primeira noite na tenda!

saímos de palência já passava das 10h. sabíamos que nesse dia não pedalaríamos até burgos, mas ficaríamos bem mais perto. tomaríamos o caminho de santiago ao contrário do seu normal, a partir de fromista, 37km de burgos. logo ao acordar, notamos que o vento que se fazia sentir logo àquela hora da manhã, não nos iria proporcionar um dia descansado. nos primeiros quilómetros, as conclusões estavam tiradas. o que seriam uns 30km aparentemente fáceis, tornaram-se numa dor de cabeça. aqui e ali paravamos, ora para vestir ora para despir roupa, para subir com a bicicleta à mão ou somente para descansar um pouco. a meio da viagem e devido ao esforço que fazíamos, o meu joelho voltou a dar sinal de vida. a dor estava lá, com pontadas fortes, para me lembrar que ainda não me tinha livrado dela. a certa altura, não tive outro remédio senão...tomar um remédio! depois disso, optámos por caminhar um pouco, por uma estrada comprida e plana, tirada de um livro de fotografias, sem tracejado e com árvores dos dois lados. as dores, no entanto, não impediram que tirasse umas quantas fotos! fromista era o objectivo da manhã e daí, decidiríamos o que fazer, onde comer, onde ficar. porém, duma coisa tínhamos a certeza, a tenda iria ser montada pela primeira vez!

fromista é uma pequena população que nasceu em volta duma igreja - san martin - considerada um expoente máximo da arquitectura romântica e pouco mais do que isso. o caminho de santiago passa pelo meio da aldeia, claro está e segue caminho! nós parámos para almoçar em frente dum parque para crianças. quando nos preparávamos para ir embora, eis que apareceu um homem já de idade que, ao interpelar-me e ao perceber que éramos portugueses, começa numa lenga-lenga de pais nossos e avé marias ditos em português e, quando pensei que já tudo tinha acabado, eis que me começa a perguntar se não tinha nada em português que ele, além de o ler perfeitamente, também o traduzia ao mesmo tempo para castelhano. e eu ali, a ouvir o homem e a dar aso à sua conversa. a tanya, de longe, olhava e ria-se, mas nunca se aproximou.

de fromista a castrojeriz, era pouca a distância e, por esse mesma razão, achamos por bem torná-la mais complicada. vai daí, decidimos meter-nos pelo caminho de santiago a sério e quando dizemos a sério, dizemos terra batida! só que esta não vem só. vem com pedras, com altas subidas e muita irregularidade, tanta que a meio, quando vimos uma subida imensa, a pique, a qual já nos tinha sido avisada que iria aparecer e por essa razão nos haviam aconselhado a ir pela estrada, voltámos para trás e, metidos noutro caminho de terra batida, optámos por aceder mais à frente à estrada normal e daí seguir para castrojeriz! como quem diz "vai à volta"! os pneus do paciência, além de terem sido muito baratos, têm-nos vindo a surpreender! chegados à aldeia, o homem do albergue levanta-se para nos acolher, sentando-se de imediato quando nos ouve dizer que vamos seguir para burgos ainda nesse dia. comprámos pão, enchemos as garrafas com água, pois teríamos de ter água para cozinhar, e abalámos! a partir daqui, seria bem mais devagar, já que teríamos de encontrar um sítio para montar a tenda. teria de ser obrigatoriamente: um sítio seguro, protegido do vento, escondido dos olhares exteriores e minimamente confortável e ao sol!

uma casa abandonada do lado direito chamou-nos a atenção. depois de um estudo do terreno, achámos que seria o local ideal! bicicletas no chão, tudo para fora dos sacos e, depois da tenda montada, sentamo-nos a comer uns cereais! logo após o lanche, chegava a vez de preparar o jantar! o campingaz trabalhou pela segunda vez na perfeição! massa com feijão e tomate e massa chinesa com um pó amarelo que nem queremos saber o que é, mas que sabe muito bem! o acompanhamento? pão e água! e que bem que se está no campo! as coisas teriam de esperar para serem lavadas no dia seguinte, quando chegássemos a burgos, mas nada impediu que não levassem uma pré-lavagem tão bem feita que, no outro dia de manhã, ainda tomámos o pequeno-almoço nos mesmos pratos!

20h30 e já estávamos dentro da tenda. lá fora era dia e enquanto não anoitecesse, não estaríamos descansados. o mínimo barulho era sinal para que nos levantássemos e espreitássemos para fora da tenda (a nossa tem janelas...ah luxo!). falso sinal! entre fechar os olhos levemente e acordar, as horas foram passando e a última vez que me lembro de o ter feito, já via estrelas lá em cima! a noite, tínhamos a certeza, iria ser gelada.



2 comentários:

xistacio disse...

correctamente diz-se (de goela bem aberta): BAI À BOLTA!!!

Troca Letras disse...

Eu que adoro fotografias, passar nessa estrada fazia-me, perder ai uma ou duas horas para fazer umas fotos.
Eu também estou sempre atento a bicicleta quando tenho que acampar, o medo que alguém a tente levar é grande. O que eu faço é prender uma corda á bicicleta e outras á minha almofada, e isso da-me uma grande segurança enquanto durmo. Tento sempre a prender com o cadeado, mas o truque da corda é sempre utilizado.

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