Grande Bazar de Istambul

Há imensos caminhos a percorrer em Istambul: uns mais turísticos, outros com menos flashs, aqueles onde nos olham ainda com a estranheza de um ser desconhecido em terra que não lhe pertence ou ainda caminhos que nos levam dos highlights aos recantos mais escondidos da cidade, longe das multidões, a casa de amigos de onde, da varanda, se tem quase a sensação de observarmos toda a cidade.

Eu, não tenho preferência. Agradam-me uns e outros e não sou aquele tipo de viajante que diz que o que lhe agrada é estar longe das multidões, fora dos locais turísticos. Eu gosto de viajar e por isso as multidões, o isolamento, os recantos e os highlights fazem parte da minha viagem. O que me interessa é estar presente! E estar presente para mim, neste momento, é voltar a entranhar-me no movimento desta gigante cidade que nos engole e me fascina. É voltar, sem qualquer cansaço às mesmas mesquitas, aos restaurantes onde já me conhecem, à ponte que me dá o outro lado, ao barco que me leva a outras paragens, à mesa de madeira com um pano deslavado por cima, onde me pousam o mesmo copo de chá preto. É ter rotinas, numa cidade à qual não pertenço, mas que é, também, minha!

Há sítios, porém, dos quais não me canso de voltar e muitas vezes nem é pelo que se vende ou vê, pela qualidade que tem, pela energia que passa, mas porque a cada regresso, aprendo uma coisa mais, observo algo que nunca tinha visto, entendo melhor a razão da sua existência. Um desses espaços, é o Grande Bazar de Istambul!

Já todos sabemos que é o maior mercado coberto do mundo, que tem mais de 3000 lojas, 65 ruas, que ocupa uma área superior a 40000 metros quadrados e que passam por ele, todos os dias, mais de 300000 pessoas! Os números, por si só, já impressionam e sim, se é verdade que o Grande Bazar é cada vez menos um bazar – como o imaginamos – e mais um shopping, também é verdade que todo o fascínio deste local, encontro-a na história passada e não na presente e por isso, quando regresso, vejo-o sempre com outros olhos.

Gosto de perceber que não nasceu aqui por mero acaso. A sua construção deve-se a uma regra daquilo que era a ideia de uma cidade otomana. Esta, teria 3 regras: a construção de uma mesquita num sítio sempre visível; a construção de uma madraça (escola) num sítio acessível; a construção de um bazar num sítio seguro – e foi por essa mesma razão que o Grande Bazar aqui nasceu, porque por detrás deste, existia aquele que era o Palácio residencial dos sultões, no local onde existe agora a universidade e porque era um espaço cheio de ruelas, por onde a fuga se tornava mais difícil. O que é interessante saber também, é que nasceu a partir de uma zona que se chama bedesten (existem dois, no Grande Bazar). O primeiro, foi construído em 1460 por Mehmed II e, a partir deste, todo o bazar nasceu em redor. O bedesten mais não era do que o local pensado para guardar e vender os bens mais preciosos e por isso mesmo o primeiro ter sido o Cevahir – um espaço que compreendia 44 joelharias. O segundo a ser construído, o Sandal – que guardava os tecidos mais valiosos. Estes bedesten são à prova de terramotos e de incêndios e foram os pioneiros dos bancos, já que era aqui que, mediante o pagamento de taxas, os homens mais ricos da cidade guardavam os seus bens, qual caixa-forte!
Há também uma série de caravançarais em redor do Grande Bazar, locais essências às diversas rotas que passavam por Istambul, servindo de local de abrigo e alimento aos animais e aos viajantes que acompanhavam as caravanas e ainda fora do bazar, mas também no seu interior, uma série de hans – que serviam somente de local de abrigo aos viajantes e tinham a função de terem pequenas lojas também. O que merece maior destaque é, sem sombra de dúvidas, o Han Zincirli, para mim o mais bem conservado e bonito!

E a história do Grande Bazar de Istambul poderia continuar, mas revelaria assim alguns dos maiores segredos que me fazem voltar a ele e que, como líder de viagens que sou, gosto de guardar na manga só para mim, ou a magia perder-se-ia!

Assim como este local, existem outros que me apaixonam de igual maneira e ficar longe deles por muito tempo, seria como perdê-los! Sempre que com a LAND ESCAPE regresso à cidade e depois de procurar os voos através da Rumbo, reservo um dos meus hotéis favoritos - pois depende do momento, já que não tenho locais fixos, assim como não tenho restaurantes fixos - a ansiedade de mudar outra vez de cidade começa a aumentar e a vontade de voltar, uma vez mais a partilhar com outro grupo de viajantes a paixão que tenho por viajar, é a melhor sensação do mundo!

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