pensando: não foi amor à primeira vista.

Grande Bazar de Istambul

Há imensos caminhos a percorrer em Istambul: uns mais turísticos, outros com menos flashs, aqueles onde nos olham ainda com a estranheza de um ser desconhecido em terra que não lhe pertence ou ainda caminhos que nos levam dos highlights aos recantos mais escondidos da cidade, longe das multidões, a casa de amigos de onde, da varanda, se tem quase a sensação de observarmos toda a cidade.

Eu, não tenho preferência. Agradam-me uns e outros e não sou aquele tipo de viajante que diz que o que lhe agrada é estar longe das multidões, fora dos locais turísticos. Eu gosto de viajar e por isso as multidões, o isolamento, os recantos e os highlights fazem parte da minha viagem. O que me interessa é estar presente! E estar presente para mim, neste momento, é voltar a entranhar-me no movimento desta gigante cidade que nos engole e me fascina. É voltar, sem qualquer cansaço às mesmas mesquitas, aos restaurantes onde já me conhecem, à ponte que me dá o outro lado, ao barco que me leva a outras paragens, à mesa de madeira com um pano deslavado por cima, onde me pousam o mesmo copo de chá preto. É ter rotinas, numa cidade à qual não pertenço, mas que é, também, minha!

Há sítios, porém, dos quais não me canso de voltar e muitas vezes nem é pelo que se vende ou vê, pela qualidade que tem, pela energia que passa, mas porque a cada regresso, aprendo uma coisa mais, observo algo que nunca tinha visto, entendo melhor a razão da sua existência. Um desses espaços, é o Grande Bazar de Istambul!

Já todos sabemos que é o maior mercado coberto do mundo, que tem mais de 3000 lojas, 65 ruas, que ocupa uma área superior a 40000 metros quadrados e que passam por ele, todos os dias, mais de 300000 pessoas! Os números, por si só, já impressionam e sim, se é verdade que o Grande Bazar é cada vez menos um bazar – como o imaginamos – e mais um shopping, também é verdade que todo o fascínio deste local, encontro-a na história passada e não na presente e por isso, quando regresso, vejo-o sempre com outros olhos.

Gosto de perceber que não nasceu aqui por mero acaso. A sua construção deve-se a uma regra daquilo que era a ideia de uma cidade otomana. Esta, teria 3 regras: a construção de uma mesquita num sítio sempre visível; a construção de uma madraça (escola) num sítio acessível; a construção de um bazar num sítio seguro – e foi por essa mesma razão que o Grande Bazar aqui nasceu, porque por detrás deste, existia aquele que era o Palácio residencial dos sultões, no local onde existe agora a universidade e porque era um espaço cheio de ruelas, por onde a fuga se tornava mais difícil. O que é interessante saber também, é que nasceu a partir de uma zona que se chama bedesten (existem dois, no Grande Bazar). O primeiro, foi construído em 1460 por Mehmed II e, a partir deste, todo o bazar nasceu em redor. O bedesten mais não era do que o local pensado para guardar e vender os bens mais preciosos e por isso mesmo o primeiro ter sido o Cevahir – um espaço que compreendia 44 joelharias. O segundo a ser construído, o Sandal – que guardava os tecidos mais valiosos. Estes bedesten são à prova de terramotos e de incêndios e foram os pioneiros dos bancos, já que era aqui que, mediante o pagamento de taxas, os homens mais ricos da cidade guardavam os seus bens, qual caixa-forte!
Há também uma série de caravançarais em redor do Grande Bazar, locais essências às diversas rotas que passavam por Istambul, servindo de local de abrigo e alimento aos animais e aos viajantes que acompanhavam as caravanas e ainda fora do bazar, mas também no seu interior, uma série de hans – que serviam somente de local de abrigo aos viajantes e tinham a função de terem pequenas lojas também. O que merece maior destaque é, sem sombra de dúvidas, o Han Zincirli, para mim o mais bem conservado e bonito!

E a história do Grande Bazar de Istambul poderia continuar, mas revelaria assim alguns dos maiores segredos que me fazem voltar a ele e que, como líder de viagens que sou, gosto de guardar na manga só para mim, ou a magia perder-se-ia!

Assim como este local, existem outros que me apaixonam de igual maneira e ficar longe deles por muito tempo, seria como perdê-los! Sempre que com a LAND ESCAPE regresso à cidade e depois de procurar os voos através da Rumbo, reservo um dos meus hotéis favoritos - pois depende do momento, já que não tenho locais fixos, assim como não tenho restaurantes fixos - a ansiedade de mudar outra vez de cidade começa a aumentar e a vontade de voltar, uma vez mais a partilhar com outro grupo de viajantes a paixão que tenho por viajar, é a melhor sensação do mundo!

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