Dias melhores

Não foi fácil negociar com os hotéis em Chitrakut, por isso decidimos ficar numa Darameshala, sítio os peregrinos hindus ficam.

O nosso quarto era bem humilde mas não precisávamos de mais. Pedimos dois cobertores mas preferimos dormir no interior dos nossos sacos-cama. Durante esta viagem, eles nunca foram lavados, mas acreditem que estão bem mais limpo e bem mais cheirosos que os cobertores oferecidos, depois de nos terem tentado alugá-los!

O primeiro contacto com a cidade, não foi de grandes amores. Chegámos cansados, não tivemos sorte com os hotéis, as pessoas bloqueavam-nos as passagens… Só queríamos chegar a algum lugar e respirar entre quatro paredes, sem ver ninguém!


Quando finalmente ganhámos coragem, saímos! Voltámos a não morrer de amores e pensámos em sair mais cedo. Não havia muitos turistas para nos podermos apoiar uns aos outros. O nosso quarto não era de grande conforto e não sentimos as pessoas calorosas. Ganhámos um amigo que nos mostrou a sua barraca de souvenirs. Ganhámos um inimigo quando o Rafael num acto de loucura partiu a sua calculadora com um golpe de karate. “Este é o meu homem” Senti um certo orgulho!

Ok, agora devem estar a pensar “Partiu a calculadora? O que aconteceu? Não é o Rafael uma pessoa tão calma?” É pois, mas há alturas que apetece acertar com um chumbo na pinta vermelha que têm na testa! (Não levem a sério os meus exageros, só me quero divertir no meio deste cansaço) Passo a explicar rapidamente o sucedido.

Fomos tomar o pequeno-almoço no mesmo restaurante do jantar da noite anterior. Gostamos de voltar aos sítios onde somos bem recebidos. Não pedi comida para mim. Esperei que chegasse a do Rafael para ver se estava picante. Claro que estava picante mas claro que estava com fome. Chamei o dono do restaurante:

- Se pedir metade da refeição, faz-me por metade do preço? Só quero o pão e o iogurte. Não quero o doce nem os vegetais. – Perguntei achando que seria um bom pacto para ambos.

- Sim, não há problema. – Continua simpático, o bom homem.

Na hora de pagar, ele entregou-nos o troco como se tivesse comido a refeição por inteiro!

- Não, nós perguntámos se era possível ter metade por metade do preço. O senhor disse que sim. – 
Explicou o Rafael.

- Não!

- Queremos o nosso trocou certo, porque foi o combinado. E se ela não comeu o doce nem os vegetais, lógico que tem de ser mas barato. – Continuava muito calmo.

- Não! – Insistia no não com cara de desprezo.

Eu comecei a perder a paciência e a chama-lo de mentiroso, de falso, de má pessoa. O Rafael pedia-me para ter calma e tentava explicar as coisas.

- Mas qual calma. Achas que ele não percebeu? Claro que percebeu! Ele não vai dar o dinheiro e não admito a forma como ele nos está a tratar!

O Rafael repetia-se em diferentes palavras e o senhor repetia-se na mesma palavra. A gota de água veio quando nos enxotou com uma expressão bem marcada de desprezo. É nesse momento que o Rafael, num só golpe, parte a máquina de calcular. Problema resolvido. Saímos bem devagar do restaurante, e ninguém veio atrás de nós!

São momentos como este que nos estragam o resto do dia. Perdemos a paciência, a vontade de passear e falar com as pessoas.

- Vamos embora amanhã? – Perguntei.

- E passamos a noite de natal onde?

- Qualquer sítio, não me importa.

Estávamos decididos a partir quando numa conversa com um indiano, mudámos de ideia.

- Hoje é lua cheia e vão chegar centenas de pessoas para festejar. Podem ficar mais um dia pois vai ser muito especial! – Disse-nos ele.

Ficámos… Mas porquê? O que foi que nos atraiu? Saber que viriam centenas de pessoas? Nós que fugimos delas acabámos por achar piada a ideia… mas porquê?

Demos uma oportunidade a Chitrakut e não nos arrependemos. Percorremos novas ruas onde descobrimos sorrisos. Tínhamos espaço para passear e uma ligeira paz apoderou-se de nós. Passámos a sentir um certo encanto.


O nosso Natal foi bastante nostálgico… telefonámos para a família e sonhámos com comida que poderia estar à mesa. Queríamos estar rodeados de amigos, estávamos a precisar de mimos… Jantámos cedo com uma alemã e fomos cedo para a cama. Vimos um filme, desejámos “Feliz Natal” com uma certa tristeza no olhar e adormecemos. O Natal nunca foi muito importante para ambos, até porque temos como costume viajar por esta altura mas depois de tanto tempo fora de casa, as saudades apertam!


O dia das centenas de pessoas, chegou! Mas que bagunça! Uns tomam banho, outros lavam a loiça, outros a roupa. Uns atiram lixo para o Ganges, outros bebem a água do mesmo. Há um enorme cuidado com a higiene pessoal. O corpo e cabelo ficam com uma bela camada de óleo, ficando assim protegidos contra toda a poluição que os rodeiam. Os bigodes são mimados mas também há os que preferem pele de bebé, deixando-se barbear em pleno passeio. As mulheres tratam dos seus longos cabelos, primeiro penteando-os com os dedos com movimentos energéticos e depois usando o pente que os deixa lisinhos. Tentávamos captar toda aquela informação. Queríamos absorver tudo.

Com o dia das centenas de pessoas, concluímos a nossa estadia em Chitrakut. Partimos em direcção a Varanasi e o caminho ficava bem mais interessante mas em terrível estado. Foi bom termos parado em Shankargarh para passar a noite. O nosso quarto por menos de um euro era de chorar a rir! O mais importante é que tínhamos todos os sacos em segurança. Tínhamos uma arte contemporânea em todas as paredes do edifício! Qual Pollock, qual quê! Os indianos são uns verdadeiros artistas a cuspir tinta vermelha! Passeamo-nos pela pequena rua, não querendo conhecer mais. Aquela rua era perfeita! 


Conhecemos pessoas simpáticas e a comida era óptima! Não precisávamos de mais nada! “Mas porque é que nos outros sítios as pessoas não são assim?” As buzinas continuavam bem presentes mas não éramos incomodados por mais nada! Esta pequena rua foi um bom achado, ou melhor, temos de agradecer à polícia indiana que nos levou até lá, quando pedimos ajudar para encontrar um sítio onde pudéssemos pernoitar.

De novo na estrada, na má estrada mas na sossegada estrada! Fizemos muitos quilómetros… andamos a fazer muitos quilómetros! Quando decidimos parar para procurar hotel, já estávamos com a língua ao dependuro de um dos lados… Não encontrávamos hotel… não existia hotéis em Jigna

- Vamos ter de acampar. – Disse o Rafael.

Ok, vamos lá a isso! Acampar na Índia! Não gostamos das histórias que lemos, de pessoas que se atreveram a pedalar na Índia e que tiveram o azar de acampar… Temos até amigos que o fizeram e contam que acordaram bem cedo, com um indiano a abrir a tenda para ver o que se passava no seu interior. Não queria imaginar algum a abrir a minha tenda! Não queria ter pessoas a olhar para mim enquanto monto a tenda. Depois de fazer muitos quilómetros, o que queremos é ficar sozinhos e descansar!   

O Rafael encontrou um sítio que, à primeira vista, parecia perfeito! Estávamos bem escondidos da estrada. 

Era cedo, por isso não arriscámos montar naquele momento a tenda. Preferimos esperar e deitarmo-nos. 

Apareceu o rapaz da casa em frente.

- Se precisarem de água podem pedir-nos. Estamos mesmo ali em frente.

- Obrigado mas não vamos precisar. Não há problema em passar aqui a noite? – Perguntou o Rafael.

- Claro que não! – Disse o rapaz despedindo-se de nós.

Até agora está a correr tudo bem! Começava a escurecer e acendemos uma fogueira. O rapaz voltou a aparecer com um amigo. Sozinhos são boas pessoas, mas acompanhados…

- Não quero chatear-me. Espero que não se armem em parvos. – O Rafael tentava ignorar, tal como eu.

Vinham com um pequeno tronco na mão que nos ofereceram para prolongar os minutos de vida da nossa fogueira. Agradecemos e percebemos pelo olhar dos miúdos que não eram uma ameaça! Foi um acto tão querido da parte deles que o nosso coraçãozinho derretia-se aos poucos. Depressa partiram.


Estava a correr tudo muito bem! Estávamos sozinhos, com a nossa fogueira e estávamos prontos para montar a tenda e começar a cozinhar pois o estômago já não se mantinha calado.

Tenda montada, jantar preparado, sacos-cama abertos, xixi feito, dentinhos lavados e “até amanhã”

5:30 da manhã e ouvíamos barulho bem perto da nossa tenda. Ficámos tensos… Uma hora depois, saímos da tenda. Os miúdos estavam a jogar críquete. Pararam mal nos levantámos e ficaram em silêncio a observar-nos. Começaram a aparecer mais pessoas, mas nada de entrarmos em pânico! Arrumámos tudo, trocando alguns sorrisos com os miúdos que continuavam admirados com todo aquele espectáculo.

Antes de partirmos:

- Podem dar-me um autógrafo?

Tentei explicar ao miúdo que não éramos famosos, nem pessoas importantes para dar autógrafos mas todo ele desejava uma assinatura. Aceitámos ficar eternizados num bastão de críquete!


Partimos satisfeitos com a nossa experiência de acampar na Índia! Estávamos mesmo muito satisfeitos e assim o dia correr às mil maravilhas! Fomos obrigados a deixar a pequena estrada para voltarmos para a principal. O silêncio desapareceu mas conseguimos chegar bem mais depressa a Varanasi!

Chegámos tão cansados que não fomos comparar hotéis. Fomos directos para a dica dos Mundo Pata a Fundo! Subimos os quatro longos andares e o nosso sorriso apareceu quando a água quentinha caiu nos nossos corpos!

Finalmente em Varanasi! Estamos proibidos de ficar apenas uma noite! Vamos descansar que bem precisamos! Precisamos ou merecemos? Hummm… Ambos!

Alma de Viajante

Mais uma cronica disponivel no site Alma de Viajante! Cliquem no link abaixo para ver!


 

Dicas - Vistos para a Asia Central

Este post muito comprido, fala em relação à obtenção de vistos na Ásia Central, uma zona que, depois de África, é talvez a que mais burocracia exija. Assim, tendo como exemplo a rota que fizemos, pois este site é dedicado ao cicloturismo, vamos tentar explicar da melhor forma possível a nossa experiência na obtenção destes vistos que tanta dor de cabeça dão a algumas pessoas!


TURQUIA – Fácil e barato! Custa 15 euros ou 20 dólares, pagos em euros ou dólares, somente. Não são aceites outras moedas e o melhor é levar já o dinheiro no bolso, pois não há local na fronteira para se trocar. Sempre entrámos de bicicleta, pela Bulgária e pela Síria e das duas vezes foi feito de forma muito rápida. Não precisam de fotografias, nem de preencher formulários. O visto é válido por 3 meses! Não temos ideia de como é em relação a extensões.


IRAQUE (CURDISTÃO) – Fácil e gratuito! Entrámos pela Turquia. Chega-se à fronteira, sentam-se nas incríveis poltronas na sala de espera, levam o vosso passaporte ao balcão devido, servem-vos chá enquanto esperam (o de kiwi é muito doce!) e passados uns minutos, têm o passaporte carimbado nas mãos, com duração para 10 dias. Podem, se desejarem, estende-lo em Erbil, mas não sei o custo (penso até que seja gratuito) e não sei por quanto tempo mais. Não precisam de fotografias, nem de preencher formulários. 


IRÃO – O visto pode ser muito complicado de tirar, como também muito, muito fácil. Enquanto em viagem, o local mais lógico para o adquirir é na Turquia. Há 3 cidades onde o podem fazer: Ankara, a capital; Trabzon, no nordeste; e Erzurum, outra cidade uns 300kms a sul de Trabzon! O sítio mais complicado é Ankara, já que é onde toda a gente o faz. Ouvimos por outros viajantes, que às vezes demora 1 mês a tirar o visto e garanto-vos, Ankara é a cidade menos interessante da Turquia. Nós pedimos boleia até Trabzon, bem lá no norte e fomos ao Consulado do Irão. Fizemo-lo em 3 horas e porque apanhámos a hora do almoço! Muito simpáticos, prestáveis e muito fácil! Precisam de duas fotografias tipo passe, preencher um formulário que vos dão à chegada e depositar a quantia que vos dizem, num banco perto dali. Eles explicam tudo! Pagámos 75 euros por um mês de visto. Em Ankara, ouvimos que era mais barato, embora não tenhamos a certeza, mas se passarmos 1 mês na capital, gasta-se muito mais dinheiro. Para as meninas: levarem fotografias com o cabelo tapado, é uma grande ajuda! Se quiserem ficar mais tempo, a extensão fica à volta de 30 euros por um mês e perde-se um tempo a fazê-lo, mas não há pressas em viagem! Fazê-lo fora de Teerão, é ser-se inteligente! Shiraz ou Esfahan são os melhores locais. Atenção: Não utilizem o site iranianvisa.com. Soubemos de muitas pessoas que ficaram sem dinheiro e sem visto.


TURQUEMENISTÃO – Chamam-lhe a Coreia do Norte da Ásia. O visto que obtemos é somente de 5 dias – visto de trânsito – e se quiseres ficar mais dias ou chegares atrasado à fronteira com o Uzbequistão, que fechava na altura às 17h, pagas 200 euros por dia! O visto foi tirado em Teerão, no Irão e demora entre 5 a 8 dias. Atenção: nunca é certo. É possivelmente o visto mais complicado, pois quem atende “não tem amigos” e há que saber lidar com isso. Leva um sorriso! Connosco, não houve qualquer problema. Temos de preencher um formulário que dão na altura, necessitas de 2 fotos tipo passe e dinheiro, claro, que se deve pagar na atura em que se levanta o visto. Muito importante: só dão o visto se já se tiver no passaporte o visto para o próximo país, ou Tajiquistão ou Cazaquistão, que é a maneira de perceberem que não vais ficar no Turquemenistão para sempre! Caso ainda não se tenha este carimbo de qualquer um destes países no passaporte, nem vale a pena tentar! Têm que deixar a respectiva fotocópia a confirmar. Há duas maneiras de tirar o visto: o rápido, que sai em 5 dias, se tudo der certo e o lento, que penso ser em 10, mas a diferença são 10 dólares ou qualquer coisa, daí ser preferível pagar pelo “rápido”! O preço são 55 dólares, mais 12 dólares de taxa na entrada do país (ou na saída, não me lembro) embora ninguém te consiga explicar a razão da taxa depois de já teres pago o visto. É também o visto mais complicado, porque têm de dizer o dia exacto de entrada no país. A partir desse dia, mesmo que ainda não se tenha chegado, azar, começa a contar! O sítio mais fácil onde tirar, ouvimos por outros viajantes, é Teerão. Tirar noutros países, como Uzbequistão, pode significar ficarem 1 mês à espera e nada.


UZBEQUISTÃO – Fácil e rápido! A única coisa é que tens de ter uma carta convite para entrar no país, que acontece com 10% dos países europeus e Portugal, claro, está incluído na minoria! Esta carta convite, é paga, claro! Ou seja, antes tens de escrever a uma empresa – a melhor é a Stantours, em quem realmente se pode confiar – e dizer que precisas da tal carta. Eles enviam-te um e-mail a dizer o que precisam. Normalmente é isto (só para se irem preparando):


If you wish to proceed we would request  your passport info, a copy of your
passport and a letter confirming your current employment / place of study by
e-mail attachment or fax and a full payment of USD 40 or EUR 28 per person
as follows:


 
1       Full Name (incl. name at birth or previous names if applicable):
2       Date of Birth :
3       City and Country of Birth :
4       Citizenship (also previous citizenship if changed) :
5       Passport Number :
6       Date of the passport issue and expiration :
7       Issuing authority :
8       Gender :
9       Marital Status:
9a      if married: spouse's full name:
10      Occupation, Place of Employment and type of business :
11      Address and phone number of place of work :
12      Accompanying children travelling on applicant's passport :
13      Previous visits (date, purpose and inviting party if applicable):
14      Port of Entry :
15      Date(s) of Entry and Departure :
16      Cities and Sites you wish to visit :
17      City/country where you will obtain visa :
18      Home Address and Phone number:

Beneficiary:    STANtours Ltd., Level 5, 369, Queen Street, Auckland 1010,
New Zealand, Fax +49 (3212) 1039960
Bank:           Aizkraukles Banka, 23 Elizabetes St., Riga, LV-1010, Latvia,
Fax: +371 6777 5200
Account # / IBAN:       LV16AIZK0001140106063
BIC/SWIFT:      AIZKLV22
 

O ridículo é que, teoricamente, se fores desempregado, não podes visitar o país! No entanto, se não tiverem emprego, escrevam uma carta falsa, com qualquer empresa que conheçam ou para quem tenham trabalhado e assinem por baixo, arranjem um carimbo e já está. Eles nunca confirmam! Quanto à quantia, eles informam sempre qual é, mas façam sempre o cálculo dólar – euro, para não haver erros no cálculo, por parte…deles, claro! Também têm que dizer a data de entrada no país, apesar de depois poderem sempre mudá-la, se não for muito diferente, dizendo que a calcularam mal, na altura em que forem à embaixada! A carta demora entre 10 a 15 dias a chegar e imprimem-na, juntamente com o formulário que vos enviam e levam duas fotos e dinheiro – 75 dólares – à embaixada em Teerão (a que nos usámos). Em 30 minutos o passaporte é-vos passado para as mãos! Fácil. Têm visto para 1 mês. Não sabemos como funcionam as extensões.


TAJIQUISTÃO – Simples! Tirámos o visto em Ankara e é outro que também têm que dar a data certa de entrada. No entanto, este tem a validade de 1 mês e só começa a contar 30 dias a partir da entrada no país. Precisam de cópias do passaporte, 2 fotos tipo passe e uma carta escrita por vocês (nem sempre pedido) a dizerem quais são as vossas intenções no país! 
 
Uma das estradas mais míticas do mundo, a Pamir Highway (sobre a qual escrevemos um artigo para a Visão, Vida & Viagens) é um ponto obrigatório de passagem, correndo 200kms lado a lado com o Afeganistão. Para esta estrada, é preciso uma autorização especial que pode ser tirada juntamente com o visto em qualquer embaixada, pagando mais 25 dólares. O visto custa 50 dólares para 1 mês. Esta autorização pode ser também tirada através de algumas agências – embora não aconselhemos por levarem muito dinheiro – ou em Dushanbe, a capital do país, no gabinete do GBAO (a zona onde a Pamir Highway se insere) e custa apenar 3 dólares e alguma luta na comunicação! Se quiserem percorrer o Wakhan Corridor, mesmo na fronteira do Afeganistão, têm que dizê-lo aquando da aquisição da autorização especial, pois o nome do checkpoint por onde passam a caminho do Wakhan Corridor tem de constar no passaporte. Quanto a extensões, ouvimos por alguns viajantes, que era quase impossível. 


QUIRGUISTÃO – Fácil! Mais uma vez, Ankara, na Turquia. Fomos à embaixada, preenchemos um formulário que nos dão e deixámos os passaportes, com as respectivas fotocópias do mesmo, 2 fotos tipo passe e dinheiro – 55 dólares para 1 mês. Nós tivemos de esperar um fim-de-semana, que é uma grande dor de cabeça, pois não tens passaportes. Não sei se era por ser sexta, ou porque é mesmo lei, mas não é normal! No entanto, podem tentar sempre perguntar se não podem ficar com os passaportes, inventando que vão para fora de Ankara e que precisam deles para se existir qualquer problema. Inventem! O responsável que vos atende é muito prestável! Quanto a extensões, nada sabemos.


Qualquer questão, perguntem!

Dicas - Atrelados para bicicletas

A discussão entre atrelados (trailers) e alforges (panniers) é eterna e não nos leva a nenhuma conclusão. Discutir qual é melhor, é como discutir clubes de futebol, religiões ou política: cada um pensa da sua maneira. Há muitos argumentos que se colocam na utilização de uns e de outros e por isso decidimos falar dos atrelados, já que tanto nesta como na viagem anterior, fizemos uso dos mesmos e são geralmente aqueles que suscitam mais interesse do público em geral, por serem menos conhecidos e utilizados.



As marcas de atrelados mais conhecidas são:

Bob Trailer – O mais famoso dos atrelados para cicloturismo é robusto, pode levar até 50kg de peso e tem a vantagem de poder ser colocado ao contrário e servir como mesa. É também um dos exemplos de atrelados que pode servir outras necessidades: transportar enha, compras ou outros objectos pesados. Vem com um saco impermeável, geralmente amarelo, que é bem visível a longa distância. Pesa entre 7kg e 9kg, conforme o modelo. É mais comprido do que outros modelos no mercado e tem a desvantagem de ter uma roda de tamanho diferente, o que nos obriga a levar sempre um pneu e câmara-de-ar fora do normal tamanho dos da nossa bicicleta;

Extrawheel – A marca polaca desenhou um atrelado que já foi alvo de vários prémios internacionais. A diferença é marcada por uma roda que é exactamente a mesma das da nossa bicicleta – 26´ou 700c – pelo baixo peso – 4kg – e porque absorbe muito melhor o impacto do que outros atrelados, pelo tamanho da sua roda. Foi pensado para viagens offroad, mas porta-se mais que lindamente em cidade. É de fácil colocação na bicicleta e em casos de descontrolo – em descidas a grande velocidade, por exemplo – é a primeira coisa a saltar da bicicleta, que pode ser visto como uma desvantagem, mas que só traz vantagens, pois deixa-nos menos peso nas mãos para controlar a situação;

Burley’s Nomad Cargo – Este atrelado de duas rodas é dos mais conhecidos do mercado. Consegue transportar uma carga até quase 80kg mas a sua cobertura não é totalmente impermeável. Pesa quase 7kg e é o atrelado mais flexível se, além do cicloturismo, quisermos fazer dele um instrumento caseiro: tudo cabe nas suas duas rodas! A desvantagem maior é mesmo, para nós, o facto de ter duas rodas, pois causa muito mais tracção na estrada, além de que em curvas apertadas, o desequilíbrio é muito maior;

Carry Freedom Y-Frame – No Tajiquistão vimos uns franceses com este atrelado. Não vem com nenhum saco incluído e pode colocar-se em cima dele qualquer coisa, pelo seu formato rectangular: sacos, caixas de plástico, alforges. Tem dois tamanhos diferentes, o mais pequeno com 6kg, capaz de suportar um peso até 45kg e o maior 7kg, capaz de suportar até 90kg. É feito de materiais simples que se encontram facilmente nos lugares mais remotos do mundo, deixando as suspensões para outro campeonato.

Cougar Chariot – No que toca a transporte de crianças, a opinião é unânime: Chariot! O modelo é conhecido por ser totalmente impermeável, ter um espaço enorme no seu interior para brinquedos e jogos e poder transportar até duas crianças confortavelmente. Tem suspensão e pode ser utilizado como carro-de-bebé, o que em viagens de avião é uma grande vantagem, já que não paga como material extra, enquanto que como atrelado, se paga! O seu peso ronda os 12kg.
Existem ainda outras marcas e modelos menos conhecidas. Sabemos que existe uma marca portuguesa de atrelados (da qual não nos lembramos do nome…) que utiliza também somente uma roda e que tem marcado pontos no mercado internacional, utilizando materiais muito básicos que é, por si só, uma vantagem quando se viaja para sítios remotos. Tem uma pequena suspensão, também ela básica e que funciona às mil maravilhas e pode ser dobrado em si próprio, facilitando o transporte. O seu peso anda à volta dos 5kg.

Para transporte de crianças, a Trek desenhou um atrelado de um roda só – algo único neste mercado – e para uma só criança, feita sobretudo para offroad. É leve, pequeno e totalmente impermeável. Tem uma suspensão hidráulica e seria tudo para ser o número um, se o seu preço não rondasse os 1000 euros!

Vantagens dos atrelados:

- No caso do Extrawheel, ter como “sobresselente” um pneu exactamente do mesmo tamanho do pneu da nossa bicicleta (podemos escolher entre a medida 26´ e a 700c) e que poderemos sempre mudar, caso não tenhamos nada extra. Aconteceu-nos no Tajiquistão e “salvou-nos”a vida;

- Tira o peso da bicicleta, o que evita que partamos raios das rodas;

- Para viagens fora de asfalto, ou btt, deixa a bicicleta muito mais manobrável e leve;

- No caso de perseguição de cães, o que acontece vezes sem fim nestas viagens, a primeira coisa que atacam é o atrelado, pois é o que se encontra mais acessível;

-Tira-se facilmente, caso queiramos ter a bicicleta sem qualquer peso para umas voltas pela cidade ou montanha;

- É quase um metro a mais quando falamos de impactos por trás de outros veículos, pois é a primeira coisa a ser atingida;

- Pode ser transformado em mesa (no caso do Bob Trailer, por exemplo) ou ser utilizado para outras funções, como é o caso de compras, lenha, objectos maiores;

- É sempre um motivo de dois dedos de conversa com outros ciclistas e locais, pois além de não ser um design comum, querem sempre saber das vantagens e desvantagens de tal atrelado;

Desvantagens dos atrelados:

- Um pneu e câmara-de-ar de tamanho extra, caso não falemos no Extrawheel;

- É um peso a mais quando queremos apanhar outro transporte, além de que ocupa mais espaço;

- Quando temos que fazer marcha a ré, é como guiar um camião, há que aprender a conduzir;

- Por vezes é mais complicado subir degraus e escadarias, enquanto descer não tem qualquer dificuldade;

- Quando se desce a grande velocidade, a bicicleta sem peso na roda da frente perde facilmente o equilíbrio, o que exige um controlo muito maior, enquanto que, não se levando peso na roda de trás, quando em subidas e geralmente em gravilha ou terra batida, a roda perde tracção;

 - Quando temos de nos deslocar com a bicicleta à mão: subidas mais íngremes, quando nos dirigimos para um local para acampar, quando apanhamos lama, puxar um elemento a mais é sempre mais complicado e atrasa todo o processo.

I Love You em Fatehpur Sikri



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