“Ai vão e tal, é
espetacular, é muito bonito.” E de outras bocas: “Não vale a pena. Está muito
estragado e tal, é muito lixo.”
Fomos! Fomos para ver a
tal maravilha natural. Estávamos ali. Não podíamos fechar os olhos e deixar por
visitar uma das maiores atrações do Vietname: Halong Bay!
Estávamos a pedalar com
uma estranha energia. Os quilómetros eram somados como quem come tremoços. A
música ajudava nas pedaladas e não negávamos à vontade de cantar. As carrinhas
cheias de turistas passavam e passavam… Tantas que passaram!
Numa das nossas pequenas
paragens, o Rafael diz-me:
- Entregaram-me este
cartão-de-visita. Podemos passar por lá para ver os preços dos quartos.
Ainda estávamos a uns
valentes quilómetros e já sentíamos a caça ao turista. OK. Não custa nada dar
uma espreitadela. Continuámos caminho com boa disposição.
Deixámos um corte para a
direita para trás, quando um rapaz de motorizada nos avisa que não estávamos no
bom caminho, que tínhamos de ter cortado precisamente, à direita. Estávamos
confusos pois, nas nossas cabeças, teríamos de fazer mais quilómetros. Muito
estranho… E o mais estranho era que o rapaz da motorizada foi o mesmo que
entregou o cartão-de-visita ao Rafael… OK, confiámos e retomámos caminho, desta
vez, à direita. “Ou será que o hotel do moço fica longe do centro?”
A motorizada seguia-nos
lentamente mas não fizemos caso. Queríamos chegar perto do mar e lá, procurar
qualquer coisinha baratinha. O hotel do moço, por sorte dele, ficava perto do
mar. O Rafael foi espreitar e eu fui informar-me dos preços noutros hotéis.
-O quarto é fixe e ele
baixa mais o preço mas quero ver mais. Não me parece que seja o centro aqui…
Vimos tantos turistas passar e aqui não se vê ninguém… Ainda é só uma da tarde,
temos tempo. O que achas? – Perguntou-me o Rafael.
Agradecemos ao rapaz e
explicámos o nosso plano. Ele não gostou muito e disse que não íamos encontrar
mais nada. Fomos na mesma. Andámos uns 4 quilómetros ao longo do mar e duas
motorizadas, seguiam-nos… eram eles. Parámos as bicicletas.
- Queremos ficar
sozinhos, por favor. Caso não tenha mesmo nada, voltaremos para o vosso hotel,
não se preocupem! – Disse, sem me exaltar.
“OK OK” mas continuaram
atrás de nós, um pouco mais afastados… Uma outra motorizada apareceu a
perguntar se queríamos ver o hotel dele. Não deu para responder, pois os nossos
amigos que insistiam em marcar presença, enxoto-o com buzinadelas… Gota de
água, fim da brincadeira. Voltámos a parar e falámos com menos amizade.
Podíamos não encontrar mais barato, mas naquele momento, sabíamos que não
iríamos voltar para trás.
Desistiram de nos seguir
quando viram que nos estávamos a aproximar do centro, quando viram que tínhamos
visto turistas a passearem-se na marginal. Sentiram-se derrotados, pois sabiam
que iriamos encontrar o que procurávamos!
Encontrámos um hotel.
Mais barato, mais no centro, “mais melhor bom” e foi neste hotel que comprámos
o bilhete para visitarmos Halong Bay.
70 dólares para os
dois!!! CHULOS! Tentei puxar para os 65 mas não consegui… Bem podia
estrebuchar, chorar lágrimas de crocodilo, que de nada valia, pois ele deixou
bem claro que lhe era impossível baixar.
- Oh, deixa lá, às vezes
exageramos nas coisas. O rapaz pareceu-me correto. – Disse o Rafael.
Pagámos o balúrdio, com a
desculpa que será uma vez na vida e que já que estamos no Vietname, “parecia
mal” não fazer este passeio de barco.
O nosso bilhete era de 6
horas e incluía o transporte do hotel para o cais e do cais para o hotel,
visita às três caves, visita às vilas piscatórias, uma hora de caiaque e almoço.
Iria ser um dia bem diferente e estávamos ansiosos, apesar do mau tempo… mas o
rapaz, garantiu-nos que iria fazer sol…
- Sol? Vimos na net e dá
nebulado para amanhã. Como é que sabes que vai fazer sol? Logo amanhã que é o
dia que queremos ir? – Achei muito estranho e tive de perguntar.
- Olho para o céu e sei.
Amanhã vai fazer sol.
Sim, sim charolim… Sim, sim…
QUE O DIA COMECE!
O transporte que nos
vinha buscar, atrasou-se meia hora… Somos portugueses mas fugimos à regra – nós
cá gostamos de chegar a tempo e horas e por isso, não gostámos do atraso…
Éramos 6 no barco. Dois
rapazes vietnamitas, um casal chinês que vive em Itália e nós.
O sol?
Fomos visitar a primeira
cave. UAU! É realmente impressionante mas as luzes coloridas tornam ridículo o espaço… Vermelho, verde, azul, amarelo… É Natal o ano inteiro! Andávamos um
pouco perdidos, sem saber muito bem quando é que teríamos de regressar para o
barco… Íamos seguindo a multidão, sim, porque no nosso barco só éramos 6 mas
haviam muitos mais barcos com muitas mais pessoas… MUITAS. Passado meia hora
estávamos de regresso para o passeio prosseguir.
Era 9:30 e o barco parou.
Vimos comida numa mesa e achámos estranho… O mais estranho, foi quando nos
disseram que aquilo era o nosso almoço…
- Almoço?! Às 9:30 da
manhã?! – Perguntei, já com o meu nariz todo torcido.
- Deixa-la. Tomamos um
grande pequeno- almoço. – O Rafael sempre com os paninho quentes.
Estávamos a começar a
comer, quando um rapaz se aproxima e diz que podíamos ir fazer caiaque. Começou
a confusão… Caiaque?! Mas estávamos a almoçar, às 9:30 da manhã e íamos
interromper aquele momento para fazer caiaque?! Eles só podiam estar a brincar
connosco! Perguntámos quanto tempo era o caiaque, ao que ele responde “meia
hora”(Tenho que abrir um parêntesis, não era bem inglês que ele falava). O quê?
Confusão!!! Saímos do barco para discutir com todos os que estavam a jogar
cartas, em vez de estarem a trabalhar. Todos nos ignoraram!
Perdemos o apetite e não
aceitámos a meia hora de caiaque! Ninguém falava inglês mas perceberam que
estávamos fulos, então disseram-nos que tínhamos de mudar de barco para
fazermos caiaque mais tarde. E assim foi, mudámos de barco…
O barco arrancou e em
poucos minutos, voltou a parar. Mais uma vez, ninguém falava inglês… só nos
faziam sinais para saírmos do barco. Percebemos que estávamos na zona de pesca,
mas ninguém nos veio dar mais informações… Houve um que se virou para mim e
disse:
- Peixe.
Ao qual eu respondi:
- A sério?!
Voltámos para o barco.
Vimos um amontoado de barcos perto de uns pedregulhos e já sabíamos que seria a
nossa próxima paragem. Esperámos que os barcos desaparecessem para finalmente
conseguirmos tirar a fotografia “obrigatória”, ao beijo dos pedregulhos… Está
visto, foto tirada, siga em frente!
Nova cave e.. Não nos
deixaram entrar! Ao que parece, tinham-nos dado um bilhete de 4 horas, e esta
nova cave, e a próxima, não faziam parte do “pacote”. Foi a gota de água!
Mesmo! Exigimos alguém que falasse inglês e NINGUÉM apareceu! Gritámos, armámos
confusão, insultámos o espaço! Como é possível, um local que foi considerado
uma das 7 maravilhas naturais, não ter assistência ao turista, não ter uma
pessoa que fale inglês? Somos comos marionetas naqueles barcos que seguem às
ordens de “sai” e “entra”, mais nada! Não sabemos para onde ir, o que ver,
NADA!

Entrámos para o barco e
para nós, a viagem tinha morrido ali! Estávamos todos no barco, quando o
“comandante” pediu para assinarmos a folha, para confirmarmos a nossa presença
no barco e outro rapaz, a pedir os nossos bilhetes. Não fizemos nada daquilo
que nos pediram! Bilhetes para quê? E ia voltar a assinar? Já assinámos no
outro barco. Chamaram a polícia mas esta também não falava inglês… Eles
falavam, falavam e olhavam para nós. Voltaram a pedir para assinarmos e nós,
nada! O rapaz, com cara agressiva, fez-nos sinal para sairmos do barco e, nem
nos mexemos.
- E vamos como embora? –
Perguntámos.
- Caiaque, caiaque, pagam
caiaque e vão.
O “comandante” voltou com
a folha para assinarmos. OK estão a gozar connosco? Deixa-me brincar também um
pouco. Peguei na M”#DA da folha e desenhei uma pilinha no lugar reservado aos
nomes. Ele pegou na folha, olhou para a pilinha, e foi fazer queixinhas à
polícia. Voltou para dentro e arrancou com o barco. Ufa, não fomos presos… Ao
que parece, não é crime fazer pilinhas no Vietname.
Estávamos doentes com
toda aquela história! O nosso dia estava mais que estragado, os nossos nervos
estavam virados do avesso e o sol? O sol…
Voltámos a parar. Nova
cave e nós ficámos uma hora à espera…
- Caiaque? Uma hora. –
Disseram-nos as duas empregadas a rirem-se.
- Não obrigada!
Caiaque? Para fugirem com
o barco e termos de remar até à costa? Podia ser interessante, mas não
aceitámos. O nosso dia estava morto! Só queríamos chegar à costa e fazer nova
discussão com o rapaz que nos vendeu bilhetes de 4 horas pelo preço ridículo do
bilhete de 6 horas. “Acreditem, não posso baixar mais…” Foi por isso que
tivemos o almoço às 9:30 e teríamos de fazer caiaque a correr, para
conseguirmos fazer tudo em 4 horas! Pois os outros 4 que estavam no barco,
tinham bilhetes para 4 horas!
Fim do passeio e quem é
que estava à nossa espera para nos levar ao hotel? NINGUÉM! Lindo! Ter de
caminhar mais de 4 quilómetros, não estava nos nossos planos! Pedimos boleia e
por sorte, o primeiro carro parou e levou-nos perto do hotel. Ufa…
E agora… esperar pelo
rapaz dos bilhetes!
Não percam o próximo
post…
E o sol? ahahahahhahah