Percursos de bicicleta - Canal du Midi

Como estamos em altura de Verão e o calor começa a puxar por nós para o exterior, nada melhor que propormos uns trajectos de bicicleta e começamos pelo Canal du Midi, em França. Construído por Pierre Paul Riquet no século XVII e depois de muitos obstáculos passados, ligou finalmente o Atlântico ao Mediterrâneo. A melhor maneira de apreciar património tão rico é percorrê-lo de bicicleta! Nos seus 240 quilómetros entre Toulouse e Sete, o canal viaja por um imenso património paisagístico, cultural e arquitectónico. Descobre cidades medievais, aldeias pitorescas e gastronomia riquíssima! Passeia pelos centros históricos e relaxa num dos muitos cafés que tornam a atmosfera desta região tão particular!


Dia 1 –Toulouse
A melhor maneira de encontrar os voos que partem todos os dias de Portugal para Toulouse, é através do site da Rumbo, que utilizo sempre que necessito de fazer uma pesquisa. Depois de chegares, nada melhor que uma primeira abordagem à cidade, olhando o rio! Toulouse é a quarta maior cidade francesa e possuidora de um património riquíssimo. O seu centro histórico emana personalidade, além de se distinguir dos demais pela cor tão característica dos seus edifícios. Neste primeiro dia, porque não aproveitas o resto da tarde para visitar alguns dos espaços mais marcantes, como o é a igreja de St. Sermin, a maior igreja católica do mundo. Ao chegar a noite, aproveita para tirar umas fotografias, porque aí, Toulouse ganha outro charme!

Dia 2 - Toulouse/Castelnaudary (65kms)A "Cidade Rosa" abre-nos o caminho para o Canal du Midi, uma obra que pertence à lista de Património Mundial da UNESCO. Caso tenhas trazido contigo a bicicleta, a tarefa está facilitada. Caso contrário, existem muitas agências na cidade que te permitem aceder ao velocípede durante um longo período de tempo. Afinal de contas, vai ser o teu primeiro dia em cima do selim! Atravessa a região de Lauragais, com os seus enormes campos de cultivo e tem cuidado para não atropelar nenhum pato ou ganso que fazem do canal o seu habitat natural! O dia prolonga-se maioritariamente pelas margens do canal até Castelnaudary, onde descansas e pernoitas.

Dia 3 - Castelnaudary/Carcassonne  (45kms)
Hoje o percurso leva-te pela região de Cathar, onde podes observar evidências das Cruzadas. Carcassone, o destino de hoje, é uma das cidades medievais mais importantes da Europa e podes aproveitar parte do dia, dentro das suas muralhas, explorando o centro histórico. Classificada pela UNESCO, as fortificações são impressionantes, com as suas 52 torres em pedra. Em Carcassonne e se for dia de mercado, que se realiza às terças, quintas e sábados, tens um ponto obrigatório para ir! Não pode faltar! 

Dia 4 – Carcassonne (Montolieu)
Aproveita este dia para veres mais da cidade fortificada e seus arredores. Podes sempre pedalar um pouco e visitar Montolieu, a vila dos livros, como é conhecida, que fica afastada uma dezena de quilómetros do canal.

Dia 5 - Carcassonne/Homps (45kms)
Bem pela manhã, vais pedalar entre o rio Aude e o canal, por entre plátanos e pinheiros. As vilas ao longo do percurso são um autêntico tesouro. Visita a ponte do canal de Orbiel, monumento classificado e a barragem de pedra de Argendouble. Nas calmas, chegarás a meio da tarde a Homps e tira o resto do dia para divagares pela povoação!


Dia 6 - Homps/Narbonne (40kms)
Aldeias típicas como a de Paraza ou Le Somail cruzam-se no teu caminho no dia de hoje. Deixa o Canal du Midi e junta-te a outro canal, desta feita o Canal de la Robine, que te levará à cidade onde pernoitas hoje: Narbonne! Terás ainda a oportunidade de visitar os canais em Salleles d'Aude e a Pont des Marchands, em Narbonne. Um dia um dos mais prósperos portos do país, a mudança do curso do rio Aude, no século XIV, fez com que a cidade caísse em declínio, estando agora a 15 quilómetros do mar!

Dia 7 - Narbonne/Toulouse/Lisboa

Dia de regresso a Toulouse pela linha férrea. Podes, no entanto, continuar França adentro e aproveitar mais uns dias a pedalar. Caso não tenhas mais tempo, o regresso faz-se a partir do aeroporto de Toulouse! 

Cracóvia, à volta da mesa


Viajar até Cracóvia, na Polónia é, mais do que obrigatório, necessário. A capital cultural do país, berço de uma das universidades mais antigas da Europa e base de partida para um local tão importante para a história da humanidade, como o campo de concentração de Auschwitz, surpreende-nos com uma vida nocturna já conhecida por todos mas, mais do que tudo, por um bom gosto a nível da restauração, que nos pode mesmo deixar surpreendidos. Assim, mais do que apresentar aqui um roteiro turístico de três dias, apresentarei um roteiro de três dias, sim, mas baseado numa das coisas que mais me dá gosto apreciar quando viajo: os cafés e restaurantes!



O normal será chegar à cidade a meio da tarde, como se pode ver através da pesquisa de voos para Cracóvia na Rumbo (o motor de busca que mais utilizo nestas situações). Há muitas maneiras de chegar ao centro, sendo que a mais económica é o autocarro público, que faz a ligação em pouco mais de 40 minutos. Já na cidade e depois de instalados, uma primeira aproximação à Praça do Mercado, parece-me óbvia. Se quisermos começar logo a provar a gastronomia local, poderemos sentar-nos num dos muitos restaurantes especializados em Pierogis – uns pastéis em forma de rissol, que são recheados com uma variedade enorme de ingredientes, sendo que os mais populares, são os Pierogi Ruski (batata e queijo) – sendo que aconselho o Zapiecek, um pequeno espaço aberto 24 horas por dia.




No segundo dia e se o hotel não tiver pequeno-almoço ou estiverem mais virados para experimentar algo no exterior, a sugestão vai para a cadeia Lajkonik, House of Bakery – há vários na cidade - que serve uma variedade imensa de cafés, bolos, salgados e sumos, em espaços sempre muito acolhedores. Uma visita à colina de Wawel, onde se encontra o Castelo e a Catedral, vai fazer-nos queimar algumas calorias, as suficientes para, na descida, pararmos logo ali, no antigo bairro judeu de Kazimierz para, na Praça Nova, provarmos outra das iguarias de rua do país, a Zapiekanka – uma espécie de pizza em pão, servida com um rol infinito de ingredientes. 


É só escolher do menu, encontrar um lugar no chão para sentar e degustar ou, ir caminhando por entre os vendedores de antiguidades espalhados pela praça. O caminho leva-nos depois à margem de lá do rio Vistula, numa visita à antiga fábrica de Oscar Shindler. A tarde inteira não é suficiente para a visita, mas o buraquinho no estômago, devolve-nos ao centro da cidade, a um dos mais originais restaurantes a nível de decoração, o Polakowski, estabelecido em 1899 e neste momento um espaço self-service, onde temos uma grande escolha mas onde aconselho, sem dúvida, a sopa de beterraba, outra das preciosidades gastronómicas da região. Mesmo ao lado, à saída e virando para a esquerda, outra cadeia de cafés que nos maravilha, o Karamel, onde acompanhado por um café, terá de vir obrigatoriamente um chocolate, ou não fossem eles uma das melhores chocolatarias da cidade. A noite, embala-nos!


Ao acordar, um pequeno-almoço no Camelot, talvez o meu café favorito em Cracóvia! Aliado a uma apresentação única dos pratos, chás, bolos, o espaço é, por si só, um lugar mágico! Imperdível! Dali, caminhamos até à estação e, 20 minutos de comboio depois, chegamos à Mina de Sal de Wieliczka, a uns 10 quilómetros da cidade, um lugar que pertence – assim como o centro histórico de Cracóvia – à primeira lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO, iniciada em 1978. Pode descer-se, com visita guiada, até aos 325 metros de profundidade e o seu interior é algo inexplicável. De regresso à cidade, almoçamos no Green Way (sendo que sou vegetariano, a opção tinha que constar aqui!), um dos vários restaurantes vegetarianos da cidade. O espaço é simples, o menu vasto e o preço é bastante agradável. Em pleno coração do centro histórico, por detrás da Basílica de Santa Maria. Para finalizar, aconselho que vagueiem sem pressas pelas ruas que fazem o centro de Cracóvia, descendo até ao bairro judeu. Encontrarão, com toda a certeza, motivos mais do que suficientes para regressarem à cidade, pois são tantas as tentações. O jantar, leva-nos ao restaurante


Gospoda Koko, com salas no rés-do-chão e na cave, espalhadas por um espaço extenso e com uma clientela muito mais jovem. Pede-se ao balcão, paga-se e vêm trazer-nos à mesa. O menu é também ele variado e, provavelmente, o mais barato da cidade! Prolonguem a noite com a cerveja mais barata da cidade, também!


No dia seguinte, regressa-se a casa ou, como ainda há tanto a descobrir, porque não ficar mais um dia, visitar os campos de concentração, a 70 quilómetros da cidade e acrescentar, à chegada, mais uns dois ou três espaços de restauração ao nosso já longo, menu?

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