uma palavra de coragem!

faz todo o sentido para mim, falar aqui acerca dos meus pais. não faz muito tempo que lhes transmiti esta minha vontade de ir pelo mundo fora, à descoberta do que ainda não conheço. quando decidi despedir-me do único trabalho que até então tinha arranjado com contrato, para ir para a noruega e depois para a índia, o meu pai pôs as mãos à cabeça. a minha mãe deu-me força! o meu pai compreendeu então, mais tarde, que as pessoas são diferentes, e que o que desejamos para os nossos filhos - uma vida certa, com casa, carro, filhos, netos, etc. - não se aplicava a mim, com toda a certeza do mundo. mais tarde, deu-me força também! sei que a história se vai repetir. tenho um emprego há 3 anos e meio, recebo um salário que não é mau, tenho uma casa, um carro, amigos, mas falta-me o resto. quando cheguei da india, sabia que um dia iria partir outra vez. quando, não sabia, mas sabia que isso ia acontecer. poupei dinheiro e aqui vou eu!

nunca fui de me preocupar muito com o futuro. o futuro, só a mim pertence! será o que eu quiser (lembro-me de dizer isto ao meu pai, quando lhe disse que não iria continuar muito tempo no meu actual emprego). sempre vivi com estabilidade, numa vida instável. a saltar dum sítio para o outro. de cidade para cidade. foi minha a decisão de correr estes riscos. o de não ter trabalho certo. casa certa. vida certa. talvez seja obstinado pela instabilidade. talvez. agora quero levá-la até um certo limite!

em conversa com a minha mãe, repetiu-se o que ouvi noutras alturas, mas com mais força ainda. não sei se é querer apoiar-me no que faço, mesmo que dentro dela pense diferente. não sei se no que me diz, fica um trago de inveja. não sei se espera um convite da minha parte, para que me acompanhe. não sei. o que sei, e tenho a certeza, é que me dá imensa força e determinação. lembro-me que numa das conversas me disse: "vive um dia de cada vez e nunca deixes as tuas decisões para depois. se é isso que queres, vai". estas palavras encheram-me de certezas. encheram-me de saudades. ainda não fui.

a vida é uma repetição de histórias. de momentos passados. vemos o nosso futuro, baseado no passado que tivemos. porque é que queremos impôr-nos um futuro, se ainda não o sabemos? porque é que achamos que sabemos como é que ele vai ser? só conheço uma pessoa que não me perguntou: e depois, quando voltares? o que vais fazer? - a minha mãe! não me perguntou e tenho a certeza que não o vai fazer. porque pensa como eu. porque me conhece bem e sabe que sou assim e não há volta a dar. faria o mesmo, se tivesse a mesma idade que eu, e soubesse o que sabe hoje. mark twain escreveu uma vez: daqui a uns anos, vais sentir-te mais desapontado pelas coisas que não fizeste, do que pelas que fizeste. não é, de todo, arrepender-me das pessoas com que estive, com quem estou, dos momentos por que passei, das viagens que fiz. é arrepender-me por tudo o que quis fazer e nunca tive coragem para ir em frente. porque adiava uma e outra vez. sempre com o mesmo pensamento: um dia, vou. e esse dia nunca chega. nunca.

lembro-me de alguns excertos de cartas ou conversas que os meus pais me escreveram/disseram. lembro-me e sei que toda a história vai repetir-se. é difícil não ter quem gostamos aqui, bem perto, sempre. mas é bem mais difícil, acreditem, ir sem todos de que gostamos. uns darão força aos outros e é só isso que espero dos meus pais. uma palavra de coragem!

2 comentários:

João disse...

E eu??? Num sou falado aqui? Que abuso... Podias conhecer mais um país, mas too late. Eu dava-te alojamento. Agora podes conhecer outro sitio, não é India, mas tem muitos indios. Ainda cá vou estar mais 5 anitos, por isso ve lá se aproveitas.
Num era o Futuro a Deus pertence???Lol
Bem vai lá preparando ai os trocos que daqui a duas semanas caso.
Beijo grande aqui do grande Jota, eu é que sou bom.

Darkann disse...

Visitei hoje pela primeira vez o blog. Fiquei colada... Talvéz o primeiro no qual li tanto tempo seguido, devorei os textos, interiorizei as ideias, identifiquei-me e passará definitivamente a ser um dos que, diariamente, visito em busca de novidades.
Gostei da forma como te deixas fluir em palavras mas acima de tudo gostei da partilha, da tua forma de ver o mundo, a vida. Tal como já disse, identifiquei-me muito, mas sei que estou ainda numa fase de "falta de coragem". Aquilo que estou a tentar dizer é que, tal como tu, sempre andei a "saltitar" de casa em casa, de cidade em cidade, e sempre adiei a vontade que me continua a perseguir: ir por este mundo fora, conhecer, partilhar, dar. Se por um lado parece fácil e simultaneamente aliciante, por outro lado deixa-me com algum medo...aquilo a que chamo "falta de coragem".
Sei que a minha vida tem de passar por aí. Para já, não acho que "tenha sido feita" para casar e ter filhos, para ter a "vida normal" que uma grande maioria partilha. Um dia, quem sabe. Até hoje nunca foi essa a minha prioridade.
Nunca fui muito estável, é verdade. Começo a sê-lo e quero, a partir deste ano, amadurecer fortemente esta ideia...a de partir e dar-me a oportunidade de arriscar.
Serás uma inspiração para mim -tu e outros|as que partilham os mesmos ideais- e por isso te agradeço. Agradeço o simples facto de aqui partilhares as tuas histórias, a tua essência.

Ao ler ainda o que aqui escreveste sobre os teus pais e esta tu decisão, transpunha para mim... Sei que a minha mãe me diria o mesmo...sei que o meu pai também. reticente no inicio mas conformado no fim.
Ninguém é de ninguém e eles querem que sejamos felizes, independentemente do que isso implicar. Somos? Seremos um dia? Não sei. Não importa. Ao menos tentamos, e só por isso alguma satisfação existirá sempre.

"SÓ POR HOJE VOU SER FELIZ" - bjos**

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