Cracóvia, à volta da mesa


Viajar até Cracóvia, na Polónia é, mais do que obrigatório, necessário. A capital cultural do país, berço de uma das universidades mais antigas da Europa e base de partida para um local tão importante para a história da humanidade, como o campo de concentração de Auschwitz, surpreende-nos com uma vida nocturna já conhecida por todos mas, mais do que tudo, por um bom gosto a nível da restauração, que nos pode mesmo deixar surpreendidos. Assim, mais do que apresentar aqui um roteiro turístico de três dias, apresentarei um roteiro de três dias, sim, mas baseado numa das coisas que mais me dá gosto apreciar quando viajo: os cafés e restaurantes!



O normal será chegar à cidade a meio da tarde, como se pode ver através da pesquisa de voos para Cracóvia na Rumbo (o motor de busca que mais utilizo nestas situações). Há muitas maneiras de chegar ao centro, sendo que a mais económica é o autocarro público, que faz a ligação em pouco mais de 40 minutos. Já na cidade e depois de instalados, uma primeira aproximação à Praça do Mercado, parece-me óbvia. Se quisermos começar logo a provar a gastronomia local, poderemos sentar-nos num dos muitos restaurantes especializados em Pierogis – uns pastéis em forma de rissol, que são recheados com uma variedade enorme de ingredientes, sendo que os mais populares, são os Pierogi Ruski (batata e queijo) – sendo que aconselho o Zapiecek, um pequeno espaço aberto 24 horas por dia.




No segundo dia e se o hotel não tiver pequeno-almoço ou estiverem mais virados para experimentar algo no exterior, a sugestão vai para a cadeia Lajkonik, House of Bakery – há vários na cidade - que serve uma variedade imensa de cafés, bolos, salgados e sumos, em espaços sempre muito acolhedores. Uma visita à colina de Wawel, onde se encontra o Castelo e a Catedral, vai fazer-nos queimar algumas calorias, as suficientes para, na descida, pararmos logo ali, no antigo bairro judeu de Kazimierz para, na Praça Nova, provarmos outra das iguarias de rua do país, a Zapiekanka – uma espécie de pizza em pão, servida com um rol infinito de ingredientes. 


É só escolher do menu, encontrar um lugar no chão para sentar e degustar ou, ir caminhando por entre os vendedores de antiguidades espalhados pela praça. O caminho leva-nos depois à margem de lá do rio Vistula, numa visita à antiga fábrica de Oscar Shindler. A tarde inteira não é suficiente para a visita, mas o buraquinho no estômago, devolve-nos ao centro da cidade, a um dos mais originais restaurantes a nível de decoração, o Polakowski, estabelecido em 1899 e neste momento um espaço self-service, onde temos uma grande escolha mas onde aconselho, sem dúvida, a sopa de beterraba, outra das preciosidades gastronómicas da região. Mesmo ao lado, à saída e virando para a esquerda, outra cadeia de cafés que nos maravilha, o Karamel, onde acompanhado por um café, terá de vir obrigatoriamente um chocolate, ou não fossem eles uma das melhores chocolatarias da cidade. A noite, embala-nos!


Ao acordar, um pequeno-almoço no Camelot, talvez o meu café favorito em Cracóvia! Aliado a uma apresentação única dos pratos, chás, bolos, o espaço é, por si só, um lugar mágico! Imperdível! Dali, caminhamos até à estação e, 20 minutos de comboio depois, chegamos à Mina de Sal de Wieliczka, a uns 10 quilómetros da cidade, um lugar que pertence – assim como o centro histórico de Cracóvia – à primeira lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO, iniciada em 1978. Pode descer-se, com visita guiada, até aos 325 metros de profundidade e o seu interior é algo inexplicável. De regresso à cidade, almoçamos no Green Way (sendo que sou vegetariano, a opção tinha que constar aqui!), um dos vários restaurantes vegetarianos da cidade. O espaço é simples, o menu vasto e o preço é bastante agradável. Em pleno coração do centro histórico, por detrás da Basílica de Santa Maria. Para finalizar, aconselho que vagueiem sem pressas pelas ruas que fazem o centro de Cracóvia, descendo até ao bairro judeu. Encontrarão, com toda a certeza, motivos mais do que suficientes para regressarem à cidade, pois são tantas as tentações. O jantar, leva-nos ao restaurante


Gospoda Koko, com salas no rés-do-chão e na cave, espalhadas por um espaço extenso e com uma clientela muito mais jovem. Pede-se ao balcão, paga-se e vêm trazer-nos à mesa. O menu é também ele variado e, provavelmente, o mais barato da cidade! Prolonguem a noite com a cerveja mais barata da cidade, também!


No dia seguinte, regressa-se a casa ou, como ainda há tanto a descobrir, porque não ficar mais um dia, visitar os campos de concentração, a 70 quilómetros da cidade e acrescentar, à chegada, mais uns dois ou três espaços de restauração ao nosso já longo, menu?

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