Na rota do Buda
Os primeiros quilómetros foram de grande prazer. Soube bem
voltar a sentir-nos em viagem. Pedalar na Índia foi um pequeno inferno, sem
prazer nem recompensas. A Tailândia estava a ser como o bolo de chocolate que a
minha sogra faz tão bem e dos quais vou ter uma mesa cheia, quando regressar.
O Rafael tinha tirado as indicações que seriam necessárias e
pelos seus cálculos, teríamos uns 65 quilómetros pela frente. Mesmo com as
indicações que possuíamos, achámos por bem ir perguntado às pessoas… Não vá o
diabo tecê-las.
Estava um belo dia de sol, parávamos muitas vezes, ora para
um granizado de fruta, ora para um Nescafé com gelo, ora para outras bebidas no
7eleven, a loja mais conhecida da
Tailândia! Estão em todas as ruas, e por vezes, estão mesmo frente a frente! O
que é demasiado cansa, é o que se diz, não é? Pois ao 7eleven, essa frase não se aplica! É bom saber que podemos contar
com ele em cada esquina! É lá que se pode beber o café mais barato e à noite,
há fila para a cerveja.
As pessoas davam-nos estranhas indicações que não coincidiam
com as que tínhamos. Achávamos estranho mas confiávamos na palavra dos locais,
pois quem melhor que eles para indicar o caminho?
- É impossível estarmos bem… Acho isto muito estranho… -
Dizia o Rafael sem parar de pedalar.
Quando estávamos com 60 quilómetros, ainda nos encontrávamos
longe do destino.
- Não me recordo desta terra, acho que não tínhamos de
passar por ela… - Continuava o Rafael.
Eu estava estranhamente calma. Quando nos foi dito que ainda
faltavam 20 quilómetros para Ayutthaya,
não me afligi. O dia estava bem-disposto e deixava-me bem-disposta. Tínham-nos
oferecido uma garrafa de água e quando parámos para almoçar, ofereceram-nos
bananas. Pequenos gestos que nos deixam o sorriso em freeze. Era assim que estávamos nesse dia. Continuávamos a dizer
que adorávamos a Tailândia!
Estávamos a gostar dos pormenores que víamos, a
gostar das pessoas que têm sempre um sorriso para nos oferecer, a gostar do
respeito que os condutores têm para connosco, a gostar das boas estradas, a
gostar dos autocarros coloridos e desenhados… Tanta coisa linda que este país
tem! Até casas de banho à beira da estrada eles têm! Não tinha xixi suficiente
para as usar… mas elas são espectaculares!
Com 85 quilómetros, já sentíamos uma comichãozinha no
sistema nervoso mas sem grande perigo de explodir.
- Já estou cansado de pedalar. – Dizia o Rafael.
- Eu também mas o melhor é não pensarmos muito.
Chegámos com 97
quilómetros! 97! Os hotéis estavam todos cheios e começámos a ficar preocupados…
- Primeiro dizem que têm quartos, depois, dizem um preço
nada simpático, depois digo que no quinto andar não, por causa das bicicletas,
depois dizem-me que afinal não têm quartos.
Uma rapariga parou a motorizada ao nosso lado e ofereceu-se
para nos ajudar e guiou-nos até outro hotel, não muito longe dali. Santa
mulher!
Não discutimos o preço pois estávamos mais para lá do que
para cá… Há muito que não tínhamos um quarto tão bom! Champôs, toalha,
frigorífico… as bicicletas ficaram à entrada, ao ar livre.
- Não se preocupem, temos câmaras de vigilância, os portões
são fechados à noite e temos um guarda 24h, pois nós também moramos aqui. –
Explicou-nos a rapariga que nos entregou a chaves do quarto.
Ufa! Finalmente em Ayutthaya,
terra onde Portugal, foi o primeiro país ocidental a ter uma Embaixada. Pois é,
ajudámos os tailandeses na guerra contra Burma e recebemos uma pequena parte de
terra na cidade.
Ainda podemos ver marcas dos portugueses. Poucas mas ainda
existem! Passámos pela comunidade e visitámos o que resta de nós: um cemitério
com os esqueletos à vista… alguns dos ossos, pois as águas das cheias levaram
muitos ossos de portugueses e tailandeses que se converteram ao Cristianismo. É
bastante triste ver tudo muito desmazelado…
Apesar da pouca presença dos portugueses, que se vai
apagando aos poucos, gostámos muito desta pequena cidade. Visitámos muitos
templos e budas de vários tamanhos, ora deitados, ora sentados, vimos um
escondido, só com a cabeça de fora por entre as raizes.
Tínhamos como ideia ficar apenas um dia, mas o que vimos
agradou-nos tanto que decidimos prolongar a nossa estadia. Usámos as bicicletas
para visitar a cidade e acreditem, é a melhor forma! É um passeio agradável e
bem económico.
Jantámos no mercado nocturno e decidimos petiscar uma coisa
aqui, outra acolá e assim enchemos o bandulho!
Saímos de Ayutthaya
e desta vez, fui eu que tirei as indicações. Querem saber o que aconteceu desta
vez? Podem clicar no Play.
Está visto? Pronto, foi o que aconteceu… Fizemos 40
quilómetros a mais, muito calor e acampámos, com receio das cobras e a ouvir
bichos estranhos durante a noite… Que dia. Mas há mais… Querem ver o dia
seguinte? Play.
Está visto? Pronto, foi o que aconteceu… Muito calor, muito
calor, muito calor… Depois do almoço, fizemos a sesta, pois estávamos mesmo
todos rotos e o calor era insuportável. A recompensa foi ter ficado em casa de
um casal de filipinos, com os seus três filhos, em Pak Chong. Adorámos conhecê-los e eu adorei ser criança com as
crianças!
Nessa mesma noite, o Rafael apanhou o comboio para recolher
os passaportes com os vistos da China!

Passou a noite sem dormir e quando
chegou, às 6 da manhã, a Bangkok, teve de esperar que o metro abrisse. Diz que
estava muito cansado e que não gostou do pão com queijo que comprou… Diz que o
queijo tinha açúcar. Diz também que quando chegou a Embaixada Chinesa, já
estavam algumas pessoas a fazer fila. Que esperou duas horas e quando as portas
abriram, foi informado que aquela fila não era para recolher os passaportes…
Que tinha de se dirigir às traseiras e esperar na outra fila… Que não foi
preciso esperar muito mas que estava muito cansado. Pensou que poderia dormir
no comboio no regresso mas que tal feito foi impossível, pois os bancos eram de
plástico e nada confortáveis. Quando finalmente chegou, disse:
- Vou dormir. – E foi.
A minha noite foi bem melhor. Vi um filme, acordei às 10 da
manhã, fui almoçar, fugi do calor e fui à net.
Voltei para casa, li um pouco e
estava a começar a trabalhar para o blog, quando o Rafael chegou e disse:
- Vou dormir. – E foi.
Passei a tarde a trabalhar e o Rafael a dormir. As crianças
chegaram, depois foram os pais – professores de inglês – o Rafael acordou e a
brincadeira começou. Foi a nossa primeira experiência de Couchsurfing na Tailândia, com couchsurfers
filipinos que estão neste país há 7 anos. Não foi fácil mudar de país mas agora
não pretendem voltar para as Filipinas.
- A vida aqui é mais barata – dizem – e os Tailandeses são
pessoas que estão sempre prontas a ajudar. Sentimo-nos bem aqui.
Nós também nos sentimos bem aqui mas a hora da partida tinha
chegado. Sacos nas bicicletas e partimos com os braços esticados a dizer adeus.
É ocidentalizada? É o que precisamos!
A boa vida acabou… a água salgada no corpo, o sol a
deitar-se no mar, os longos passeios pela costa, os saltos na areia, as
barrigas à mostra, o não fazer nada… ah como soube bem! Agora, apenas no
Vietname poderemos ter as mesmas sensações.
De volta a Bangkok. Gostamos desta capital! “Ah e tal, é
muito ocidentalizada.” Pas de problème! Estávamos a
precisar de sentir o nosso ocidente. Estávamos a precisar de não ver pessoas a
cuspirem como se não houvesse amanhã, para o chão, ou a fazerem xixi para as
paredes, ou a chatearem-nos a cabeça! Estávamos rodeados de sorrisos e isso
deixava-nos felizes!
Usámos o barco como transporte público, que fica mais em
conta e como não há trânsito no rio, chegávamos bem mais depressa a qualquer
sítio. Enquanto se espera pelo barco, podemos dar pão aos peixes que se
atropelam para conseguirem ter um pedacinho na boca. Relembrámos Urfa na Turquia e os seus peixes
sagrados. É impossível tirar os olhos da luta que não tem fim, pois há sempre
pessoas com um saco de pão na mão.
Antes de viajar, dizem-nos vezes sem fim: “Não comam na rua!” Como? Foram poucas as vezes que entrámos num
restaurante. Preferimos experimentar as comidas que são preparadas na rua e que
são muito saborosas! “Não bebam os sumos com gelo!" Como não beber esses
deliciosos granizados de fruta fresca, servidos num gigantesco copo? Como é
possível sair da Tailândia sem experimentar essas delícias?

O nosso estômago sente-se sempre vazio e baba-se todo quando vê uma novidade com óptimo aspecto. Não queremos contraria-lo, então tornamo-nos seus escravos. O problema é que tudo é uma bomba calórica… Eles adoram o açúcar! O açúcar está para eles como o sal está para nós, ou um pouco mais. O leite condensado é outro ingrediente chave e é um belo ponto final nas panquecas de ovo e banana! Podem por hummm nisto! As baratas, escorpiões e outras bichezas assim, é que não nos suscitaram curiosidade e não é por sermos vegetarianos! São bichos que não fazem parte da nossa pirâmide alimentar.
No entanto, há coisas estranhas que mesmo sendo estranhas, tenho de experimentar! Os ovos de mil anos, foi uma delas. É um ovo que fica enterrado durante vários meses, envolvidos com argila, cal e sal. Eles pintam de cor de rosa para diferenciar dos outros. Parecem bonitinhos mas quando começamos o descasca-los… São pretos! Neste momento posso parecer um pouco racista mas não o sou. Não é, é normal vermos um ovo preto! Gema e clara, preta! A clara, que é agora escura, é gelatinosa e a gema é cremosa. É bom? Não é mau. Sabe a ovo mas a textura é estranha… Um ovo deu para quatro pessoas e ficou um pouco no prato, mas não é mau…
Não ficámos uma semana em Bangkok para ver apenas comércio.
Voltámos para a Embaixada Portuguesa e fomos buscar as nossas meninas que
estavam cobertas de pequenas mosquinhas… Será que estavam sujas? Fomos levá-las
ao senhor doutor e saíram de lá a brilhar! Até as pulseiras que tenho para
embelezar a minha princesa, tinham limpo! Estavam mesmo a brilhar, estavam como
novas! Elas estavam a merecer um spa
como este e uma revisão geral. Estavam agora prontas para pedalar até a
Embaixada do Vietname!
Os carros paravam e esperavam para ver o que queria fazer.
Pedia desculpas e recebia um sorriso. A minha alma estava parva! Nunca sentimos
tanta facilidade em pedalar numa grande cidade, ou melhor, numa capital. OK há
uma coisa que não posso dizer que tenha gostado… As motorizadas andam por cima
dos passeios… uma grande falha mas pronto, pelo menos não buzinam nem andam
como doidos, como os indianos! Não foi fácil pararmos de falar dos indianos.
Tudo o que víamos, comparávamos com a Índia, “isso não Índia não seria assim
(…) txi, imagina isto na Índia (…)” Chegámos a um ponto que nos dissemos um ao
outro:
No dia seguinte o Rafael acordou mais cedo para ir buscar o
visto. Passadas algumas horinhas comecei a ficar muito preocupada! A chuva era
forte e a trovoada assustava. Quando ele chegou, todo molhado, mostrou-me as
fotos das ruas alagada! Foi tão bom ter ficado na cama! O Rafael estava com o
ar divertido e não parava de dizer:
Para o visto da China, não quisemos ficar em Bangkok à
espera mas também não quisemos pagar mais para o ter no mesmo dia, nem no dia
seguinte. Decidimos começar caminho e voltar a Bangkok de comboio. E assim foi.
De volta a Bangkok. Gostamos desta capital! “Ah e tal, é
muito ocidentalizada.” Pas de problème! Estávamos a
precisar de sentir o nosso ocidente. Estávamos a precisar de não ver pessoas a
cuspirem como se não houvesse amanhã, para o chão, ou a fazerem xixi para as
paredes, ou a chatearem-nos a cabeça! Estávamos rodeados de sorrisos e isso
deixava-nos felizes!
Para quem voa de Portugal para Bangkok, a experiência deve
ser bem diferente da nossa. Não podem esquecer que o país anterior foi a Índia…
Chegar a este novo país foi uma bomba de vitaminas para a nossa viagem. No
primeiro dia, ficámos em choque, mas agora já estávamos abertos para receber
todas as novidades!
Usámos o barco como transporte público, que fica mais em
conta e como não há trânsito no rio, chegávamos bem mais depressa a qualquer
sítio. Enquanto se espera pelo barco, podemos dar pão aos peixes que se
atropelam para conseguirem ter um pedacinho na boca. Relembrámos Urfa na Turquia e os seus peixes
sagrados. É impossível tirar os olhos da luta que não tem fim, pois há sempre
pessoas com um saco de pão na mão.
Antes de viajar, dizem-nos vezes sem fim: “Não comam na rua!” Como? Foram poucas as vezes que entrámos num
restaurante. Preferimos experimentar as comidas que são preparadas na rua e que
são muito saborosas! “Não bebam os sumos com gelo!" Como não beber esses
deliciosos granizados de fruta fresca, servidos num gigantesco copo? Como é
possível sair da Tailândia sem experimentar essas delícias? 
O nosso estômago sente-se sempre vazio e baba-se todo quando vê uma novidade com óptimo aspecto. Não queremos contraria-lo, então tornamo-nos seus escravos. O problema é que tudo é uma bomba calórica… Eles adoram o açúcar! O açúcar está para eles como o sal está para nós, ou um pouco mais. O leite condensado é outro ingrediente chave e é um belo ponto final nas panquecas de ovo e banana! Podem por hummm nisto! As baratas, escorpiões e outras bichezas assim, é que não nos suscitaram curiosidade e não é por sermos vegetarianos! São bichos que não fazem parte da nossa pirâmide alimentar.
No entanto, há coisas estranhas que mesmo sendo estranhas, tenho de experimentar! Os ovos de mil anos, foi uma delas. É um ovo que fica enterrado durante vários meses, envolvidos com argila, cal e sal. Eles pintam de cor de rosa para diferenciar dos outros. Parecem bonitinhos mas quando começamos o descasca-los… São pretos! Neste momento posso parecer um pouco racista mas não o sou. Não é, é normal vermos um ovo preto! Gema e clara, preta! A clara, que é agora escura, é gelatinosa e a gema é cremosa. É bom? Não é mau. Sabe a ovo mas a textura é estranha… Um ovo deu para quatro pessoas e ficou um pouco no prato, mas não é mau…
Bangkok pode ficar uma paragem muita cara… Há muita coisa
que chama a atenção e assim de repente, parece que precisamos de muitas coisas.
Fomo-nos perder em China Town… Que
perdição! Começámos com um simples passeio pelas estreitas ruas a abarrotar de
gente e de coisas. Depois decidimos entrar em algumas lojas e parecíamos duas
crianças doidas com tanta novidade, tanta chinesada… Tocávamos em tudo, comentávamos
tudo e não resistimos em trazer algumas coisinhas para nós. As estreitas ruas
movimentadas não param! É um enorme labirinto de tentações chinesas. Sentimos
que estávamos a ser comidos por eles e ainda lhes oferecíamos um sorriso como
agradecimento.
Não é só nesse gigante China
Town que ficámos de boca aberta. Entrámos num centro comercial com 4 ou 5
andares, (não me recordo dos andares) todo ele com lojas de informática! Aqui
não existe roupa à venda, apenas computadores, portáteis, telemóveis, máquinas
fotográficas, câmaras de vigilância… e comida espalhada um pouco por todo o
lado.
A nossa boca voltou a abrir quando entrámos num espaço onde
só vendiam capas para telemóveis, mas não é um espaço tipo uma loja. É um
espaço tipo dois andares de um pequeno centro comercial mas neste caso, as
lojas não estão separadas por vidros. Capas, capas e mais capas. Não tenho a
certezas mas penso que também tenham vindo dentro de camiões chineses… Será?
Não ficámos uma semana em Bangkok para ver apenas comércio.
Voltámos para a Embaixada Portuguesa e fomos buscar as nossas meninas que
estavam cobertas de pequenas mosquinhas… Será que estavam sujas? Fomos levá-las
ao senhor doutor e saíram de lá a brilhar! Até as pulseiras que tenho para
embelezar a minha princesa, tinham limpo! Estavam mesmo a brilhar, estavam como
novas! Elas estavam a merecer um spa
como este e uma revisão geral. Estavam agora prontas para pedalar até a
Embaixada do Vietname!
Pedalar aqui é incrível! Pode parecer haver muita confusão
mas deu-nos a sensação de ser uma confusão muito bem controlada. Não sei o que
se passava comigo mas fiz tantas asneiras na estrada… e não recebi nenhuma
buzinadela! Incrível! O Rafael só se ria.
- Mas o que é que estás a fazer? – Perguntava.
- Pois não sei…
Os carros paravam e esperavam para ver o que queria fazer.
Pedia desculpas e recebia um sorriso. A minha alma estava parva! Nunca sentimos
tanta facilidade em pedalar numa grande cidade, ou melhor, numa capital. OK há
uma coisa que não posso dizer que tenha gostado… As motorizadas andam por cima
dos passeios… uma grande falha mas pronto, pelo menos não buzinam nem andam
como doidos, como os indianos! Não foi fácil pararmos de falar dos indianos.
Tudo o que víamos, comparávamos com a Índia, “isso não Índia não seria assim
(…) txi, imagina isto na Índia (…)” Chegámos a um ponto que nos dissemos um ao
outro:
- Vamos parar de comparar tudo com a Índia! Vamos
aproveitar estes momentos.
Num dos nossos muitos passeios, vi que o Rafael tinha ficado
para trás a falar com um senhor. Não voltei para trás, fiquei a espera. O
Rafael apareceu a rir-se e chateado ao mesmo tempo.
- Aquele gajo começou a falar comigo, a dizer que eu tinha
um bom karma, uma boa energia, e que ele conseguia adivinhar o nome da minha
mãe, só tinha que ir à loja dele. Agradeci e disse que não e ele virou as
costas com má cara, e foi-se embora. Adivinha, era indiano! É incrível!
A nossa principal missão, na capital, eram os vistos. Tirámos
o visto para o Vietname mas tivemos de esperar 3 dias para reavermos os
passaportes… Impossível ir à embaixada Chinesa assim.
Esses 3 dias de espera, serviram para comprarmos umas
prendinhas para as nossas meninas: uma bomba, um espelho, luzes…
Serviram para comprar uns óculos graduados por 30 euros...
Serviram para visitarmos alguns templos budistas mas sem grandes pressas, apenas aqueles que íamos encontrando pelo caminho .
E serviram para participarmos na louca noite de Bangkok! Percorremos as ruas animadas, sentámo-nos para jantar e voltámos a percorrer as ruas animadas para escolhermos o bar. Experimentamos um, mas a minha caipirinha tinha mais ar de sumo de limão e a vodka red bull do Rafael era apenas red bull… Muda de sítio Rafael e Tanya, e mudámos.
Serviram para comprar uns óculos graduados por 30 euros...
Serviram para visitarmos alguns templos budistas mas sem grandes pressas, apenas aqueles que íamos encontrando pelo caminho .
E serviram para participarmos na louca noite de Bangkok! Percorremos as ruas animadas, sentámo-nos para jantar e voltámos a percorrer as ruas animadas para escolhermos o bar. Experimentamos um, mas a minha caipirinha tinha mais ar de sumo de limão e a vodka red bull do Rafael era apenas red bull… Muda de sítio Rafael e Tanya, e mudámos.
- Um balde de VODKA red bull. – Dissemos para a empregada bem
machona, sublinhado bem a Vodka.
Veio bem servida, sim senhor. Estávamos nós com as palhas na
boca, quando uma rapariga se aproximou.
- Vocês são os portugueses que vão a Macau de bicicleta!
Encontrámo-nos na Índia, lembram-se? Estava com a minha mãe.
Claro que nos lembrámos! Foi em Amritsar que a conhecemos. E assim terminámos a noite – a falar
português!
No dia seguinte o Rafael acordou mais cedo para ir buscar o
visto. Passadas algumas horinhas comecei a ficar muito preocupada! A chuva era
forte e a trovoada assustava. Quando ele chegou, todo molhado, mostrou-me as
fotos das ruas alagada! Foi tão bom ter ficado na cama! O Rafael estava com o
ar divertido e não parava de dizer:
- É espectacular pedalar aqui!
Para o visto da China, não quisemos ficar em Bangkok à
espera mas também não quisemos pagar mais para o ter no mesmo dia, nem no dia
seguinte. Decidimos começar caminho e voltar a Bangkok de comboio. E assim foi.
Estávamos com muita vontade de começar a pedalar, estávamos
curiosos para conhecer um pouco mais da Tailândia. Preparámos o pequeno-almoço
e partimos…
Isto é que é vida
Bangkok! Finalmente na Tailândia! Tínhamos aterrado, mas
ainda não tínhamos chegado. Quero dizer, estávamos em Bangkok mais ainda
tínhamos de percorrer 40 quilómetros para estarmos meeeesmo em Bangkok.
Quando terminamos de montar as bicicletas, quando elas
estavam prontas para partir, o sol abandonou-nos. Perguntávamos às pessoas o
caminho para o centro da capital e todas diziam:
- De bicicleta, é impossível!
Como “é impossível”? Não tínhamos mapa, não tínhamos luzes e
começávamo-nos a irritar um ao outro, mas que foi possível chegar, foi!
Os carros passavam sem buzinar… Os carros paravam à nossa
passagem… “ai, vai buzinar… não buzinou”. Um sorriso, outro sorriso… Os carros
paravam ao no sinal vermelho. Ninguém tinha o olhar colado em nós… Os carros
esperavam pelo sinal verde… Os carros continuavam sem buzinar… E quando o sinal
verde aparecia os carros… NÃO BUZINAVAM!
Três vivas – viva, viva, viva!
Tudo era diferente e
estávamos a gostar MUITO! Não foi fácil chegar à Embaixada Portuguesa, onde nos
foi dada autorização para estacionarmos as nossas meninas, para pudermos ir de
férias. Estivemos muitas vezes perdidos, muitas vezes pensávamos que poderíamos
estar perto da Embaixada mas depressa vinha um sorriso que destruía essa nossa
possibilidade. Os tailandeses devem nascer às gargalhadas e não a chorar! Sabe
tão bem pedalar por entre sorrisos sinceros e conseguir chegar aos sítios
graças às ajudas que eles têm o prazer em oferecer. Estamos a adorar!!!
Mortos, cansados, estoirados, rastejando com a língua ao dependuro,
chegávamos! O segurança não estava a perceber que o senhor Embaixador estava
informado da nossa chegada e que nos foi dada a autorização para batermos à
porta. É certo que 23h30 não são horas para se bater à porta mas… Foi-nos impossível
chegar mais cedo. Conseguimos ter acesso ao motorista que nos abriu o portão,
nos indicou um lugar seguro para as nossas meninas e nos ofereceu um cacho de
bananas! De mini bananas… Como explicar… As nossas bananas da Madeira parecem
monstruosas, gigantes, imponentes ao lado destas.
Não estou a exagerar, eu
nunca exagero!
Mochila às costas e fomos à procura de um hotel. Estávamos
chocados! Não estávamos habituados a ambientes de festas, nem a mini saias minis,
nem mini calções minis, mas “botem” minis nisto que estou a escrever! Em
muitas, esse vestuário mini é a farda do trabalho e em muitos casos, este
vestuário feminino é usado pela quantidade imensa de transexuais que existem em
Bangkok, além das estrangeiras em busca de…alegria! Não estávamos habituados à
música alta nos bares, nem sequer habituados a bares, nem a ver tanto turista
junto, com muitas parecenças com aos turistas da Quarteira. Estávamos rodeados
de muitas informação, muita festa e não conseguíamos, nem queríamos entrar
nessa onda de “e bota abaixo”. Fugimos para o quarto!
- Não estou preparada para isto… Estou em choque! Choque não
foi chegar ao Cairo, depois da Alemanha! – Dizia eu.
Novo dia: saímos à rua para ver como era Bangkok durante o dia. “Tailândia é
cara!”. Atenção: não podem esquecer que estivemos na Índia! Comer por 1,50 ou
dois, é muito caro! Andámos há 4 meses a comer por 50 cêntimos, 1 euro… Só nos
ríamos quando nos apercebíamos do ridículo que estávamos a dizer.
Durante o dia, a capital é bem diferente, bem mais sossegada,
mas não conseguimos tirar-lhe bem as medidas pois andámos a tratar das nossas
férias. Voltámos à Embaixada para preparar com mais calma a nossa mochilinha,
fomos à net para tentar perceber onde poderiam estar os nossos amigos, com quem
nos iríamos encontrar, e fomos à estação de comboios para comprar o bilhete
para essa mesma noite. Foi por causa dessa nossa pressa, que nada vimos de
Bangkok… Mas deu para perceber que adorámos a comida e adorámos experimentar a
bebida que fazem com Ovomaltine! Podem tirar nota:
- Muitas colheres de sopa de Ovomaltine.
- Muitas colheres de sopa de leite condensado.
- Uma grande colher de sopa de açúcar.
- Água.
- Gelo triturado num grande copo.
Num copo, juntem os ingredientes das colheres de sopa. Juntem
a água quente, para bem dissolver os ingredientes que só por acaso, são bem
doces. Depois de tudo muito bem misturado, despejem a bomba calórica para
dentro do grande copo cheio de gelo.
Não bebam com gula, pois desaparece depressa. Deixem o gelo
derreter para poderem saborear cada gota que desaparece bem rapidamente da boca
e permanece bem teimosamente no rabo ou na barriga, ou nas coxas...
Bom apetite!
Nessa noite, apanhámos o comboio. Mas que luxo! Os lugares
eram espaçosos e o garçon vinha
fazer-nos a cama, ao nosso sinal. Lençol, almofada, cobertor, cortina… E o garçon fazia de despertador! “Não há
baratas por aqui? Não estou habituada a viajar sem baratas nos comboios!”
Depois do comboio, apanhámos um autocarro, onde nos foi dado
um autocolante para colarmos na camisola. Depois tivemos outro autocolante e
mandaram-nos esperar por outro transporte. Apareceu uma carrinha que nos levou
até ao porto onde recebemos outro autocolante. Entrámos no barco e passado uma
hora, o barco parou e pequenos barquinhos apareceram. Foram estes barquinhos
que nos deixaram na ilha.
Finalmente férias, silêncio, água do mar, bungalows, boa comida, sorrisos…
- Onde é que o Sam
e a Frank estão?
Eles já tinham chegado no dia anterior mas não sabemos quais
seriam os bungalows que tinham
escolhido e não tiveram forma do entrar em contacto connosco… Fomos em busca do
casal inglês de hotel em hotel. Parecíamos duas crianças ansiosas pelo
reencontro.
Rafael.
Não trocámos mas fizemos o nosso choradinho que só terminou
quando ela reduziu o preço! Claro que temos de fazer estes choradinhos! Estamos
numa viagem que tem como duração quase 2 anos!
No dia seguinte, encontrámos os pais da Pikitim e depressa
nos juntámos à menina mais famosa de Portugal, para dentro da água!
Foram umas belas férias! 6 dias com longas caminhadas, boa
comida, descanso, mergulhos… Sentíamos saudades das nossas meninas mas
queríamos aproveitar ao máxima esse pequeno paraíso que nunca pensei vir a
pisar…
Pikitim, não podes estar mais certa: isto é que é vida!
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