Hoje é o primeiro dia!

“O talento da mente humana para tomar decisões é admirável. O interessante é que com a mesma prontidão que gera a decisão, desenvolve um oceano de premissas para a mesma. O resultado é o início de negociações com as pessoas que confiamos, de forma a justificar a nossa opção. O que procuramos não é aprovação mas sim compreensão. A decisão já está tomada e ninguém nos vai demover. Este passo pode parecer desnecessário, mas a procura da segurança de uma escolha correcta justifica-o. O passo seguinte é preparar os meios necessários para atingir o nosso objectivo.”


, do amigo Hélder

E é neste momento que estou, na fase em que estou já certo e decidido daquilo que quero fazer, num futuro muito próximo, mas à procura de conforto junto daqueles que me são mais próximos. Procuro, junto de familiares, mas também de amigos, conhecidos e pessoas a quem devo algum respeito pelo que já atingiram nas suas vidas profissionais, a ajuda para o segundo passo! Todos têm sido fantásticos, não sei se por gostarem de mim, se por acreditarem que aquilo que digo faz sentido ou se, por outro lado, são também eles sonhadores como eu e olham para mim como uma maneira de concretizarem uma parte dos seus sonhos. Seja o que for, sinto mais força, empenho e entusiasmo neste momento, com toda esta nova ideia de vida, do que em qualquer outro momento destes 30 e tantos anos a olhar o mundo!

O que não quero é estar daqui a muitos anos à espera dum autocarro numa qualquer paragem de um dia cinzento, ou a retirar o aloquete da bicicleta, já ela ferrugenta, de um varandim que já foi prateado e olhar-me no reflexo de uma montra e constatar que toda a minha vida estive num estado constante de adiamento. O que me faz realmente viver, noto mais uma vez ao fim de mais uns quantos anos é viver no limbo, na corda bamba, no não saber se vou ter como pagar as contas de amanhã, no desesperar pelo dia que se segue sabendo que me vai trazer, com toda a certeza, excelentes notícias, na ansiedade do desconhecido. É disto que vou morrer, sei-o, de algum mal do coração. Porém, se assim for, ele vai parar por ter vivido emoções a mais, riscos a mais, tentativas a mais, experiências a mais, ansiedade a mais, conversas a mais, projectos a mais, ideias a mais, sonhos a mais! 
Vai morrer mais MAIS e por isso, morrerei feliz!

Hoje é o primeiro dia!

Como dizia o jornalista do Público que fez a reportagem sobre o festival Fusing, para o qual fomos convidados (2numundo), na Figueira da Foz:




E foi sempre assim e só assim que soube fazer as coisas: pensar sempre que o que penso será impossível de concretizar, para que me dê luta a tentar demonstrar a mim próprio que, afinal, não é tão impossível assim! 

À minha frente, uma montanha para derrubar. O mundo é uma estrada sem fim! – e é frente a esta elevação de granito duro de roer que estou, neste momento, com um sorriso tão convencido da sua força, que não terei qualquer problema em rebentar a montanha toda, nem que seja à dentada!



Mais um carimbo no “passaporte”!

Experiência de Viagem #2 - Murgab, Tajiquistão

Murgab é uma pequena vila encalhada na Pamir Highway, no Tajiquistão, que serve de pouso a quem anda já há vários dias montanha acima, montanha abaixo, entre desertos a 4000 metros de altitude e cumes de 6000, entre rios de água gelada e lagos de água salgada. Murgab podia ser uma qualquer vila, desinteressante, apenas mais uma, no longo caminho que liga Dushanbe, no Tajiquistão, a Osh, no Quirguistão. Porém, é muito mais do que isso. Murgab é um take tirado de um filme!


Com o Muztagata como pano de fundo, conhecido como o Pai de Gelo, com os seus 7546 metros, do lado de lá da fronteira, na China, a vila desenrola-se na colina e aterra no mercado local e este sim, é uma experiência!


Distribuído ao longo de uns 200 metros, a quantidade de diferentes contentores, de todas as formas e feitios é, por si só, motivo de ver a máquina ser disparada umas quantas vezes. Mas não é só de contentores que alojam os pequenos comerciantes, que o mercado é feito. É também de pequenos restaurantes familiares, coloridos e com a decoração mais kitch que podemos encontrar, que fazem as delícias dos locais e dos viajantes. São também as pessoas de diferentes etnias que aqui convivem, vindas da China, do Paquistão, do Quisguistão, Afeganistão e claro, os tajiques! 



As caras das crianças queimadas pelo clima, os sorrisos que se escondem tímidos, por detrás de lenços às flores, as mulheres que distribuem o pão nos fornos a lenha. Os lavatórios tão típicos de quem ainda não tem água canalizada, as casas rectangulares sem quaisquer decoração exterior, porque é para isso mesmo que servem, para viver. Os esqueletos dos carros abandonados ao lado dos esqueletos dos animais que morrem.



Acabamos por ficar por Murgab mais dias do que o previsto, porque todos os dias são como se fosse o primeiro e mais um viajante chega e mais um cicloturista parte! Por ali nos ficamos, entre os contentores do mercado, com o Pai de Gelo a olhar-nos, lá de cima!

Experiência de Viagem #1 - Qara, Síria

Aquando da passagem pela Síria em 2011, tivemos a oportunidade de passar e permanecer em alguns mosteiros cristãos no caminho que nos levava para norte, à fronteira com a Turquia. Se o Mosteiro de Mar Musa era já considerado um dos pontos obrigatórios na passagem de viajantes, já o mosteiro de Saint James, the Mutilated, situado em Qara, foge totalmente à rota de quem não viajava na Síria de bicicleta ou a pé. A nossa intenção de ali chegar tinha um objectivo muito preciso: encontrar a freira portuguesa que ali vivia há dois anos! Tivemos conhecimento através dum padre francês que caminhava até Jerusalém e a nossa rota alterou para que a pudéssemos conhecer!




À nossa chegada e depois de termos perguntado por ela, uma voz surge ao longe, com um grande sorriso na cara e pergunta: O que é que vocês andam a fazer por aqui?". Ouvir português na Síria, num lugar remoto, foi uma sensação tão estranha, quanto maravilhosa!

Porém, não foi o facto de conhecer a freira portuguesa, o ter conhecido um belga e um americano que ali viviam também porque queriam dedicar-se à religião, o termos - mais uma vez - ajudado na vida comunitária do mosteiro, o silêncio, aquilo que mais nos marcou. O que nos levou às lágrimas, foi uma missa a que tivemos o privilégio de assistir ao fim da tarde.




Penso, muito sinceramente, que a Síria foi o ponto de viragem para que eu começasse a respeitar aquilo que, até ali, muitas vezes me opunha, de tão cético que era: a fé. Percebi, naquele país marcado agora por uma guerra sem fim e que, curiosamente começou no dia em que passámos a fronteira para a Turquia, o que é sentir fé. Não sou uma pessoa religiosa, embora o tema religião seja um dos que mais gosto me dá discutir e portanto não sou suspeito, neste caso. Naquela dia, um grupo da comunidade ortodoxa do Líbano tinha-se juntado, numa manifestação de paz, ao grupo católico do mosteiro para assim comemorarem a fé em conjunto. O que se passou durante uma hora naquela capela escavada na rocha foi, sem qualquer margem para dúvidas, uma das experiências mais marcantes da minha vida e que hoje, quando revejo os vídeos, ainda me arrepia. 



O padre falava aos crentes que, nós incluídos, seguravam uma pequena vela que iluminava a capela. Era a única iluminação! Crianças à frente. Adultos atrás. Crentes segurando a bíblia. Minutos depois, tão comum na cultura do médio oriente, a fé solta-se e com ela, o instinto do Homem que crê! Gritos, frases religiosas, canções, sorrisos, lágrimas, mãos no ar, pessoas ajoelhadas no chão gritando Aleluia, o padre que havia saltado do altar e fazia uma roda com as crianças, dançando, as vozes que cantam cada vez mais alto, a multidão que se juntava, ali, numa só voz. A multidão que quando junta a voz, nos faz ter medo, ao mesmo tempo que nos liberta e nos dá segurança. Um misto de emoções tão fortes se apoderou naquele lugar que reparava na cara da Tanya a mesma vontade que eu, soltar-me também eu, em lágrimas. 




Foi então que uma senhora, olhando para a maneira como sorria e olhava aquela "coisa" impressionante, me disse: Se quiser, pode chorar! - e foi ver-me qual menino, as lágrimas escorrerem-me pela cara abaixo e eu, tão estranho aquelas pessoas, a adorá-las tanto, por me permitirem partilhar um pouco da fé que têm!

Frankfurt

Livre, em Frankfurt!

Escolher um destino de férias pode ser difícil – especialmente quando os países estão conectados com tanta facilidade hoje em dia e as escolhas são às centenas – mas existem determinadas cidades que sempre conseguem atrair muita atenção, umas mais óbvias, outras menos, como por exemplo, Frankfurt.

Frankfurt é uma daquelas cidades onde toda a gente já esteve, embora a maior parte só conheça mesmo o aeroporto e que, quem fizer uma visita, ficará certamente surpreendido pela imensa oferta que a cidade proporciona. Aqui estão alguns factos que explicam os motivos.


Tamanho

Frankfurt é uma das maiores cidades da Alemanha como também o maior centro financeiro da Europa continental. Isto significa que quer estejamos a viajar em lazer ou em negócios, existe sempre uma grande quantidade de turistas misturados com locais, com pessoas da área financeira, entre outros. Porém, existem sempre aqueles sítios em que sentirás que, além de estar fora duma gigantesca urbe, estás fora do roteiro normal do turista, como é o caso do Bethmannpark, um antigo jardim privado do banqueiro judeu Moritz von Bethmann, no centro da cidade, onde podes tirar uns minutos longe do burburinho das ruas.


Como chegar?

Como uma cidade que se impõe como centro da Europa, Frankfurt está bem preparada para o turismo, o que faz com que seja uma opção de destino óbvia para viajantes internacionais. O Aeroporto de Frankfurt é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos aeroportos internacionais mais movimentados do mundo. Voos a preços acessíveis podem ser encontrados no site da empresa sediada no próprio aeroporto de Frankfurt, a  www.condor.com/pt, cuja frota parte de e para todo o mundo.

História e Cultura

Para quem gosta de uma visita mais cultural, Frankfurt possui mais de 60 museus e galerias de arte, entre outros espaços culturais privados e públicos, tendo ganho já o nome de Cidade das Artes, por onde passam mais de 2 milhões de visitantes por ano. Destacam-se espaços como o Museu Städel,  o Museu de Arquitectura Alemã, o Museu do Cinema Alemão ou o Museu Judaico. O Städel é, possivelmente, um dos museus mais famosos do país e da Europa, tendo sido pensado para a casa do antigo banqueiro Johann Friedrich Städel que deixou em testamento a obrigação de transformar a sua casa num espaço de arte onde se deveria olhar para o trabalho dos novos artistas!


A noite

Como qualquer cidade europeia e jovem, Frankfurt não é só arte, história e finanças. É, também, um espaço de entretenimento e animação nocturna ao nível das maiores capitais do mundo! A vida noturna é incrivelmente activa e isto significa que existem mesmo muitas opções, para os mais jovens, mas também para aqueles por quem a juventude está quase a passar! Desde os bares mais caros com a melhor vista da cidade possível, como o 22nd Lounge and Bar, no 22º andar de um arranha-céus, aos mais underground, como o U60311, por onde passam os melhores Dj’s da actualidade. Como a Alemanha é considerada o berço da música techno, destinos como Frankfurt são uma opção óbvia para quem adora este tipo de música.


Com tudo isto e muito mais para ver e fazer, resta apenas uma conclusão à introdução inicial. Frankfurt não é, afinal, só um aeroporto! O que estás à espera para o descobrir?

Pérsia no Inverno

Voltar ao Irão, ou à Pérsia, se se sentirem mais seguros com a mudança do nome, é dos maiores prazeres que posso, a mim próprio, anunciar! Acabei de o fazer há umas semanas atrás e desde aí, que a vontade de adormecer é pouca, ansioso que estou pela viagem!



Quando entrei no país em 2011, pela primeira vez e, ao descer a íngreme estrada que me levava para a primeira povoação, tive a certeza que aquela experiência iria ser diferente de qualquer outro país que, até à data, tivesse passado. Uns minutos depois, quando um automóvel cinzento fez inversão de marcha para nos acompanhar e, lá de dentro, dois sorridentes estranhos nos faziam gestos que nos faziam entender que era um convite para almoçar, que tive a certeza que sim, iria ser mesmo diferente de tudo! E foi!


Quatro anos mais tarde, continuo a regressar sempre que posso, para rever os mesmos sítios, os amigos que já tenho, as mesquitas que continuam a deslumbrar-me, as catedrais inacreditáveis, as ruas cheias de sorrisos, as praças cheias mas, mais do que tudo, a hospitalidade daquela gente!

O que me faz escrever desta vez é, no entanto, diferente. Regresso ao Irão não numa altura que me é comum, a Primavera ou o Outono, altura em que a temperatura é mais amena, mas no Inverno. Em pleno Inverno! A razão? Voltar! Porque é sempre bom voltar!



Vou encontrar porventura o país com neve, com alguma chuva, mais cinzento no céu, os gelados não vão saber tão bem, as pessoas vão estar mais cobertas do que o normal, mas vou encontrar, tenho a certeza, o mesmo país simpático e genuíno e foi isso que me fez não pensar duas vezes! Comigo, vai estar um grupo de pessoas a viajar, através da The Wanderlust. Em ocasiões anteriores, levei já outras pessoas a fazê-lo e todas, estou certo disso, regressaram com vontade de…regressar! Levar um grupo a conhecer aquilo que conheço, falar-lhes dum país que tanto gosto, a partilhar um táxi, a dividirem o seu almoço com um desconhecido numa mesa de restaurante, a perceberem um pouco mais as convicções, as ideias, os ideais, a religião, a maneira de estar, a razão de pensarem e actuarem, é o maior prazer que posso ter! Isto, de ser líder de viagens, é realmente aquilo que mais gosto de ser!

Não é só viajar, é partilhar!


A luta, porém, para juntar pessoas, não é fácil! As razões são várias: o medo – sempre o medo, o facto de pensarem que todas as mulheres têm de andar cobertas da cabeça aos pés, o Inverno, as férias não coincidentes com a altura do ano, o não ter conhecimento da viagem, os problemas no Iraque que, julgam, afecta aquele país também, os voos que são caros. Mas, como em tudo, há coisas que nem sempre são verdade e acima, referi umas tantas! Fiquei ainda mais feliz quando, pesquisando um site de referência para mim na procura de voos, percebi que as viagens para Teerão, estavam muito baratas, para aquela altura do ano, ou seja, encontras os voos mais baratos no site Rumbo.pt, entre 10 e 24 de Janeiro! Tratei logo de comunicar e, minutos mais tarde, já tinha mais pessoas para me acompanhar!

Afinal, daquele lado, só vêm mesmo boas notícias!

Posts mais populares