setembro

setembro foi a altura em que tudo se decidiu. nessa altura, e até meio de outubro, lia dezenas de sites por dia que me indicavam o melhor caminho, o melhor material, o melhor clima, o melhor estado de forma. neste momento, fim de novembro, leio muito raramente esses sites. acompanho, isso sim, os relatos de outros viajantes. não lhe quero chamar estagnação, pois pressupõe paragem, e isso não é de certeza. mas por outro lado sim, vejo-o como tal. estou parado, à espera que a altura ideal chegue. o dia. o momento. o minuto. enquanto ele não chega, preciso de me mexer. não no sentido de fazer exercício, mas no sentido de não ficar parado neste mesmo sítio à espera e partir. ir para outro lado. viver outra nova cidade. outros novos ares. outros novos amigos. outras novas estrelas. o fim de tarde hoje foi curioso. uma amiga disse-me aquilo que já vinha escrevendo no blog há muito tempo. dizia ela: rejeitas tudo o que conseguiste até agora. rejeitas tudo aquilo pelo qual lutaste. rejeitas tudo assim, sem medo? - confesso que medo talvez não seja a palavra mais apropriada. medo, não sinto, confesso. receio, isso sim, sinto. sou humano. penso, logo sinto receio. de não conseguir. de perder tudo pelo que lutei, sim, e não vale a pena explicar o quê. mas quando penso nisto, em tudo o que posso perder, penso em bens materias e só neles. não consigo pensar em perder um único amigo! uma única pessoa da família! não me passa pela cabeça perder a cidade onde nasci! a praia onde cresci! não perderei com toda a certeza os momentos pelos quais passei! então que posso eu perder? que podemos nós perder? o momento de ir! esse sim, podemos perder. o momento em que ganhamos coragem e enfrentamos o nosso receio! passo por fases que me levarão a esse momento e de nada me arrependo. por isso, quando decido deixar a cidade onde vivo, a casa que reconstruí a muito custo com a ajuda de todos aqueles que me quiseram ajudar (obrigado!), o emprego com futuro que tenho, não posso deixar de sentir, bem no fundo de mim, um enorme receio, esse sim, de voltar atrás. mas sinto-me forte, porque acredito que de nada me arrependerei. só de ficar.


1 comentário:

qrestina disse...

Há cerca de 2 anos acompanhei a mesma "decisão indecisa" de um amigo. E, quando leio estas linhas, acredito que poderiam ter sido as suas também.

Conheci-o numa sessão de testes psicotécnicos - todos tentavam puxar os seus galões (licenciatura em gestão na faculdade xpto, erasmus acolá, motivado e com vontade de vencer, etc etc), quando ele, com uma simplicidade brutal, único sem o fato e a gravata, refere que a experiência que mais o marcou foi ter passado uma longa temporada como voluntário no Nepal, ao que se seguiu uma viagem pela Índia.

Dias mais tarde voltámo-nos a cruzar, dado que tínhamos sido seleccionados para o mesmo programa. Fomos colegas durante cerca de 2 anos e meio, altura em que o contrato com a empresa terminava. A empresa era uma dessas de "topo", no sector das TI, que para além dos salários confortáveis apresentava uma série de outros benefícios.

Teve uma proposta para se tornar efectivo. Era surpreendente como a par da angústia que o mundo empresarial lhe causava ele se saia sempre tão bem nas suas responsabilidades diárias. Mas ele sabia que se aceitasse a proposta nunca mais conseguiria seguir o seu sonho de se "libertar" de tudo isto.

Ele sabia que aquele era o momento - mas e o futuro? a estabilidade seria assim tão importante como o resto do mundo queria fazer parecer? e depois, se partisse, o que faria daqui a uns anos? não se iria arrepender?

Resolveu partir para a Índia, por 6 meses. Em Abril deste ano, quase 1 ano depois da partida, trocámos e-mails e dizia-me que, talvez regressasse em Dezembro, mas que nada era certo, que andava ao sabor do vento, como ele gostava, como tem de ser.

É das pessoas mais surpreendentes que conheço. E parece que finalmente encontrou o caminho que o faz feliz. Não me parece arrependido. Nem me parece que deseje voltar.

Tantas vezes nos agarramos a uma falsa estabilidade que não nos enche as medidas e somos infelizes. A sociedade, quem nos rodeia e nos quer bem, faz-nos acreditar que o caminho que devemos seguir deve ser aquela normalidade imposta, porque isso é a tal segurança.

Que o que nos tentam vender não vos esmague... seguir os nossos sonhos é sempre o mais acertado que podemos fazer na vida... apetece-me aproveitar aquele cliché de que a vida não se mede pela quantidade de vezes que respiramos... mas pelas vezes que perdemos o fôlego!

Força e Boa Sorte :)

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