Experiência de Viagem #1 - Qara, Síria

Aquando da passagem pela Síria em 2011, tivemos a oportunidade de passar e permanecer em alguns mosteiros cristãos no caminho que nos levava para norte, à fronteira com a Turquia. Se o Mosteiro de Mar Musa era já considerado um dos pontos obrigatórios na passagem de viajantes, já o mosteiro de Saint James, the Mutilated, situado em Qara, foge totalmente à rota de quem não viajava na Síria de bicicleta ou a pé. A nossa intenção de ali chegar tinha um objectivo muito preciso: encontrar a freira portuguesa que ali vivia há dois anos! Tivemos conhecimento através dum padre francês que caminhava até Jerusalém e a nossa rota alterou para que a pudéssemos conhecer!




À nossa chegada e depois de termos perguntado por ela, uma voz surge ao longe, com um grande sorriso na cara e pergunta: O que é que vocês andam a fazer por aqui?". Ouvir português na Síria, num lugar remoto, foi uma sensação tão estranha, quanto maravilhosa!

Porém, não foi o facto de conhecer a freira portuguesa, o ter conhecido um belga e um americano que ali viviam também porque queriam dedicar-se à religião, o termos - mais uma vez - ajudado na vida comunitária do mosteiro, o silêncio, aquilo que mais nos marcou. O que nos levou às lágrimas, foi uma missa a que tivemos o privilégio de assistir ao fim da tarde.




Penso, muito sinceramente, que a Síria foi o ponto de viragem para que eu começasse a respeitar aquilo que, até ali, muitas vezes me opunha, de tão cético que era: a fé. Percebi, naquele país marcado agora por uma guerra sem fim e que, curiosamente começou no dia em que passámos a fronteira para a Turquia, o que é sentir fé. Não sou uma pessoa religiosa, embora o tema religião seja um dos que mais gosto me dá discutir e portanto não sou suspeito, neste caso. Naquela dia, um grupo da comunidade ortodoxa do Líbano tinha-se juntado, numa manifestação de paz, ao grupo católico do mosteiro para assim comemorarem a fé em conjunto. O que se passou durante uma hora naquela capela escavada na rocha foi, sem qualquer margem para dúvidas, uma das experiências mais marcantes da minha vida e que hoje, quando revejo os vídeos, ainda me arrepia. 



O padre falava aos crentes que, nós incluídos, seguravam uma pequena vela que iluminava a capela. Era a única iluminação! Crianças à frente. Adultos atrás. Crentes segurando a bíblia. Minutos depois, tão comum na cultura do médio oriente, a fé solta-se e com ela, o instinto do Homem que crê! Gritos, frases religiosas, canções, sorrisos, lágrimas, mãos no ar, pessoas ajoelhadas no chão gritando Aleluia, o padre que havia saltado do altar e fazia uma roda com as crianças, dançando, as vozes que cantam cada vez mais alto, a multidão que se juntava, ali, numa só voz. A multidão que quando junta a voz, nos faz ter medo, ao mesmo tempo que nos liberta e nos dá segurança. Um misto de emoções tão fortes se apoderou naquele lugar que reparava na cara da Tanya a mesma vontade que eu, soltar-me também eu, em lágrimas. 




Foi então que uma senhora, olhando para a maneira como sorria e olhava aquela "coisa" impressionante, me disse: Se quiser, pode chorar! - e foi ver-me qual menino, as lágrimas escorrerem-me pela cara abaixo e eu, tão estranho aquelas pessoas, a adorá-las tanto, por me permitirem partilhar um pouco da fé que têm!

Frankfurt

Livre, em Frankfurt!

Escolher um destino de férias pode ser difícil – especialmente quando os países estão conectados com tanta facilidade hoje em dia e as escolhas são às centenas – mas existem determinadas cidades que sempre conseguem atrair muita atenção, umas mais óbvias, outras menos, como por exemplo, Frankfurt.

Frankfurt é uma daquelas cidades onde toda a gente já esteve, embora a maior parte só conheça mesmo o aeroporto e que, quem fizer uma visita, ficará certamente surpreendido pela imensa oferta que a cidade proporciona. Aqui estão alguns factos que explicam os motivos.


Tamanho

Frankfurt é uma das maiores cidades da Alemanha como também o maior centro financeiro da Europa continental. Isto significa que quer estejamos a viajar em lazer ou em negócios, existe sempre uma grande quantidade de turistas misturados com locais, com pessoas da área financeira, entre outros. Porém, existem sempre aqueles sítios em que sentirás que, além de estar fora duma gigantesca urbe, estás fora do roteiro normal do turista, como é o caso do Bethmannpark, um antigo jardim privado do banqueiro judeu Moritz von Bethmann, no centro da cidade, onde podes tirar uns minutos longe do burburinho das ruas.


Como chegar?

Como uma cidade que se impõe como centro da Europa, Frankfurt está bem preparada para o turismo, o que faz com que seja uma opção de destino óbvia para viajantes internacionais. O Aeroporto de Frankfurt é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos aeroportos internacionais mais movimentados do mundo. Voos a preços acessíveis podem ser encontrados no site da empresa sediada no próprio aeroporto de Frankfurt, a  www.condor.com/pt, cuja frota parte de e para todo o mundo.

História e Cultura

Para quem gosta de uma visita mais cultural, Frankfurt possui mais de 60 museus e galerias de arte, entre outros espaços culturais privados e públicos, tendo ganho já o nome de Cidade das Artes, por onde passam mais de 2 milhões de visitantes por ano. Destacam-se espaços como o Museu Städel,  o Museu de Arquitectura Alemã, o Museu do Cinema Alemão ou o Museu Judaico. O Städel é, possivelmente, um dos museus mais famosos do país e da Europa, tendo sido pensado para a casa do antigo banqueiro Johann Friedrich Städel que deixou em testamento a obrigação de transformar a sua casa num espaço de arte onde se deveria olhar para o trabalho dos novos artistas!


A noite

Como qualquer cidade europeia e jovem, Frankfurt não é só arte, história e finanças. É, também, um espaço de entretenimento e animação nocturna ao nível das maiores capitais do mundo! A vida noturna é incrivelmente activa e isto significa que existem mesmo muitas opções, para os mais jovens, mas também para aqueles por quem a juventude está quase a passar! Desde os bares mais caros com a melhor vista da cidade possível, como o 22nd Lounge and Bar, no 22º andar de um arranha-céus, aos mais underground, como o U60311, por onde passam os melhores Dj’s da actualidade. Como a Alemanha é considerada o berço da música techno, destinos como Frankfurt são uma opção óbvia para quem adora este tipo de música.


Com tudo isto e muito mais para ver e fazer, resta apenas uma conclusão à introdução inicial. Frankfurt não é, afinal, só um aeroporto! O que estás à espera para o descobrir?

Pérsia no Inverno

Voltar ao Irão, ou à Pérsia, se se sentirem mais seguros com a mudança do nome, é dos maiores prazeres que posso, a mim próprio, anunciar! Acabei de o fazer há umas semanas atrás e desde aí, que a vontade de adormecer é pouca, ansioso que estou pela viagem!



Quando entrei no país em 2011, pela primeira vez e, ao descer a íngreme estrada que me levava para a primeira povoação, tive a certeza que aquela experiência iria ser diferente de qualquer outro país que, até à data, tivesse passado. Uns minutos depois, quando um automóvel cinzento fez inversão de marcha para nos acompanhar e, lá de dentro, dois sorridentes estranhos nos faziam gestos que nos faziam entender que era um convite para almoçar, que tive a certeza que sim, iria ser mesmo diferente de tudo! E foi!


Quatro anos mais tarde, continuo a regressar sempre que posso, para rever os mesmos sítios, os amigos que já tenho, as mesquitas que continuam a deslumbrar-me, as catedrais inacreditáveis, as ruas cheias de sorrisos, as praças cheias mas, mais do que tudo, a hospitalidade daquela gente!

O que me faz escrever desta vez é, no entanto, diferente. Regresso ao Irão não numa altura que me é comum, a Primavera ou o Outono, altura em que a temperatura é mais amena, mas no Inverno. Em pleno Inverno! A razão? Voltar! Porque é sempre bom voltar!



Vou encontrar porventura o país com neve, com alguma chuva, mais cinzento no céu, os gelados não vão saber tão bem, as pessoas vão estar mais cobertas do que o normal, mas vou encontrar, tenho a certeza, o mesmo país simpático e genuíno e foi isso que me fez não pensar duas vezes! Comigo, vai estar um grupo de pessoas a viajar, através da The Wanderlust. Em ocasiões anteriores, levei já outras pessoas a fazê-lo e todas, estou certo disso, regressaram com vontade de…regressar! Levar um grupo a conhecer aquilo que conheço, falar-lhes dum país que tanto gosto, a partilhar um táxi, a dividirem o seu almoço com um desconhecido numa mesa de restaurante, a perceberem um pouco mais as convicções, as ideias, os ideais, a religião, a maneira de estar, a razão de pensarem e actuarem, é o maior prazer que posso ter! Isto, de ser líder de viagens, é realmente aquilo que mais gosto de ser!

Não é só viajar, é partilhar!


A luta, porém, para juntar pessoas, não é fácil! As razões são várias: o medo – sempre o medo, o facto de pensarem que todas as mulheres têm de andar cobertas da cabeça aos pés, o Inverno, as férias não coincidentes com a altura do ano, o não ter conhecimento da viagem, os problemas no Iraque que, julgam, afecta aquele país também, os voos que são caros. Mas, como em tudo, há coisas que nem sempre são verdade e acima, referi umas tantas! Fiquei ainda mais feliz quando, pesquisando um site de referência para mim na procura de voos, percebi que as viagens para Teerão, estavam muito baratas, para aquela altura do ano, ou seja, encontras os voos mais baratos no site Rumbo.pt, entre 10 e 24 de Janeiro! Tratei logo de comunicar e, minutos mais tarde, já tinha mais pessoas para me acompanhar!

Afinal, daquele lado, só vêm mesmo boas notícias!

Dias em Teerão


Suo neste meu quarto de hotel em Teerão. Já fiz o teste: abrindo os braços, quase que coloco as palmas das mãos nas paredes opostas e deitado, toco com a minha cabeça na grade da cama e os pés na parede! Em televisão, aquecedor, ar condicionado, uma mesa, caixote do lixo, cinzeiro e um copo, uma almofada e um cobertor! Duas tomadas eléctricas, embora só uma trabalhe e luz natural vinda duma janela que posso abrir se quiser, com vista para os telhados alheios! Pequeno ao ponto de quase não dar para acreditar que cabe tudo cá dentro, mas sim, cabe! Além das minhas coisas e de mim, claro, porque isto dos hotéis capsula, não nasceu no Japão, apesar de perceber agora como lá foram ter. Além de mim, deve haver neste hotel mais uns sete estrangeiros: quatro dos quais, japoneses! A razão? Hotel barato, com tudo o que necessitamos, com casa de banho e chuveiro lá fora (pois para dormir é só necessária a cama) e cozinha, motivo mais do que suficiente para atrair viajantes low-budget...mesmo low-budget, não daqueles que gostam de se dizer como tal, mas não o são verdadeiramente, apesar de acharem que a palavra lhes fica bem. Enfim, conversa para outro post.


Dizia eu, suo no meu pequeno, mas aconhegadinho, quarto em Teerão! Estou cá há três dias e já dei por mim a descobrir coisas que antes nunca havia visto. Dei por mim a visitar lugares que adoro! Dei por mim a bebericar cafés em sítios que me são especiais! Dei por mim a sair com amigos que já não via desde Março! Dei por mim a caminhar até me doerem as pernas, pelo grande bazaar, que nada tem de muito bonito, verdade seja dita, mas que dita a história desta cidade! Dei por mim a descansar num parque e a pensar que ainda ninguém se tinha sentado para conversar! Dei por mim, minutos depois, a ver passar duas horas sem que desse conta, com o senhor Shaban, sapateiro de profissão, com os seus quase setenta anos, com uma educação a que já me fui habituando por aqui, que me falou de revoltas, revoluções, gerações, países, independência, saúde e das aulas de inglês que teve há poucos anos atrás, porque queria conversar com os turistas e não conseguia! Dei por mim a comer um gelado, pago pelo senhor Shaban! Dei por mim a seguir centenas de pessoas que entravam pela rampa dum parque automóvel acima, para descobrir um dos bazares mais caricatos que vi até hoje! Dei por mim a cumprimentar dezenas de pessoas e a sorrir a outras tantas! Dei por mim a insistir para pagar um sumo na rua e a ver o dinheiro ser devolvido, quando disse ser português. Não valeu a insistência, aquilo não era ta'arof (costume iraniano), era mesmo vontade de oferecer! Dei por mim a vaguear, apenas, pela cidade deserta duma sexta-feira, só porque sim, porque achava que ao ficar no hotel, poderia perder alguma coisa! Dei por mim, todos os dias, a regressar ao meu pequeno T0, de rastos!






E amanhã é um novo dia! Amanhã, dia 31 de Agosto, será um dia de ansiedade e vou passá-lo aos pulinhos, qual criança à espera dum presente de natal! Vou ter um dia preenchido, é o que me safa! Vou acabar a noite na montanha, jantando com os pais e irmãos da minha amiga Sahar, que é o que mais se aproxima da “minha” família aqui neste país! Depois, regressado ao hotel, de rastos, assim espero, não conseguirei dormir com certeza, com a ansiedade das 5h40...

A Rota da Pérsia - o início

Acordei em Lisboa, depois de ter passado uma bela noite na conversa com amigos, pelas ruas estreitas da capital e de ter descansado o meu corpo, massacrado pela ansiedade do últimos dias, numas almofadas no chão improvisando uma cama. Perfeito!

O dia amanhecia e do quarto ou quinto andar do apartamento onde estava, podia apreciar já o prédio em frente. Nada de novo na paisagem. Ao longe, um avião ou outro em rota ascendente, o meu futuro tão próximo. Depois dum pequeno-almoço tostado a queijo da ilha, coloquei o capacete que me servia e arrancámos de mota pela cidade, um saco à frente, outro atrás, coisa mínima, que quem me visse pensaria que iria só de fim-de-semana. Roupa suja-se, roupa lava-se, aí está o fenómeno do travel light!

Check-in e a ansiedade voltava, não fosse esta a responsabilidade de, pela primeira vez, viajar com um pequeno grupo da Papa-Léguas, agência para quem trabalho levando pessoas, entre outros destinos, ao Irão! Escala em Istambul, a capital das capitais, mas até lá, 4h30 de viagem. Sentado à janela, pensava já se conseguiria adormecer desta vez, já que sou possuidor de uma capacidade inacreditável de me ver impossibilitado de fechar os olhos e dormir em aviões e autocarros. Tem as suas vantagens, sim: ver as expressões estúpidas que faz quem dorme, conseguir ver amanhecer e anoitecer e acompanhar diferentes ressonares, como se de um catálogo se tratasse. Mais do que isso, nada.

Ao meu lado, um casalinho de férias “Tudo Incluído” que viram em Istambul um destino diferente a aliciante. Uau, que loucura depois das Maldivas, República Dominicana e areais do Brasil. Durante toda a viagem disfrutaram de toda a comida que lhes foi servida até ao limite – cheguei mesmo a oferecer-lhes a minha, já que me havia esquecido de pedir vegetariano e o frango não estava com boa cara... parecia-me morto, pelo que recusaram – jogaram, viram filmes, ouviram música, exploraram mapas e premiram o ecrã táctil ao limite, dormiram ao limite, riram ao limite e leram na diagonal todo o guia que levavam sobre a Turquia. O “Tudo Incluído” não pressupõe, afinal, termos direito a tudo? À minha frente, um indiano em negócios, com toda a certeza, tal era a pinta do homem, que emborcou pelo menos quatro whiskies, três coca-colas e uma cerveja, porque lá fora a coisa custa dinheiro e aqui dentro, tenho direito, então há que me embebedar!

Istambul e uma paragem de  quase 4 horas esperava-me até ao próximo voo. Juntei-me a um grupo de portugueses, vizinhos da cidade, que viajavam para as Maldivas. “Praias paradisíacas!” – diziam! Um dia talvez, quando não tiver mais o que fazer ao dinheiro!

Outro avião se seguiu, este mais composto: homens de bigode, mulheres de cabelo tapado e jovens, muito jovens, eles e elas, que aproveitaram até ao último momento a liberdade que lhes é dada dentro dum avião turco, de usarem calções, camisolas justas ou cabelo á mostra, sem que se cubra por detrás dum lenço. A revolta continua.

Já em Teerão, vejo uma equipa de futebol masculino ser aplaudida à chegada, enquanto que um dos membros me pergunta de onde sou e à minha resposta, aponta para o peito, onde estava colocado o símbolo do país e me diz: “Carlos Queiroz!”. Troco dinheiro no primeiro andar, pois no rés-do-chão o câmbio é do pior e passeio-me pelo pequeno, mas internacional aeroporto, como que me ambientando às palavras, ao ritmo e aos sorrisos tímidos, porém curiosos, dos iranianos, que ao mínimo sorriso meu, se desfazem e inclinam a cabeça de maneira genuína e pura! É tão bom regressar, penso e logo a seguir, sinto-me um privilegiado de poder mostrar a outras pessoas este país que tanto me fascina!


O táxi leva-me ao centro da cidade, numa velocidade assustadora a que já me habituei por aqui, fugindo das lombas, ziguezagueando os demais e ultrapassando filas, ora pela esquerda, ora pela direita, ora mesmo em direcção contrária, se isso for sinónimo de caminho mais curto! À saída, despede-se com grande pompa, ou não estivesse eu no Irão, desejando-me o melhor, ou foi isso que percebi, no pouco farsi que sei “regatear”!


Porém, o dia ainda não havia terminado e nem eu sabia que me esperavam mais umas tantas horas de cansaço…

Unesco e Hospitalidade

Estive outro dia a olhar para o mapa e a fazer uma pesquisa de mim mesmo. Estava curioso com o número de locais no mundo onde já havia feito um X, como que um caçador de lugares, em busca dos que a Unesco já incluiu na sua lista, para um dia, quem sabe, observar a quantidade imensa de caminhos por onde já fui levado em viagem. Para me orgulhar de lá ter estado também, mas esse é um bem menor!

Foram alguns, muitos mesmo, desde monumentos, a paisagens, a parques naturais, a escolas, casas privadas e até rituais, caminhos e músicas para o meu ouvido, fazem parte desta vasta lista. Porém, o que observei também,  é que a Unesco tem uma lacuna. O Povo!

Poder-se-á pensar em nomear um povo a património mundial da humanidade? Desconheço a maneira de fazê-lo por completo e de todo os critérios a usar, porém O Povo é o património maior!


Há-os às centenas, com todas as suas diferenças e costumes e não falo do Povo, como de um país inteiro, mas também um grupo de pessoas que se destacam. Uns que poderiam ser nomeados por lutadores contra uma ditadura, outros contra guerras ou pela maneira como sobreviveram a elas, outros pelo conhecimento que trouxeram à humanidade, pelo desenvolvimento cultural, da matemática, da economia, outros ainda pela gastronomia, ou pela descoberta de novas rotas que abriram novos caminhos ao comércio, pela descoberta de soluções e por aí em diante.
 

Há os Nobéis, é verdade, os Pulitzers e uns quantos mais prémios, mas destacam pequenos grupos de cidadãos ou somente um. Não se faz uma viagem a um país para se "ver" ou conhecer alguém que ganhou um Nobel.
 

Tudo porque terça-feira parto novamente (Uhhhuhhh!!!) para o Irão! Para quem tem medo do nome, pode chamar-lhe Pérsia, se desejar! Este é o país que, a partir do momento em que começa a minha ideia de lá regressar, à pesquisa dos voos mais baratos que me hão-de levar, até ao momento em que embarco no avião, me deixa em pulgas! Pulgas boas, muito boas!
A razão é simples, para quem já lá esteve, saberá certamente do que falo. Se há países para os quais viajo pelo património arquitectónico, pela natureza, pelo vazio do deserto ou pelas estradas construídas no abismo que rasgam as montanhas, este, o Irão, é um país que viajo por causa das pessoas! E aqui regressa a minha conversa sobre a Unesco e o povo, como pertencente a uma lista - não gosto do nome, mas é o que é - de Povo Património da Humanidade!
 


Quando falamos, em Portugal, de sermos hospitaleiros, o meu dedo roda sempre em volta do nariz e um ar de desconfiança pela palavra apodera-se da minha face. Hospitalidade e simpatia, são duas palavras com definições totalmente diferentes. Nós somos simpáticos e sim, sabemos receber, mas não somos de todo muito hospitaleiros. A hospitalidade para mim, é mais do que sorrir. É mais do que saber servir. É mais do que dar indicações na rua. É mais do que atender bem. É mais do que cumprimentar quem não se conhece. Muito mais. 

A hospitalidade para mim, é um misto de todas estas características, mas mais, é uma coisa que se sente quando somos por ela atingidos: é encontrar alguém na rua que nos guia por um mercado que é imenso e nos mostra cada recanto, cada segredo, nos conta histórias e após horas connosco, se despede! É conhecermos alguém que nos convida para casa da sua família para um jantar e nos dá a oportunidade de fazermos parte de um modo diferente de vida! É uma conversa enquanto se bebe um chá com um estranho, sobre a vida, a política, a religião, a família, problemas e soluções! Está na sinceridade de um gesto, de palavras que se dizem e na continuação de uma amizade duradoura! A hospitalidade está no erguer de um papel por dois estranhos - eu e a Tanya - que apenas dizia "Somos convidados" e na vénia que nos fizeram depois de o lerem, abrindo-nos a porta de sua casa, para pernoitarmos! Está no rapaz que nos escreveu esse papel, dizendo-nos com um sorriso "Esta mensagem, neste país, é suficiente!". A hospitalidade é verdadeira, quando tudo isto acontece sem que haja qualquer interesse monetário por trás, sem interesse mesmo de nenhum modo, que não seja o de bem receber, o de acolher bem e o de nos fazer sentir bem no seu país!

E é por isso que fico em pulgas de cada vez que, penso, pesquiso e voo ou melhor, aterro no Irão! Porque sei que vou encontrar toda esta genuidade neste povo e é por isso que tanto gosto deste país! A conversa da Unesco era, afinal, mais fácil de explicar, se tivesse logo começado por aqui, porque se há característica que deveria ser nomeada, era a hospitalidade e nisso, o povo iraniano, é exímio!

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