sair da bélgica, entrar na holanda!

já não escrevemos há tanto tempo que já quase nem nos lembramos como é que se escreve...enfim.

depois de termos passado por leuven, viajámos até beerse, onde ficamos alojados em casa dum casal vareiro - o nelinho e a esmeralda - que nos ofereceram o que de melhor tinham! é bom encontrar portugueses ao longo do caminho, mas quando encontramos portugueses que conhecemos, ainda é melhor, então quando estes que conhecemos são da nossa terrinha, é um festim! dá para pôr em dia toda a conversa, falar deste e daquele, "lavar roupa suja", rir, interrogar e criticar! nos 2 dias que aqui passamos, levaram-nos a conhecer outras cidades em volta, como baarle (que já falámos noutro post), eindhoven na holanda e turnhout na bélgica, onde jantamos!

dois dias passados, pedalavamos agora para norte, para antuérpia, uma cidade pela qual sentiamos uma grande curiosidade, porque as referências que tínhamos, falavam de uma cidade bastante industrial, ou não fosse a cidade com o segundo maior porto da europa a seguir a roterdão, na holanda. para simplificar a explicação, basta dizer que ficamos 5 dias! sim
, a bélgica para nós já era um fenómeno que não conseguíamos explicar, mas chegar a antuérpia, tornou ainda maior! primeiro que tudo, as pessoas que nos receberam! a célia e o steven! a célia era uma conhecida de longa data - 10 anos, talvez - que trabalhava no rivoli quando eu, jovem técnico na altura, também lá estava! o que trocavamos na altura eram uns simples sorrisos, uns olás talvez e nada mais. a célia foi também mais tarde actriz no teatro regional da serra do montemuro, onde a tanya (mais tarde ainda) também trabalhou como actriz! e as coisas acabam por se cruzar! a tanya conheceu-a lá, mas nada de mais...um olá...talvez e só! no entanto depois conheci a tanya que disse um olá à célia que, por sua vez, já havia alguns anos antes, trocado alguns olás comigo! e a história é essa...agora iamo-nos conhecer a sério, em antuérpia! já com o steven, temos uma história diferente! é namorado da célia e foi em antuérpia que o conhecemos! fácil! ambos são fantásticos! ambos são grandes! ambos são...arriscamos...mais que espectaculares! e foi também por esta razão que não conseguimos sair mais cedo, porque tudo era bom desde que os olhos abriam até fecharem, às tantas da madrugada, depois de horas e horas passadas na conversa!

quanto a antuérpia, saberemos explicar? é uma cidade que - usando o famoso cliché - se estranha e dep
ois se entranha! transcrevendo parte de um mail que a célia nos enviou: "não sei se a célia vai sair algum dia de antuérpia, mas sei que antuérpia nunca mais vai sair da célia!" - e é assim que sentimos a cidade à medida que o tempo passa, cada vez mais como nossa! e quando a sentimos cada vez mais assim, tudo passa a ser mais bonito, mais interessante e, mesmo quando algo é feio e inestético, como é o caso do grande porto que podemos ver da cidade, ali, tão presente, achamos sempre maneira de o ver como uma beleza bruta, crua e sempre em transformação! e quando saimos de antuérpia, ao fim de tantos dias, olhamos para trás e sabemos que esta é, sem dúvida algum, uma cidade a voltar uma e outra vez. mas sentimentalismos à parte, o que é antuérpia? uma cidade que cresceu em volta do seu porto marítimo desde que bruges começou a perder a importância. o que é importante referir também é que muita da importância que tem hoje em dia, se deve aos portugueses, claro! foi para aqui que os portugueses mudaram a feitoria real, no final do século XV. esta administrava o comércio e distribuição de todos os produtos vindos do oriente, funcionando como uma extensão da casa da índia, entre 1508 e 1549! com os portugueses, começaram a chegar trabalhadores espanhois e, na mesma altura, muitos judeus expulsos de portugal - a inquisição instalava-se - que começaram a desenvolver o comércio de diamantes, actividade pela qual ainda hoje são conhecidos e que faz com que antuérpia tenha o nome de cidade diamante, visto que aqui se negoceiam 80% dos diamantes brutos e 50% dos lapidados do mundo inteiro! fora a economia e o porto, esta é uma cidade cheia de espaços a descobrir e com cafés que, só de olhar, apetece ficar dias e dias e experimentar um a seguir ao outro! lindos!

com a célia e o steven, fomos também visitar uma fundação (da qual não nos lembramos do nome...) que pertence a um antigo empresário na área dos transportes e que, não tendo o que fazer ao dinheiro e porque é um apreciador de arte, cede o terreno para colocação de obras de arte, para residências artísticas e para instalações, exposições temporárias. os artistas não são pagos pelo que fazem, expõem ou cedem ao espaço, mas têm um sítio onde desenvolver a sua arte! depois fomos até doel, uma aldeia perdida - não há outro nome - perdida entre a grande central nuclear que alimenta parte da bélgica, da holanda e da alemanha e o porto de antuérpia. é surreal a imagem da aldeia. quando a central foi construída e o projecto para ampliação do porto feito, foi proposto às pessoas que habitavam a aldeia mudarem-se para outros sítios. as pessoas que quiseram mudar, receberam mais dinheiro do que o valor que a sua própria casa tinha, tiveram ajuda para encontrar novos empregos, entre outras regalias. mas, como em tudo, há quem não queira mudar e hoje a aldeia é um misto de casas abandonadas e casas habitadas, com muitos squaters a ocupar as casas de ninguém! o turismo é assim atraído a esta zona, onde numa rua se pode ver poesia e outros textos expostos por todo o lado. regrassados a antuérpia, pelas 23h, ainda pedalamos com a célia até uma parte da cidade onde se pode ver o porto com toda aquela quantidade de luzes ligada e os fumos, que se espalham no ar! deitar cedo é quase sempre impossível, mas tínhamos que nos esforçar, pois no dia seguinte, íamos fazer mais de 100km até roterdão.

fomos acompanh
ados pela célia, claro - o steven não estava quase nunca, não porque não gostavamos dele ou vice-versa, mas porque tinha uns horários muito esquisitos...ou não trabalhasse em teatro! - até que uma placa branca a dizer antuérpia fosse atravessada por uma linha vermelha, de um canto ao outro. as palavras finais, os abraços, os beijos! agora sim, já não eramos apenas conhecidos! roterdão ficava tão longe...

a viagem até lá foi pacífica. foram 112km ao todo, mas quando o país é plano, não há grandes esforços. não sabemos se é verdade, pois nunca pesquisamos, mas ouvimos dizer que a maior "montanha" da holanda, tem 200 metros! a holanda, como toda a gente sabe, também conhecida por netherland ou em português: país-baixo (países baixos, como normalmente chamamos) é um dos países mais povoados e baixos do mundo. quando falamos de baixos, queremos dizer que a maior parte do país fica abaixo do nível do mar, sendo em muitas zonas em mais de 20 metros. a holanda é conhecida então, além das tulipas e da imensa mistura de culturas de todo o mundo, pelos seus diques e os seus moinhos, que mais não servem do que controlar o fluxo de água nos seus rios e canais.

roterdão é uma cidade muito interessante. a sua história, roda em volta do porto marítim
o que, neste momento, é o maior da europa. depois da construção de alguns diques e barragens que permitiram à cidade começar o seu desenvolvimento, as populações foram-se mudando para este povoado que contava em 1340 com 2000 habitantes. a expansão do seu porto, trouxe pessoas de todo o mundo. a economia crescia e as companhias americanas e francesas, muitos anos mais tarde, começaram a construir os seus escritórios e a fundar empresas ligadas ao transporte marítimo. no entanto, depois de toda esta política de desenvolvimento, a 2ª guerra mundial começava e os alemães tinham como objectivo conquistar a holanda num só dia. assim sendo, a 14 de maio de 1940, aviões alemães sobrevoaram a cidade e em apenas um dia, uma cidade inteira desaparecia de mapa, morrendo neste ataque 800 pessoas e ficando 80.000 desalojadas. a cidade ficou completamente destruída (foto aqui). entre 1945 e 1970, a cidade foi reconstruída, sendo transformada num autêntico laboratório de arquitectura que nos deixou impressionados! a mistura dos edifícios que sobreviveram com arranha-céus espelhados, casas quadradas e amarelas, com casas com portadas em madeira. algumas partes da cidade são de ficar de boca aberta! é interessante visitar o museu de história e percorrer a cidade ao longo dos anos. é interessante também observar o ritmo das pessoas nesta grande metrópole transformada em centro comercial. é interessantes observar a mistura de culturas, cheiros, sabores, que nos oferece. é necessário pegar na bicicleta e percorrer todos os recantos e descobrir no meio de autênticos exemplos da arquitectura mais vanguardista, pedaços sobreviventes de história. 3 noites em roterdão deram para perceber que é uma cidade de passagem onde, de certeza, não seríamos capazes de viver. é muito modernismo e informação para nós!

kinderjick
! em que é que esta palavra tão estranha nos atrai tanto? é apenas uma pequena vila, a 25km de roterdão. percorre-se toda a sua extensão em poucos minutos. no entanto, é património mundial da humanidade e a razão prende-se com um total de 19 moinhos construídos em 1740, que controlam o fluxo de água nos vários canais existentes. a imagem, quando nos aproximamos, é de tirar a respiração! os moinhos são imponentes e lindos! mas o sítio onde estão, com toda aquela água de todos aqueles canais em volta, no meio duma paisagem verde e debaixo de um sol incrível, não podia ser melhor! chegados depois de uns quilómetros a pedalar, a nossa conversa resumia-se a "xiiii", "e, olha ali!!!", "que brutal!", "já viste aquele ali ao fundo? e visto daqui...fogo!" - só para terem uma ideia! claro que quando reparamos que na maior parte destes moinhos habitam pessoas, no meio de toda aquela beleza, mais uma expressão foi acrescentada: "chulos!". decidimos sentar o rabiosque num pequeno cais de madeira e aí almoçar, frente a todo aquele espectáculo. é difícil descrever um lugar destes. ficamo-nos por lá, a apreciar, somente! depois de gastarmos o "rolo" a tirar fotografias a torto e a direito, achamos por bem regressar a roterdão, não sem antes para para um cafézinho que de café só tinha mesmo o nome! mais à frente e sem que estivessemos sequer a pensar nisso, um lago no meio dumas casas chamou-nos a atenção. gritos de crianças chegavam de lá e, atrás do gritos, vinha muita alegria! um lago azul fazia a felicidade de míudos que tomavam banho e passeavam de barco. bastou um olhar para perceber que parte daquele lago também iria ser nosso! roupas tiradas e atiramo-nos à água! foi incrível nadar pela primeira vez desde que começamos a viagem, rodeada por pequenas casas e árvores, naquele lago que mais parecia saído do paraíso! a viagem de regresso, já não custou tanto!

hoje seguimos para den haag, onde vive pessoal de ovar: o zé fernando, o joy, o joca e o renato! até lá...um bem haja!

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